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Para a elaboração destas duas sequências didáticas, foi feita uma investigação de vários autores, de documentos oficiais e conhecimentos da nossa experiência profissional. Procurou-se oferecer atividades variadas, motivadoras e potenciadoras da aprendizagem das línguas, tanto na língua estrangeira, como na materna.

O aluno foi sempre o centro de todo o processo educativo e organizou-se todo o processo de ensino-aprendizagem em sua função. Em primeiro lugar, foram estudados o seu perfil cognitivo e as suas características específicas, enquanto aprendente, o que orientou aquando da escolha das metodologias e das atividades para a aprendizagem de uma língua. Os documentos oficiais e as teorias metodológicas foram uma orientação e um suporte para garantir uma aprendizagem significativa através de todas as atividades.

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Com estas propostas, os alunos foram levados a refletir sobre o que os levava a realizar os exercícios de uma determinada maneira. É de suma importância dotar os estudantes de uma capacidade reflexiva, analítica e crítica, seres capazes de por em causa o que fazem de modo a aperfeiçoarem-se.

Assim, na aula de língua estrangeira, Espanhol, através da exposição de novo léxico sobre os tempos de ócio, passatempos e da tarefa final, organização de um fim-de-semana, foi ensinado aos alunos o Pretérito Perfecto. Foi, em primeiro, visualizada a sua aplicação, depois colocada em prática, em exercícios específicos e, por fim, aplicaram, eles, com a execução da tarefa final.

Na aula de língua materna, os alunos foram conduzidos, ao longo das três aulas, a reconhecerem o adjetivo, o seu valor na frase e a aplicá-lo com um fim objetivo. Este processo realizou-se contextualizado na unidade d’Os Maias, mais precisamente o episódio das corridas no Hipódromo. Aproveitou-se o estilo queirosiano para, deste modo, levá-los a verem a utilização do adjetivo em excertos d’Os Maias, e também perceberem a sua utilidade nas descrições, utilizando, para isso, as caricaturas e o vídeo dos Gato Fedorento e, por fim, poderem aplicar o adjetivo nas suas próprias descrições, como lhes foi indicado na tarefa final.

No entanto, apesar de obter resultados bastante satisfatórios, é de reconhecer-se que, nas duas turmas, não se pode afirmar que a aprendizagem decorreu na sua plenitude e que todos os alunos de Espanhol sabem, agora, utilizar o Pretérito Perfecto, bem como todos os alunos de Português dominam a adjetivação.

Embora as aulas fossem motivadoras, o facto de haver um trabalho cooperativo, por mais estratégias que possam ser aplicadas, nem sempre resulta na perfeição. Por vezes, como os alunos se encontram reunidos em grupos isto propicia momentos de conversa. Outra das situações é o tempo que a docente passa com um grupo, dando as orientações necessárias, o que leva a que os outros grupos dispersem a sua atenção.

Porém, a aprendizagem foi realizada pela maioria dos alunos e a isto já se pode chamar sucesso.

Considerações Finais

Sou professora de língua materna e de língua estrangeira, Francês, há catorze anos, e isto sempre com o intuito de realizar as aulas melhoradas de modo a que o meu público bebesse os meus ensinamentos e, em seguida, fosse capaz de aplicá-los. No entanto, a gramática e a sua lecionação sempre foi um entrave para que o processo de ensino- aprendizagem fosse realizado na sua plenitude.

Assim, durante anos, tentei sempre entender o porquê de os meus alunos conseguirem realizar, com sucesso, os exercícios práticos, fora de contexto, porém, na hora de aplicar corretamente em contextos autênticos esses conteúdos, não o conseguiam. Além disso, outro problema surgia e eu não conseguia perceber como se poderia resolver: os mesmos alunos de língua materna e de língua estrangeira, quando em contacto com um mesmo conteúdo gramatical, não o conseguiam relacionar, ou seja, mesmo que o tivessem entendido na aula de língua estrangeira, parecia que nunca tinham ouvido falar desse assunto na aula de língua materna, e vice-versa.

Por muitas formações que tivesse feito, troca de experiências com outros colegas, a situação mantinha-se e todos sentíamos destas dificuldades.

Após o meu ingresso na licenciatura de Línguas e Literaturas Europeias (Major Português e Minor Espanhol), apercebi-me da existência das diversas teorias metodológicas e da sua aplicabilidade, porque uma coisa é sabermos que elas existem e outra é sermos capazes de investigar para aplicar e isto foi-me ensinado neste segundo curso. Deste modo, iniciei a minha prática letiva aplicando as teorias que ia estudando.

Este Projeto de Intervenção deu-me a oportunidade de comprovar, investigar, registar e colocar na prática o que muitas vezes nos fica apenas no saber teórico. Através da investigação e da pesquisa, foi-me possível, tanto na aula de língua estrangeira, como na aula de língua materna, de ensinar a gramática de forma contextualizada e centrando o ensino no aluno, tornando-o mais autónomo.

Por conseguinte, foi viável mostrar aos meus aprendentes o papel da gramática na aquisição das línguas materna e estrangeira.

