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7   Konklusjon

7.2   En  individualisert  og  fragmentert  tv-­seer

A escolaridade surge como uma variável fundamental na definição das diferenças culturais. A escola é uma instituição privilegiada no processo de construção do modo de funcionamento intelectual dos membros da sociedade letrada. Ela funciona como uma agência social explicitamente destinada a trabalhar os conhecimentos e as formas de pensamentos considerados necessários e adequados para essa sociedade marcada pelo desenvolvimento científico e tecnológico. O indivíduo escolarizado é submetido a práticas de trabalho com o conhecimento como objeto. Tal prática o instrumentaliza para um funcionamento intelectual típico da sociedade letrada.

A escola é a instituição responsável pelo aprendizado da leitura, proporcionando uma educação cidadã em que o educando ultrapassa os limites da decodificação dos códigos lingüísticos, chegando à compreensão do texto e à capacidade de criticar e refletir sobre o que ler. A escola é uma instituição social responsável por mediar, por meio de uma relação dialógica, os conhecimentos científicos e culturais no processo de ensino-aprendizagem. Partindo do pressuposto que a proficiência na leitura é a base para uma educação escolar sólida, pode-se dizer que a escola possui um conjunto de práticas de letramento que se caracteriza como uma referência significativa para a sociedade na qual os alunos estão inseridos. As práticas de letramento trabalhadas no contexto escolar são aceitas e legitimadas socialmente. É importante salientar que o letramento escolarizado não é a única de forma de letramento nas escolas, já que nas interações sociais há vários eventos de letramento.

As práticas de letramento desenvolvidas no âmbito escolar exigem convenções sociais que estão ligadas a padrões de escrita da classe dominante, por isso tais práticas não são

acessíveis a todos os alunos, pois se costuma não trabalhar com a realidade sócio-cultural do aluno, mas adequar esta realidade a uma realidade hegemônica (realidade institucionalizada da educação formal). No contexto escolar, o professor deve valorizar os letramentos marginalizados e as práticas distantes desse contexto. É importante salientar que os alunos aprendem sobre letramento informalmente em suas práticas sociais diárias. De acordo com Bortone (2008, p. 9),

as práticas discursivas de letramento assumem importância fundamental por conta do papel que desempenham na formação do indivíduo enquanto ser social. Cabe à escola assumir as rédeas de um processo que lhe é pertinente, que é sua meta maior. Os estudos atuais sobre o letramento têm demonstrado sua importância, seja na prática escolar, opondo-se à concepção tradicional e mecanicista de alfabetização, seja como prática social, comparando-se os usos e funções da escrita e da leitura em sociedades tradicionais e modernas. Essas reflexões buscam, justamente, melhor definir as competências lingüísticas do indivíduo inserido em sociedades complexas, nas quais a escrita e a leitura constituem condição primeira para a integração das pessoas como membros efetivos desse modelo de comunidade.

No processo de leitura e escrita há propósitos sociais reais inerentes que visam a um desenvolvimento nos eventos de letramento exigidos pela sociedade. De acordo com Mortatti (apud SCHOLZE & RÖSING, 2007, p. 166),

ensinar a ler e escrever é ensinar a ler e produzir textos (orais e escritos) que permitam ao sujeito se construir como tal no âmbito de uma sociedade letrada. O ensino visa, primordialmente, à aprendizagem e não pode prescindir da atuação competente do professor, no âmbito da escola. O ensino e a aprendizagem da leitura e produção de textos, como atividades especificamente humanas, visam, primordialmente, à formação do ser humano, e seu objetivo é simplesmente a busca pelo sentido.

Cook-Gumperz (1986, p. 2) salienta que na sociedade atual, o letramento tanto é objetivo quanto o produto da escolarização. Segundo Soares (2006, p. 84),

o letramento é, no contexto escolar, um processo, mais que um produto; conseqüentemente, as escolas podem fazer uso de avaliações e medições em vários pontos do contínuo que é o letramento, avaliando de maneira progressiva a aquisição de habilidades, de conhecimentos, de usos sociais e culturais da leitura e da escrita, evitando, assim, o problema de ter de escolher um único ponto do

contínuo para distinguir um aluno letrado de um iletrado, uma criança alfabetizada de uma não alfabetizada.

O conceito de letramento está atrelado ao papel que a escrita possui na sociedade, por isso, pode-se dizer que o processo de letramento não se dá somente na escola, pois cotidianamente as pessoas estão diante de agências e agentes de letramento em suas práticas sociais. Portanto, “não basta saber ler e escrever; é preciso ser reconhecido nas práticas sociais de leitura e escrita e se reconhecer como participante dessas práticas” (Goulart apud CARVALHO & MENDONÇA, 2006, p. 74). Aprender a ler e escrever não são equivalentes apenas a aprender diferentes habilidades, mas deve ser uma prática efetiva de letramento como um processo metacognitivo que produz um desenvolvimento social e cognitivo. Na prática escolar, na maioria das vezes, a leitura e a escrita apresentam-se de maneira descontextualizada da realidade dos alunos. O letramento escolar tem se apresentado como um sistema de conhecimento descontextualizado, validado por meio de desempenho em testes. Cook-Gumperz (1986, p. 6), a partir das considerações de Scribner e Cole que consideram o ensino como uma força reprodutiva em sociedade, salienta que letramento é, também, um fenômeno definido socialmente, construído por meio de um processo de ensino. Segundo Gouveia & Orensztejn (apud CARVALHO & MENDONÇA, 2006, p. 35),

a língua deve entrar na escola da mesma forma que existe vida afora, ou seja, por meio de práticas sociais de leitura e escrita. A perspectiva é formar alunos que saibam produzir e interpretar textos de uso social – orais e escritos – e que tenham trânsito livre nas várias situações comunicativas que permitem plena participação no mundo letrado.

Portanto, é fundamental que a escola trabalhe o letramento numa perspectiva social, adotando uma pedagogia culturalmente sensível à realidade social dos alunos (Erickson apud BORTONI-RICARDO, 2005, p. 128). Esse trabalho somente será eficaz se houver uma proficiência na leitura de diferentes gêneros textuais que são encontrados no dia-a-dia escolar e nas práticas sociais.