15 Merknader til de enkelte
15.1 Til endringene i barnevernloven
Capítulo 2. Arte, técnica, tecnologia, joalharia, corpo e realidade virtual.
2.1. Arte, técnica e tecnologia.
Os capítulos anteriores desta tese fazem um enquadramento histórico da joalharia portuguesa, num mundo globalizado e no qual surgiram mudanças a vários níveis, mudanças essas que vão influência a criação artística como a realidade artificial, a realidade virtual e o ciberespaço e fazer parte da sociedade do homem contemporâneo. Importa no entanto, definir o conceito de técnica, e perceber qual o papel das alterações técnicas e tecnológicas, bem como as suas semelhanças e diferenças na sociedade contemporânea portuguesa, e a relação que existe entre a arte, a técnica e a tecnologia que vai permitir o nascimento de novas formas de criação, quando estas se iniciam no campo da arte, sendo a tecnologia um campo central para relacionar estas três áreas.
A arte e as ciências, de acordo com Rui Mário Gonçalves, no seu texto "Arte e Ciência no século XX, "são ambas filhas da experiência e do livre pensamento (...) ajudam a modificar a consciência humana, através do simples exercício da liberdade do pensamento e da difusão da experiência"35. Modesto Berciano, caracteriza a técnica como "um processo de produção que tem de ser considerado no contexto de fazer a verdade e que a técnica tem um caracter instrumental que é essencial à mesma, pertencendo à técnica antiga como à moderna e que esta é em relação à antiga técnica manual algo distinto e portanto novo"36. As novas tecnologias trazem para a sociedade contemporânea novas formas de pensamento e novas formas de fazer, não apenas objectos que fazem parte do quotidiano do homem, mas também objectos de arte que encontram um mundo novo, novas entidades como a realidade artificial, a realidade virtual e o ciberespaço que já referimos. Importa também saber que é a partir do século XIX, que a tecnologia moderna adquire uma verdadeira importância, de acordo com Carl Mitcham37, na produção dos bens materiais e no desenvolvimento do capitalismo, e quando surgem também as primeiras teorizações sistémicas sobre a significação social,
35 Rui Mário Gonçalves, "Arte e Ciência no Século XX" in João Pedro Fróis Esducação Estética e Artística,
Lisboa, Abordagens Transdisciplinares, Fundação Calouste Gulbenkia, 2000, pp. 17 e 18.
36 Ver obra de Modesto Berciano, Técnica Moderna y Formas de Pensamento. Su Relacion en Martin
Heidegger, Salamanca, Ediciones Universidad de Salamanca y Biblioteca de la Caja de Ahorros e M. de P. de
Salamanca, 1982, na p. 126.
económica e antropológica da tecnologia. Na primeira metade do século XX, surgem estudos de autores sobre esta matéria onde se incluem Martin Heidegger ou José Ortega e Gasset, que escreveram obras e artigos sobre as relações entre as ciências sociais como a História, a Sociologia e a Filosofia e as Novas Tecnologias, sobretudo, a um nível mais académico a partir dos anos 80. Em Portugal, uma reflexão mais profunda, sobre a relações das artes e das ciências com a novas tecnologias é feita por José-Augusto França, em 1993, num colóquio realizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, sobre a Arte e a Tecnologia. O historiador de arte português no texto "Arte-Ciência-Tecnologia/ História e Linguagem", escreve então que:
"As mudanças das técnicas no quadro instituído da civilização ocidental, quer dizer o quadro industrial em que elas assumem um papel proeminete, arrasta alterações nas realizações artísticas ou, pelo menos, convida-as a modificarem-se, para responder a necessidades globais que se inscrevem na história da experiência vivida. Mas é igualmente verdade que certas obras de arte podem abrir perspectivas insuspeitas à investigação e mesmo à praxis cientifica- já que os sonhos de Leonardo geraram muita realização, e muita realidade também. As contribuições verificam-se no sentido arte-ciência e técnicas: não são elas, talvez, mais raras mas é preciso não esquecer que são menos detectáveis pela própria natureza das relações estabelecidas. E também porque os cientistas, e ainda mais os agentes técnicos, nem sempre se dão conta de um fenómeno de impregnação que é, sem dúvida muito subtilmente aleatório."38
É feita uma reflexão sobre as relações entre a arte, a técnica a tecnologia e as ciências, distinguindo arte de técnica pois segundo o autor, esta diz respeito ao objecto enquanto que a arte está relacionada com o sujeito e que ao contrário da outra tem a ver com uma situação exterior. Ou seja, a técnica refere-se a relações mediatas que são as da utilização, e a arte a uma utilização imediata que é a da própria existência, logo se a linguagem da técnica é portadora da informações e processual com o fim de uma realização, a linguagem da ciência é referencial e pertence e uma rede coerente de conhecimentos que visam um resultado original, assim os códigos da primeira linguagem são práticos e os da segunda especulativos.
