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Part 2 Energy Crisis in Pakistan and Learning the Experience of Biogas Plants from Europe

Chapter 4: Literature Review

4.2 Part 2 Energy Crisis in Pakistan and Learning the Experience of Biogas Plants from Europe

Pessoas com transtornos psiquiátricos são mais vulneráveis à contaminação pelo HIV. A presença de algum transtorno psiquiátrico aumenta o risco dos indivíduos praticarem sexo sem preservativo e de terem múltiplos parceiros (Alvy et al., 2011; De Santis et al., 2008; Reisner et al., 2009).

Estudos mostram que 12% a 68% dos indivíduos com transtornos psiquiátricos praticaram sexo sem preservativo no ano anterior à entrevista (Cournos, Guimarães, Wainberg, 2012; Guimarães et al., 2009) e que 43% a 78% das pessoas relataram ter feito sexo sem preservativo nos últimos três meses (Campos et al., 2008; Guimarães et al., 2009). Levantamento realizado na Austrália constatou que 3/4 dos pacientes com algum transtorno psiquiátrico nunca usavam preservativo nas relações com parceiros fixos e/ou com parceiros casuais. Apenas 15% dos homens e 2% das mulheres usavam o insumo (Collins et al., 2006).

Um estudo multicêntrico realizado no Brasil mostrou que mais da metade (61,4%) dos indivíduos com transtornos psiquiátricos graves, como ansiedade, depressão, problemas relacionados ao uso de substâncias e esquizofrenia tinham feito sexo nos últimos seis meses e que 85,9% não usaram preservativo nos nesse período independentemente do tipo de parceiro sexual (fixo ou casual) (Guimarães et al., 2009).

Em uma amostra de HSH, os indivíduos com sintomas de ansiedade e/ou depressão tiveram 1,9 vez mais chance de fazer sexo anal sem preservativo e de ter mais parceiros sexuais em comparação com aqueles que não apresentavam sintomas de ansiedade e depressão (Safren et al., 2010; Sivasubramanian et al., 2011).

Gupta et al. (2010) mostraram que as mulheres com diagnóstico de depressão tiveram 180% mais chance de ter pouco poder de decisão no relacionamento sexual e de fazerem sexo sem preservativo. Entre os homens, ter depressão aumentou em até 2,8 vezes à chance de fazer sexo em troca de dinheiro e fazer sexo sem preservativo.

Fendrich et al. (2013) observaram que os HSH que tinham depressão grave tiveram 5,7 vezes mais chance de fazer sexo anal sem preservativo do que aqueles que tinham depressão moderada.

Além da depressão, Kinyanda et al. (2012) mostraram que os homens que praticaram sexo sem preservativo também apresentavam histórico de violência sexual, e as mulheres que praticaram sexo sem preservativo também tinham tido mais

experiências traumáticas do que as que usavam o insumo. O mesmo autor e colaboradores também observaram que entre pessoas com HIV, aqueles que tinham depressão, histórico familiar de transtornos psiquiátricos, níveis de estresse elevados e dependência de álcool tinham mais comportamento sexual de risco do que aqueles que não apresentavam essas características (Kinyanda et al., 2011).

1.6.6.1. Depressão em pessoas com HIV/AIDS

A depressão é a psicopatologia mais frequente em pessoas com HIV. Um estudo longitudinal comparando pessoas com HIV e pessoas sem HIV mostrou que os indivíduos com HIV tinham mais chance de ter depressão ao longo da vida do que os não infectados (Atkinson et al., 2008). Os fatores resultantes da própria doença aumentam o risco de depressão.

A prevalência de transtornos depressivos em pacientes infectados pelo HIV varia de 12% a 66% e não é diagnosticada em até 60% desses pacientes (Kagee, Martin, 2010; Reis et al., 2011; Silveira et al., 2012). Em um estudo recente, indivíduos com HIV tiveram seis vezes mais chance de ter depressão do que indivíduos sem HIV (Lopes et al., 2011).