Através desta intervenção em duas turmas e em duas disciplinas diferentes, os meus discentes foram capazes de apreender, de forma autónoma, os conteúdos gramaticais e aplicá-los em situações diferentes e contextos que poderiam ser reais.

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Deste modo, na aula de língua estrangeira, Espanhol, os alunos aprenderam a usar o Pretérito Perfecto. No início, apenas contactaram com textos, tanto escritos, como auditivos, comentaram situações reais (as festas em Espanha e América Latina), aplicaram os conteúdos apreendidos em pequenos teatros, realizados por eles. O mais importante e o que deve ser destacado é que, após perceberem como e de que modo se fazia uso do Pretérito Perfecto, também eles o fizeram quando organizaram um fim-de- semana, entre amigos, e contaram, na sala de aula, como foi esse fim-de-semana. Dadas as normas gramaticais do uso do Pretérito Perfecto, esse reconto foi feito, oralmente, e utilizando o tempo verbal apreendido nas aulas, já que iniciavam o reconto com a frase

Este finde…. As aulas que decorreram antes da apresentação da tarefa final mostraram

aos alunos como se utiliza este tempo verbal, em determinados contextos reais, como por exemplo, contar algo no passado que ainda lhes pertence. Aprenderam os verbos regulares, mas também os irregulares e tiveram que aplicá-los em situação de comunicação e não apenas memorizar.

No que concerne a língua materna, no 11º ano, está contemplado no programa a leitura e análise da obra Os Maias. Nada melhor do que conseguir conciliar um conteúdo literário com o gramatical. A adjetivação, recurso tão utilizado por Eça e, por vezes, tão incompreendido pelos alunos, foi dado de forma original através do episódio das Corridas no Hipódromo. Deste modo, os alunos conseguiram relacionar as descrições apresentadas aos momentos da narrativa e perceberam a função que o adjetivo ocupa na frase. Para estes alunos, foram apresentados exemplos da adjetivação em excertos desta obra, bem como a utilização dos adjetivos nas descrições feitas às imagens e caricaturas. Conseguiram, igualmente, ver esta situação no vídeo atual dos Gato Fedorento e tiveram a oportunidade de colocar em prática estes ensinamentos acerca do adjetivo aquando a realização da tarefa final: descrição das corridas de Ascot.

Nestas aulas, consegui, de forma rigorosa, colocar a gramática ao serviço da língua e levar os alunos a adquirirem as regras gramaticais e não apenas memorizá-las.

Tendo em conta os objetivos a que me propus, no início desta pesquisa, posso afirmar que alguns dos objetivos foram superados.

Assim, através de uma pesquisa bibliográfica, foram referidas as diversas propostas metodológicas e salientado o seu papel dentro da sala de aula de línguas, tanto no que concerne as aulas de língua estrangeira, bem com as aulas de língua materna e, deste modo, o primeiro objetivo foi concretizado.

Quanto ao segundo objetivo, desenvolver estratégias e atividades que promovam a autonomia e a motivação do aluno e a reflexão sobre o seu processo de aprendizagem, no domínio gramatical, este foi superado ao longo das duas sequências descritas, com a implementação de atividades motivadoras que levaram os discentes a refletirem sobre a aprendizagem, sobretudo a nível gramatical.

O terceiro objetivo referia a observação das competências evidenciadas pelos alunos nesse domínio. Esta finalidade foi concretizada através da auscultação dos diversos trabalhos pedidos aos alunos.

Quanto ao último objetivo, a avaliação do impacto das estratégias propostas no desenvolvimento profissional reflexivo do professor, este só poderia ser superado com a apreciação rigorosa dos trabalhos individuais dos alunos de forma a confirmar o sucesso destes no uso da competência gramatical ensinada, no entanto, esta finalidade não foi facilmente superada já que segundo Fumega (2012: 90)

Torna-se evidente que o ideal seria valorizar o correto uso de estruturas gramaticais inseridas num contexto comunicativo, mas como fazê-lo sem incorrer em subjetividades?

Estas subjetividades levam a que a reflexão nunca poderá ser objetiva, tendo em conta, por exemplo, que os trabalhos pedidos foram elaborados em grupo e, nestes casos, não podem ser garantidos os resultados de cada aluno, mas sim do grupo.

Com este projeto, consegui dar-me conta que alguns alunos ainda não estão preparados para este tipo de abordagem, necessitando de muita orientação na sua aprendizagem, mesmo tratando-se de alunos do ensino secundário.

A minha principal intenção é tornar o ensino da gramática mais atrativo e, simultaneamente, levar os alunos a refletirem sobre o seu papel na aquisição de uma língua, tanto estrangeira, como materna. Consegui tornar as aulas motivadoras, mostrar o papel da gramática no contexto comunicativo, mas o mais difícil foi, é e sempre será a reflexão sobre o uso da gramática na linguagem.

Sinto-me realizada como professora e agradeço a oportunidade que me foi dada para me tornar numa professora investigadora.

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