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Diante daquilo que foi exposto até aqui, é seguro afirmar que a Mineração Jacundá com suas operações e administração possivelmente poderia estar dentro do local de lavra, ao passo que trabalhadores e suas famílias estariam morando em Itapuã do Oeste, isso ocorreria primeiro por conta da economia com a estrutura que foi comentada anteriormente e segundo as dificuldades hoje em ter uma população tão numerosa dentro de uma Unidade de Conservação com a envergadura que uma Flona possui e terceiro a própria estrutura política de Itapuã do Oeste onde sua a população criaria barreiras que traria dificuldades se compensações não fizessem parte dos projetos de qualquer empresa que por ventura se instalasse ou permanecesse dentro da Flona como é o caso da Mineração Jacundá.

Os anos 90 também seriam cruciais para a Flona do Jamari, embora os acontecimentos que a tornam alvo de discussões surgem ainda nos dois últimos anos da década de 80, que, diga- se de passagem, foram anos de muita tensão na Região Norte e que culminaram com uma nova postura em relação ao meio ambiente. Tais posturas, foram muito mais por pressão de grupos ambientalistas internacionais e a militância dos movimentos sociais que estavam ligados a esquerda brasileira, do que por políticas públicas.

O fato mais impactante sem dúvida nenhuma foi o assassinato do líder ambientalista Chico Mendes que também era sindicalista. A luta do líder sindical de Xapuri era declarada contra madeireiros, pecuarista, mineradoras e outros segmentos do agronegócio. Sua morte causou um nível de comoção que forçou os setores conservadores recuarem, principalmente, porque havia ocorrido no ano da promulgação da Constituição de 1988. Esse pacto federativo trazia consigo a voz das ruas e o desejo de mudanças profundas no enfrentamento de questões que estavam ganhando fôlego, como a Ecologia.

As denúncias feitas por Chico Mendes aos organismos internacionais de proteção ambiental chegaram até o Congresso norte-americano (Santos) e de lá aos organismos internacionais de crédito que financiavam projetos no Brasil, esses organismos se viram forçados a não renovar créditos ou conceder dinheiro para novos projetos, enquanto o Brasil não adotasse posturas “mais responsáveis”, principalmente no que se referia a frente de ocupação agrícola e o desenfreado processo de desmatamento patrocinado pelo regime militar. No bojo dessas discussões os organismos internacionais de proteção ambiental que apoiavam a luta do líder sindical, denunciavam justamente o período da colonização nos anos 70, alertando sobre o que havia acontecido com Rondônia não deveria se repetir com o Acre, já que naquela época a abertura de uma Rodovia Federal e seu asfaltamento seria uma tragédia

para as populações que viviam do extrativismo naquele Estado segundo os ativistas. Os organismos internacionais de crédito suspenderam os empréstimos ao governo brasileiro até

que medidas efetivas fossem tomadas. A Rodovia BR 364 sentido Porto Velho/RO – Rio

Branco/AC foi efetivamente asfaltada, mas algumas outras rodovias principalmente estaduais e que são identificadas com a sigla RO, tiveram seus traçados alterados por atravessarem unidades de conservação quer fossem dos governos Estadual e Federal ou por cortarem terras indígenas, evitando problemas futuros.

Foi o que ocorreu com a RO 452 que havia sido aberta pela Mineração Jacundá até as proximidades da Vila de São Sebastião e Vila de Santa Maria, no mapa do Departamento Nacional Infraestrutura dos Transportes (DNIT) consta a RO-452 passando por Itapuã do Oeste em direção a Vila de Santa Maria, legenda mostra tal estrada implantada sem pavimentação até a localidade de Santa Maria e, de Santa Maria até 2 de novembro no Município de Cujubim apenas como rodovia projetada e, que nunca foi aberta, conforme o mapa abaixo demonstra:

MAPA 4 – RODOVIA 452 PROJETADA

Fonte: Ministério dos Transportes.

Por ser uma rodovia projetada e a Mineração Jacundá ter sido responsável por sua abertura, durante muito tempo a população de Itapuã do Oeste pensava que o Governo do Estado ou Governo Federal faria a abertura da rodovia para fins de reforma agrária, mas havia o interesse em “proteger” a FLONA Jamari e os interesses da Mineração Jacundá expressos na concessão de lavra concedida pelo governo federal via DNPM, contra garimpeiros, madeireiros e grileiros de terras, e que a abertura efetiva da rodovia que corta toda a extensão, conforme o

mapa da página anterior, da FLONA não poderia se concretizar visando evitar invasões e conflitos com empresa de mineração.

A abertura da estrada, que ligava o entroncamento da BR 364 passando pelo Setor Santa Bárbara até o Setor Santa Maria, possuía uma funcionalidade que era fazer a ligação entre os setores de lavra, bem como o trânsito da população existente nos dois setores. Não havia nenhuma expectativa por parte da empresa que tal estrada fosse totalmente aberta e liberada ao trânsito como rodovia, pelo simples fato de que isso traria problemas para a empresa que deveria tanto se preocupar com seu patrimônio como: equipamentos, máquinas, veículos e o próprio minério. Por outro lado, havia a preocupação por parte da empresa com a “defesa” da FLONA que ficava sob sua responsabilidade já que o governo federal não dispunha de efetivo para “guardar” a Unidade de Conservação.

A pesquisa neste trabalho delimita-se ao estudo da Mineração de Cassiterita dentro da FLONA Jamari da década de 50 até a década de 90 do século XX. Mas para concluir o capítulo percebe-se que as políticas que envolvem a FLONA Jamari só podem ser observadas e visualizadas no presente. No ano de 2008, por exemplo, foi feito o primeiro leilão para a concessão da FLONA visando a exploração da madeira dentro de uma política que levasse em conta o modo sustentável de exploração de uma Floresta Nacional, empregando modernas técnicas de extração, causando danos menores em relação a uma exploração predatória que em geral é o que ocorreu na maior parte das florestas, como já mencionado anteriormente o caso da FLONA de Bom Futuro onde está localizado o garimpo com o mesmo nome.

A floresta foi devastada por grileiros e madeireiros nos anos 90, e a responsabilidade era novamente do poder público, que no caso do Governo Federal alegava não dispor de contingente para coibir a ação de invasores e por parte do Governo Estadual a preocupação em não se indispor com os invasores que afinal de contas são eleitores também. Não é uma acusação leviana. Estes governos tentam desde a década de 90 a desocupação da área por grileiros, inclusive com a ação conjunta das polícias, exército e Força Nacional de Segurança retirando famílias, rebanhos e só assim tentar um processo de recuperação da floresta dizimada. A Mineração de cassiterita que hoje recupera as áreas degradadas que são possíveis de serem recuperadas, de certo modo foi guardiã pelo menos de uma parte significativa do seu tesouro biológico.