• No results found

2.7.1 Conceitos

Segundo Tague-Sutcliffe (1992):

[...] a cienciometria e a bibliometria concentram-se principalmente nos aspectos estatísticos da linguagem e freqüência de citação de frases, tanto em textos (linguagem natural), como em índices impressos e em formato eletrônico; características da relação

autor-produtividade medidas por meio de um número de artigos ou outros meios; grau de colaboração; características das publicações, sobretudo a distribuição em revistas de artigos referentes a uma disciplina; análise de citação: distribuição entre autores, artigos, instituições, revistas, países; uso em avaliação; mapa de disciplinas baseado na co-citação; uso da informação registrada: circulação em bibliotecas e uso de livros e revistas da própria instituição.

Para Macias-Chapula (1998), a bibliometria:

[...] é o estudo que se preocupa com a mensuração da produção, disseminação e uso da informação registrada. Comumente, é entendida como tendo base os métodos quantitativos e, naturalmente se apóia em modelos matemáticos e estatísticos que venham contribuir para estabelecer previsões e apoiar as tomadas de decisões. Atualmente, esta disciplina já propõe trabalhar com métodos qualitativos na perspectiva de entender o comportamento comunicacional estabelecido nos diálogos entre cientistas e pesquisadores.

A bibliometria estuda a organização dos meios científicos e tecnológicos a partir de fontes bibliográficas e patentes para registrar e identificar autores, suas relações e tendências. A bibliometria trata das várias formas de medir a literatura dos documentos e outros meios de comunicação (Spinak, 1998). Por outro lado, a cienciometria avalia a produção científica mediante indicadores numéricos de publicações, patentes, entre outros. Essas técnicas são importantes para identificar tendências e crescimento do conhecimento, verificar a cobertura das revistas, identificar os usuários e autores, medir a utilização dos serviços de disseminação da informação, formular políticas de aquisição e descarte de publicações, estudar a dispersão e obsolência da literatura científica, entre outros (Spinak, 1998).

Outro conceito de bibliometria é que é a ciência que permite fazer estudo quantitativo da produção científica da literatura registrada em

diferentes bases de dados de qualquer área do conhecimento (Bojo Canales et al., 2004). Os estudos bibliométricos baseiam-se na análise estatística de dados quantitativos registrados na literatura científica e, atualmente, é uma ferramenta muito utilizada no estudo das atividades de investigação do pesquisador. A bibliometria revela dados interessantes sobre a produção científica de um país ou tema específico de determinada área do conhecimento, permitindo avaliar a produtividade da atividade científica e seu impacto na comunidade. Ela pode ser aplicada para quantificar os artigos, pois os mesmos são normalizados nas revistas científicas, antes de serem submetidos para indexação nas bases de dados, tornando-se o mais importante canal de divulgação formal do conhecimento (Bojo Canales et al., 2004).

Os estudos bibliométricos constituem ferramentas na avaliação da importância social e científica de uma disciplina específica durante certo período de tempo, configurando instrumentos úteis para os resultados da atividade científica, possibilitando notar sua evolução e tendências (García- García, et al., 2005).

Bibliometria, segundo Lara (2006),

[...] é a área de estudos que faz do campo mais abrangente da informetria e que se dedica aos aspectos quantitativos da produção, disseminação e uso da informação registrada, focando especialmente os setores científicos e tecnológicos a partir de fontes bibliográficas e patentes. Os estudos bibliométricos utilizam métodos matemáticos e estatísticos e podem ser classificados segundo as fontes de dados que constituem a base da análise, ou segundo os propósitos ou aplicações dessas mesmas análises. Do ponto de vista das fontes, compreendem as bibliografias e serviços de indexação e resumo, as referências ou citações, e os diretórios ou catálogos; do ponto de vista das aplicações, compreendem, entre outras, a seleção de livros e publicações periódicas, as características temáticas da literatura, a avaliação

de bibliografias e coleções, a história da ciência e o estudo da sociologia da ciência. A bibliometria engloba a webometria e tem intersecções com a cientometria.

2.7.2 Avaliação da produção científica

O uso de estudos bibliométricos é uma tendência mundial. Na Espanha, nos cursos da área biomédica o uso dos estudos bibliométricos tem se ampliado cada vez mais em relação ao progresso técnico e a visão das diversas áreas de aplicação. Em 1980, ao pesquisar na base de dados

Medline os termos “bibliometr*” e “Spain”, foram encontrados 180

documentos, dos mais diversos temas, tais como: oncologia, neurologia, psiquiatria, farmacologia, doenças respiratórias, etc (García-García et al., 2005) Esses mesmos termos foram pesquisados em 2009 e encontrou-se 479 registros sobre “bibliometric”.

Para o profissional da informação, as técnicas bibliométricas são de grande valia, não apenas pela abordagem quantitativa, mas também pela possibilidade de uma avaliação qualitativa. Os números, apesar de não corresponderem a uma verdade absoluta, aproximam-se da realidade e, com a inclusão de estudos qualitativos, a riqueza das análises pode ser mais representativa (Lima; Bentes Pinto, 2002).

Assim sendo, a bibliometria contribui para a preservação da memória científica pois permite o resgate da literatura em diferentes períodos, inclusive para a estruturação de bases que possibilitem

comparação e avaliação do fluxo da comunicação científica (Lima; Bentes Pinto, 2002).

Por meio dos estudos bibliométricos pode-se ter uma visão da atividade científica de um país, região ou centro, realizar comparações e acompanhamento ao longo do tempo, constituindo-se em ferramenta para avaliar a importância de determinada área do conhecimento ou mesmo disciplina (Tague-Sutckiffe, 1992).