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Ends and Limits in Set

In document Fibrasjoner av Kategorier (sider 14-18)

A Linguística Cognitiva é uma corrente moderna da linguística voltada para a investigação da relação entre linguagem humana, mente e nossa experiência sócio-física (Evans, Bergen e Zinken, 2007. p. 2). Ela surgiu no horizonte acadêmico do pensamento linguístico no alvorecer da década de 70, primordialmente como uma reação às abordagens linguísticas formais, como a Teoria Gerativa de Chomsky, e foi fortemente impulsionada pelo crescimento das ciências cognitivas modernas e estudos sobre a categorização, em especial aqueles realizados por Charles Fillmore na década de 70 e os realizados por George Lakoff nos anos 80. Pesquisas ao longo dos anos 70 e 80 ainda eram empreendidas por poucos acadêmicos, mas a partir dos anos 90 observa-se uma proliferação de pesquisas nessa área e de pesquisadores que já se identificavam como linguistas cognitivos. Seu nascimento oficial, segundo um dos supostos pais da Linguística Cognitiva, Ronald Langacker, se deu apenas em 1989/1990 com o estabelecimento da International Cognitive Linguistics Society e o lançamento do periódico Cognitive Linguistics.

Evans e Green (2006, p. 3) apontam que a Linguística Cognitiva é comumente descrita como um “movimento” ou “empreendimento”, pois não se resume a uma teoria única. Muito pelo contrário, ela representa uma abordagem que adota uma série de compromissos e premissas centrais, que levaram à criação de uma série de teorias 33

32 the theory of cognitive linguistics as exemplified principally in the writings of Mark Johnson, George Lakoff,

Ronald Langacker and Mark Turner represents a departure from prior theories of linguistics. Accordingly, a model of translation based upon cognitive linguistics will bring a fresh insight to the praxis of translation.

33 Segundo Geeraerts (2006) as doze partes fundamentais que compõem esse conglomerado teórico são:

complementares, sobrepostas e às vezes concorrentes. Dirk Geeraerts (2006, p. 2), linguista belga e um dos fundadores do periódico Cognitive Linguistics, descreve bem esse ponto:

A Linguística Cognitiva assume a forma de um arquipélago e não uma ilha. Ela é um arcabouço flexível e não uma teoria única sobre a linguagem: ela é um aglomerado de abordagens ao invés de uma teoria única bem talhada que identifica, com base no tudo-ou-nada, se algo pertence ou não à Linguística Cognitiva. 34

(tradução nossa)

Vale ressaltar, como aponta Geeraerts (ibid), a diferença entre a Linguística Cognitiva (a abordagem teórica aqui apresentada) e linguística cognitiva, sem letras maiúsculas, que representa uma abordagen linguística em que línguas naturais são estudadas como um fenômeno mental. A Linguística Cognitiva é apenas uma das formas de linguística cognitiva e deve ser diferenciada, por exemplo, da Teoria Gerativa (Chomsky, XXX) e outros campos da pesquisa linguística associada às ciências cognitivas. O termo “cognitiva” em Linguística Cognitiva vai além de sinalizar que a linguagem é um fenômeno psicológico real e que esse ramo da linguística está ligado às ciências cognitivas; o termo também indica que o processamento e o armazenamento de informações é uma característica essencial da linguagem humana.

Segundo George Lakoff (1990), dois princípios basilares regem a Linguística Cognitiva: o compromisso da generalização e o compromisso cognitivo. Segundo ele (ibid, p. 46),

[...] o compromisso da generalização é um compromisso da linguística enquanto empreendimento científico; é um compromisso que busca princípios gerais. O princípio cognitivo é um compromisso para não isolar a linguística de outros estudos da mente e considerar seriamente uma amplitude maior de dados sobre a mente. 35 (tradução nossa)

O compromisso cognitivo, ainda de acordo com Lakoff (ibid), preconiza que os resultados obtidos pela Linguística Cognitiva devem estar de acordo com os resultados obtidos em outras áreas das ciências cognitivas, como a Filosofia, a Psicologia, a

conceitual, esquema imagético, metonímia, espaços mentais, semântica de frames, gramática construtiva e linguística com base no uso.

