• No results found

Endringsadgang dersom arbeidstaker har en individuell rettighet?

Para Born (2005) “Uma família é essencialmente um lugar de comunicação, de trocas afectivas entre pessoas, da mesma geração ou não, que vivem sobre o mesmo tecto. Este lugar está institucionalizado e é reconhecido pelos outros como existente. (...) A família é o meio de base em que se desenvolve a personalidade das crianças, influenciadas pela sua interacção directa com os pais” p. 74. Este autor deixa bem clara a ideia de que a família é a estrutura base para o desenvolvimento psicológico dos filhos. Por sua vez, Strecht (2003) vai mais longe, referindo que existe claramente a noção que,

«A unidade familiar continua a ser o mais eficiente mecanismo até agora engendrado para o cuidado e criação dos filhos, funções que ainda lhe são confiadas em todas as sociedades»

Linton, 1959

“As ligações entre pais e filhos (...) existem realmente, e é utópico não se querer ter em linha de conta a natureza e querer transformá-la a todo o custo”

na escala das referências exteriores para a construção narcísica do “eu” infantil, é na qualidade da relação afectiva entre pais e filhos que assenta a base mais importante. Segundo Eduardo Sá (2005) “As pessoas guardam demais aquilo que se passa dentro delas (...) Porém, são assustadiças e, como sabes, insistem em fazer de crescidas (...) imaginam que a imaturidade para fazer quaisquer escolhas seja dos adolescentes. Nunca delas (...) As pessoas só se imaginam crescidas quando estão inseguras, o que acontece também contigo algumas vezes. É nessas alturas que esbracejam e se baralham. Como quando falam do amor como uma espécie de hormona do crescimento, esquecendo que não é verdade que o amor seja um sentimento (...) O amor é, antes, uma consensualidade de sentimentos (aquilo que duas pessoas que se comovem trocam sem precisarem de saber como ou porquê) (...) dei comigo a sentir que aquilo que falta à esmagadora maioria das pessoas crescidas, para não desistirem de crescer, será reaprenderem a escutar e a comover-se. Ou, se preferires, a moverem-se através daquilo que sentem, umas para as outras” pp. 183 - 185. De acordo com Medeiros (2000, cit in Silva, 2004), a família com filhos adolescentes atravessa uma das crises normativas do seu desenvolvimento, sendo que, os movimentos de mudança co- evolutiva são necessários e notórios em todos os elementos da família e no sistema na sua globalidade, pelo que, esse sistema passa por uma adaptação estrutural que permite a continuidade funcional e organizacional. Também de acordo com Gammer & Cabié (1999) antes da família se confrontar com o início da adolescência do(s) filho(s), a sua estrutura encontra-se frequentemente estável. Posteriormente, de forma algo abrupta, esta família tem de delinear novas fronteiras, renovar papeis, proporcionar ao adolescente “partir e voltar”. Cada um dos seus elementos tem de encontrar um novo lugar, rever os seus investimentos no mundo exterior, pois a autonomização do adolescente é complementar à dos pais, pelo que, os filhos deverão deixar gradualmente de ser o centro da sua existência, pois, segundo estes autores, é altura de os pais modificarem a forma de serem pais. Neste sentido, quando se pretende estudar a população adolescente, parece-nos de extrema importância abordar o tema das relações “pais-filhos”. Esta relação tem sido abordada em diversas perspectivas ao longo do desenvolvimento das crianças e adolescentes. Em particular foram estudados os

