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No dia 23/03/04, conversei com a professora sobre a possibilidade de pesquisar com os alunos das 4asséries das Séries Iniciaisdos períodos matutino e vespertino. Foi iniciado o levantamento dos dados sobre as concepções que os alunos têm de floresta. O ambiente escolar é favorável para o levantamento, pois é nesse espaço que ocorrem as interações de idéias e representações dos múltiplos atores que trazem em seus comportamentos, e em suas linguagens as idéias e as imagens que são propagadas e consolidadas pelos diferentes grupos

sociais como as famílias, os meios de comunicação (principalmente a televisão e o rádio), as instituições religiosas e acadêmicas.

No contato com as crianças e adolescentes da 4ª série do período matutino, onde estão matriculados 24 alunos, participaram da pesquisa 22. Solicitei que desenhassem a floresta (Anexo C) como estes a imaginavam, qual a idéia que possuíam de floresta. É necessário conhecer essas representações, uma vez que elas podem redirecionar a metodologia e as práticas pedagógicas cotidianas da escola, estabelecidas no princípio do ano pelos professores na Proposta Pedagógica na qual o Projeto Meio Ambiente foi inserido como uma das oportunidades para exercitar a cidadania.

As Representações Sociais (RS) surgem, neste processo, como meio para entender as multifaces de linguagens e a multiplicidade cultural dos diferentes segmentos sociais que interagem com o meio ambiente natural e social e as suas atitudes em relação à problemática ambiental. As representações sociais não são apenas opiniões e imagens de algo, mas teorias coletivas sobre o real, possuindo lógica e linguagens particulares. (Moscovici, 1978).

Hoje há uma concordância de idéias entre os pesquisadores de EA, ou seja, o primeiro passo para a realização da EA passa pela identificação das concepções sobre meio ambiente, que os atores envolvidos no processo educativo apresentam.

Sobre essas representações sociais, Reigota (1998, p. 14), define meio ambiente como: “O lugar determinado ou percebido, onde os elementos naturais e sociais estão em relações

dinâmicas e em interação. Essas relações implicam processos de criação cultural e tecnológica do meio natural e construído”.

Dos 22 alunos participantes da pesquisa sobres as concepções de floresta, obtive os seguintes resultados: 13,64% dos alunos representam a floresta, com morros,

cachoeiras/água, animais, árvores; 18,18% dos alunos representam a floresta com cachoeiras, animais, árvores; 4,55% dos alunos representam a floresta com cachoeira/água, árvores, humanos; 4,55% dos alunos representam floresta com cachoeira/água, árvores;

13,64% dos alunos representam floresta com morros, animais, árvores; 18,18% dos alunos representam floresta com cachoeiras/água, animais, árvores; 18,18% dos alunos representam floresta com animais, árvores; 9,09% dos alunos representam a floresta com árvores,

Gráfico 1: Concepções de florestas dos alunos da 4ª série do período matutino.

concepções de florestas

13,64% 18,18% 4,55% 4,55% 13,64% 18,18% 18,18% 9,09%

morros, cachoeiras/água, animais, árvores cachoeiras, animais, árvores

cachoeira/água, árvores, humanos cachoeira/água, árvores

morros, animais, árvores

cachoeiras/água, animais, árvores animais, árvores

árvores, humanos

Convidei os 33 alunos da 4ª série vespertino para participarem da pesquisa. Solicitei que representassem as concepções de floresta da maneira como a imaginavam. Obtive os seguintes resultados: para 18,18% dos alunos a floresta é representada por cachoeiras/água,

árvores, animais; para 12,12% dos alunos a floresta é apresentada por árvores, e animais;

para 21,21% dos alunos a floresta apresenta morros, cachoeiras/água, árvores, animais; para 9,09% dos alunos a floresta é representada por morros, árvores; para 12,12% dos alunos a floresta é concebida por morros, árvores, animais; para 9,09% dos alunos representam a floresta com morros, cachoeiras, árvores; para 3,03% dos alunos a floresta é representada por

árvores; para 3,03% dos alunos a floresta é representada com cachoeiras/água, árvores e humanos; para 3,03% dos alunos a floresta é representada por árvores, humano; 3,03% dos

alunos representam a floresta com cachoeiras, árvores; para 3,03% dos alunos a floresta é representada por árvores, animais e humano; para 3,03% dos alunos a floresta foi representada por ilha. Convido a observar o Gráfico 2.

