6 Diskusjon
6.1 Nøyaktighet
6.1.2 Energibalansemodell
Para melhor compreensão da discussão em relação à associação entre religiosidade e saúde, tornou-se necessário inicialmente definir o conceito de saúde. E depois, discutir a crença na cura, o bem-estar no idoso e a associação entre a religiosidade e a saúde física e mental.
2.1 Saúde e a relação com a religião
Há uma diversidade de compreensões do conceito de saúde representada pelos diferentes paradigmas relacionados a elementos como a concepção de ser humano, mundo, realidade e influência do contexto social. Nota-se que, no Ocidente, a tradição judaico-cristã e o racionalismo cartesiano influenciaram a realidade e as teorias dualistas como: materialismo
versus idealismo, especialização versus generalização e saúde versus doença. Tanto é que, no
âmbito das práticas em saúde, essa foi concebida por algum tempo apenas como ausência de enfermidade (SARRIERA, et al, 2003)
A idéia de saúde como conceito integral, abrangendo aspectos físicos, psicológicos e sociais foi, em 1948, considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS, 2007), a qual define saúde como um estado completo de bem-estar físico, psicológico e social. No entanto, tal conceito recebeu críticas, uma vez que se considera a saúde apenas como estado, desconsiderando a saúde e doença como um processo dinâmico.
Outro aspecto equivocado a respeito dessa compreensão da doença é o fato de considerar que essas devem ser somente extirpadas, ao invés de compreendidas dentro de um contexto mais abrangente, que envolve sujeito, ambiente, cultura e significações do sujeito com a sua doença. Há, também, o perigo de caracterizar o doente em termos psicanalíticos, como o culpado de tê-la construído.
Doença e saúde se estabelecem nos valores e culturas de uma sociedade. São, portanto, fenômenos sociais resultantes das condições sociais. Na busca de compreender os processos de saúde e adoecimento é preciso contextualizá-los em sua dinâmica biopsicosocial e histórica, dentro das necessidades colocadas em cada ethos, em que a noção de saúde é
atrelada a diversas áreas do saber (SILVEIRA, 2000).
A saúde, tampouco, representa somente o estado de bem-estar. Existem componentes emocionais e sociais da saúde, bem como da doença. São multifatoriais os aspectos da saúde e sua manutenção. Portanto, não existe um conceito único acerca da saúde, e até mesmo a presença ou ausência de doença é uma questão social e individual.
Saúde e doença se caracterizam ao longo da história humana por construções de significações sobre a natureza, as funções e a estrutura do corpo, e ainda a propósito das relações corpo-espírito e sujeito-ambiente. Tais significações se diferenciam conforme a cultura e a época, e constituem, pois, diferentes narrativas sobre os processos de saúde e doença.
Para Boff (1999), saúde é acolher e amar a vida como ela se apresenta, saudável e doentia, com suas alegrias, vicissitudes, limites e aberturas ao ilimitado. Saúde implica cuidar do corpo, da vida e do conjunto de relações com a realidade circundante, reforçando nossa identidade como seres de relação e assimilação criativa do dia-a-dia composto de compromissos, encontros, sucessos e fracassos, saúde e sofrimento.
Saúde também é conceituada como o resultado de partes, que se faz de forma harmoniosa, em um determinado contexto, emergindo um contato transformador (RIBEIRO, 1997a). Saúde é, portanto, função de um encontro saudável entre a realidade que se vive e o organismo que responde, suscitando um encontro de diferenças que se respeitam, na busca de uma unidade de sentido.
Ross (1995) considera a saúde ligada à dimensão espiritual. A espiritualidade traz três aspectos: a necessidade de encontrar significado, razão e preenchimento na vida; necessidade de esperança e motivação para a vida e de ter fé em si, no outro e num Deus. Tais condições seriam vitais à saúde por trazerem refenciais de significações para o enfrentamento da condição de doença.
Religião e saúde têm uma ligação histórica, em que curas físicas e psíquicas podem estar vinculadas a formas de religiosidade (rituais com o objetivo curativo) desde a era pré- cristã até a atualidade. A religião e o sagrado delineiam o caminho da realização, propósito e bem-estar pessoal, lidando com o que é da ordem dos valores morais e transcendentais, inerentes à busca de sentido do ser humano.
