• No results found

5   Helt eller delvis ankesiling

5.2   Rammen for hvordan en anke kan nektes delvis

5.2.2   Enkelte krav

Souza e Arroio (2009), pesquisadores do ensino de Química, constroem, de forma clara, uma visão panorâmica que possibilita a todos compreenderem a importância da escrita como recurso pedagógico. Entre as muitas informações que os autores trazem, destaca-se a existência de uma forte tendência em considerar a escrita como “[...] um modo único de aprendizagem, não apenas valioso, não simplesmente especial, mas único” (EMIG, 1977 apud SOUZA; ARROIO, 2009, p. 2). Segundo eles, no ensino de ciências, a escrita funciona como ferramenta de aprendizagem. Para muitos especialistas em letramento científico, as formas tradicionais da escrita, tais como o relatório de pesquisa ou de laboratório, têm potencial para o desenvolvimento da aprendizagem de ciências.

A escrita realmente força os estudantes a analisarem e sintetizarem informações de uma forma que sejam significativas para eles. Além disso, ajuda-os a se tornarem estudantes ativos: quando eles a usam para expressar por escrito os conceitos que adquirem a partir de seus livros didáticos, aulas expositivas, aulas de laboratórios e, tornam-se envolvidos em um processo ativo de produção de sentidos. (KLEIN; ALLER, 1998, p. 26 apud SOUZA; ARROIO, 2009. p. 2).

A tese que subjaz a esses pensamentos é, essencialmente, a mesma que sustenta o ensino de língua organizado a partir dos gêneros: o domínio dos gêneros melhora a relação entre produtores e leitores com o texto, na medida em que os torna capazes de compreender o emprego e o funcionamento de variados textos em esferas determinadas.

Tal demanda tende às finalidades que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB/1996) reserva para a área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Entre elas, espera-se que a área

[...] propicie um aprendizado útil à vida e ao trabalho, no qual as informações, o conhecimento, as competências, as habilidades e os valores desenvolvidos sejam instrumentos reais de percepção, satisfação, interpretação, julgamento, atuação, desenvolvimento pessoal, [...]. Deve propiciar a construção de compreensão dinâmica da nossa vivência material, de convívio harmônico com o mundo da informação, de entendimento histórico da vida social e produtiva, de percepção evolutiva da vida, do planeta e do cosmos, enfim, um aprendizado com caráter prático e crítico e uma participação no romance da cultura científica, ingrediente essencial da aventura humana. (MEC, 1996, p. 4-7).

Também, nos Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio de cada disciplina que compõe a área de Ciências da Natureza (PCNEM-CN), depositam-se objetivos que revelam o

arrojo e a complexidade do ensino da área. Nos PCNs para a disciplina de Biologia, afirma-se que o domínio de conhecimentos biológicos é uma das finalidades dos estudos, no âmbito escolar, que proporciona aos alunos:

compreender os debates contemporâneos e deles participar (...) compreender a origem, a reprodução, a evolução da vida e da vida humana em toda sua diversidade de organização e interação. [Os conhecimentos biológicos] Representam também uma maneira de enfrentar as questões com sentido prático que a humanidade tem se colocado, desde sempre, visando à manutenção de sua própria existência e que dizem respeito à saúde, à produção de alimentos, à Biologia, à produção tecnológica, enfim, ao modo como interage com o ambiente para dele extrair sua sobrevivência. (PCNEM, p. 34).

Para a disciplina Física, está previsto um conjunto de competências específicas que: permitam perceber e lidar com os fenômenos naturais e tecnológicos, presentes tanto no cotidiano mais imediato quanto na compreensão do universo distante, a partir de princípios, leis e modelos por ela construídos. Isso implica, também, a introdução à linguagem própria da Física, que faz uso de conceitos e terminologia bem definidos, além de suas formas de expressão que envolvem, muitas vezes, tabelas, gráficos ou relações matemáticas. (PCNEM, p. 59).

Quanto às finalidades da Química, nos PCNs da área, afirma-se que:

O aprendizado de Química pelos alunos de Ensino médio implica que eles compreendam as transformações químicas que ocorrem no mundo físico de forma abrangente e integrada e assim possam julgar com fundamentos as informações advindas da tradição cultural, da mídia e da própria escola e tomar decisões autonomamente, enquanto indivíduos e cidadãos. (PCNEM, p. 30).

A partir do previsto na LDB e nos PCNs, entende-se que a educação em Ciências da Natureza (Biologia, Física e Química e suas Tecnologias) tem por meta formar um cidadão crítico e ético, prepará-lo para o enfretamento das mudanças ambientais, sociais, políticas e econômicas que vão acontecendo no mundo, à medida que os conhecimentos científicos e tecnológicos se ampliam em direção à sobrevivência e à manutenção da espécie humana. Espera-se que haja compreensão dos fenômenos naturais e cósmicos bem como das interações entre os seres vivos e a matéria. Na abordagem dada ao saber científico, nota-se a consciência de que é preciso que o aluno tenha uma formação básica, sólida, íntegra, capaz de contribuir para que ele, ao concluir o ensino médio e ingressar no mercado de trabalho, saiba valer-se das ciências em benefício de si mesmo e da sociedade.

