O lúdico sempre esteve presente na humanidade desde os primórdios. Ele faz parte da educação e é indispensáveis para um desenvolvimento sadio, pois, desenvolve a imaginação, a fantasia e a percepção do mundo que a cerca.
Através da brincadeira, a criança satisfaz suas necessidades, cria através da imaginação e desejos, aprende com alegria e vontade (Sneyders, 1996, p.36), estimulando a vida social global, ela desenvolve um construtivo real, criando assim, sua identidade e sua autonomia (Fin, 2012, p.1).
Brincar é caracterizado pelos signos do prazer, da alegria e do sorriso. Esse processo traz inúmeros efeitos positivos aos aspectos cognitivos, afetivos, corporais e sociais. Brincar para criança hospitalizada é vida para ela. (Lucon, 2008)
A brincadeira é mágica e contagiante, faz parte da linguagem da criança. O brincar pelo brincar, criar, imaginar e dividir com os colegas, faz parte de seu canal de
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comunicação e de sua autoconfiança. Através de seus desejos e expectativas, o lúdico ameniza e ajuda a enfrentar a doença.
Por meio da atividade lúdica, a criança expressa seus conflitos e, deste modo, podemos reconstruir seu passado, assim como no adulto fazemo-lo através de palavras. Esta é uma prova convincente de que o brinquedo é uma forma de expressar os conflitos passados e presentes (Aberastury ,1992, p.17).
Embora a atividade lúdica venha ser fundamental no processo de recuperação, na qual a criança possa expressar tanto os conflitos do passado, quanto os conflitos do presente, o hospital acaba sendo a medida emergencial mais importante perante a doença. Explorar através das atividades lúdicas no espaço físico hospitalar, deixa o enfermo mais tranquilo, buscando um equilíbrio de suas emoções e melhora a sua afetividade. Através de política nacional de saúde, oferecer uma humanização hospitalar, descontrói a ideia de um local que gera dor e desconforto.
compreendemos que o brincar, assim como o educar, se constitui direitos essenciais na vida da criança, que devem ser assegurados pelo Estado, pela família e pela sociedade. Porém, mesmo tendo o amparo legal nem todas as crianças tem a oportunidade e disponibilidade de tempo para o lazer através da ludicidade, (Pessoa, 2012, p.5).
O papel do lúdico no ambiente hospitalar é de extrema importância e para ilustrar bem, Pessoa (2012) vem complementar que:
As atividades lúdicas no ambiente hospitalar constituem-se parceiras fundamentais no cotidiano da criança hospitalizada. Nesse contexto, o pedagogo hospitalar, desenvolve seu papel de brinquedista do processo de ensino-aprendizagem dessas crianças, que por hora, está interrompido em virtude da sua ausência à escola. Assim, esse profissional não deve limitar a desenvolver seu papel apenas com atividades de passatempo, mas também proporcionar brincadeiras e jogos educativos que sejam prazerosos, interessantes e também desafiantes para estimular a capacidade mental da criança. Também é pertinente que crie um ambiente atrativo e motivador capaz de possibilitar interesse, estímulo à criatividade, a oralidade e expressividade, o desenvolvimento da imaginação e uma alegria contagiante às crianças, e, principalmente, que condicione momentos lúdicos (Pessoa, 2012, p. 6).
O lúdico proporciona uma necessidade de alívio, chamada por Luzzatto (1998), como “ cultura do pensamento positivo” (p.66), mostrando se mais fortes e otimistas (Vasconcellos, 2007, p.1).
O brinquedo possui muitas das características dos objetos reais, mas, pelo seu tamanho, pelo fato de que a criança exerce domínio sobre ele, pois o adulto outorga-lhe a qualidade de algo
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próprio e permitido, transforma-se no instrumento para o domínio de situações penosas, difíceis, traumáticas, que se engendram na relação com os objetos reais. Além disso, o brinquedo é substituível e permite que a criança repita, à vontade, situações prazenteiras e dolorosas que, entretanto, ela por si mesma não pode reproduzir no mundo real (Winnicott,
1982, p. 15).
Nessa linha, Paula (2009, p.136) ainda complementa que, estudos comprovam que o enfermo reage melhor quando é estimulado. As cores no hospital influenciam, como também o riso, o palhaço e o prazer da leitura. Isto tira o paciente do foco da doença. Os hospitais estão cada dia mais apostando num mundo da fantasia e imaginação. Percebendo que toda criança no hospital tem o direito a um espaço e a brincadeira e que programa que envolva atividades artísticas e recreativas de promoção da saúde, estabelece um novo diálogo de possibilidades.