Kagee e Martin (2010) mostraram que 24,7% dos pacientes com HIV tinham depressão leve, 37,6% tinham depressão moderada e 17,6% tinham depressão grave. Os pacientes em tratamento antirretroviral tiveram escore significativamente menor de depressão em comparação com aqueles que não recebiam o tratamento antirretroviral, indicando menos sintomas de depressão.

Silveira et al. (2012) mostraram que dos 246 pacientes com HIV entrevistados, 32% apresentaram sintomas depressivos. Quatorze por cento tinham depressão moderada e 4% depressão grave. Fadiga e irritabilidade foram os sintomas mais frequentes.

Mello e Malbergier (2006) observaram que 25,8% das 120 mulheres com HIV tinham depressão no momento da entrevista, sendo mais frequente nas pacientes sintomáticas em relação às assintomáticas. Sessenta por cento das mulheres já tinham tido algum episódio de depressão na vida.

A variabilidade nas prevalências descritas pode ser atribuída a fatores como o instrumento de avaliação utilizado nos diferentes estudos, às características da população estudada, ao local de realização da pesquisa e do estágio da doença (Stumpf, Rocha, Proietti, 2006).

A maioria dos estudos que investigam depressão em pessoas com HIV buscam identificar a relação com a adesão e impacto na qualidade de vida. Alguns estudos apontam para a relação entre depressão e comportamento sexual de risco, como por exemplo, o realizado por Desquilbet et al. (2002). Neste estudo, observou-se que a prática de sexo sem preservativo foi mais frequente entre os pacientes com parceiros casuais, assintomáticos e que apresentavam sintomas de ansiedade e depressão.

Gore-Felton et al. (2003) também mostraram que, após a infecção pelo HIV, a prevalência de contaminação por outras DSTs era maior entre aqueles que apresentavam sintomas de depressão e nível de estresse elevado do que entre aqueles que não apresentavam esses sintomas.

Dificuldades cognitivas relacionadas ao problema psiquiátrico, insatisfação nas atividades cotidianas, insatisfação sexual, dificuldades no relacionamento com o parceiro sexual, sensação de falta de suporte social, falta de atenção e cuidado do parceiro sexual, ter tido poucas recompensas na vida, e ausência de modelos positivos são comuns em pessoas vivendo com HIV com depressão e que dificultam a negociação para o uso de preservativo (Chander, Himelhoch, Mooer, 2006; Fincham et al., 2008; Remien et al., 2003; Stein et al., 2005).

1.6.6.2. Ansiedade em pessoas com HIV/AIDS

A prevalência de transtornos ansiosos ao longo da vida em indivíduos com HIV pode chegar a 40% (Adewuya et al., 2007; Campos, Guimarães, Remien, 2010; Tomlinson et al., 2009). Os sintomas de ansiedade geralmente estão associados a situações que envolvem sensação de ameaça, medo, escolhas ou grandes decisões acerca do futuro, ou seja, situações que coloquem o indivíduo em risco iminente. Em pessoas com HIV, as incertezas acerca da progressão da doença, seu curso clínico, temores relacionados à dor, sofrimento, alterações corporais, tratamento e morte podem gerar algum sintoma de ansiedade (Campos, Guimarães, Remien, 2010).

A ansiedade pode prejudicar a adesão aos antirretrovirais e aumentar o risco para a prática de sexo sem preservativo e de ter múltiplos parceiros. Pesquisa realizada com 4963 pacientes infectados em 102 hospitais franceses mostrou que 63% das mulheres e 39% dos homens tinham sintomas de ansiedade e 24% das mulheres e 22% dos homens tinham sintomas de depressão. Sintomas de ansiedade foram associados à não adesão em homens e mulheres (Roux et al., 2009).

Recentemente, um estudo mostrou que indivíduos ansiosos tiveram quase quatro vezes mais chance de fazer sexo sem preservativo do que os sem sintomas de ansiedade (Lopes et al., 2011).

Características comportamentais ligadas à impulsividade presentes em pessoas ansiosas podem aumentar a vulnerabilidade para a prática de sexo sem preservativo e para ter múltiplos parceiros.