A arte pode adoptar elementos científicos nas suas linguagens, e estas passam a relacionar-se de uma forma mais profunda com a arte na pintura ocidental, desde as criação das obras de Cristian Delacroix até ao surgimento do Neo-Impressionismo, ou seja, os movimentos modernos que para José Ortega e Gasset trazem a 'desumanização das artes'.
38 José Augusto França, "Arte-Ciência-Tecnologia/ História e Linguagem", em Arte e Técnologia, Lisboa,
José-Augusto França afirma que estes movimentos modernos são a primeira contestação do sistema visual do 'Quattrocento' italiano, onde imperava a perspectiva por exemplo, nas obras de Paulo Uccelo ou Leon Baptista Alberti, e que a segunda contestação se inicia com o Cubismo que se reapropriou do modelo 'caduco', e com o Futurismo, que mais não fez através das suas raízes mecânicas do que sugerir a mobilidade aparente que os artistas russos enriqueceram com alusões espaciais, mostrando interesse na 'quarta dimensão'. Assim o historiador de arte fala de uma mudança ao referir que:
"Estas funções espaciais, que a geometria condiciona, ordena e representa simbolicamente, cumpriram a sua revolução quando ao espaço dissolvido do impressionismo sucedeu uma reestruturação dos seus valores, no cubismo, no futurismo, ou no "rayonnisme". A imagem transformou-se então na situação segunda que é a sua, em relação ao objecto conhecido ou reconhecido que ela substitui, mesmo em perda da sua identidade referencial, que lhe acontecera pelas duas vias, formal e informal, da abstracção. Mas o próprio facto de esgotar assim a sua virtualidade confere ao objecto e ao espaço (ou à relação entre um e outro) um papel novo numa diferente acção que e a ciência e técnica conduzem, num novo quadro social e ideológico. "O "Manifesto do Realismo" assinado por Gabo e Pevsner em Moscovo, em 1820, propõe a entrada de uma situação estética que dá um sentido inédito à modernidade. A lâmina rectangualar de cerca de 70 centímetros de cumprimento que Gabo fez então vibrar, pela acção de um motor, engendrou no espaço uma figura tridimensional virtual (...) Gabo decidiu-se a formular um "movimento imóbil" que é apenas sugerido pelas relações de formas e matérias translúcidas em que longamente trabalhou. Ali o tempo tornava-se imaginário."39
Outro exemplo referido neste texto é a obra de Moholy-Nagy, realizada entre 1922 e 1930, intitulada Licht-Raum-Modulator, e que captava a luz na sua estrutura, tornando visível o seu poder modelar no espaço e no tempo, ou o facto de pintar com luz os seus fotogramas. Nos inícios do século XX, e mais especificamente antes de 1939, a influência da ciência na arte prendia-se essencialmente "por coordenadas de espaço-luz e de tempo", ou da psicanálise de Freud no Surrealismo, enquanto que a partir de 1945, com o final da guerra surgem experiências onde uma nova exigência tecnológica, leva o artista a linguagens como o
Abstraccionismo Expressionista, e a Arte Op, com investigações ópticas em termos de
perspectiva.