2.4 Innvendinger og problemer
2.4.1 En nærhetsetisk innfallsvinkel
A metodologia empregada, nesta pesquisa, permitiu às mulheres conhecerem, previamente à amputação mamária, que a Síndrome da Mama Fantasma (SdMF) existe. Portanto, tornou-se mais fácil à mastectomizada relatar espontaneamente suas sensações fantasmas não dolorosas ou dolorosas. A literatura revisada enfoca que há o relato do fenômeno da mama fantasma apenas quando a mulher é questionada diretamente. Também destaca que as mulheres não o referem por vergonha ou por medo de serem consideradas insanas (ABECHE; BLOCHTEIN, 1985; CUNHA; LEMÔNICA, 2002).
Partiu-se da compreensão de que, teoricamente, não se pode ter dor na mama fantasma se não existir a mama fantasma. Para tal, foram consideradas conclusões de estudos sobre os membros fantasmas e a respeito da neuroplasticidade cerebral (BRASIL-NETO et al., 1992; BRASIL-NETO, 2004).
Destaca-se serem retrospectivos quase que a totalidade dos estudos que abordam as sensações da mama fantasma. Esses estudos envolvem mulheres que se encontravam desde dias até 15 anos após a retirada da mama. Os instrumentos de pesquisa nesses estudos englobaram questionários e entrevistas diretas ou por telefone. Igualmente é preciso salientar que a terminologia utilizada para descrever os fenômenos fantasmas não é uniforme. Não se encontrou nenhum estudo em que as mulheres tenham sido abordadas desde o pré-operatório.
Detectou-se, no pós-operatório recente (2º ao 14º dia), uma prevalência de 64% da presença de sensações da mama fantasma (SMF) e de 08% de dor na mama fantasma (DMF). Kroner et al. encontraram, três semanas após a
mastectomia, 15% de SMF e 13,30% de DMF (KRONER, 1992).
Percebe-se, na literatura, uma ampla faixa de prevalência desses fenômenos, em diferentes épocas do pós-operatório, variando de 15% a 64% e de 0% a 44%, respectivamente, para as SMF e DMF, as quais conjuntamente constituem a Síndrome da Mama Fantasma (SdMF), (ABECHE; BLOCHTEIN, 1985; CHRISTENSEN et al., 1982; CUNHA; LEMÔNICA, 2002; HSU; SLIWA, 2004; MELZACK, 1990; NOGUEIRA et al., 2005; ROTHEMUND et al., 2004; STAPS et al., 1985).
Todas as mulheres que apresentaram SMF descreveram perceber a sensação da “presença da mama”, ou seja, a persistência mamária, ou na sua totalidade (68,75%), ou, principalmente, na região aréolo-mamilar (31,25%). Entre as descrições dessas sensações destacaram-se: prurido, amortecimento, formigamento e peso.
O fenômeno da mama fantasma é caracterizado pela sensação da persistência da mama, em sua totalidade ou em suas partes, em especial na região aréolo-mamilar após a sua remoção (BRESSLER et al.,1955; ROTHEMUND et al., 2004; TASMUTH et al., 1996).
O início da percepção da SMF ocorreu em 13 situações (81,25%) no primeiro dia do pós-operatório, destacam-se as afirmativas: “Desde o início, não cheguei a sentir que retirei”; “Quando olho é que me dou por conta que não está ali”. Esses relatos confirmam os estudos de Ramachandran e Ramachandran (1996), Ramachandran e Blakeslee (2004). Outros estudos apontam que aproximadamente 60% das mastectomizadas apresentarão a SMF já na primeira semana (ABECHE; BLOCHTEIN, 1985), e que o fenômeno fantasma é freqüente, aparecendo precocemente nos três primeiros meses após a amputação (STAPS et al.,1985; POMA et al.,1996).
Neste estudo, as sensações da persistência da mama foram relatadas como contínuas em 10 casos (62,50%) e como intermitentes nos demais. Encontra-se na literatura essas duas descrições (ABECHE; BLOCHTEIN, 1985; BRESSLER et al., 1955). Destacam-se os seguintes relatos das pesquisadas: “Sinto ela como sinto a outra; Sinto prurido no mamilo, da mesma forma que sentia antes, no segundo dia durante toda a tarde e Sinto a presença da mama, pesada, coceira e frio no bico que não tenho”.
A DMF, mencionada por apenas duas pacientes que apresentaram as SMF, foi descrita na situação de dor em ferroada no mamilo, intermitente, entre o terceiro e quarto dia do pós-operatório, e em outra, como dor em fincada, intermitente em
toda a mama. Percebe-se tanto a manifestação da DMF no ápice da mama (distalmente, em relação a sua base), como também generalizada.
Diferentemente do que é constatado em relação aos membros fantasmas, na mama fantasma dolorosa, a dor se apresenta, inicialmente, no mamilo e, com o tempo, torna-se mais generalizada (NOGUEIRA et al., 2005).
Essa colocação difere da referida por Rothemund et al. 2004. Esse, ao discutirem a MF e suas relações com a dor aguda pré mastectomia, manifestam que a prevalência dos fenômenos da MF se diferem em uma variedade de modos, tais como freqüência, incidência e tempo de início, em relação aos membros fantasmas. O início das sensações da mama fantasma pode ocorrer até após um ano da amputação. A dor no membro fantasma é principalmente localizada na porção distal, enquanto a DMF tem sido relatada em toda a mama, mais do que no mamilo. A prevalência da dor no membro fantasma é de 50 a 80%, enquanto que as sensações não dolorosas são observadas em quase todos os indivíduos.
Encontrou-se, nessa fase de investigação, as duas situações de DMF: a generalizada e a pontual.
Entre os fatores que podem estar relacionados ou que podem exacerbar a dor na mama fantasma, destacam-se: história de ansiedade e de depressão, de exercício, de toque e de movimento do membro superior homolateral (HSU; SLIWA, 2004; NOGUEIRA et al., 2005; TASMUTH et al., 1996).
Kroner et al. (1989) encontraram nítida distinção entre a dor cicatricial e a dor na mama fantasma. A ampla faixa de variação de prevalência da DMF, supracitada (0 a 44%), permite se questionar o quanto ela pode ser confundida com o quadro álgico, que pode fazer parte do pós-operatório recente.
Kroner et al. (1989) e Poma et al. (1996), ao se referirem ao fato de a SMF não ser tão freqüente, quanto à Sensação do Membro Fantasma (SMbF), manifestam que essa situação pode estar relacionada aos fatores cinestésicos e cinéticos, bem como ao fato de que a área cortical somatossensorial, que representa a mama, ser relativamente pequena.
Questiona-se se esses fatores também podem contribuir para determinar um maior tempo de início de percepção das SMF, tendo em vista ter-se encontrado, em todas fases do estudo, o início da percepção das SMF. Indivíduos que apresentam SMbF, em geral, percebem-na em fase precoce do pós-operatório.
5.2.2 Presença ou ausência da MF, com relação à caracterização sócio-