2.4 . Brincar no hospital
"Um bom brinquedo é aquele que convida a criança a brincar. (Cunha, 2001)".
As atividades lúdicas com os pacientes com cancro (câncer), permite que a criança mude o comportamento e passe a desempenhar papel ativo, como uma maior aceitação e colaboração em relação aos procedimentos e exames a serem realizados, melhor interação com a equipa, maior acesso por parte da equipe, amenização da carga de estresse gerada não só na criança hospitalizada como também nos familiares, melhorando na qualidade (Santos, 2015, p.01). E, a brincadeira proporciona não somente conhecimento, como a interação com o meio. Com isso,
O brincar é uma necessidade básica da criança e, é por meio deste, que ela adquire novos conhecimentos no/do mundo, descobre sua individualidade e aprende a distinguir a realidade da fantasia. Na brincadeira, a criança transporta-se para um mundo de imaginação, sendo caracterizada como uma atividade espontânea, prazerosa e envolvente que proporciona recreação, estimulação, socialização, dramatização de papéis, de conflitos e catarse. (Fonseca, et al, 2015,p.1113)
E essa brincadeira no meio hospitalar tem só a contribuir com a recuperação do paciente, uma vez que possibilita tanto a dramatização de papeis, quanto a associação e resolução dos conflitos que estarão por vir. Porém, só é possível a brincadeira se tornar
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aliada na recuperação da criança com cancro (câncer), se os profissionais envolvidos com tais atividades, sejam capacitados para o desenvolvimento de tais atividades, pois elas terão que ser organizadas e adaptadas conforme a demanda e a idade dos pacientes. Em consonância com esse discurso, Abromovich (1983) postula que
A Brinquedoteca deve ser organizada de maneira coerente com as faixas etárias, deve ser mantida a higiene e também possuir uma intervenção variada, já que dentro do ambiente hospitalar está inserido uma grande heterogeneidade de crianças e também uma variedade de patologias. “O brincar dá oportunidade à criança de entender tantas coisas através do brincar e se entender através de tantas maneiras de brincar”. (Abramovich,1983 cit.in Mugiatti, 2008, p 153).
Além da organização desse ambiente, Castro (2005) diz-nos que:
a brinquedoteca, [...] possibilita um crescimento sadio, um enriquecimento permanente, integra-se no mais alto espírito de uma prática democrática enquanto investe numa produção séria do conhecimento, sua prática exige a participação franca, criativa, livre, crítica, promovendo a integração social e tendo em vista o forte compromisso de transformação e modificação do meio (Castro, 2005, p. 27),
Assim as atividades lúdicas com os pacientes com cancro (câncer), permitem que a criança mude de comportamento e passe a desempenhar papel ativo em um espaço mediador de aprendizagem, no caso a brinquedoteca. Ela oferece variedade de brinquedos e brincadeiras para poder desenvolver a criatividade e a socialização.
O Brinquedo terapêutico constitui uma estratégia elaborada que permite à criança aliviar os sentimentos negativos ocasionados pela experiência de adoecimento e hospitalização consideradas incomuns, que apresentam à esta situação ameaçadora e geram grande estresse sendo necessário mais do que recreação para amenizar a angústia, apreensão e sofrimento associados. Esta estratégia deve ser utilizada pelo enfermeiro sempre que a criança apresentar dificuldade para entender ou lidar com uma experiência atípica e complexa e necessitar ser devidamente esclarecida e preparada para a realização de procedimentos invasivos ou dolorosos (Santos & Costa, 2015, p.1).
Para Winnicott (1982), o ato de brincar, está ligado à dominação das angústias, controlar ideias ou impulsos que conduzem à angústia se não forem dominados. (p. 162) As brincadeiras aparecem, na expressão infantil “[...] como um elo entre, por um lado, a relação do indivíduo com a realidade interior e, por outro lado, a relação do indivíduo com a realidade externa ou compartilhada” (Winnicott, 1982, p.164) .
Sendo assim, a atividade de arteterapia, realizada por profissionais qualificados, vem amenizar a angústia e auxiliar no tratamento da criança com câncer, fazendo com
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que elas possam compreender o processo da doença, aceitar e lidar com as adversidades que serão apresentadas no decurso do tratamento.
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