34 Cognitive Linguistics takes the form of an archipelago rather than an island. It is a flexible framework rather

than a single theory of language: it is a cluster of many partially overlapping approaches rather than a single well-defined theory that identifies in an all-or-none fashion whether something belongs to Cognitive Linguistics or not.

35 […] the generalization commitment is a commitment to linguistics as a scientific endeavor, a commitment to

seek general principles. The cognitive commitment is a commitment not to isolate linguistics from the study of the mind, but to take seriously the widest range of other data about the mind.

Neurociência, entre outras. Esse compromisso é o que faz da Linguística Cognitiva uma ciência verdadeiramente cognitiva e fundamentalmente interdisciplinar. Segundo Evans et

al. (2007, p. 5),

O compromisso cognitivo representa uma visão de que princípios sobre a estrutura linguística deverão espelhar aquilo que já é conhecido sobre a cognição humana a partir dos estudos de outras ciências cognitivas e da mente, em especial a psicologia, inteligência artificial, neurociência cognitiva e filosofia. Em outras palavras, o compromisso cognitivo afirma que os modelos de linguagem e de organização linguística deverão espelhar aquilo que se conhece sobre a mente humana ao invés de meros axiomas estéticos tais como o uso de certos tipos de formalismos ou de economia de representação. 36 (tradução nossa)

Já o compromisso da generalização representa o empenho em aplicar princípios de estrutura linguística a todos os aspectos da linguagem humana, i.e., sugere que o estudo da linguagem deva tomar como premissa básica a busca de explicações gerais para os fenômenos linguísticos. É comum, entre outros ramos da linguística, como a Linguística Formal, a divisão de nossas faculdades de linguagem em áreas distintas, como a fonologia, sintaxe, semântica, pragmática, morfologia, etc. Desta forma, resta pouco espaço para generalizações amplas sobre aspectos da linguagem humana. Esse é um contraste claro com a Linguística Formal, que argumenta que áreas como a fonologia, a sintaxe e a semântica são regidas por princípios estruturais distintos. Em relação a esse ponto, Evans et al. (2007. p. 4) alegam que

A Linguística Cognitiva reconhece que por vezes é útil tratar áreas como a sintaxe, a semântica e a fonologia como teoricamente distintas. Porém, com base no princípio da generalização, linguistas cognitivos não irão partir da premissa de que os ‘módulos’ ou ‘subsistemas’ da língua são organizados de formas divergentes ou de que módulos inteiramente distintos de fato existem. Assim, o compromisso da generalização representa um compromisso para investigar de forma ampla como os vários aspectos do conhecimento linguístico emergem de um núcleo comum de habilidades cognitivas e não pressupor que eles são produzidos em módulos encapsulados da mente. 37(tradução nossa)

36 Cognitive Commitment represents the view that principles of linguistic structure should reflect what is known

about human cognition from other cognitive and brain sciences, particularly psychology, artificial intelligence, cognitive neuroscience, and philosophy. In other words, the Cognitive Commitment asserts that models of language and linguistic organization proposed should reflect what is known about the human mind, rather than purely aesthetic dictates such as the use of particular kinds of formalisms or economy of representation.

37 Cognitive linguists acknowledge that it may often be useful to treat areas such as syntax, semantics and

phonology as being notionally distinct. However, given the Generalization Commitment, cognitive linguists do not start with the assumption that the ‘modules’ or ‘subsystems’ of language are organized in significantly divergent ways, or indeed that wholly distinct modules even exist. Thus, the Generalization Commitment represents a commitment to openly investigating how the various aspects of linguistic knowledge emerge from a common set of human cognitive abilities upon which they draw, rather than assuming that they are produced in encapsulated modules of the mind.

