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No intuito de continuar com a exposição das obras didáticas, “História da Paraíba: do Império á República” será a obra nesse momento apresentada. Publicada no ano de 1976, traz na ilustração da capa o Palácio da Redenção25, como pode ser observado na figura 10. Na folha de rosto logo percebemos que esse livro é uma continuação do anterior, não como volume, mas, como segunda parte. Apresenta algumas diferenças no que se refere à estrutura, já que o sumário aparece logo após a folha de rosto e está com uma organização diferente onde o número do Capítulo e subtítulos estão posicionados no lado direito onde deveria

25 O Palácio da Redenção foi construído em 1586 por missionários jesuítas e tombado pelo IPHAEP

em 26 de agosto de 1980. Situa-se na Praça Presidente João Pessoa, mais conhecida como a Praça dos três poderes, já que fica localizado em frente aos prédios que comportam os poderes Legislativo, Judiciário, e Executivo. Atualmente, o Palácio da Redenção abriga a sede do Governo Estadual e guarda os restos mortais de João Pessoa.

estar o número das páginas que não aparecem nele. Está distribuído em 18 capítulos como serão apresentados em seguida.

No decorrer da obra, verifica-se uma página intitulada “Continuando” escrita por Carmen Coelho de Miranda Freire, na qual a autora traça os objetivos dessa publicação e como estão organizados os conteúdos demonstrados que compreendem o período entre a Independência e a República:

No segundo volume da História da Paraíba, que trata do período compreendido entre a Independência e a República, quero salientar que não tive somente a intenção de levar à escola o que se passou de destaque na Paraíba, desde a volta de D. João VI para Portugal à revolução de 1930, já na época republicana. Fiz um retrocesso de épocas passadas, comparando-as às presentes, focalizando sempre o que de exemplo deu a Província, que sempre soube conduzir-se com dignidade, coragem, demonstrando o sentimento de amor á Terra mãe (FREIRE, 1976, p. 87).

Figura 10: Foto da capa do livro “História da Paraíba: para uso didático”, de 1976.

Nas palavras de Carmen Coelho, percebe-se sua intenção de mostrar os principais acontecimentos da Paraíba além de enaltecer as contribuições desse estado para os aspectos sociais em nível nacional. Ela continua engrandecendo as virtudes da Paraíba e do seu povo e termina colocando como exemplo de governo o de João Pessoa e de figura ilustre desse estado, Epitácio Pessoa:

Este sentimento continuou, todavia, arraigado na nossa gente que prosseguiu no caminho da honradez e lealdade, resistindo sempre às intempéries políticas econômicas e chegando por vezes, a alcançar um clímax, como por ocasião do Governo João Pessoa, que se estendeu de 1929 a 1930. Foi a partir dessa herança que a Paraíba floresceu, embora seu passado houvesse requerido vidas e sacrifícios que desde cedo marcaram a sua formação social, caracterizada como um celeiro exportador de personalidades de nossa história simbolizadas na figura ímpar de EPITÁCIO PESSOA (FREIRE, 1976, p. 34).

Nessas palavras, nota-se a opinião política de Carmen Coelho, quanto ela se refere ao governo de João Pessoa como o ponto alto para o estado e ainda destaca que o desenvolvimento da Paraíba dá-se a partir dessa intervenção política. É constante haver apreciações de Carmen Coelho a partir da figura de João Pessoa, e todas elas aparecem na maioria das suas obras, principalmente na obra literária A Mansão da Praça Bela Vista, 1978, que será analisada posteriormente. Assim, é cabível nesta pesquisa destacar a vida política de João Pessoa, já que é tão citado pela educadora Carmen Coelho, assumindo, na opinião da escritora, o papel de protagonista na história da Paraíba. O que remete a hipótese de que a figura de João Pessoa apresenta-se como o modelo central de homem para Carmen Coelho, homem que aglutina em si as características de político, intelectual, dirigente, revestido de uma aura de mártir, que deu a vida pela sua terra.

Na página seguinte, encontra-se o prefácio escrito por José Leal26, que faz uma reflexão sobre o ensino de história pátria, principalmente da Paraíba,

26 José Leal era considerado o decano da imprensa paraibana por sua atuação frente aos órgãos de

comunicação mais representativos do Estado. Foi sócio fundador da Associação Paraibana de Imprensa e do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano no dia 10 de março de 1946 onde é Patrono da cadeira 19. Essas informações estão disponíveis no sítio eletrônico do Instituo Histórico e Geográfico Paraibano, www.ihgp.net. Acesso em setembro de 2011.

levantando a problemática da falta de livros didáticos no estado. Cita algumas obras publicadas que têm esse propósito, porém reclama que elas estão muito ultrapassadas, merecendo a publicação de outras que acompanhem o processo de evolução histórica. Nesse sentido, destaca que a obra de Carmem Coelho, cuja característica é uma exposição didática dos conteúdos referentes à história da Paraíba, vem contribuir para sanar essa falta.

