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Endringskompetansen i petroleumsloven § 4-8 andre ledd

6.9 Departementets adgang til å endre tariffer

6.9.2 Endringskompetansen i petroleumsloven § 4-8 andre ledd

Iniciaremos esta seção com informações coletadas a partir de leitura sobre

estereótipo e generalização para vertê-las em aplicação no ensino de PL2 e de

PLE. Para servir nossos propósitos, adotaremos os termos estereótipo e

generalização como semelhantes, pois muitos autores se referem a ambos

como sinônimos, como demonstra Cabecinhas (2002):

Os estereótipos seriam generalizações abusivas, irracionais e perigosas. A sua mudança seria difícil, exigindo uma longa educação crítica. Os estereótipos negativos sobre determinadas minorias étnicas justificariam os comportamentos discriminatórios em relação as mesmas, contribuindo para a manutenção do statu quo.

Comumente, encontramos o termo caricatura de estereótipos linguísticos e

culturais para delinear tal conceito. Na ideia preconcebida de nossos conceitos

de cultura e de visão de mundo, tendemos a imaginar outras culturas de maneira simplista, transformando diferenças culturais em categorias exageradas com consequentes traços estereotipados.

Como são formados os estereótipos? O nosso meio social afeiçoa nossa visão de mundo de tal maneira que, em nosso padrão cultural, uma percepção diferenciada pode ser vista como falsa ou estranha. Deu-se a simplificação. Se indivíduos reconhecem e entendem as diferenças, uma postura positiva e aberta com relação às diferenças transculturais pode ser adotada. A ausência de flexibilidade resulta na formação de estereótipo – uma presunção superficial que atribui características coletivas a indivíduos. Pode ser exato na descrição de um membro típico de uma cultura, mas inexata na descrição de alguém, simplesmente porque aquele indivíduo é único e não pode ser pré-julgado.

Quem são os outros? O outro poderia ser qualquer um, inclusive o próprio observador em outra situação, e geralmente a análise do outro é feita por concepções errôneas, conferindo uma avaliação negativa. Há uma tendência

sistemática na autovalorização e na valorização do próprio grupo, concomitante a uma desvalorização do outro, mas não há consenso de como ou por que isso ocorre.

Pereira (2002) em seu livro Psicologia social dos estereótipos explica que as pessoas, inicialmente, imaginam e definem o mundo e em seguida o observam. A interpretação estaria fundamentalmente associada à cultura, que determinaria de forma estereotipada a noção interna sobre o mundo externo. Assim, já haveria uma opinião formada, de acordo com os códigos da cultura, para se analisar o mundo antes mesmo de observá-lo. O mundo estaria ordenado por códigos, passados de geração a geração, favorecendo a estereotipia, que, por função, defenderia as tradições culturais.

Enquanto estereotipar e generalizar pessoas de outras culturas deveria ser evitado, a pesquisa sobre o cruzamento de culturas tem demonstrado que há, de fato, características diferenciadoras entre culturas.Tanto professores quanto alunos devem compreender a diversidade cultural e reconhecê-la abertamente como uma ferramenta de apreciação na sala de aula51, de acordo com Kramsch em:

Quebrar estereótipos não é apenas perceber que as pessoas não são previsíveis ou ainda ou que no fundo "somos todos iguais". É compreender que somos irredutivelmente únicos e diferentes, e que eu poderia ter sido você, você poderia ter sido eu, dadas as diferentes circunstâncias - em outras palavras, que o estranho, como diz Kristeva, está em nós. Além de história e ciência social, a cultura é, portanto, também a literatura, pois é a literatura que abre "a realidade além do realismo" e que permite aos leitores a viver outras vidas - por procuração. (KRAMSCH, 2008, p. 2; tradução nossa)52

51 KRAMSCH, Claire. The cultural component of language teaching. 2008. Disponível em: <http://www.spz.tu-darmstadt.de/projekt_ejournal/jg-01-2/beitrag/kramsch2.htm#ENDNOTE1>

Acesso em: 22/10/2010.

52 Citação original em inglês: “Breaking down stereotypes is not just realising that people are not the

way one thought they were, or that deep down "we are all the same". It is understanding that we are irreducibly unique and different, and that I could have been you, you could have been me, given different circumstances — in other words, that the stranger, as Kristeva says, is in us. In addition to history and social science, culture is therefore also literature, for it is literature that opens up "reality

O processo de criar estereótipos gera certas atitudes e análises tendenciosas em relação à língua e à cultura enfocadas. As atitudes, como todos os aspectos de desenvolvimento de cognição, são desenvolvidas na infância e estimuladas, com a participação dos pais e de outros, na interação com o diverso. Elas formam parte da percepção e da cultura vivenciada. Como discute Hall (1997), estereotipar faz parte da manutenção da ordem social e simbólica, estabelecendo uma fronteira entre o “normal” e o “desviante”, o “normal” e o “patológico”, o “aceitável” e o “inaceitável”, o que “pertence” e o que “não pertence”, o “nós” e o “eles”. Estereotipar reduz, essencializa, naturaliza e conserta as „diferenças‟, excluindo ou expelindo tudo aquilo que não se enquadra, tudo aquilo que é diferente.

O professor pode auxiliar a desvendar o que é mito por intermédio da apresentação de informação exata sobre a formação, o respeito, a história e a valorização de outras culturas. A competência intercultural é fomentada pela vivência em sala de aula e por fatores contraditórios, tais como expectativas de participação, aceitação de manifestação cultural diversa, que são constantemente negociados e/ou descartados. Sugerimos um paralelo entre a competência intercultural e às postulações de Guimarães (2009, p.126) sobre texto como “unidade de sentido resultante de escolhas e articulações feitas pelo produtor [...]

