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» Menor consumo energético » Fonte de energia “mais limpa” » Necessidade de menos consumíveis » Consumíveis “mais limpos”

» Inexistência de desperdício de energia ou de consumíveis *Nota: Foi atribuído o símbolo ‘@’ ao

desenvolvimento de novos conceitos porque é muito mais inovador do que as outras sete estratégias.

Prioridades para o novo produto Produto existente

A reutilização de um produto, após o fim do seu tempo útil de vida, potencia novos ciclos de utilização, evitando o consumo de mais recursos e favorecendo a prevenção de emissões e resíduos nas fases do ciclo de vida a montante da utilização do produto.

4.2.1.7. Modularidade

O design modular apresenta-se aqui como um método que possibilita o aumento da durabilidade de um produto, ou seja, permite o aumento do tempo de vida útil de um produto. A modularidade reduz as pressões sobre o ambiente, a utilização de recursos e minimiza, ainda, a produção de resíduos, permitindo ao utilizador aumentar o rendimento da utilização do produto.

O designer deve, tanto quanto possível, considerar a concepção de um produto através de estruturas modulares, as quais, por um lado, facilitam a limpeza, manutenção e reparação dos produtos, e por outro, permitem incorporar inovações tecnológicas.

A modularidade é uma abordagem baseada na divisão de um produto (ou produção) em subsistemas independentes, geralmente de menor porte, que tem como principais objectivos: facilitar o gerencia- mento de produtos e processos de produção e organizacionais, possibilitar a realização de actividades de desenvolvimento de novos produtos em paralelo, e adaptar a produção às incertezas futuras. (…) (MIGUEL, 2009, p.8)

A flexibilidade implícita a um produto com características modulares facilita a sua actualização, manu- tenção e reparação uma vez que apenas o módulo estragado poderá ser reposto ou reparado. A modula- ridade permite, assim, a produção de produtos diversificados por meio da combinação de subsistemas, além de possibilitar ganhos com a alteração da configuração dos módulos e dos processos produtivos.

Resumo: Este capítulo aborda o papel que o design/designer pode desempenhar de modo a solucionar a problemática causada pelo excesso de produtos e serviços que se encontram a destruir o nosso planeta. São aqui demonstradas algumas das estratégias de ecodesign que podem ser implementadas no desen- volvimento de um novo produto de modo a que se possa tornar ambientalmente responsável.

BHAMRA, Tracy e LOFTHOUSE, Vicky – Designing for Sustainability, A Practical Approach. 1ªEdição. England: Gower, 2007. ISBN 9780566087042

BREZET, Han e HEMEL, Carolien Van – Ecodesign, A Promising Approach to Sustainable Pro- duction and Consumption. 1ªEdição. France: United Nations Publication, 1997. ISBN 92 807-1631-x

DATSCHEFSKI, Edwin – The Total Beauty of Sustainable Products. 1ªEdição. Switzerland: Roto Vision, 2001. ISBN 2-88046-545-1

FRAZÃO, Rui, PENEDA, Constança e FERNANDES, Rui – Adoptar a Perspectiva de Ciclo de Vida, Incentivar a Competitividade Sustentável das Empresas. In “CADERNOS DO INETI”. 2ª Edição. Lisboa: INETI – CENDES, 2006. ISBN 972-676-192-1. Vol.10.

LEWIS, Helen e GETSAKIS, John [et al] – design + environment, a global guide to designing greener goods. Espanha: Greenleaf, 2001. ISBN 1874719438

MIGUEL, Paulo [et al] – Uma investigação sobre a adoção da modularidade no projecto de novos produtos e na produção em uma montadora automotiva. Produto & Produção. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. ISSN 1983.8026. Vol.10 nº 3. 2009. p. 8

WIMMER, Wolfgang e ZUST, Rainer – ECODESIGN PILOT, Product Investigation, Learning and Optimization Tool for Sustainable Product Development. Suíça: Kluwer Academic Publishers, 2001. 1 4020 0965 8. vol.3

WRIGHT, Richard T. e NEBEL, Bernard J. – Environmental Science, Toward a Sustainable Future. 1ªEdição. United States of America: EIGHTH EDITION, 2002. ISBN 0-13-032538-4

Depois de formulado o problema base da investigação, Design Sustentável de Mobiliário: extensão do tempo útil de vida do produto pela reutilização, apresentamos uma hipótese, ou seja, uma resposta hipotética a um problema real. Antes de nos debruçarmos sobre esta resposta tivemos de efectuar um estudo preliminar, que se baseia numa cuidadosa investigação sobre todo o material que já foi escrito ou publicado sobre a área de investigação. Para além do desenvolvimento desta crítica literária foram seleccionadas cinco palavras-chave que auxiliam, procedendo a um cruzamento das mesmas, na recolha de informação importante.