O ser humano transpõe sua temporalidade, sendo a religião a principal experiência que rege o universo místico (Martini, 1995). Religião esta que em seus preceitos pode levar o indivíduo a adotar uma atitude de maior atenção e cuidado consigo mesmo, o que aumenta sua probabilidade de obter saúde.
A religião tem sido apontada, portanto, como possuidora de influencia positiva na saúde física. Estudos apontam o aspecto espiritual nos processos de adoecimento, onde a religiosidade surge como possível proteção contra sintomas de depressão em pacientes acometidos por câncer (GONÇALVES et al, 2001). Além de outros autores como Levin (2003), que obteve resultados que ligam o nível elevado de fé religiosa ao aumento dos efeitos benéficos da religiosidade sobre a saúde.
Os profissionais da saúde deveriam estudar religião para compreender a psique humana, já que desde a Antiguidade essa se relaciona com o divino.
A doença, geralmente, produz sofrimentos, o que traz modificações na vida diária de uma pessoa. No campo religioso, a doença e o sofrimento parecem se revelar de diferentes formas. O sofrimento pode tanto promover a dúvida, como sustentar a confiança de uma pessoa em Deus ou em uma divindade. No entanto, a pessoa, em geral, dá um sentido ao seu próprio sofrimento e esse, muitas vezes, se correlaciona a várias disposições religiosas.
Avança-se, infelizmente, no tratar da doença, e não do doente e no estar doente. A medicina moderna e mesmo as religiões tiram do indivíduo sua parcela de responsabilidade sobre a doença, transferindo-a para outro: bacilos, bactérias, pessoas, demônios, etc. A doença é algo árduo que a humanidade carrega. É preciso vincular a Filosofia, a Medicina e a Religião para recuperar o sentido e a cura da doença. A verdadeira arte de curar vai além da doença e sintoma, curar é tornar inteiro. Adoecer é familiarizar a pessoa com uma realidade ainda não aceita. Não se deve combater a doença, e sim, compreendê-la, integrando seus aspectos inconscientes (CARLSON e SHIELD, 1997).
Nas religiões, saúde e salvação são conceitos que parecem estar interligados ao longo da história das religiões, o que sugere que essas, em geral, buscam cuidar ou salvar o ser humano em suas dimensões física, psíquica e, sobretudo, espiritual. Assim, o conceito de saúde estaria interligado ao conceito de salvação e ao de bem-estar e plenitude, no contexto da existência, incluindo o estar próximo: “Na visão clássica dos antigos o conceito therapeía indica antes de tudo assistir, estar próximo, cuidar. É uma expressão que está muito próxima do conceito religioso e cristão de diakonia = serviço” (PÉSSINI, 2005, p.11).
2.2 Crença na Cura
O processo saúde/doença (vida/morte) sempre foi acompanhado de crenças e rituais ligados a questões transcendentes, ao sobrenatural. O homem primitivo atribuía a doença pessoal e coletiva ao castigo dos Deuses em decorrência de alguma má conduta ou possível ofensa aos mesmos. A ligação com o sagrado no processo de adoecimento e morte percorre todas as culturas. São castigos, punições, ação dos demônios ou de maus espíritos, sinal de cólera divina em função dos pecados do ser humano entre outras representações (NUNES, 1983).
Para Ribeiro (1997b), o surgimento da medicina começa da apropriação das terapias e procedimento de curas populares. A medicina foi se desenvolvendo entre os povos e civilizações, sempre permeada de elementos mágicos. Hipócrates, filho de médico, foi considerado pai da medicina. Nasceu em 460 a.C. e praticou a medicina intensamente nas cidades gregas. Conforme descreve Inocêncio (2007), Hipócrates buscou o equilíbrio entre os humores – sangue, flegma, bile amarela e bile negra que eram correspondentes aos temperamentos sanguíneo, flegmático, colérico e melancólico, e associados aos elementos ar, água, fogo e terra. Daí surgem muitas considerações, diagnósticos e prognósticos associando a doença ao desequilíbrio humoral e seu restabelecimento em associações aos elementos da natureza.
Ao final da Idade Média, no reinado de Luís VI, entre 1108 e 1137, havia um ritual de cura popularizado que era realizado pelo toque real ao enfermo. Havia uma espécie de
eletricidade espiritual, que se tornava capaz de „destruir‟ ou „curar‟. Como diz Thomas (apud SCLIAR, 1987, p. 48): “tocar é a mais antiga e mais eficiente das artes médicas. Os doentes necessitam de que alguém os toque, e parte de seu sofrimento é a ausência de contato humano. As pessoas, mesmos os familiares e amigos, tendem a se afastar do paciente, tocando-o o menos possível.”
