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O desenvolvimento de um sistema de medição de desempenho pode ser conduzido seguindo um dos diversos modelos relacionados na revisão. Nesta tese é utilizado o roteiro proposto por Andersen e Fagerhaug (2002) por apresentar uma estrutura de passos que podem ser conduzidos em diversos níveis de detalhamento e profundidade, característica que a torna chave para implantações em ambientes organizacionais nos quais a cultura de desempenho e de melhoria ainda é incipiente, além de ser um roteiro pouco explorado na literatura.

Como os sistemas de medição de desempenho devem ser dinâmicos para acompanhar as mudanças no ambiente interno e externo a empresa, este roteiro pode ser refeito ciclicamente para incorporar ao SMD da empresa estas mudanças.

Esta condição permite planejar a condução do desenvolvimento do SMD em ciclos onde o nível de detalhamento e profundidade será proporcional ao grau de conhecimento e experiência adquiridos pelos atores envolvidos.

Andersen e Fagerhaug (2002) observam que existem várias formas de se desenvolver e implementar um SMD, mas uma distinção útil e simples é entre:

Um método de desdobramento top down Um processo de projeto bottom up

Estas duas abordagens representam os extremos quando se leva em conta o nível de envolvimento dos empregados no processo de desenvolvimento, sendo que elas apresentam inerentes pontos fortes e fracos. A junção das duas abordagens permite combinar seus pontos fortes e, como dizem esses autores, “esperançosamente” evitar algumas de suas fraquezas.

A abordagem top down é uma abordagem mais adequada quando utilizada para planejamento estratégico e definição de objetivos ou projeto de um sistema de medição de desempenho. A racionalidade da abordagem é que a alta gerência conhece melhor qual estratégia a seguir, quais os objetivos a atingir ou que aspectos de desempenho medir. O processo começa com a definição das questões de alto nível e seus indicadores. Estes indicadores de alto nível são então desdobrados através da estrutura hierárquica formal da organização.

A vantagem desta abordagem é o alinhamento dos indicadores com a estratégia da empresa. Por outro lado, o principal desafio desta abordagem é obter o engajamento e aceitação dos empregados na organização.

A abordagem bottom up, por outro lado, é baseada na responsabilidade pessoal e bem ajustada para um projeto de SMD em que cada membro da organização se sinta proprietário. A passagem destes indicadores individuais para indicadores globais da empresa se dá pela junção dos diversos indicadores de cada área. A desvantagem deste processo é a dificuldade de se obter coerência e alinhamento com a estratégia da empresa.

Andersen e Fagerhaug (2002) sugerem a combinação destas abordagens pois ela garante que a estratégia da organização defina os limites para o sistema de medição de

desempenho e simultaneamente encoraje a apropriação e uso do sistema por permitir que os usuários definam eles mesmos os detalhes do sistema. Esses autores também desencorajam o uso de medição de desempenho a nível individual, pois estas medidas podem ser utilizadas mais para punição e repreensão do que estimular mudanças.

A partir destas considerações, esses autores sugerem uma sequência de oito passos para o processo de projeto e implementação de um SMD que está apresentado no Quadro 9.

Objetivo Ações Pa ss o 1 Compreender e mapear a estrutura e processo de negócio

• Esclarecer as estratégias da organização • Análise dos Stakeholders

• Compreender e mapear a estrutura do negócio • Identificar os processos do negócio

• Mapear e documentar os processos de negócio

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2 Desenvolver as prioridades de desempenho do negócio

• Quantificar os requisitos de desempenho dos Stakeholders • Identificar os requisitos de desempenho estratégicos • Integrar os diferentes requisitos de desempenho

Pa ss o 3 Compreender o Sistema de Medição de Desempenho em uso corrente

• Obter uma visão geral do Sistema de Medição de Desempenho corrente • Analisar quais partes do sistema existente pode ser utilizado

• Rever os indicadores de desempenho existentes.

Pa ss o 4 Desenvolver os indicadores de desempenho

• Estabelecer grupo s em cada processo de negócio;

• Treinar os grupos em como desenvolver indicadores balanceados • Balanced Scorecard

• Performance Prism • ...

• Organizar brainstorming para geração de indicadores • Definir limites de controle e metas para cada indicador • Compile todos os indicadores gerados

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5 Decidir como coletar os dados requeridos

• Verificar a disponibilidade, custo e acurácia dos dados • Verificar a coleção de dados atual

• Decidir sobre um SMD manual ou eletrônico (Visualização dos resultados) • Frequência de coleta dos dados e período de medição

• Definir responsabilidade pela coleta de dados, o armazenamento e segurança

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6 Desenhar os formatos dos relatórios e apresentação dos dados de desempenho

• Relatório em papel ou meio eletrônico? • Relatórios predefinidos ou customizados • Acessos dos usuários aos dados de desempenho • Desenho do painel de visualização

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7 Testar e ajustar o Sistema de Medição de

Desempenho

• Questões de teste dos indicadores • Execução do teste

• Implementar mudanças baseada nos testes

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8 Implementar o Sistema de Medição de Desempenho

• Instalar e executar o Sistema de Medição de Desempenho • Treinar no uso do sistema

• Suporte de pós-implementação (manutenção, e novas implementações) QUADRO 9. Roteiro para o desenvolvimento de um SMD.

Fonte: Andersen e Fagerhaug (2002).

Os passos 1 e 2, por criar uma nova sensibilização e conhecimento do interior da organização e de suas interações com o ambiente, seguida por uma definição das prioridades de desempenho, podem geralmente ser combinados e significativamente simplificados. Este processo é mais simples em pequenas empresas por se ter a facilidade de manter uma visão geral da pequena organização.

O passo 3 pode ser rapidamente superado em função do tamanho da empresa e da existência ou não de um sistema de medição de desempenho já em uso.

O passo 4 é o mais importante e geralmente é desenvolvido da mesma forma em todas as empresas.

Os passos 5 e 6 são normalmente unificados e simplificados. Nas pequenas empresas o processo é mais fácil devido a menor quantidade de dados requeridos para sua elaboração e ao menor número de usuários.

Os passos 7 e 8 podem ser unificados em pequenas empresas, mas independente do porte da empresa é necessário o treinamento e teste.

Andersen e Fagerhaug (2002) observam que estes passos são apenas sugestões e que a passagem por cada um deles depende do projeto que está sendo desenvolvido, sempre buscando os melhores caminhos para o sucesso do sistema resultante.

Além dos passos apresentados, foram consideradas as observações elaboradas por Wouters (2009), o qual destaca que a abordagem para o desenvolvimento do SMD deve ser baseada nos seguintes princípios:

1) baseada na experiência dos atores envolvidos; 2) permitir experimentação;

3) construída sobre o profissionalismo dos empregados; 4) transparência e apropriação pelo empregado;

5) facilitadores externos.

O processo conduzido desta forma leva a um conjunto amplo de novas e bem fundamentadas medidas de desempenho, maior confiança dos empregados no SMD e seu engajamento para com a melhoria de desempenho, bem como habilita a criação de um aprendizado organizacional preocupado com esta melhoria.