2. Teoretisk rammeverk
2.5 Entreprenøriell adferd
Schubert et al. (1992) relataram que as alterações em mucosa oral de pacientes submetidos ao tratamento oncológico são resultados de uma interação complexa de diversos fatores que incluem a toxicidade direta e indireta decorrente do tratamento de radioterapia e/ou quimioterapia, microflora bucal, infecções virais e traumas.
Diversas escalas para mensuração da intensidade da mucosite oral são citadas na literatura (SCHUBERT et al., 1992; SONIS et al., 1999; WHO, 1979). Os estudos mais recentes têm optado pela classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) ou World Health Organization (WHO), que em 1979 classificou a mucosite oral em 4 graus: 0, 1, 2, 3 e 4. O grau zero representa nenhuma alteração. O primeiro grau representa aparecimento de ulceração e eritema. O segundo grau, eritema e úlcera causando dificuldade de ingestão de sólidos. O terceiro grau representa úlceras e impossibilidade de ingestão de sólidos. O quarto grau representa a impossibilidade de alimentação. É uma escala de fácil manipulação, aplicabilidade direta e validada.
A escala proposta por Sonis et al. (1999) avalia objetivamente sinais como eritema, tamanho e localização das ulcerações nos vários sítios da boca. Por esta escala a mucosite é clinicamente relevante quando ocorrem úlceras de 1 a 3 cm2 ou maiores e/ou eritema severo.
As principais características clínicas relacionadas a mucosite oral, no aspecto do exame físico são: eritema, edema, sangramento, ulceração e formação de pseudomembranas. As áreas eritematosas podem associar-se a placas brancas
elevadas, descamativas e úlceras dolorosas que podem favorecer a instalação de infecções secundárias. Quando associadas a mielossupressão e ao trauma da mucosa, a contaminação das úlceras por bactérias, vírus e fungos torna-se mais freqüente e grave, podendo conduzir o paciente à morte (EPSTEIN; SCHUBERT, 1999; PLEVOVA, 1999;). Sensação de ardência e queimação é comumente referida. O estágio inicial desta injúria ocorre rapidamente, após a administração da radioterapia e quimioterapia, com alterações no DNA e outros componentes celulares. A quebra do DNA resulta em injúria celular na camada basal do epitélio e submucosa. Neste estágio, o aspecto clínico da mucosa é normal, mas a cascata de eventos se inicia na submucosa, resultando seqüencialmente em destruição (RUBENSTEIN et al., 2004; SONIS, 2004). A dor associada a mucosite é dependente do grau de destruição tecidual, excitação dos receptores da dor, intensidade dos componentes inflamatórios e mediadores da dor (EPSTEIN; SCHUBERT, 1999).
Segundo Raber-Durlacher et al. (2000) e Scully, Sonis e Diz (2006) a mucosite instala-se entre 7 e 10 dias após o início da quimioterapia. Os primeiros sinais clínicos consistem de eritema na mucosa, com sensação de ardência, seguindo-se o aparecimento de úlceras, com conseqüente desconforto, uso freqüente de opióides e, em muitos casos, exigindo a alteração da dieta dos pacientes. A qualidade de vida e os custos dos pacientes que desenvolvem a mucosite oral são significantes em relação aos que não desenvolvem, principalmente nos pacientes submetidos ao transplante de medula óssea onde aumenta o período de internação, febre, consumo de analgésicos, antibióticos e nutrição parenteral.
Os sítios mais freqüentemente afetados na boca são representados pelas mucosas de revestimento, não-queratinizadas: lábios, língua (ventre e bordas), mucosas jugais, palato mole e assoalho da boca. A gengiva, o dorso da língua e o palato duro são menos afetados, provavelmente devido à sua menor renovação celular (DONNELLY et al., 2003; KÖSTLER et al., 2001; SONIS, 1998; SONIS et al., 2001).
A depender da severidade do quadro, a nutrição se prejudica podendo resultar em anorexia, caquexia, desnutrição e desidratação, interferindo com os processos de regeneração tecidual (DONNELLY et al., 2003; SONIS, 1998; SONIS et al., 2001). Complicações da mucosite podem requerer hospitalização, nutrição parenteral e uso de narcóticos; o que gera grande impacto na qualidade de vida do paciente. Essas lesões podem resultar em interrupção do tratamento, redução da dose ou submeter o paciente à prescrição de outros medicamentos (SONIS; SONIS, 1978).
Mielossupressão e inflamação conduzem à quebra das barreiras da mucosa, facilitando a entrada de patógenos nos tecidos orais. Essas infecções oportunistas são causadas por vírus, fungos e bactérias que aumentam o risco de infecções sistêmicas (LOCKART; SONIS, 1981b).
Nicolatou-Galitis et al. (2006) investigaram a incidência de herpes simples em 60 pacientes submetidos à radioterapia de cabeça e pescoço. Realizou-se papanicolau e fosfatase alcalina nas mucosites graus 2, 3 e 4 para identificação imunohistoquímica de HSV-1. A incidência de herpes simples durante a radioterapia foi de 29,1% e nesses casos as lesões de mucosite foram agravadas pela presença do vírus.
Herpes simples vírus-1 (HSV-1) é um importante ativador de NF-kβ, desta forma quando as lesões de mucosite são infectadas por este vírus o quadro se exacerba. O herpes simples exerce função nas células do epitélio da mucosa e proporciona a formação de vesículas intra-epiteliais. Essas vesículas se rompem com facilidade e a ulcera é recoberta com um exsudato fibrinoso (SONIS, 2002).
Saral et al. (1981) e Schubert et al. (1990) pesquisaram a presença do herpes simples nos pacientes imunossuprimidos devido à quimioterapia e durante o transplante de medula óssea. O vírus foi encontrado com uma freqüência de 40 a 60% nas mucosites destes pacientes. A infecção pelo herpes simples exacerba ou algumas vezes causa as ulcerações no período de imunossupressão após a quimioterapia. Djuric et al. (2007) realizaram estudo com 40 pacientes sob quimioterapia para diferentes neoplasias. A presença de HSV-1 foi detectada em 28 pacientes (70%) antes do inicio da quimioterapia e destes, 25% manifestaram complicações orais. O exame de controle foi realizado duas semanas após o início da quimioterapia, quando a presença de herpes simples foi identificada em 35 pacientes (87,5%), dos quais 23 (65,7%) apresentaram alterações na mucosa. HSV- 2 não foi identificado em nenhum paciente.
Infecções fúngicas superficiais com Candida albicans ocorrem freqüentemente em pacientes recebendo corticosteróides, quimioterapia e radioterapia. Tem sido reportado que 57% a 89% dos pacientes com câncer demonstram cultura positiva para espécies de cândida. Infecções orais podem originar infecções sistêmicas em pacientes imunossuprimidos (PIZZO, 1993).
A microflora oral pode ter papel na progressão da destruição da mucosa, como sugerido em estudos da flora com bactérias gram-negativas, na mucosite radioinduzida e uma pobre higiene oral é associada a mucosites mais severas.
Intensiva higiene oral tem sido documentada para redução da mucosite oral, em pacientes submetidos ao transplante de medula óssea, enquanto não é acrescentado o risco de bacteremia (BOROWSKI et al., 1994).
Sonis (2004) relatou que pacientes com graus severos de mucosite tiveram seu tempo de internação prolongado com aumento do risco de infecções, o que também ocasionou custos elevados. O planejamento do tratamento oncológico pode sofrer alterações como interrupção da radioterapia, redução das doses dos quimioterápicos ou modificação dos agentes antineoplásicos devido a toxicidade da mucosite.