Segundo Ribeiro Júnior (1999), a medicina sempre está subordinada às influências cósmicas. A natureza pode fornecer elementos e recursos medicinais e, diante disso, as pessoas procuram abrandar seus males através dos mais amplos recursos.
A doença suscita uma série de interpretações e vivências pessoais e coletivas que não podem ser desconsideradas. Na verdade, ela é capaz de acionar mecanismos que talvez a própria ciência médica com toda sua evolução e tecnologia não consiga explicar. Daí a grande questão: até que ponto se misturam ou se separam a terapia médica e a popular, a doença e a cura religiosa, a ciência e a crença?
O estudo de Inocêncio (2007) procurou verificar as concepções dos médicos a respeito das terapêuticas alternativas ou populares e como se refletem na formação e prática profissional. Observou que 100% dos participantes apresentavam crença em um ser superior, independente da religião do sujeito. Levou então à proposição de que somos impelidos por questões diversas, transmitidas pela cultura, a acreditar em algo que nos transcende e que, de alguma forma, nos impulsiona às novas considerações sobre a própria finitude.
A crença é própria do ser humano em função de sua evolução sempre permeada por elementos míticos e místicos, como tem demonstrado a história da medicina na relação do homem com o processo saúde/doença. Uma das considerações leva a crer que a fé mobiliza o indivíduo a lutar pela vida, e isto associado às terapias médicas levaria à cura.
Para efeito de estudo, é necessário definir as bases para analisar o que é evidenciado no caráter subjetivo da crença e da sua relação com a verdade. Para Diniz (2004), crença é sinônimo de convicção, conjunto de opiniões que constituem princípios.
Quando há falha no funcionamento do corpo, o sujeito mergulha numa série de buscas para recuperar a sua saúde. Para isso existem duas vias: a do enfrentamento e a da evitação. Ao se falar sobre cuidados com a saúde, existem duas grandes tendências: da medicina centrada na doença, que busca a compreensão das afecções orgânicas, e outra, centrada na pessoa (PERESTRELLO, 1996), com enfoque dirigido por um modelo relacional que envolve os aspectos fisiológicos, psicológicos, sociais, culturais e religiosos.
Estudos sobre as representações de saúde e doença apontam que, na interpretação dos fenômenos orgânicos, as pessoas se apóiam em conceitos, símbolos e estruturas interiorizadas, conforme os grupos sociais a que pertencem. Certas doenças firmam-se no imaginário coletivo, enquanto outras, os indivíduos, em função de suas experiências e contexto, podem elaborar ou reelaborar interpretações, apoiando-se em recursos coletivos (ADAM e HERZLICH, apud CANESQUI, 2003).
Pesquisas sobre utilização de placebos têm mostrado que o desempenho do sistema nervoso central pode ser alterado pela simples expectativa de melhora, ou por reação automática a um estímulo conhecido (condicionamento), fazendo com que o „não-tratamento‟ funcione (MAZZONI-VIVEIROS, 2004).
Ferreira (apud CANESQUI, 2003) estudou as práticas de cuidados corporais a partir da experiência social e descartou e existência de modelos, uma vez que se baseiam na ação, aproximando-se das posturas fenomenológicas. Essas práticas envolvem o uso do aconselhamento médico, o uso de medicamentos e de outros recursos de cura, como simpatias e remédios caseiros.
De acordo com Laplantine (1991), o uso de práticas populares no cuidado com a saúde significa a percepção da doença de um modo mais abrangente, promovendo a totalização homem-natureza-cultura. As medicinas populares são capazes de oferecer uma resposta integral ao paciente, levando-se em consideração não apenas os aspectos somáticos, mas psicológicos, sociais, espirituais e existenciais.
O estudo de Marinho et al (2005) objetivou analisar o repertório de informações acerca do adoecer e da cura e a identificação das crenças relacionadas aos procedimentos médicos e tratamentos propostos e as principais dificuldades. Trata-se de um estudo transversal realizado no Serviço de Nefrologia do Estado de Alagoas. Com relação ao tratamento e perspectivas de cura, a maioria buscou tratamentos alternativos (chás e preparados). Ao serem indagados quanto à própria contribuição para a cura, referiram que a adesão ao tratamento proposto era a melhor forma, e ainda, que a fé era o caminho para a cura.
