• No results found

En introduksjon til covered bonds, OMF og kredittforetaket

As redefinição de competências e de internacionalização da cadeia de valor das grandes corporações promoveram um expressivo deslocamento geográfico das etapas do processo produtivo. Essa reestruturação característica dos últimos 30 anos, redirecionou os fluxos globais de investimento e comércio exterior. Alguns componentes desse processo de internacionalização permitem quantificar e

qualificar a intensidade desse processo, tais como: os fluxos de investimento direto estrangeiro (IED, da sigla em inglês); os fluxos de comércio exterior; e a crescente participação das transnacionais nas estruturas globais de produção e comércio (SARTI; HIRATUKA, 2010, p.2). Porém, antes de qualificarmos tais mudanças e refletirmos a respeito dos seus impactos sobre os PEDs, alguns conceitos devem ser definidos.

As cadeias de valor das grandes corporações sofreram uma série de mudanças que redefiniram a lógica de concorrência, não mais condicionada à esfera produtiva agregadora de valor à mercadoria. Define-se cadeia de valor como “um

espaço econômico, em que predominam mecanismos de coordenação hierárquicos”

(FURTADO, 2000, p.3). Considerando a forma de governança, trata-se de uma configuração industrial cujos vínculos são mais rígidos e mais exclusivos, e sobretudo em relação aos ativos centrais da atividade realizada, privilegiando os elementos verticais de comando. Além disso, as cadeias estão associadas à atividades passíveis de economias de escala apropriáveis.

As etapas da produção e as funções corporativas que antes eram replicadas em cada país, foram reagrupadas em regiões segundo sua especialização. Assim, o deslocamento espacial da produção, origina o conceito de cadeias produtivas

globais. E essa reorganização produtiva ocorrera de forma a valer-se das economias

de escala e escopo, sob a gerência corporativa geograficamente dispersa. A presença de filiais especializadas no provimento de determinados componentes para determinada região, ou até mesmo globalmente, passara a ser corriqueiro (UNCTAD, 1995). Segundo Sturgeon (2002), apesar desse processo ser verificado em diversas indústrias, ele é mais presente nos processos produtivos tecnicamente passíveis de serem fragmentados, tais como a indústria têxtil ou o complexo eletrônico. Em suma, a fragmentação e internacionalização das cadeias de valor não ocorre de forma similar nos diversos países, mas, na verdade através de um processo seletivo, hierarquizado e especializado.

Segundo Furtado (2003), a capacidade de gerar valor não é contínua ou regular. De um lado estão as empresas que possuem o comando sobre a cadeia, enquanto, do outro, as empresas fornecedoras que realizam as funções mais periféricas. Esta situação está condicionada justamente pela propriedade de um conjunto de ativos, como capacitação tecnológica e financeira, que permite às empresas no comando da cadeia capturar parte relevante da renda criada. Além

disso, a escolha da posição geográfica em que ocorrerá determinada etapa da cadeia de valor está sujeita às estratégias individuais e às características específicas dos diferentes países, já que deve haver uma combinação entre o desenvolvimento da base industrial a ser implantada e as capacitações com apropriação interna e vantagens locais. Daí a seletividade. Em geral, os critérios de seleção alocam as etapas nucleares nos países desenvolvidos, enquanto as etapas que agregam menos valor e/ou são de menores competências essenciais localizam-se nos países em desenvolvimento. Assim, a forma de inserção internacional desses países, ademais, está condicionada ao processo cumulativo e auto-reforçado.

Outro resultado deste processo é a especialização das empresas nas atividades que correspondem às suas capacidades. Segundo Furtado (2000), o setor produtivo integrado internamente à grande empresa foi substituído por uma cadeia produtiva integrada, sob o comando centralizado da mesma grande empresa. Esse processo de externalização das atividades consideradas secundárias além de tornarem a ET mais “enxuta” e promover formas de integração da produção, seja pela via do comércio internacional direto (arms-lenght), seja pelo comércio intracorporação.

Alguns aspectos foram determinantes para a reestruturação das cadeias produtivas, dentre os quais, pode-se destacar: a desregulamentação do capital, facilitando a transação de bens e mercadorias; a formação de blocos e acordos comerciais, com o objetivo de facilitar o comércio; o avanço das tecnologias de informação e de transporte, reduzindo os custos de transação; e especialmente o forte acirramento da concorrência em esfera global, dada a entrada de novos

players.

O conceito de cadeia de valor pressupõe que todas as funções corporativas geram valor e não apenas a produção. As cadeias de valor, ou seja, a sequência de transformações físicas encadeadas, desde a matéria-prima até o produto final, ao longo do tempo foram se tornando mais fragmentadas. As decisões gerenciais encontram-se entre os polos “make” e “buy”, ou seja, entre atenuar o risco e ganhar flexibilidade. Ao mesmo tempo em que se verifica uma externalização das funções corporativas, as oportunidades dos fluxos de comércio foram aproveitadas de forma diferenciada pelos países.

Ao analisar as transformações ocorridas na lógica de acumulação da grande corporação e suas implicações para a estrutura de produção e de comércio, adotou-

se a abordagem structural economic dynamics (SED)6, para a qual as mudanças na estrutura de produção dos países alteram suas taxas de crescimento e, portanto, diferentes estruturas produtivas implicam diferenças em suas taxas de crescimento (GOUVÊA; LIMA, 2010, p.1). Distante da interpretação que analisa as relações entre as elasticidades-renda das importações e exportações, o conceito de mudança estrutural também encontra respaldo nos teóricos cepalinos.

Nesse sentido, considerando as mudanças ocorridas na atuação da empresa transnacional, mesmo que tenha havido uma crescente participação dos PEDs no produto industrial global, essa não foi homogênea entre os PEDs. Para melhor compreender os impactos das transformações das empresas transnacionais nos PEDs latino-americanos, os efeitos sobre a estrutura produtiva e comercial do país, esboçou-se o panorama das mudanças nos fluxos de investimento estrangeiro direto e de comércio internacional no próximo item.

2.3 Indicadores estruturais e fluxos de Investimento Estrangeiro Direto e