Gardner e Lambert (1972, apud BROWN, p. 155) estudaram sistematicamente tentativas de examinar os efeitos de certas atitudes no aprendizado de língua e concluíram que a motivação – interesse em interagir – pode exercer papel fundamental no êxito do processo formador linguístico, ainda que o professor deva conscientizar-se de que o ser humano tem atitudes positivas e negativas que podem aumentar ou diminuir a motivação respectivamente. Atitudes negativas são geralmente oriundas de uma exposição indireta (sem uso ou orientação efetiva) à televisão, cinema, notícias e livros, além das fontes não- confiáveis. Essas atitudes poderiam ser transformadas em positivas se o aluno tivesse oportunidade de efetivamente integrar-se com membros de outras culturas.

Em áreas complementares para a Linguística Aplicada53 como a Psicologia e a Antropologia, encontramos a explanação para a capacidade potencializada da televisão e seus comerciais de sedimentar a formação de estereótipos. Possivelmente, com mensagens sutis - formas simbólicas - dos tipos mais diversos, passam a interagir com as diversas culturas, criando representações e transformando relações. Interagir é um termo essencial, visto que a cultura se relaciona diretamente com a produção e a troca de significados entre os membros de uma sociedade ou de um grupo. E a televisão relata o mundo todos os dias, entrando em nossas casas. Seria provavelmente difícil encontrar alguém que nunca assistiu a um programa de televisão na vida. Poderíamos arriscar que seria muito difícil encontrar alguém no mundo ocidental que não tenha ligado a tevê esta semana.

Na interação cultural, as formas simbólicas, segundo Thompson (1995 apud ROSO et al., 2002) implicam cinco características básicas. A primeira, é que elas são sempre intencionais, querendo dizer que são sempre a expressão de um sujeito para outro. A segunda, é que elas são convencionais, ou seja, a produção, a construção ou o uso delas, bem como a interpretação das mesmas, são processos que envolvem regras, códigos ou convenções. A terceira característica é que elas são estruturais, isto é exibem uma estrutura articulada e, ao fazermos a análise da estrutura, devemos investigar não somente seus elementos específicos, mas também suas inter-relações. A quarta característica é seu aspecto referencial, já que as construções representam algo, referem-se a algo, dizem algo sobre alguma coisa. A quinta e última característica é o seu aspecto contextual, pois as formas simbólicas são sempre inseridas em processos e contextos sócio-históricos específicos dentro dos quais e por meio dos quais elas são produzidas, transmitidas e recebidas.

Um sério problema surge quando as formas simbólicas de determinada propaganda são criadas, ou contribuem, para reforçar e estabelecer relações de dominação ou de exclusão, as quais ocorrem quando uma pessoa, ou grupo

53 Cf. p. 23 desta dissertação.

de pessoas, possui poder de uma maneira permanente, e em grau significativo, permanecendo inacessível a outra(s) pessoa(s), independente da base sobre a qual tal exclusão é levada a efeito. É nesse momento que as formas simbólicas, na dimensão cultural, passam a carregar consigo relações ideológicas, conforme definidas por Thompson (1995, p.12). Um dos passos para romper com esta ideologia é analisá-la, ou seja, estudar as maneiras como as formas simbólicas se entrecruzam com as relações de poder. Em outras palavras, como o sentido pode servir para estabelecer, sustentar e reforçar relações de dominação.

Walter Lippmann, em seu livro Opinião Pública (2008), explica que estereótipos são as fortalezas de nossa tradição. “Os fatos que vemos dependem de onde estamos posicionados, e dos hábitos de nossos olhos. Na maior parte dos casos, nós não vemos, em primeiro lugar, para então definir, nós definimos primeiro e então vemos”. (LIPPMANN, 2008, p. 66 apud SPINDOLA, 2010, p. 32). Produto da interação social, é a experiência social que determina nosso processo de seleção da informação: resíduos de memória ancestral preservada no inconsciente coletivo – instinto e habitus. Os indivíduos têm categorias socialmente salientes, nas quais organizam o mundo: a redução de incertezas gera conhecimento, segundo Morin:

Todo o conhecimento opera por seleção de dados significativos e rejeição de dados não significativos: separa (distingue ou desune) e une (associa, identifica); hierarquiza (o principal, o secundário) e centraliza (em função de um núcleo de noções mestras). Estas operações, que utilizam a lógica, são de fato, comandadas por princípios “supralógicos” de organização do pensamento ou paradigmas, princípios ocultos que governam a nossa visão das coisas e do mundo sem que disso tenhamos consciência. (MORIN, 2006, p. 10, grifo do autor).

No intervalo entre seleção e rejeição de material cultural do outro, encontramos o elo para o ensino de língua e cultura estrangeiras: a distância social.

O conceito de distância social pode ter surgido, também, da busca por justificativas para ensino de cultura em ELE. Trata-se da proximidade afetiva e cognitiva de duas culturas emparelhadas por um indivíduo. Os parâmetros de domínio (político, cultural e tecnológico), integração (assimilação, aculturação, preservação), coesão (proporção), congruência (valores, crenças e interação), e permanência estabelecem uma relação de harmonia e contribuem para um processo enriquecedor de aquisição de linguagem se todas essas relações estão em equilíbrio, sem imposição de uma cultura sobre a outra. Estuda-se a

distância social percebida, uma vez que a distância real não pode ser

mensurada devido ao seu caráter subjetivo. Dessa forma, atingir o conceito de

modelo de distância ideal em ELE seria a sequência natural; com o intuito de

melhorar o trabalho desenvolvido em sala através de testemunhos e experiências de imersão para proficiência da língua. Com isso, encerramos a parte teórica de nosso trabalho.

Passaremos à aplicação e delimitação de corpora: estudo de caso em PL2 e pesquisa de campo em PLE, no capítulo seguinte.