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3.3.4.3.1 Escassez hídrica

A água é um recurso escasso em várias partes do mundo, porém em outras é um recurso abundante. Ao contrário de outros recursos não existe um mercado global que possa garantir uma distribuição global desse recurso, pois o mercado não funciona para grandes distâncias devido aos altos custos de transporte.

Quando se extrai água de uma área muito seca, como, por exemplo, o nordeste brasileiro, o impacto é muito maior se comparado ao impacto causado pela extração de água na Amazônia, que possui água em abundância.

A escassez hídrica, pelo método do Recipe (2009) apenas quantifica o volume

de água (por m3) consumida em todos os processos relacionados ao sistema de produto de

um estudo de ACV. Esse tipo de análise é muito primária, pois não correlaciona o volume de água requerido por um processo com a vulnerabilidade da região onde ocorre à escassez física de água nessa região.

O método desenvolvido por Pfister et al. (2009) corrige esse problema, pois apresenta fatores de escassez hídrica para bacias hidrográficas de todo o mundo. Esse fator é denominado WSI (Water Stress Index), calculado considerando-se a relação entre o consumo hídrico das indústrias, agricultura e doméstico, a disponibilidade de água presente nas bacias da região considerada e a variação sazonal na disponibilidade de água (Withdrawal to availability-WTA). A relação entre retirada e disponibilidade hídrica

(WTA – withdraw to availability) é ponderada pela variação de precipitação anual e

mensal em cada bacia (Variability in precipitation-VF), sendo o WSI o resultado da combinação desses dois fatores. O WSI varia de 0,01 a 1, onde o 1 representa estresse

hídrico máximo. A equação 2 mostra o impacto gerado na categoria de escassez hídrica quando se utiliza o Método de Pfister et al. (2009):

Equação 2: Cálculo do indicador resultante para Escassez hídrica pelo Método de Pfister et al. (2009)

( )

Fonte: Elaborada pela autora (2016)

Onde V é o volume de água consumido no processo, WSI o fator de caracterização que conecta a intervenção com a categoria de impacto de midpoint, e I

(WD) o indicador resultante para a categoria de impacto de escassez hídrica.

3.3.4.3.2 Eutrofização

Eutrofização é o nome dado ao enriquecimento natural dos nutrientes dos lagos, em grande parte pelo escoamento de nutrientes vegetais, como nitratos e fosfatos, das terras adjacentes (VON SPERLING, 1994). Nitrogênio e fósforo são nutrientes essenciais para vida, porém em excesso na água, essas substâncias contribuem para o aumento de fitoplâncton e algas. O crescimento e abundância de algas, por sua vez, resulta em redução da disponibilidade de oxigênio e diminuição da transparência da água, a sobrevivência e desenvolvimento dos peixes. Um grande aumento de nitrogênio na Terra pode causar distúrbios no balanço de nutrientes nas plantas. Perto de regiões agrícolas ou urbanas, as atividades humanas podem acelerar bastante a entrada de nutrientes vegetais em um lago, causando a eutrofização cultural (VON SPERLING, 1994).

As principais consequências da eutrofização nos corpos hídricos são as seguintes (VON SPERLING, 1994):

 Problemas estéticos e recreacionais;

 Condições anaeróbias no fundo do corpo d’água;

 Eventuais mortandades de peixes;

 Maior dificuldade e elevação nos custos de tratamento da água;

 Toxicidade das algas;

 Redução na navegação e capacidade de transporte;

 Desaparecimento gradual do lago como um todo em decorrência da

eutrofização e do assoreamento.

Os indicadores ambientais na AICV utilizados para avaliação da eutrofização em águas doces e marinha são as concentrações de fósforo (P) e nitrogênio (N), respectivamente. Os resultados das avaliações são expressos em relação ao P e ao N, em

termos de kg de N –equivalente, para a eutrofização de águas doces e kg de P –

equivalente, para eutrofização marinha (GOEDKOOP et al., 2009). 3.3.4.3.3 Mudanças climáticas

As principais substâncias causadoras desses problemas são os gases de efeito

estufa, sendo os principais: o dióxido de carbono (CO2); metano (CH4); óxido nitroso

(NO). Também são gases do efeito estufa os clorofluorcarbonos (CFC’s), os

hidroclorofluorcarbonos (HCFC’s), os halocarbonos e tetracloreto de carbono.

