Além do testemunho dos elementos do SE do ARM, pareceu-nos importante registar a opinião dos alunos e professores que participaram no «Vamos Conhecer o Arquivo Regional da Madeira…» a primeira acção educativa dinamizada pelo SE. Dois anos depois da presença de uma turma da Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclos de São Roque conseguimos contactar os alunos e observar o que ficou do projecto que os levou a conhecer as funções e serviços da Instituição. Ao chegar à escola, foi interessante verificar que o Arquivo Regional da Madeira era um espaço ainda bem presente na memória dos alunos. Apesar de quase todos os elementos da turma quererem participar na entrevista, foram seleccionados oito discentes, acompanhados pelo docente responsável pela turma nesse ano lectivo.
No dia 11 de Junho de 2007, enquanto os restantes colegas ouviam uma palestra sobre o Arquivo Regional da Madeira, estiveram reunidos na biblioteca da escola alguns dos jovens participantes na acção. Quando ouviram falar do ARM pela primeira vez, a maior parte destes alunos não conhecia a Instituição. Uma das adolescentes, embora tímida em situação de entrevista, lembrava-se bem das actividades práticas desenvolvidas. «Gostei mais da parte de restauro, quando recuperamos documentos que tinham sido rasgados», explicou-nos. Admitiu ter aprendido coisas novas e não considerou difícil a forma de transmissão dos conhecimentos. Tanto essa aluna, como os outros colegas, revelaram interesse em regressar ao ARM. Durante a entrevista, um dos discentes destacou-se dos restantes, revelando-se o mais interessado e
conhecedor do percurso exacto das visitas. «Lembro-me de várias salas, da Sala de Quarentena, da Sala de Recepção e Triagem da Câmara de Expurgo, mas também dos bichinhos, acho que são os bibliófagos (insectos que os alunos viram na palestra)», disse. Passados dois anos, estes alunos também destacaram o espaço onde higienizaram os documentos, lembraram-se dos instrumentos de Preservação, Conservação e Restauro, além da necessidade de utilizar luvas para efectuar determinados procedimentos. Ao longo da entrevista ainda mencionaram os documentos antigos que podiam ser lidos (actividade na Sala de Leitura, onde tentaram ler pequenos excertos da documentação). Os restantes destacaram a pesquisa nas bases de dados, onde poderiam encontrar os registos de baptismos dos avós. Todos sabiam que este é um dos mecanismos para a elaboração da árvore genealógica. Como aspectos menos positivos, as opiniões divergiram entre tempos de espera e a impossibilidade de experimentarem todas as actividades práticas. No final, ninguém admitiu querer seguir a profissão, mas todos pediram para regressar e repetir todas as fases do projecto «Vamos Conhecer o Arquivo Regional da Madeira». Numa análise geral ao resultado da entrevista, notamos algumas dificuldades no recurso aos termos mais técnicos da Arquivística, mas confirmou-se a pertinência daquela acção educativa, como forma de transmissão de novos conhecimentos.
O professor de História acompanhou o desenvolvimento do projecto desde os primeiros contactos. Tomou conhecimento desta actividade através das acções de divulgação promovidas pelo Serviço Educativo. Inicialmente, admitiu que não sabia bem o que iria encontrar. «Pensei que fosse algo ligado aos documentos e à sua conservação», explicou. Quanto ao desenvolvimento da actividade destacou a eficácia da palestra. «Foi o suficiente para eu e os alunos ficarmos motivados». Durante as visitas considerou os resultados positivos. «Havia dois ou três alunos que não estavam motivados. Notou-se uma maior dispersão na Microfilmagem, uma área muito técnica, onde foram
dadas explicações que eles não compreendiam bem». Pelo contrário, « […] nas fases mais práticas isso não aconteceu, eles lembram-se de tudo.
Gostaram muito da área de Restauro e não queriam sair de lá». Na visita mais dedicada à Arquivística, as reacções foram boas:
«Inicialmente, não percebiam o que estava escrito nos documentos. Mas, depois, alguns começaram a entrar no tipo de letra e a achar interessante a linguagem usada. O que os entusiasmou mais foi a forma como é tratado o texto. É muito diferente de hoje».
Em traços gerais, o professor concordou com a escolha da faixa etária e recomendou o regresso dos alunos. Deixou também a sugestão de aplicação do projecto ao 3.º ciclo (uma ideia já desenvolvida pelo SE). No final, segundo testemunhou, « […] todos ficaram com a ideia que o Arquivo é um lugar onde se guardam documentos do passado, importantes. Perceberam também a importância do restauro e da recuperação dos documentos». Posteriormente, foi abordada na sala de aula a importância dos documentos não escritos. «Uma igreja, ou as pinturas pré-históricas, por exemplo. As próprias ossadas, utensílios em pedra […] Conseguimos entrar pelos conceitos do património cultural e natural, que aproveitei para desenvolver», sublinhou. Quanto à linguagem adoptada, o docente que entrevistamos sugeriu a criação de um glossário destinado a familiarizar os alunos com a linguagem técnica dos Arquivos. Durante as visita sentiu a falta de um pequeno guia, que facilitasse a elaboração de um relatório final. A divisão dos alunos em pequenos grupos de quatro ou cinco também seria vantajosa.
Depois das visitas, verificou que os alunos falavam muito entre eles:
«Ficavam uns tempos a falar dos termos que se lembravam, mas às vezes não sabiam bem o que eram. Se tivéssemos pensado de outra forma até podíamos ter integrado o Arquivo numa Área de Projecto. Também podia ser uma actividade que envolvesse outras disciplinas».
Realçou-se também o efeito positivo que a experiência teve nos alunos menos motivados, que alcançaram bons resultados nos desafios propostos. «Só tenho pena que a partir daí não tenham existido mais acções do género.
Só trabalhamos currículo, conteúdo, não temos tempo para mais», acrescentou. Mas os objectivos da visita foram cumpridos.
«Conheceram o que era o Arquivo e ficaram sensibilizados para a conservação dos documentos. Quase todos conseguiram desenvolver o relatório. Apercebi-me que, se fossem feitos por visita e com um glossário vosso teria sido melhor. Mas o resultado final foi muito bom».
Com este capítulo, recorrendo às entrevistas, foi possível apresentar testemunhos de proveniências distintas. As perspectivas dos elementos do SE do ARM pretendem registar algumas estratégias úteis à criação de novos Serviços Educativos em Arquivos. Por outro lado, a opinião de um professor e dos seus discentes revelam os resultados que uma acção educativa poderá ter junto da Comunidade Escolar.