primeiros anos de vida, observando a interacção entre a criança e os pais, designadamente a mãe, como demonstram muitos estudos, por exemplo, sobre a vinculação (attachment). Bowlby foi um dos autores que melhor estudou a vinculação da criança com a mãe e as consequências da (des)vinculação. Os autores Bowlby & Ainsworth et al., distinguiram vários padrões ou estilos de vinculação (seguro, esquivo ou distante, ansioso ou ambivalente) e as consequências para o desenvolvimento psicológico da criança, concluindo que uma vinculação feita de segurança promove um óptimo desenvolvimento a todos os níveis (1969, 1973, 1980; 1978, cit in Oliveira, 2002). Segundo Born (2005) vinculação “refere-se ao laço pessoal entre o indivíduo e, por um lado, as pessoas convencionais (isto é, os pais, os professores, os pares...) e por outro as instituições convencionais (isto é, a escola, o desporto...)” p. 69. Este autor salienta que, o que efectivamente é importante na vinculação é a sensibilidade interpessoal. Refere ainda que, este laço tem início na primeira infância, onde a criança respeitará as regras impostas pelos pais, desde que seja também respeitada e esteja vinculada aos mesmos. Pois é o medo de perder o amor que a liga aos pais e que a fazem controlar-se, respeitando as regras da família. Mais tarde, já na “pele” de adolescente, este laço estende-se à relação com os pares e outros contextos sociais. De acordo com Boisvert (2006) “a vinculação resulta de uma relação afectiva entre a criança e os pais, primeiro, e depois com qualquer pessoa significativa (avós, madrinha, ama, etc.)” p. 95. Este autor defende que é nesta relação que a criança cresce e desenvolve-se, sentindo-se mais ou menos segura, de acordo com a forma como a pessoa significativa corresponde às suas necessidades. Assim, quanto mais se sentir segura mais capacidade tem para explorar o meio com confiança, em busca de novas aprendizagens. Outras das implicações determinantes da vinculação é na aquisição da auto-estima e de um Ego forte, pois estes contribuem para a formação de uma actividade psíquica elaborada. Deste modo, o autor realça a importância da qualidade da vinculação aos membros da família, explicando que esta promove uma construção sólida da personalidade da criança. Para além disso, o autor faz referência a um psicólogo americano Peter Blos que, mostrou que a dinâmica relacional que se estabelece na primeira infância é retomada no início da adolescência, como “segundo processo de separação-

individuação”. Neste sentido, o adolescente à semelhança do que já viveu nos seus primeiros anos, precisa de se afastar do seio familiar, também para explorar o mundo exterior, mas desta vez, de formas diferentes, como por exemplo: sair com amigos, praticar desportos radicais, relacionar-se amorosamente, trabalhar ao fim-de-semana, etc.. Assim, e também de acordo com o autor, torna-se fundamental assegurar ao adolescente a mesma flexibilidade e o mesmo enquadramento que recebeu no seu primeiro processo de “separação-individuação”. Pois ao sentir-se capaz de se afastar e de realizar novas aprendizagens, tendo em simultâneo a sensação de tranquilidade e de poder sempre voltar ao seu ponto de ancoragem (vinculação), ou seja ao seu lar (família), a tarefa parental de estabelecer limites ficará facilitada, na medida em que, os jovens poderão protestar mas, ao mesmo tempo sentem-nos seguramente como securizantes. Tal como Pollack e Grossman (cit in Oliveira, 2002, p. 123) afirmam, são muitos os estudos que provam a “decisiva importância para o desenvolvimento integral da criança que provém da simbiose ou ligação entre pais e a criança desde os primeiros momentos de vida. A sua ausência ou insuficiência traz perturbações graves à personalidade futura do filho”. Para Erikson é essencial darmos assistência ao desenvolvimento, devemos proporcionar aos adolescentes uma independência e responsabilidade cada vez maiores. O potencial para a compreensão empática e a preocupação e cuidado humano que estão disponíveis para ser desenvolvidos durante a adolescência podem ser capitalizados ao serviço de um desenvolvimento pessoal saudável. “O grande contributo Erikson foi trazer os problemas do crescimento pessoal para fora da sombra da patologia e integrá-los no processo global de desenvolvimento da pessoa saudável (...) Esperamos que esse conhecimento nos ajude em formas mais eficazes de ajudar as crianças e os adolescentes em alturas importantes mas críticas” (Sprinthall & Sprinthall, 1993: p. 161). Já para Holmbeck, Paikoff & Brooks-Gunn, o período adolescencial (parenting adolescents) é decisivo no desenvolvimento físico, cognitivo, afectivo, moral e social do ser humano. Actualmente reconhece-se a importância decisiva desta idade para o resto da vida, levando assim os pais a proceder com muita “ginástica” mental, procurando dosear através dos estilos educativos, a autoridade e a liberdade. É comum distinguir-se três adolescências, a inicial, a média e a