As terapias populares, assim como as doenças, abrem espaços para interpretações e caminhos diversos e nos canalizam a entendimentos nem sempre palpáveis, mensuráveis e logicamente descritos e aceitáveis. Tudo isso nos impele a buscas e re-dimensionamentos de nossa própria existência, como os que, na doença, são difíceis de explicar e, sobretudo de compreender.
2.3 Religiosidade e Saúde Física
Vários pesquisadores têm investigado a associação entre fatores relativos à religiosidade – práticas, afiliações, crenças – e saúde, tanto em sua dimensão física quanto mental. Essa associação possui raízes histórico-culturais muito antigas, presentes em mitos gregos, em rituais indígenas e nas inscrições bíblicas, que influenciaram a ainda influenciam a cultura ocidental nos tempos atuais (BOTELHO, 1991). Segundo estudos antropológicos, a ignorância sobre as enfermidades contribuiu para que fosse iniciado, em determinado momento da história da humanidade, o processo de divinização do desconhecido. Em conseqüência, acreditava-se que os deuses tinham o poder de causar doenças e de curá-las. Além dos deuses, apenas aqueles que eram seus representantes na Terra podiam interferir no processo saúde-doença ou na vida-morte.
Torna-se relevante, pois, trazer alguns trabalhos que identificam a importância da religiosidade nos aspectos relacionados à saúde e à doença.
Ao longo do século XX, mais de 850 artigos foram publicados associando a religiosidade e a saúde, sendo que a ampla maioria (80%) dos estudos de boa qualidade encontrou associação positiva entre maiores níveis de envolvimento religioso e bem estar psicológico, menos depressão, menos pensamentos e comportamentos suicidas (MOREIRA- ALMEIDA, LOTUFO NETO e KOENIG 2006).
Mais de 200 estudos contendo associações positivas entre uma variável religiosa e indicadores de saúde foram encontrados por Levin e Shiller (1987). Fry (2001) estudou adultos viúvos e buscou investigar se variáveis existenciais – como significado pessoal, o otimismo, a religiosidade e o acesso ao suporte religioso – eram preditores de bem-estar psicológico. Concluiu que ter um propósito na vida ajuda a superar a perda e ajuda na prevenção de depressão.
Levin e Vanderpool (1989) pesquisaram os efeitos das práticas religiosas no controle de doenças como hipertensão arterial, cardiopatias, câncer e doenças gastrintestinais. De 27 estudos que continham a variável religiosidade, 22 relataram algum efeito positivo significativo da religiosidade sobre o estado de saúde. Pessoas devotas tinham índices de pressão arterial melhores do que as não-devotas. As que freqüentavam a igreja tinham metade do risco de sofrer doenças coronarianas se comparados as que raramente iam à igreja.
Rousseau (2003) enfatizou a necessidade de se considerar a dimensão espiritual dos pacientes e romper com o reducionismo de Descartes, que tanto influenciou a medicina moderna, que pregava a separação entre mente e corpo. O autor considerava que o processo da doença é biopsicossocial e que a dimensão espiritual influencia na recuperação do paciente.
Para Silberman (2005), a religião pode ter um impacto positivo ou negativo no bem- estar psicológico e físico e no enfrentamento das situações difíceis. Ela pode apaziguar o conflito nas relações familiares ou propiciá-lo, como também pode estimular o perdão ou a vingança; facilitar ou inibir mudanças sociais, encorajar os indivíduos à violência e ao terrorismo em nome de uma crença, ou promover a união entre os opostos.
De acordo com Koenig, Larson e Matthews (1996), após uma revisão de artigos, as pessoas idosas comprometidas com a religião eram mais saudáveis, felizes e satisfeitas com suas vidas. Sentiam menos deprimidas, ansiosas e solitárias, com menor propensão ao abuso de álcool.
Observou-se nos estudos, que a adesão à religião, principalmente de forma rigorosa, em geral está relacionada à adesão a códigos de conduta associados a menor risco, tais como tabagismo, consumo de álcool, padrão de atividade sexual e, em alguns casos, consumo de carne.