Ressalta ainda a atuação de Carmen Coelho como uma professora responsável pela educação de muitos jovens no que se refere às disciplinas históricas, como exemplo disso citou sua experiência no Liceu Paraibano e que essa obra aparece para preencher possíveis lacunas deixadas pelos outros livros de História da Paraíba que abordam esse determinado recorte histórico. Vejamos as palavras de José Leal:

Mestra de muitas gerações de jovens que perpetuam as aulas do histórico LICEU PARAIBANO, dona Carmita, ao se decidir dar sua contribuição para a atualização dos fascinantes estudos da historiografia regional presta serviço benemérito a mocidade sequiosa dos conhecimentos de cronologia de sua terra e assim recebe um livro que constitui um primor de composição uma vez que nutrido o sentimento de verdade, seus capítulos curtos e sintéticos representam, em última análise, a condensação de conhecimentos de um passado de que todos os paraibanos devemos mais nos envaidecer, nos orgulhar mesmo (LEAL apud FREIRE, 1976, p. 47).

Continuando com as apreciações a partir dessa obra, segue José Leal:

O segundo volume dessa obra sem equivalente na bibliografia conterrânea, surge no momento exato em que a classe estudantil busca afanosamente nas livrarias o compêndio destinado a ajudá-la na preparação das tarefas dos cursos, com a circunstância de ter sido, elaborada por um mestre, de largo tirocínio na cátedra do velho Liceu paraibano, que tem sido, através do século, a forja onde tem planado os melhores espíritos de nossa elite intelectual. O livro de dona Carmita, aparece, pois para preencher uma lacuna sensível na série de obras didáticas destinadas aos estudantes de nossas unidades educacionais de nível médio e que pela clareza verídica dos textos, contribuíram sem dúvida, para a assimilação dos conhecimentos hauridos nas aulas (FREIRE, 1976, p. 51).

Vale ressaltar como são proferidas palavras elogiosas sobre a atuação de Carmen Coelho como professora de história e principalmente como a forma que ela escreve e organiza didaticamente os conteúdos dos livros de história de sua autoria. Para apresentar em linhas gerais o que vem sendo explorado nesse livro é importante apresentar seus capítulos: 1. Aspecto Econômico do Brasil antes da Independência, 2. Fatores Políticos, Econômicos e Sociais que ligaram a Paraíba à Independência do Brasil; 3. A Paraíba na Independência do Brasil, 4. Guerras de Independência, Reconhecimento e a Constituinte de 1823, 5. A primeira Assembléia Legislativa do Brasil, 6. Política do Primeiro Império, Abdicação e Regência, 7. A maioridade de D. Pedro II, 8. A Política do Segundo Império, 9. Aspecto Econômico da Paraíba, 10. A Vida Social, 11. Serviços Urbanos, 12 A Abolição da Escravatura na Paraíba, 13 O advento da República na Província da Paraíba, 14. A Proclamação da República na Paraíba, 15. Governadores da Paraíba Republicana, 16. A Revolução de 1930, 17. Juntas Governativas e Governadores da Paraíba, após a Independência, 18. Governadores do Estado após a República, e por último dispõe de uma pequena bibliografia de seis obras.

A obra apresenta-se apenas com texto escrito sem que tenha alguma figura para fazer a ilustração do contexto histórico apresentado. É um livro de 99 páginas que faz a cada capítulo uma pequena apresentação a partir do assunto destacado. Apresenta uma linguagem de fácil compreensão e é bem específico e objetivo, exibindo apenas aspectos relevantes de cada temática abordada.

Aparentemente não há capítulo que se refira especificamente ao contexto educacional da Paraíba naquele período, porém, ao retratar os governadores da Paraíba republicana como verificado no capítulo 15, Carmen Coelho destaca os feitos dos governadores da época. Nesse contexto, a educadora ressalta as obras construídas e as intervenções realizadas na educação paraibana, que consiste em construção, reformas e inaugurações de salas de aula e de escolas essas informações são apresentadas de maneira descritiva sem que haja nenhuma análise ou prerrogativa de opiniões da educadora a partir desse contexto educacional. O que remete a hipótese de que sendo Carmen Coelho além de autora das obras, uma educadora na disciplina de história, esperava-se a partir da leitura, que fosse feita uma análise a partir do contexto educacional das épocas retratadas no livro.