É, neste espaço de expectativas bastante elevadas e complexas, que atividades de linguagem escrita, em especial, os relatórios, atuam como forma de expressão ou como instrumento natural ou próprio da esfera de formação escolar técnico-científica, tanto que, em sua introdução geral, nos PCNs, já se salienta a importância da linguagem:

Informar e informar-se, comunicar-se, expressar-se, argumentar logicamente, aceitar ou rejeitar argumentos, manifestar preferências, apontar contradições, fazer uso adequado de diferentes nomenclaturas, códigos e meios de comunicação são competências gerais e recursos de todas as disciplinas e, por isso, devem se desenvolver no aprendizado de cada uma delas. (PCNEM, p.20).

Em Biologia, entre as habilidades relacionadas à representação e comunicação, nos mesmos PCNs, estão arroladas diversas habilidades associadas ao emprego da linguagem escrita, salientando-se aqui a referência direta à escrita de relatórios:

1 - Escrever relatórios, pequenas sínteses e fazer relatos orais, utilizando linguagem específica para descrever com precisão fenômenos biológicos (como, por exemplo, a circulação do sangue nos vertebrados ou a clonagem de um ser vivo), características dos seres vivos observados ao microscópio (como a estrutura básica de uma célula ou de um microrganismo), a olho desarmado (como a distinção entre as diferentes ordens de insetos ou as adaptações de plantas de ambientes secos) ou, ainda, para descrever características de um determinado ambiente (como a caatinga ou os cerrados).

2 - Produzir textos argumentativos sobre temas relevantes, atuais e/ou polêmicos, como, por exemplo, os referentes à biotecnologia, à sexualidade, à biodiversidade e outras questões ambientais.

3 - Elaborar resumos, identificando as ideias principais de um texto, de um filme ou de uma reportagem televisiva relacionada a temas biológicos. 4 - Escrever resenhas de livros; produzir roteiros para entrevistar especialistas ou membros da comunidade sobre um tema específico, como os problemas de saúde decorrentes do lixo, das enchentes, de hábitos de vida; organizar as respostas e apresentar de forma clara e objetiva os resultados obtidos.

5 - Escrever reportagens enfocando as questões críticas para o âmbito local ou geral como as relacionadas a lazer, moradia, trabalho, nutrição, saneamento e outras que dizem respeito à saúde e qualidade de vida.

Conforme a passagem dos PCNs , a seguir apresentada, o conhecimento físico, em relação à representação e comunicação, diferencia claramente a linguagem “do saber da física” da “linguagem discursiva”, atribuindo a esta o papel de tradutora daquela e valorizando a habilidade de elaborar sínteses e esquemas na produção de bons relatórios:

1 - Utilizar e compreender tabelas, gráficos e relações matemáticas gráficas para a expressão do saber físico. Ser capaz de discriminar e traduzir as linguagens matemática e discursiva entre si.

2 - Expressar-se corretamente utilizando a linguagem física adequada e elementos de sua representação simbólica. Apresentar de forma clara e objetiva o conhecimento apreendido, através de tal linguagem. 3 - Elaborar sínteses ou esquemas estruturados dos temas físicos trabalhados.

Além disso, o ensino de Física

[...] tem enfatizado a expressão do conhecimento aprendido através da resolução de problemas e da linguagem matemática. No entanto, para o desenvolvimento das competências sinalizadas, esses instrumentos seriam insuficientes e limitados, devendo ser buscadas novas e diferentes formas de expressão do saber da Física, desde a escrita, com a elaboração de textos ou jornais, ao uso de esquemas, fotos, recortes ou vídeos, até a linguagem corporal e artística.

Na Química, participam da competência representação e comunicação as seguintes habilidades que também estão previstas pelos parâmetros gerais da área, quais sejam:

1 - Descrever as transformações químicas em linguagens discursivas.

2 -Traduzir a linguagem discursiva em linguagem simbólica da Química e vice-versa.

3 - Traduzir a linguagem discursiva em outras linguagens usadas em Química: gráficos, tabelas e relações matemáticas.

4 - Identificar fontes de informação e formas de obter informações relevantes para o conhecimento da Química (livros, computador, jornais, manuais etc.).

Observa-se, portanto, que as competências previstas para cada uma das disciplinas que compõem a área de Ciências da Natureza acarretam habilidades que exploram a produção de gêneros secundários e/ou dos tipos textuais (escrever relatórios, resumos, resenhas de livros, reportagens, roteiros de entrevistas, jornais, esquemas, sínteses, textos argumentativos, descritivos e narrativos). Além disso, em todas elas, há uma clara preocupação ou interesse em desenvolver valores e comportamentos, tais como o respeito e a atuação social crítica e solidária dos jovens, valores e comportamentos que dependem ou estão diretamente associados à competência discursiva dos estudantes. Sendo assim, pesquisas que contribuam para a compreensão dos gêneros escritos são importantes não só para os estudos linguísticos, no que tange notadamente ao ensino de Língua Portuguesa, mas também para os estudos voltados ao ensino de conteúdos científicos. Saliente-se que, de acordo com Wallace (2007, p.

1), as pesquisas produzidas nas últimas décadas sobre essa mediação seriam ainda insuficientes para compreender “como o ato de escrever promove a compreensão/aprendizagem de conhecimentos científicos”. 1

Por isso e para acrescentar um novo contorno à alta demanda por relatórios, a seguir, são apresentados alguns pensamentos de um número bem reduzido de pesquisadores que atuam na área de ensino de ciências e do letramento científico. Trazidos ao conhecimento de estudiosos e pesquisadores da área de linguística, tais pensamentos podem representar uma motivação a mais para a realização de projetos e pesquisas voltados para o ensino da língua em um perspectiva interdiciplinar.

2.3.2. Alguns apontamentos sobre a escrita sob a ótica de pesquisadores da área de