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Section 5:  Regulatory response to the financial crisis

5.1.  Enhancements to the Basel II framework

Na seção anterior, vimos que, para Stonier (1997), a existência da organização provém da presença ontológica da informação concebida como um elemento basilar do universo. Veremos, nesta seção, que a organização dos sistemas biológicos pode ser entendida como expressão da capacidade de auto-instanciação informacional. Daí que o que aqui será explicitado acerca dos sistemas biológicos estará no escopo da hipótese de Stonier de que a organização corresponde a um índice da presença da informação nos sistemas (físicos, biológicos, psicológicos e sociais).

Em uma perspectiva teórica semelhante à perspectiva informacional de Stonier, Cooney (1991; 2005) sustenta que a informação auto-instanciadora corresponde a um

repertório interno de prescrições disposicionais responsável pela inserção sensorial, ou

biossemiótica, do organismo ao seu ambiente; inserção biossemiótica porque delimitadora de uma faixa de identificação de signos, ou de formas-ecológicas, únicas para cada par complementar ambiente/sistema biológico (como veremos no quarto capítulo). A evolução natural das espécies possibilitou a emergência de sistemas auto- instanciadores cada vez mais complexos: da regulação das respostas metabólicas em organismos unicelulares à percepção dos padrões sensoriais via padrões de conexões neuronais isomorfos aos eventos ambientais que o ser humano é capaz de experimentar. Nas palavras de Cooney (1991, p. 06):

Tanto a estrutura da molécula de DNA de uma bactéria quanto a organização neural do cérebro correspondem a casos de informação armazenada que permite que o organismo detecte eventos relevantes e selecione respostas apropriadas 37.

No que diz respeito à interação mente/mundo, um ponto que nos parece positivo é que Cooney pressupõe que há um isomorfismo entre os perceptos e a sua (do percepto)

37 The structure of a bacterium’s DNA molecule and the neuronal organization of the brain are also cases

of stored information that enables the organism to detect relevant events and select appropriate responses (COONEY, 1991, p. 06).

reverberação informacional no espaço interno que identifica o percebedor. Tal pressuposição, em poucas palavras, dá a entender que o percebedor entra em ressonância com a realidade exterior e, desse modo, não a organiza via representações mentais. Isto posto, e segundo Cooney, uma resposta adaptativa é inteligente (em sentido biológico) se e somente se (1) capacita o sistema auto-instanciador a atuar, de forma similar, em condições similares e (2) permite a conservação do repertório disposicional de adaptações ao ambiente. A noção central por trás do rótulo informação auto-instanciadora é, assim, a de estabilidade morfogenética. Como expressão da atuação de princípios morfogenéticos, o sistema auto-instanciador:

[...] permanece este organismo (o que os filósofos chamam de identidade numérica) ao fazer a si mesmo, no transcurso do tempo, em cada ponto de sua duração, uma instância do mesmo tipo de sistema e, por essa razão, o chamamos um sistema auto-instanciador (COONEY, 2005, p.79) 38.

A estabilidade morfogenética parece se constituir por meio da atuação de mecanismos de controle adaptativos responsáveis – e supostamente inscritos no código genético – pela manutenção de uma identidade biológica específica no transcurso do tempo. Tal manutenção é possível porque o organismo (1) responde às variações ambientais externas, ou internas, sem, contudo, alterar o seu próprio repertório de respostas adaptativas.

Nesse sentido, o papel desempenhado pela informação auto-instanciadora pode ser assim resumido: (1) monitorar os estados temporais, ou instâncias, de um organismo (2) detectar variações internas e/ou externas e (3) responder adaptativamente, com base no repertório interno de prescrições disposicionais, ou repertório de condicionais nomológicos.

38 The organism remains this organism (what philosophers call numerical identity) over time by making

itself, at it point in its duration, an instance of the same kind of system. For this reason, we call it a self instantiating system (COONEY, 2005, p.79).

Assim, por exemplo, assumindo que a quantidade do aminoácido histidina precisa ser mantida estável em X para o organismo Y, os condicionais nomológicos atuariam (em linhas gerais) do modo que se segue, de acordo com Cooney (1991, p. 63): se e somente se a quantidade de histidina está abaixo de X, então ativar a produção de histidina. É por meio da atuação de complexas, interdependentes e, sobretudo, unificadas redes de condicionais nomológicos que um organismo forja, ao longo do tempo, a sua auto-manutenção/auto-preservação dinâmica.

No que concerne à auto-preservação dos organismos, sabemos que os seus componentes físicos precisam ser continuamente substituídos e renovados. Recorrendo a Lynn Margulis e Dorion Sagan (1995), Cooney (2005, p. 78) destaca que: produzimos (1), a cada cinco dias, uma “cobertura estomacal” nova (2), a cada dois meses, um fígado novo e (3) substituímos, a cada ano, noventa e oito por cento dos átomos do corpo. Uma vez que os átomos/células/tecidos são renovados e, todavia, uma identidade biológica (bio-psicológica) é preservada, a informação auto-instanciadora se manifesta, então, como uma propriedade irredutível aos componentes físico-químicos transientes do organismo (assim como a informação – enquanto uma propriedade fundamental do universo – é irredutível, segundo Stonier (1997), à matéria e à energia). Parece ser por isso – quer dizer, porque a informação auto-instanciadora é irredutível aos seus componentes físico-químicos – que um organismo precisa ser entendido, para Cooney (1991, p. 07), em termos de um feixe de respostas biológicas, ou adaptativas, aos eventos e/ou contingências internas e/ou externas. Tais respostas devem estar, por sua vez, incorporadas no (e, ao mesmo tempo, biologicamente orquestrando o) fluxo ininterrupto e constante de produção de componentes materiais. Em outras palavras: o organismo deve ser entendido em termos de um repertório persistente (processo) de

respostas adaptativas e não, por conseguinte, em termos de uma mera coleção (produto) de componentes materiais.

Em resumo, a informação auto-instanciadora é responsável (1) pela contínua atividade de controle adaptativo e (2) pela auto-manutenção biológica do organismo, auto-manutenção essa que inclui: (1) controle metabólico (2) mecanismos de transcrição-tradução (3) gênese e substituição de componentes físico-químicos; (4) padrões de ação instintivos e autônomos; (5) recepção sensorial de perceptos; e, ao menos no que diz respeito ao organismo humano, (6) abertura epigenética simbólico- cultural ao ambiente.

Cooney não faz, contudo, tal como aponta Schaeffer (2004), referência ao modelo causal envolvido na interconexão entre o patamar informacional das prescrições disposicionais e o organismo em processo de auto-instanciação, ponto esse que abordaremos na seção que se segue.