Gráfico 2: Concepções de florestas dos alunos da 4ª série do período vespertino. 18,18% 12,12% 21,21% 9,09% 12,12% 9,09% 3,03% 3,03% 3,03% 3,03% 3,03% 3,03%

cachoeiras/água, árvores, animais árvores, e animais

morros, cachoeiras/água, árvores, animais morros, árvores

morros, árvores, animais morros, cachoeiras, árvores árvores

cachoeiras/água, árvores e humanos árvores, humano

cachoeiras, árvores árvores, animais e humano ilha

A partir das concepções de floresta obtidas dos alunos dos períodos matutino e vespertino, consegui evidenciar os seguintes elementos naturais: cachoeiras/água; morros; animais; árvores e humanos.

Fundamentei a análise da resposta nas representações ambientais de Sauvé (2000, modificada por Sato, 2002) as quais se destacam como sendo: Meio Ambiente como Natureza; Meio Ambiente como Recursos; Meio Ambiente como Problemas a serem superados; Meio Ambiente como Sistemas; Meio Ambiente como Meio de Vida; Meio Ambiente como Biosfera; Meio Ambiente como Projeto Comunitário.

Para 86,36% dos alunos do período matutino, as representações de floresta têm na natureza um santuário que devemos apreciar e respeitar. (Sato, 2002). Percebo o ser humano dissociado da natureza (mero observador) e destaco que, para os pesquisados, o ambiente florestal é classificado como natureza pura, desenvolvendo a partir dessas representações algumas palavras como preservação, árvores, animais e natureza.

Para 13,63% dos alunos, em suas representações de floresta, a presença humana é observada, porém os seres humanos ali desenhados são habitantes do ambiente sem o sentido de pertencimento. Conforme as representações ambientais de Sato (2002), as concepções de florestas dos alunos inserem nas representações Meio de vida que devemos conhecer e

Gráfico 3: Concepções de florestas dos alunos período matutino.

Para 90,91% dos alunos do período vespertino, o ambiente florestal foi representado de forma naturalista, onde o meio é a natureza que deve ser apreciada e respeitada; o elemento humano está dissociado da natureza.

Para 9,09% dos alunos, o ambiente florestal foi representado com a presença humana, porém, para 6,06% deles, a presença humana é representada por índios. Conforme as representações ambientais de Sato (2002), essas concepções de florestas inserem nas representações de meio ambiente Biosfera que vivemos juntos em longo prazo. Chamando a atenção para a situação em que se encontram os povos das florestas entre eles os índios. Um dos problemas identificados para essa representação é que a cultura ocidental não reconhece a relação do ser humano com a Terra. As comunidades autóctones têm uma forte relação com a Terra. Eles extraem os recursos naturais que necessitam, usufruem desses produtos, mas sob forte pressão econômica estão sujeitos também a agredir o ambiente. Enquanto que, para os outros povos que não mantém essa cultura de interação com a natureza, a maneira dos índios e dos outros povos tradicionais tratarem a Terra não tem nenhum sentido. Para 3,03% dos alunos, ao representarem o humano na floresta, essas pessoas estão ali apenas visitando, conhecendo esse ambiente, porém não estão sensíveis a ponto de perceberem que fazem parte da natureza. Para Sato (Id, p.11), essas concepções de florestas se inserem nas representações

meio de vida que deve-se conhecer e

organizar

86,36% santuário que deve

ser apreciado e protegido

de Meio de vida que devemos conhecer. O problema identificado nessa representação de ambiente é que os humanos são habitantes do ambiente sem o sentido de pertencimento. Podemos visualizar esses resultados no Gráfico 4.

Gráfico 4: Concepções de florestas do período vespertino.

9,09%

3,03% 6,06%

90,91%

santuário que deve ser apreciado e respeitado

biosfera que vivemos juntos em longo prazo

habitantes do ambiente sem sentido de pertencimento

No dia 25/03/04, solicitei aos alunos das 4asséries que respondessem a um brevíssimo questionário, que teve como objetivo verificar se eles já haviam ouvido falar em florestas e quais os nomes dessas florestas e que meios auxiliaram na formação dessa idéia. Convido a verificar o (Apêndice C).

Dos 22 alunos do período matutino, obtive as seguintes respostas: para 45,45% dos alunos é os meios de comunicação que possibilitam o conhecimento sobre florestas; para 27,27% dos alunos, é a televisão; 4,55% é o cinema; 13,63% são os jornais e revistas; a construção do conhecimento sobre florestas para 9,09% dos alunos, quem a proporciona é a Escola; para 31,81% dos alunos é a família; e 13,64% dos alunos não responderam. Pode-se observar no Gráfico 5.