Iniciada a recolha, selecção, análise e síntese crítica de toda a informação relevante sobre o tema pudemos escrever o estado da arte, isto é, os capítulos que referem toda a contextualização teórica da investigação e que abriram caminho para a formulação da hipótese.

A hipótese é o mecanismo que postula a conclusão deste estudo. É a formulação escrita daquilo que se pretende comprovar. Assim a investigação pretende demonstrar que é possível uma empresa projectar móveis através da reutilização de outros usados. Esta hipótese nasce da necessidade de tornar o mobiliá- rio de madeira mais sustentável, ambicionando uma durabilidade do produto acima da média que vai ser possível através de métodos como a modularidade e o serviço de recolha de produtos.

Como pudemos observar no desenvolvimento do Capítulo I é evidente a necessidade de uma conscien- cialização sobre os problemas ambientais e as suas origens. Aspectos fundamentais como a poluição, a perda da biodiversidade, o corte consecutivo de árvores e o aquecimento global são efeitos colaterais das actividades industriais e da insustentável relação entre produção e consumo.

O homem, durante todos os momentos da sua existência, sempre modificou o ambiente natural em que está inserido de modo a garantir a sua sobrevivência porém, com o passar dos anos, essas modifica- ções foram cada vez mais acentuadas. Como já foi mencionado neste trabalho de investigação, a crise ambiental é uma crise de design em inúmeros aspectos. A ideia de integrar uma consciência ecológica nas práticas de design das empresas é vista, assim, como uma preocupação e, acima de tudo, como uma necessidade. Perante todos estes factos, é indispensável repensar na forma como as empresas projectam e desenvolvem todos os seus produtos e serviços, e no caso particular desta dissertação, a possibilidade de reutilizar alguns objectos de modo a prolongar o tempo útil de vida de um produto.

Com o intuito de desenvolver um projecto focado na reutilização foi seleccionada uma composição de sala integrada no catálogo da empresa portuguesa de fabricação de mobiliário em madeira – CERNE. Pro- cedeu-se à análise, como caso de estudo e ponto de partida da parte prática da investigação, desta empresa.

6.1. CERNE

45

SLOW-LIFE. GOOD HEALTH. INTEMPORAL DESIGN.

Distinguimos a origem de um móvel CERNE. Pela nossa memória passa o ambiente pleno de vida de uma floresta que todos os anos se renova para, generosamente, nos oferecer algo único. É essa madeira maciça que a CERNE selecciona e trabalha com um profundo conhecimento da matéria viva e com avançadas tecnologias (CERNE, [s.d.], p.2).

45 http://www.cerne.com/default.aspx Consultado a 20.03.2009

Fig.21: Young Hands on Old Tree - Fotografia (Cindy k., 23.10.2004) 46

46 http://www.flickr.com/photos/thinkcink/5579947/ Consultado a 07.02.11

A empresa CERNE – Indústria de Mobiliário, S.A., criada em Setembro de 1990, é conhecida pela produção de mobiliário em madeira maciça de alta qualidade. Detentora de diversas linhas de mobiliário (Benjamim, Frame, Celtia, Âmbar, (…)), o seu conceito passa por criar linhas depuradas e simples em que a tradição transfigura-se em minimalismo contemporâneo.

De acordo com a informação fornecida pela Dr.ª Olívia, admi- nistradora da empresa CERNE, a empresa é constituída por 146 trabalhadores, tab.03, e possui um volume de vendas de 1,228,075.27 € em 2010, que como podemos observar pela leitura da tab.04, tem vindo a decrescer ao longo dos anos.

Os valores da CERNE passam por três pontos-chave essenciais: 1. MADEIRA » a empresa adopta como material para todas as suas criações a madeira maciça, um material com elevado potencial estético e sensorialmente superior;

2. QUALIDADE » a CERNE produz móveis únicos onde o