Levin e Larson (1997) defenderam, em artigo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), um maior e mais decisivo envolvimento dos médicos e profissionais de saúde, não só na coleta de dados sobre a vida religiosa de seus pacientes, mas em aconselhamentos e possíveis intervenções, apoiando sua religiosidade. Eles afirmam que as escolas médicas deveriam formar mais médicos com a virtude da compaixão.
2.4 Saúde Mental e Bem-estar no Idoso
Vale salientar que a terceira idade é uma fase do desenvolvimento caracterizada por mudanças físicas, cognitivas e psicossociais que refletem as peculiaridades desse período de vida. Nos países em desenvolvimento, como no caso do Brasil, o marcador cronológico para o início dessa etapa é 60 anos, como preconizado pela OMS (PORTO, 2002).
Uma das peculiaridades no que concerne ao envelhecimento é que este não se dá pautado pelo desenvolvimento social em todas as camadas da população (RAMOS, 2002). Isso possui sérias implicações, pois a alteração na proporção de idosos traz também modificação no perfil epidemiológico da população, isto é, a mudança das causas de morbidade e mortalidade, com aumento de doenças crônicas (como doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, demências e doenças degenerativas) que não podem ser resolvidas rapidamente (CHAIMOWICZ, 1997; ALMEIDA, 1999; LIMA-COSTA, BARRETO e GIATTI, 2003; RAMOS, 2002). Maia, Durante e Ramos (2004) vão além, pontuando que entre as demandas que podem surgir com o envelhecimento populacional também se encontram as doenças neurológicas e psiquiátricas, afirmando que um em cada seis idosos que vivem na comunidade, pode vir a apresentar algum tipo de comprometimento em sua saúde mental.
Diante de tal diversidade e das especificidades da situação dos idosos, deve-se considerar a avaliação da saúde do idoso para além das dimensões física e funcional, incluindo também variáveis de cunho emocional, ambiental, social e espiritual, uma vez que tais fatores podem ser importantes para auxiliarem no enfrentamento do adoecimento físico e podem igualmente promover e proteger a saúde mental da população mais velha (FIGUEIREDO, MELLO e CANÇADO, 2002). Especificamente em relação à saúde mental, estes autores citam alguns fatores que podem influenciar nesse nível, tais como aposentadoria, problemas familiares, privação de autonomia, privações sensoriais advindas da precariedade na estimulação, comprometimento da motricidade, privações sociais, fenômenos dolorosos no corpo e obrigação de permanência em estruturas limitantes, como institucionalização, por exemplo.
Um aspecto a ser considerado como fator relacionado à saúde e bem-estar do idoso é a religiosidade. Sommerhalder e Goldstein (2006) a definem como “comportamentos e crenças associados à religião”, que devem ser considerados sob um prisma multidimensional que
abarque tanto os aspectos subjetivos da experiência religiosa quanto as suas várias manifestações comportamentais, por exemplo, freqüência a reuniões. Segundo Peres et al (2007), Guimarães e Avezum (2007) e Panzini et al (2007), a atenção ao aspecto da religiosidade se torna cada vez mais necessária na prática de assistência à saúde, visto que cada vez mais a ciência admite a importância da dimensão espiritual e religiosa do ser humano.
Em um artigo de revisão relacionado à religiosidade e suas interfaces com a saúde física e mental, Levin (1994) destaca que a religião pode ser entendida em conjunto com outras variáveis de cunho psicossocial como fator presente na compreensão dos aspectos referentes à morbidade e mortalidade. O autor frisa que atualmente os estudos científicos que incluem a religiosidade estão se tornando mais freqüentes, o que vem garantindo status de cientificidade, como demonstrado nas várias publicações em jornais e meios de divulgação de cunho cientifico. Em seu estudo, Levin considera que, devido a uma maior ocorrência de eventos não controláveis na velhice, como perdas e doenças crônicas, existe uma maior demanda de estratégias de enfrentamento mais específicas e eficazes, e é aí que parece entrar a crença e a prática religiosa.
Moreira-Almeida, Lotufo-Neto e Koenig (2006), bem como Guimarães e Avezum (2007) discorrem sobre as principais influências da religiosidade na vida das pessoas. Entre elas se encontram os comportamentos e estilos de vida saudáveis; suporte social (promovendo coesão social e o senso de pertencimento a um grupo específico); bem-estar subjetivo por meio de um senso de direção espiritual, além de possibilitar maior aceitação e resiliência ante