Gráfico 5: Meios de comunicação e informação que possibilitaram aos alunos do período matutino o conhecimento sobre florestas.

escola 9,09% família 31,82% não respondeu 13,64% televisão 27,27% cinema 4,55% jornais e revistas 13,64% mídia 45,45%

Dos 33 alunos do período vespertino, obtive as respostas para o mesmo questionário: 33,33% dos alunos a Família possibilita o conhecimento de floresta; para 42,42% dos alunos a Escola constrói o conhecimento sobre floresta; para 18,18% dos alunos a televisão possibilita o conhecimento de florestas; e 6,06% dos alunos não responderam. Convido a visualizar esses resultados no Gráfico 6.

Gráfico 6: Meios de comunicação e informação que possibilitaram aos alunos do período vespertino o conhecimento sobre florestas.

escola 42,42% não respondeu 6,06% família 33,33% televisão 18,18%

As representações de florestas para os alunos das 4asséries, dos períodos matutino e vespertino são transmitidas e consolidadas pelas seguintes instituições: família, meios de comunicação e escola. Percebo que a mídia (televisão) e a família são as principais fontes de difusão das representações de florestas. A escola também tem uma parcela de participação na construção dessas representações, no entanto as informações sobre as florestas transmitidas pela família e mídia são assimiladas pelos alunos, e incluídas na formulação do seu conhecimento, mas sem ocorrer à discussão crítica no processo pedagógico. Isso é percebido nas representações dos alunos, onde se destaca que a floresta é um santuário que devemos apreciar e respeitar, no qual a pessoa está dissociada à natureza; mero observador, como se as populações tradicionais que vivem há décadas nesses ambientes naturais não existissem. Entretanto, essa qualidade de representação não pode ficar restrita apenas às mensagens que são enviadas pelas famílias e pelos meios de comunicação no caso a televisão. Quando essas representações são consolidadas por grupos como as famílias, mídia, penso que o professor do ensino fundamental pode despertar no aluno uma reflexão sobre os valores e ideologias subjacentes nessas representações e ensinar a ler adequadamente as formas simbólicas que circulam na mídia. Pois ao ler e interpretar esses discursos e imagens que são veiculados pela mídia televisão, ocorre a reelaboração desses discursos e imagens. Reigota (1999).

Se o ambiente escolar propicia que as múltiplas vozes participem ativamente, apresentem suas experiências pessoais e suas crenças, transmitidas através das famílias e dos

meios de comunicação, principalmente da televisão; então é indispensável que os professores estimulem os seus alunos a discutirem essas representações dando uma especial atenção às representações propagadas pelos programas de televisão, pois somente assim teremos consumidores de mídia muito mais críticos e, conseqüentemente, as representações de florestas que são veiculadas pela televisão serão melhoradas qualitativamente no processo pedagógico.

Quanto à questão se já tinham ouvido falar de outras florestas, obtive as seguintes respostas dos alunos do período matutino: 50% dos alunos não ouviram falar de outras florestas; 36,36% dos alunos ouviram falar de outras florestas e, entre estes, 18,18% dos alunos ouviram falar da Floresta Amazônica; 4,55% dos alunos ouviram falar na Floresta Atlântica; 4,55% dos alunos ouviram falar na floresta de Balneário de Camboriú; 4,55% dos alunos, ao passearem, viram a floresta, mas não sabem o nome; 4,55% dos alunos ouviram falar da floresta, mas não sabem o nome. E 13,64% dos alunos não responderam. Os resultados são apresentados no Gráfico 7.

Gráfico 7: As florestas e matas conhecidas pelos alunos - período matutino.

13,64% 50,00% 18,18% 36,36% 4,55% 4,55% 4,55% 4,55% não respondeu não ouviu falar floresta amazônica floresta atlântica

floresta de Balneário Camboriú passeou e não sabe o nome ouviu e não sabe o nome

Para os alunos do período vespertino, a mesma questão foi elaborada e obtive as seguintes respostas: 72,73% dos alunos ouviram falar de floresta, destes, 60,61% citaram a Floresta Amazônica; 3,03% dos alunos conhecem outras florestas ; 3,03% dos alunos ouviram falar de matas diferentes; 3,03% dos alunos conhecem a floresta de Balneário de Camboriú; 3,03% dos alunos ouviram falar da floresta Africana; 15,15% dos alunos não ouviram falar

em outras florestas; e 12,12% dos alunos não responderam. Os resultados são apresentados no Gráfico 8.

