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Em sua teoria da auto-eficácia, Bandura (1972a, 1982), citado pelo Federal Centre For Health Education (1999, p. 51), afirma que o comportamento de uma pessoa é determinado pelas expectativas referentes à sua própria eficácia e ao resultado do comportamento. A convicção de que pode exercer um comportamento com sucesso é decisiva para a adopção deste comportamento e o sentimento de auto eficácia é construído através das experiências bem sucedidas de um indivíduo, que levarão ao estabelecimento de adequadas estratégias de coping.

Segundo o Federal Centre For Health Education (1999, p. 51), tanto as expectativas de auto-eficácia, quanto a dos resultados do comportamento estão implícitas no constructo SCO, em sua componente capacidade de gestão – a confiança de que os recursos estão

disponíveis para fazer frente aos acontecimentos –, o que faz com que a relação entre o SCO e a adopção de comportamentos mereça mais atenção.

O Federal Centre For Health Education (1999, p. 117) faz ainda menção ao estudo de Mc Sherry e Holm (1994) que encontrou relação entre os níveis de SCO e de auto- eficácia em 60 estudantes nos Estados Unidos.

Ainda no âmbito adopção de comportamentos de saúde, o locus de controlo da saúde refere-se às expectativas que o indivíduo possui de que a saúde e a doença podem ser influenciadas. Pessoas com um locus de controlo interno estão convencidas de que o seu estado de saúde pode ser influenciado pelo seu próprio comportamento, ao contrário daquelas que possuem um locus de controlo externo ou fatalístico (Wallston; Wallston, 1978 citado por Federal Centre For Health Education, 1999, p. 50).

Entretanto, segundo o Federal Centre For Health Education (1999, p. 50), Antonovsky alerta para o facto de que um locus de controlo da saúde externo, que leva o indivíduo a comportamentos passivos, pode ser adequado a medida que fornece um alívio emocional, contribuindo para um sentimento subjectivo de bem-estar no caso de doenças crónicas, por exemplo.

Bös e Woll (1994) e Mc Sherry e Holm (1994), citados pelo Federal Centre For Health Education (1999, p. 106, 117), encontraram correlações entre o locus de controlo da saúde interno e o SCO.

Apesar de acreditar que o SCO pode influenciar na adopção de comportamentos promotores da saúde, a sequência – SCO/comportamento de saúde/saúde – não é central no pensamento de Antonovsky. Para o autor as pessoas com um elevado SCO possuem uma menor tendência para adoptar estratégias de coping não adequadas, como o uso de drogas ou o não cumprimento das recomendações terapêuticas, do que aquelas com níveis mais baixos de SCO. O autor salienta ainda a importância de levar-se em consideração as variáveis passíveis de influenciar directamente os estilos de vida dos indivíduos numa análise da influência do SCO nos mesmos (Antonovsky, 1987, p. 153). Os poucos estudos descritos na literatura que procuraram analisar a relação entre o SCO e os comportamentos relevantes para a saúde não permitem que sejam estabelecidas

conclusões acerca desta relação devido às limitações metodológicas que apresentam. No entanto, alguns revelam indícios da sua existência.

O Federal Centre For Health Education (1999, p. 46-47) cita alguns exemplos de estudos que procuram analisar a relação entre o SCO e os comportamentos em saúde: Bös e Woll (1994), numa amostra de 500 homens e mulheres, encontraram resultados que afirmavam que as pessoas mais velhas com um SCO mais elevado faziam mais exercício do que aquelas com um SCO mais baixo, o que não aconteceu para as pessoas mais jovens; Franke, Elsesser, Algermissen e Siltzler (1997), em uma amostra de 928 mulheres, chegaram à conclusão de que os valores de SCO eram mais elevados nas mulheres que não tinham problemas com drogas, do que naquelas que tinham; Frenz, Carey e Jorgensen (1993), no entanto, não encontraram tal relação relativamente ao consumo de álcool; Gallagher et al. (1994) encontraram relação entre baixos níveis de SCO e comportamentos nocivos à saúde utilizados como estratégias de coping por profissionais de saúde; e Becker et al. (1996), num estudo com 863 homens e mulheres, não encontraram correlação entre o SCO e a prática de exercício intenso e encontraram significante, porém não muito forte, correlação entre o SCO e hábitos alimentares e de sono saudáveis.

Kuuppelomäki e Utriainen (2003) não encontraram relação entre o consumo de álcool e de tabaco com os níveis de SCO entre 287 estudantes universitários na Finlândia, mas encontraram associação entre um forte SCO e a prática frequente de actividade física (mais de 3 vezes por semana). Contudo, mudanças relativas ao consumo de álcool e tabaco e à prática de actividade física, ocorridas num período de follow-up de 3 anos, de 63 destes estudantes, não tiveram qualquer associação com mudanças no SCO dos mesmos.

Já Midanik et al concluíram, através de análises multivariadas com controlo das características demográficas, que os indivíduos pertencentes a um grupo de consumidores moderados de álcool que não reportaram problemas relacionados ao álcool nem embriaguez no ano anterior (419 indivíduos entre os 60 e os 66 anos) possuíam níveis de SCO significativamente maiores dos que os níveis de SCO dos indivíduos pertencentes a um grupo de consumidores frequentes de álcool que reportaram, pelo menos, um tipo de problema relacionado ao álcool e, pelo menos, uma

embriaguez no ano anterior (107 indivíduos entre os 60 e os 66 anos). Entretanto, os próprios autores alertam para o facto de que o referido estudo possui algumas limitações, entre elas, a utilização de uma escala de avaliação do SCO de apenas 9 itens e a restrição da amostra a indivíduos entre os 60 e os 66 anos.

Lindmark et al. (2005, p. 2) citam alguns estudos que serviram de base teórica em sua investigação que visava estabelecer uma relação entre o SCO e padrões alimentares: Freire, Sheiham e Hardy (2001) encontraram relação entre baixos níveis de SCO e maior consumo de sacarose entre adolescentes; Björvell et al. (1994) encontraram relação entre níveis moderados a baixos de SCO e a pouca capacidade de mudança de hábitos alimentares e perda de peso entre indivíduos com excesso de peso; e Sandèn- Eriksson (2000) encontrou um melhor controlo da glicose sanguínea em diabéticos do tipo 2 com altos níveis de SCO.

Os resultados encontrados por Lindmark et al. (2005) no referido estudo, realizado na Suécia com uma amostra de 2446 homens e 2545 mulheres, corroboraram os resultados dos estudos citados pelos autores. Em seu estudo, homens e mulheres com níveis de SCO pertencentes ao quartil superior reportaram escolhas alimentares mais saudáveis quando comparados com os homens e mulheres com níveis de SCO pertencentes ao quartil inferior. Os níveis de sentido de coerência explicaram, independentemente da idade, índice de massa corporal (IMC) e escolaridade, as variações no consumo de vegetais entre homens e mulheres, as variações do consumo de gordura saturada, sacarose, doces e frutas entre as mulheres e as variações no consumo de álcool entre os homens.