final, qualquer uma delas com características próprias consoante a idiossincrasia, o sexo, o meio social e outros factores condicionantes da vida do adolescente (cit in Bornstein, 1995). Assim, nestas três fases parece essencial a adopção de limites firmes e uma grande capacidade de compreensão, tolerância, aceitação e adaptação dos pais às particularidades dos filhos, evitando assim, certos conflitos de gerações, ou pelo menos a redução dos mesmos. Pois só desta forma os pais poderão contribuir para a promoção da auto-estima e equilíbrio psicológico dos filhos. Tal como, defende Oliveira (2002) os adolescentes com uma elevada auto-estima percepcionam os pais como mais aceitadores e menos controladores e exigentes. Já Vaz Serra; Firmino & Matos (1987) estudaram a influência das relações dos filhos com os pais para o auto-conceito, concluindo que uma boa atmosfera familiar e uma relação positiva dos pais com os filhos, como por exemplo, tolerância, compreensão, ajuda e incentivo para vencer as dificuldades, são realmente essenciais para a formação de um bom auto-conceito. Assim como o modo como o casal se relaciona entre si ou a interacção entre o marido e a esposa medeia a influência que os pais exercem sobre os filhos. Neste sentido, pode-se dizer que o desenvolvimento de um bom auto-conceito se processe numa atmosfera de aceitação por parte dos pais, que por sua vez, permite ao adolescente sentir-se autónomo e com perspectivas de oportunidade para aprender novas competências. Também para Veiga (1996) parece de todo, ser fácil aceitar, que na fase da adolescência, o indivíduo continua a necessitar de estabelecer relações afectivas no contexto familiar, pois este espera que lhe proporcionem amor e segurança, pelo que só assim, será possível desenvolver-se harmoniosamente, construindo adequadamente a sua identidade.

De acordo com Gowers e col., quando ambos os pais estão regularmente presentes, a situação matrimonial do casal parental nem sempre é um factor de diferenciação pertinente, no entanto, o ambiente familiar e em particular a qualidade da relação pais- filhos são factores significativos que diferenciam os adolescentes com ou sem problemas. Contudo, a existência de uma relação hostil parece preferível à indiferença por parte do pai. Essa constatação epidemiológica (forte correlação com algumas perturbações dos comportamentos, em particular a patologia comportamental) corrobora a descrição psicológica do trabalho da adolescência. Ou seja, de facto, um pai que é

considerado hostil representa um limite para o adolescente, enquanto que um pai indiferente deixa o adolescente por si próprio e com uma falta de continente. Por outro lado, a total ausência de um dos pais, principalmente se se tratar do pai (situação de longe mais frequente) constitui sempre um factor de risco importante para o adolescente (1993, cit in Marcelli & Braconnier, 2005). Segundo Fleming (1997) o adolescente faz a passagem de uma condição de dependência para uma condição de maior autonomia, sendo esta encarada como um nível mais elevado de autogoverno. Esta passagem experimenta, certamente, a influência do tipo de socialização que sucede no contexto mais alargado do meio social envolvente, e no contexto mais particular o da família. A dimensão, em qualidade e quantidade, de autonomia, está vinculada, entre outros factores, às regras, valores e expectativas culturais, bem como ao tipo de socialização e de práticas educativas, que de certa forma traduzem a respectiva cultura. É essencial que o adolescente conheça os seus limites, e aquilo que o irá ajudar a situar-se no seu meio envolvente, bem como o seu contexto relacional. É deste modo, com o reconhecimento dos limites do seu Eu que o leva a identificar-se, é muitas vezes o saber dizer “não” por parte dos pais que o formam e o educam. A mesma autora sublinha que, como o jovem necessita de se reconhecer, enquanto sujeito, ele também necessita de ser reconhecido enquanto pessoa, pois esse reconhecimento só é possível em contexto de comunicação e do diálogo. Assim, de acordo com Lourenço & Paiva (2004) percebemos que os diversos contextos material e relacional próprios e específicos das respectivas estruturas familiares é que irão determinar (favorecendo ou não) as experiências dos jovens. É deste modo que resultam diferenças nos comportamentos dos adolescentes, que podem ser bastante consideráveis, até mesmo entre jovens de uma mesma família, visto que uns e outros, conforme o seu temperamento, reagem de maneiras diferentes a situações ou relações semelhantes. De acordo com todos estes autores, percebemos a importância da relação pais-filhos para o desenvolvimento saudável e equilibrado dos filhos, quer enquanto crianças, quer na fase da adolescência, mesmo com todos os contornos particulares e necessários para a individuação e crescente autonomia dos futuros adultos. Parece-nos efectivamente indispensável encontrar um equilíbrio nas respostas das duas necessidades fundamentais dos adolescentes, que são as de segurança e de autonomia.

Estas respostas podem ser muito diferentes, dependendo da mãe/pai, isto é, dependendo da compressão que estes têm do seu papel e do seu equilíbrio pessoal.