Gráfico 8: As florestas e matas conhecidas pelos alunos - período vespertino

Ao analisar as concepções de florestas dos alunos, senti a necessidade da realização de utilizar a técnica de Grupo Focal para complementar os resultados obtidos por meio desse questionário.

O 1º Encontro Focal foi realizado no dia 08/11/2004 após o recreio das 16:00 horas. Ocorreram mudanças dos alunos na sala da 4ª série vespertino, um menino do período matutino que também participou desde o inicio da pesquisa passou para a turma da tarde; duas meninas que também participaram desde o inicio da pesquisa pediram transferência para o turno da manhã; três meninos foram transferidos para outras escolas; e um menino desistiu de estudar; um aluno veio transferido de uma outra localidade e embora não tenha participado da pesquisa pediu para participar dos encontros. Dos treze participantes, faltaram dois alunos. O objetivo deste encontro foi investigar as concepções que os alunos têm de floresta. Para tanto, utilizei como técnica inicial a “explosão de idéias”, e foi colocada a questão: Qual a primeira

idéia que lhe vem a mente quando se fala em floresta? Percebi um certo desconforto, pois o grupo não compreendeu bem a questão, refiz a pergunta com o mesmo sentido. Floresta o que

não respondeu 12,12% não ouviu falar

15,15% floresta amazônica 60,61% outras florestas 3,03% florestas diferentes 3,03% floresta de Balneário Camboriú 3,03% floresta africana 3,03% ouviu falar 72,73%

é para você? Com a circulação das informações, surgiram idéias e imagens de floresta como um local que dispõe de alimentos (frutas) para o homem comer; floresta como sinônimo de vida onde ela traz somente benefícios; local de muitas árvores, onde tem plantas, animais, rios, animais diferentes, pássaros, cachoeiras, todas as espécies de pássaros, muito verde.

Com o decorrer da discussão e para o esclarecimento das idéias as perguntas eram conduzidas pela tríade O quê? Para quê? Por quê?

Na discussão, os participantes expuseram que a floresta se apresenta: bonita; destruída com as queimadas; o ser humano como protagonista da destruição das florestas; os índios sobrevivendo nas florestas; e que as florestas devem ser preservadas contra qualquer forma de dano ou degradação, evitando a poluição nas cachoeiras, a caça predatória aos animais, a derrubada e queimada das árvores.

Surgiram explicações como: “A floresta é bonita, mas destruída, fazem queimadas, o

ser humano não sabe cuidar das florestas”; “A primeira idéia que tenho de floresta é que as árvores não podem ser cortadas”. Referindo-se ao cuidado que o homem tem que ter com a floresta, no sentido de preservação. “A floresta é importante, se desmatar, no nosso futuro,

nossos filhos não vão ter as árvores e as árvores trazem o ar”. “A floresta é importante para viver e para preservar”. “Há floresta que não tem animais perigosos, não tem leão, não tem tigre”. Comentário como esse último provocou risos nos participantes. Carlos, ao comentar “tem leão no Brasil?”, provocou um silêncio profundo nos participantes, revelando claramente que as crianças desconhecem sobre a fauna da floresta brasileira.

Embora tendo dificuldades para expressar teoricamente o significado de floresta, algo pouco observado e vivenciado no cotidiano de cada um, percebi que era necessário estimular com alguma atividade lúdica, entreguei ao grupo os desenhos sobre floresta que eles tinham feito no mês de março de 2004, após a entrega dos desenhos os alunos ficaram mais seguros e começaram a falar com maior clareza. O participante que não conseguia expressar-se verbalmente ao ver seu desenho começou a discutir sobre a idéia que tinha de floresta. Os demais participantes ficaram perplexos pela mudança repentina desse aluno. O menino que foi levado pelos pais a observar uma reserva ecológica expôs com maior clareza a idéia de floresta.