Os gases do efeito estufa causam diversos tipos de impacto, como: aumento de temperatura, mudanças na precipitação, aumento no nível do mar, mudanças nas correntes marítimas, tempestades, furacões, e possivelmente outros impactos na saúde humana e nos recursos bióticos naturais. O impacto desses gases nas mudanças climáticas é avaliado considerando o Potencial de Aquecimento Global (PAG), que estabelece o forçamento radioativo expressando a capacidade de uma substância absorver radiação infravermelha quando considerados a concentração e o tempo de residência da substância na atmosfera (BAUMANN, TILLMAN, 2004).

O método Recipe utiliza o PAG definido pelo Painel Intergovernamental de

Mudanças Climáticas (IPCC, 2006) para o período de 100 anos, considerando o CO2

como substância de referencia. O resultado da avaliação é expresso em termos de kg de

CO2 equivalente. (GOEDKOOP et al., 2009).

3.3.4.3.4 Toxicidade

Três tipos de informação são relevantes quando se avalia os impactos ambientais na saúde humana: destino químico (transporte no meio ambiente), exposição

humana e efeitos toxicológicos. Nesse estudo são consideradas três subcategorias: toxicidade humana cancerígena, toxicidade humana não cancerígena e ecotoxicidade em águas doces.

Atualmente, há um número crescente de métodos de contagem das diferenças nas potenciais consequências dos impactos toxicológicos na saúde humana, como por exemplo, Quality Adjusted Life Years (QALY) e Disability Adjusted Life Years (DALY). Apesar dos avanços em termos de contabilização das diferenças nos cenários de emissão, as estimativas atuais geralmente fornecer apenas ideias preliminares ou de rastreio. Embora o cálculo dos níveis de caracterização permita cálculos complexos (como curvas de resposta a dose baixa não-lineares, limiares biológicos), na prática, os dados necessários permanecem muito limitados (GOEDKOOP et al., 2009).

A acrilamida é uma substância química usada na produção de poliacrilamida, a qual é empregada no tratamento de água potável, águas de reuso para remover partículas e outras impurezas. É também utilizada na produção de colas, papel, cosméticos e ainda em construção, nas fundações de represas e túneis. Além disso, pode ser gerada quando alguns alimentos são preparados em altas temperaturas. A poliacrilamida combinada com o material sólido torna mais fácil a filtragem ou remoção de substâncias indesejáveis. Existem apenas níveis muito baixos de acrilamida e poliacrilamida na água após o tratamento.

O indicador midpoint adotado no método USEtox (ROSENBAUM et al., 2008) é a unidade tóxica comparativa para os seres humanos (CTUh) para toxicidade cancerígena e não-cancerígena; e unidade tóxica comparativa para os ecossistemas (CTUe) para ecotoxicidade em água doces.

3.3.4.3.5 Acidificação

A acidificação do solo ocorre devido à deposição de substâncias inorgânicas,

como os sulfatos, nitratos e fosfatos, sendo os maiores causadores NOx, NH3 e SO2. Para a

maioria das plantas existe um valor até o qual elas suportam a acidez, excedido esse limite, a acidificação do solo pode causar mudanças nessas espécies. Os poluentes acidificantes causam diversos impactos no solo, água subterrânea, águas superficiais, organismos biológicos, ecossistemas e materiais (GOEDKOOP et al., 2009).

É uma das categorias de impacto na qual a sensibilidade local tem um papel fundamental e a possibilidade de incluir diferenças regionais no modelo ACV tem sido um ponto chave nos últimos anos.

A acidificação é usada como indicador e mede o grau de absorção de um solo saturado com cátions básicos, exceto hidrogênio e alumínio. Ele é definido como o somatório de cátions básicos por quilo de solo e dividido pelo total, Capacidade de Trocas Catiônicas do solo, e multiplicado por 100, obtendo assim o valor em porcentagem. O

resultado é expresso em relação à substância dióxido de enxofre (Kg SO2), em termos de

kg de SO2-equivalente (GOEDKOOP et al., 2009).

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