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1. INNLEDNING

5.2 F UNNENE I ANALYSEN

5.2.2 Boligtyper og bydeler

5.2.2.1 Enebolig og Leilighet Madla

O investimento municipal na realização de eventos e espetáculos desportivos tem mantido uma forte regularidade nas opções das políticas desportivas locais. Apesar de não o omitir, no enquadramento das políticas desportivas, Constantino (1999, p. 130) aponta a direção de uma política focalizada nas necessidades dos cidadãos e menos para a indústria do espetáculo desportivo. Já Pires (1996, p. 201) refere, que o “espetáculo desportivo pode ser um excelente meio de promover o desporto, desde que, em simultâneo, sejam desencadeadas políticas integradas que o potenciem”. A rentabilização dos equipamentos, a promoção turística e a fruição do espetáculo pela população, são no entender de Pereira (2009, p. 129), motivos aceitáveis para as câmaras municipais de forma pontual, patrocinarem estas iniciativas.

Sobre esta matéria, seguimos o alinhamento de Januário (2011, p. 63) quando refere que nenhuma autarquia aprova em receber um evento desportivo com o objetivo primário de promover ou incrementar práticas desportivas mas, não deve negligenciar o seu eventual impacto económico, social, cultural e, sobretudo, na promoção e valorização territorial, citando o exemplo do empresário desportivo João Lagos61 que se refere aos eventos como dos poucos conteúdos possíveis de animar localmente uma população e aponta o caso da volta a Portugal em bicicleta, que põe milhões de pessoas na rua.

Sejam eles de pequena, média ou grande dimensão, o sucesso de um evento ou espetáculo desportivo que se carateriza, conforme Gaio & Gouveia (2007), pelo reconhecimento e satisfação dos seus intervenientes, sejam participantes, stakeholder’s ou público em geral, para o qual contribui em larga escala o envolvimento dos media, como as televisões, os jornais, as rádios ou a internet. Neste envolvimento, são fundamentais as parcerias com instituições privadas no sentido do equilíbrio do investimento financeiro, na perspetiva, conforme defendem Sá & Sá (2009, p. 87) de

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Segundo Carlos Januário (2011), esta t a s içãoàpodeàse àlidaà aàRevistaà áut ui a ,àJa ei o/Ma ço,à ºà 3, 2006, p.44.

uma relação “win win”, em que todos retiram vantagens associadas.Recentes exemplos, dão corpo ao entendimento teórico apresentado sobre o impacto dos espetáculos desportivos na promoção e imagem de um município.

A propósito do Campeonato Europeu de Hóquei em Patins realizado em Paredes, o site oficial do município de Paredes62, referia em título “Europeu de Hóquei em Patins em Paredes gera impacto mediático superior a 14,7 milhões de euros (…) com 11 milhões de telespectadores e 17h34m de tempo de antena e 663 notícias veiculadas em 77 órgãos de comunicação social”. Na mesma página, o responsável político pela área do desporto salientou, “mesmo refletindo apenas o retorno gerado pelos meios de comunicação, este estudo evidencia claramente o enorme sucesso que este Europeu constituiu para a imagem e notoriedade do Município de Paredes e da marca Rota dos Móveis, assim como para o investimento capitalizado por todos os parceiros que se associaram a este campeonato”. Este é um exemplo claro de promoção territorial através de um evento internacional, o qual projeta um retorno económico, social e cultural dos investidores institucionais e privados. Pelo facto, não consideramos que este evento tenha tido como objetivo central o desenvolvimento desportivo no concelho, porquanto centrava e distribuía os seus impactos noutros domínios.

Como outro exemplo e com expetativas e resultados diferentes, apontamos a política desportiva do município de Resende, que apesar da valorização territorial associada, tem efeitos potenciadores na vertente da promoção e dinamização desportiva no concelho. O presidente da câmara municipal em entrevista ao jornal desportivo “O Jogo”63, refere-se aos protocolos celebrados com algumas federações e clubes desportivos nacionais de referência, com vista à realização de estágios e jogos das respetivas seleções com o envolvimento e participação das escolas e associações locais, os quais geraram forte estímulo na população escolar e contribuiu para o aparecimento de novas associações desportivas e a reativação de algumas que estavam inativas. Refere ainda o edil que, numa clara aposta pela afirmação, competição e atração territorial, que “Resende abriu as portas e deixou que as coisas entrassem através do desporto”. Este é um exemplo, que outros municípios têm seguido, sobretudo os municípios do interior, que promovem a realização de eventos desportivos no sentido da

62www.cm-paredes.pt, em 07 de novembro de 2012. 63

promoção e visibilidade do concelho, mas com iguais objetivos na incrementação e desenvolvimento do desporto concelhio. Em suma, duas perspetivas e discursos diferentes face aos objetivos e resultados pretendidos.

Face ao exposto, concluímos que a organização de eventos e espetáculos desportivos concorre fortemente com outras opções de intervenção desportiva, com a vantagem de propagar os seus efeitos, para além daqueles, que são normalmente associados à promoção e desenvolvimento desportivo. Sendo assim, considerando o âmbito do apoio a atividades de interesse municipal previsto legalmente64, e em conformidade com Pires (1996) e Pereira (2009), devem-se ter em conta alguns princípios na organização e gestão de eventos e espetáculos desportivos, designadamente:

 Parcerias com instituições privadas e públicas com vista respetivamente ao patrocínio financeiro e ao envolvimento institucional;

 Envolvimento ou participação dos agentes desportivos locais;

 Celebração de protocolos com associações/federações desportivas ou clubes desportivos com vista à realização de programas, eventos e espetáculos desportivos com impacto local, regional e nacional65;

 Integração das equipas ou atletas das entidades protocoladas junto da comunidade escolar e da população em geral, através de programas específicos;

 Participação dos técnicos na organização e gestão dos eventos e espetáculos desportivos, de forma a assegurar a melhoria dos níveis de desenvolvimento das estruturas da gestão do desporto municipal.

Entendemos que a efetivação daqueles princípios são os pressupostos de base para atingir e concretizar os objetivos de qualquer evento ou espetáculo desporto promovido direta ou indiretamente pelo município, normalmente com a incidência nos seguintes:  No processo de desenvolvimento desportivo, através da promoção e dinamização de uma modalidade ou atividade desportiva específica;

 No desenvolvimento social e cultural da população em geral, através da fruição livre ou condicionada de um evento desportivo;

64 Competência prevista na alínea b) do n.º 4 do artigo 64.º da Lei n.º 169/99, de 18 de setembro. 65

Está previsto no artigo 67.º da Lei n.º 169/99, de 18 de setembro a possibilidade de celebrar protocolos com entidades associativas, públicas ou privadas para o desenvolvimento das atividades de interesse municipal previstas na alínea b) do nº 4.º do artigo 64.º do mesmo diploma.

 Na imagem do município e na promoção turística e valorização territorial do concelho;

 Melhoria da economia local;

 Melhoria do nível e grau de desenvolvimento organizacional da estrutura municipal.