No encontro, os participantes revelaram que essas idéias de florestas foram transmitidas pela família, os pais e avós foram os principais interlocutores ao passear comentaram e mostraram as paisagens; para algumas crianças mesmo a família não tendo mostrado as imagens de floresta, era ela comentada. O participante que apenas ouviu falar de floresta, mas não viu, teve dificuldade para expressar sua idéia. Para Mateus e Santório os

programas como o Globo Repórter, Fantástico, jornais, o programa da Eliana, transmitem as imagens de floresta. Os Canais de televisão como a Cultura, Bandeirantes, Record e Globo possuem em sua programação conteúdos que exploram o assunto floresta.

Os alunos construíram essas imagens de floresta a partir das representações que suas famílias têm e também pelos programas de televisão que assistem, no qual destaco os tele- jornais. Observo que as concepções de floresta dos alunos desvelam um ambiente com todos os elementos naturais da flora e fauna, de maneira que os frutos e outros recursos abasteçam os seres humanos. Os alunos destacaram que esse ambiente é “bonito”, mas destruído, consideram o ser humano como protagonista de todos os danos e degradação que a floresta ao longo dos tempos vêm sofrendo, eles entendem que é preciso preservar as florestas, pois as conseqüências dessa destruição refletirão na qualidade de vida das futuras gerações. Caso essas idéias fossem mais comentadas e discutidas no processo pedagógico e a escola mantivesse o canal de comunicação aberto, onde os alunos não fossem apenas os receptores das informações que os meios de comunicação (televisão) e a família e a escola transmitem, e o professor deixasse de ser o emissor de conhecimentos para ser o mediador, no qual faz dos seus alunos parceiros dessa comunicação, essas idéias e imagens deixariam de ser verdades inquestionáveis, pois os alunos, ao discutí-las, seriam capazes de questioná-las e teriam a competência de reconstruí-las.

Prossegui o encontro com o grupo das meninas, e das treze participantes, quatro colaboradoras faltaram. Utilizei a mesma técnica explorada com o grupo dos meninos. Qual é

a imagem que vocês têm de floresta? Ficaram com expressões de interrogação, como não tivessem compreendido a pergunta, e então, a refiz com o mesmo sentido. Como é a floresta

para vocês? (tensão nas expressões).

Para as participantes, a floresta é uma vasta área onde se concentra um grande número de árvores de grande porte, é o habitat de uma variedade de animais; as águas dos lagos, rios e cachoeiras; a uma profusão de plantas e flores. Nos diálogos, as meninas discutiram que há dois tipos de floresta, a preservada que continua intacta com a permanência de várias árvores; e a que é desflorestada, na qual os animais são mortos pelos caçadores, as árvores são cortadas e deixadas pelo meio do caminho. Para as participantes a idéia da floresta está relacionada à preservação e se opondo ao desflorestamento, ocorrendo nesse ambiente uma frágil ligação, onde as árvores preservadas significam abundância de água, que conseqüentemente se relaciona com ar puro e muito verde.

Para a Jéssica e Evelin, a televisão transmitiu as imagens de floresta, os programas apontados pelas meninas foram o Fantástico e Globo Repórter. Enquanto que para Janaina,

Ana Paula, Amanda, e Ludimila a professora foi o canal de conhecimento, utilizando os livros, os cartazes e desenhos para aprofundar esse tema. A participante Ludimila recordou o dia que fomos observar o entorno da escola e achou essa atividade interessante, pois por mais que tivesse passado por ali e visto a paisagem, não tinha percebido a quantidade de árvores preservadas. “Tinha cada coisa bonita e a gente não dava valor quando tava ali, mas quando

a professora Cris veio a gente deu um valor para a natureza quando a gente viu, a professora ficou explicando mais, mostrando mais e mais as coisas”. Janaina expôs ao grupo uma página de revista que mostrava a seguinte manchete “A natureza em debate, porque os homens

estavam cortando as árvores de uma floresta e isso eu achei interessante para ser comentado”.

Nicole, Fran e Elimara, ao discutirem com as participantes sobre quem transmitiu as imagens de floresta, atribuíram á família o conhecimento, por meio das viagens nas férias de verão e inverno, pois os pais tendo a profissão de motoristas viajam com freqüência para os Estados da Bahia e Mato Grosso levando suas famílias, resultando em informações sobre essas paisagens.

As concepções de floresta para as meninas se caracterizam com os elementos naturais que compõem esses ambientes. A preservação desse ambiente é uma preocupação constante no discurso do grupo. O que se percebe é que as crianças querem participar de atividades que desafiem a pensar e discutir. Uma das participantes comentou sobre a saída da escola para um passeio de observações na circunvizinhança. Em seus cotidianos, as alunas percorrem o