Esses dois princípios basilares da Línguistica Cognitiva, o compromisso da generalização e o compromisso cognitivo, aplicam-se, também, à Tradução. O compromisso cognitivo aplica-se à Tradução, pois, enquanto processo de mediação interlinguística e intercultural, ela ativa uma série de processos cognitivos, o que a torna um terreno fértil para avaliar a validade desse compromisso. Já o compromisso da generalização torna-se particularmente relevante à Tradução pela busca de princípios de estrutura linguística que se apliquem a todos os aspectos da linguagem. Se medirmos a adequação de uma tradução, ou texto de chegada, em relação ao texto de partida com base na correspondência, total ou parcial, a uma representação de significado compartilhado ou na correspondência intertextual em vários níveis, a tradução também representará solo fecundo para testar esse compromisso (Faber, 2012, p. 71).

O estudo formal do processo tradutivo, sob a ótica da Linguística Cognitiva, poderá lançar uma nova perspectiva sobre o processamento de linguagem, como correspondências interlinguísticas são mapeadas no cérebro, assim como a natureza das representações lexicais e conceituais. Esses temas também são relevantes à tradução especializada e à Terminologia, pois, como exposto por Faber e Gómez-Moreno (Faber, 2012, p. 74), equivalentes terminológicos de diferentes línguas geralmente estão embasados em processos de extensão metafórica congêneres. Isso poderia indicar que os mesmos processos cognitivos são ativados para a criação de designações de línguas de especialidade, ou termos, em diferentes idiomas.

Faber e Gómez-Moreno (ibid) ainda argumentam que o estudo do produto do processo tradutivo, i.e., textos traduzidos, estaria em perfeita consonância com o compromisso da generalização já que, a partir dessas traduções, similitudes entre diferentes línguas podem ser extraídas e verificadas em textos considerados equivalentes em um ou vários níveis.

Assim como a pesquisa sobre a tradução literária se beneficiou largamente de pesquisas prévias sobre literatura, cultura e sociologia, a pesquisa sobre os aspectos cognitivos da Tradução deverá aproveitar-se das pesquisas de outras áreas, como a psicologia, a neurologia, e o bilinguismo, voltadas para o estudo da cognição, tanto na mente monolíngue quanto na mente bilíngue. Rojo e Ibarretxe-Antuñano (2013, p. 18) defendem que,

Em um século que trouxe à luz o papel fulcral da cognição no estudo do processo tradutivo, a Linguística Cognitiva pode destacar-se como candidata propícia para descrever os aspectos linguísticos deste processo. Qualquer teoria cognitiva da Tradução encontrará na Linguística Cognitiva o suporte teórico congruente para explicar o papel que a linguagem desempenha no processo tradutivo em relação a outras habilidades cognitivas. 38 (tradução nossa)

Se, no campo prático, as línguas de especialidade representam o território comum entre a (T)terminologia e a (T)tradução, na dimensão teórica, a Linguística Cognitiva vem sendo preconizada como zona de confluência natural entre as duas disciplinas. Esse arcabouço linguístico não só dá sustento teórico às atuais correntes cognitivas da Terminologia, nomeadamente a Terminologia de Frames e a Teoria Sociocognitiva da Terminoloiga, como também poderá servir como suporte teórico também à Tradução. O capítulo II, que apresentará o desenvolvimento da Terminologia desde seus prolegômenos até os tempos atuais, tratará da relação entre a Linguística Cognitiva e duas das correntes teóricas da Terminologia que dão apoio a esta dissertação.

38 In a century which has brought to light the central role of cognition in the study of the translation process,

Cognitive Linguistics can be discerned as a suitable candidate to account for the linguistic aspects of such a process. Any cognitive theory of translation will find in the postulates of Cognitive Linguistics the adequate theoretical background to explain the role which language plays in the translation process in relation to other cognitive abilities.

In document Fibrasjoner av Kategorier (sider 14-18)