Del 2 - 5.3 Analyse av bakgrunnen for en prosess ved NTNU
5.3.2 En ide på reise?
Na visão dos professores, coordenadores e diretora a Escola da Lagoa realiza muitas atividades permanentes de EA pelo fato do próprio eixo curricular ser a questão ambiental. Os alunos e responsáveis também afirmam que a escola realiza tais atividades, tendo participado de muitas delas. As atividades permanentes citadas foram as seguintes: a ecologia integral que inclui o cuidado consigo, o cuidado com o outro e o cuidado com seu ambiente; a caixinha de reciclagem nas salas de aula; visitas e trabalhos com a nascente; o trabalho com a bacia local através do Circuito da Pampulha, trabalhos e visitas ao Zoológico; atividades em sala de aula
de leitura, escrita e sensibilização sobre a questão da água, lixo, poluição, desmatamento, violência, emprego, educação; o trabalho com as relações étnico-raciais; o trabalho da Polícia Militar sobre drogas; o Seminário Ambiental e o Conselho de Meio Ambiente.
Existem também as atividades pontuais, interpretadas pelos sujeitos como atividades que acontecem de vez em quando, ou já aconteceram uma vez e não acontecem mais. Tais atividades são: trabalhos com a horta, visitas ao aterro, à Copasa, ao Parque Ecológico, à estação de tratamento de esgoto, plantio de árvores, atividades nas datas comemorativas (dia da água, dia do meio ambiente), cartilhas e teatro sobre a água, projetos como o Projeto Angola e o Guia Cultural do Bairro.
“Sempre a gente vai na nascente e estuda lá. Tem vez que a gente leva caderno, lápis e borracha para estudar sobre a água... como que a nascente surgiu. A história da Pampulha... da Lagoa da Pampulha. Várias coisas que sempre acontecem. Eles passam um vídeo clipe da água para os meninos, depois vamos lá na Pampulha e eles mostram onde o lixo que a gente joga cai. Esses negócios sempre tem” (Aluna 1º ciclo).
Para os professores, coordenadores e diretora a interdisciplinaridade na EA acontece de duas maneiras: uma ou duas professoras tomam frente da atividade e abordam várias áreas do conhecimento, ou professores de várias áreas se reúnem para trabalhar uma atividade comum, cada um contribuindo com o seu conhecimento específico. Apontam diferenças no trabalho interdisciplinar do 1° e 2° ciclos do período da manhã e do 2° e 3° ciclos do período da tarde. À tarde, os professores não conseguem se encontrar para discutir essa forma de trabalho, pois cada um define o seu horário de projetos dificultando que se estabeleçam encontros freqüentes. Enquanto isso, de manhã os horários de projetos são planejados para que os professores se encontrem. Além disso, à tarde as disciplinas são dadas de forma separada, cada professor leciona a sua, enquanto de manhã o professor regente trabalha várias disciplinas, facilitando o trabalho interdisciplinar. Afirmam que mesmo assim, os professores têm trabalhado com as questões ambientais buscando relacioná-las com outras áreas, mas que isso depende da postura e interesse de cada um.
“Trabalhamos de maneira interdisciplinar. O projeto de alfabetização é voltado muito para essa questão ambiental, é o pato, o gato, a sucuri, a foca. Depois a gente trabalha com as doenças, a questão da dengue... a gente trabalha com o boi da cara preta, pega o lúdico. Então a gente proporciona atividades de escrita, de leitura, trabalho de consciência ecológica, para gente poder construir essa base alfabética com os meninos. No 2° ciclo também trabalhamos. Estamos trabalhando as questões principais do lixo, da caixinha de
reciclagem, do corpo, da família, em que ambiente que está a família. O 3° tem mais dificuldade. Mas já tem uma iniciativa pra trabalhar com os projetos. O portfólio e o projeto político pedagógico da escola falam muito isso. O caminho para atividades interdisciplinares seria o trabalho com projetos” (Coordenador manhã).
“O nosso trabalho é interdisciplinar, cada professor tem sua área, mas aí a gente divide. A gente reúne, por exemplo, no Projeto Angola eu fico com o lado histórico, o lado político da coisa. Tem a professora de português, ela vai estar trabalhando textos, autores, os grandes escritores pra valorizar a questão do negro. Tem o lado geográfico que vai trabalhar com as questões naturais. De ciências vai estar trabalhando a questão da saúde. Em matemática vai estar trabalhando os gráficos de percentual de quantos saíram de Angola, o nível de escolaridade, então a gente faz com que todos participem. Em todas as áreas vai ter alguma coisa” (Professor 3° ciclo).
Para entender como os alunos observam a interdisciplinaridade nas atividades perguntou-se primeiramente se existia algum professor que trabalhava mais a questão do meio ambiente. A grande maioria respondeu que cada professor trabalha essa questão na sua matéria, sendo que os que mais o fazem são os de ciências.
É possível perceber a ocorrência da interdisciplinaridade também na fala dos alunos e responsáveis quando eles descrevem as atividades realizadas. Nota-se que numa mesma atividade são trabalhados diversos conhecimentos, como no caso da visita à nascente, em que são abordadas questões naturais, trabalhando ciências; o percurso dos córregos e da bacia, trabalhando geografia; as anotações e produções de texto, trabalhando português; e a produção de desenhos e cartazes, trabalhando artes.
“Ciências trabalha mais. Agora até que não... Agora entrou uma matéria diferente. A Regina começou a falar de meio ambiente, é um projeto, são entrevistas que a gente vai ter que fazer com as pessoas aqui do bairro, sobre o que elas acham do meio ambiente, cada pessoa na sua região, nós vamos perguntar se tão gostando do projeto meio ambiente da escola... Nos ainda estamos fazendo essas perguntas” (Vanessa 3°).
“Minha professora trabalha assim com meio ambiente. Ah, ela dá muita disciplina... a gente estuda com ela sobre o meio ambiente, sobre a água, a bacia, faz desenho, escreve, lê. É muita coisa” (Aluna 1°).
Para os professores, coordenadores e direção, a questão das atividades serem coletivas ou individuais é parecida com o que foi descrito na questão da interdisciplinaridade, dependendo do turno se define o modo de trabalho. De manhã existe o horário de projetos planejado para discussões entre as professoras que lecionam no mesmo ano e ciclo, facilitando um trabalho coletivo. Além disso, existem reuniões entre os professores,
coordenação e direção que incluem o planejamento de atividades e conteúdos do ano todo. Nesse período escolar, existe uma coordenadora específica para trabalhar o tema, o que não acontece à tarde. No período da tarde o horário de projetos não é planejado, o que dificulta o encontro dos professores. As atividades acabam sendo individuais e quando acontecem no coletivo, são por interesse do professor. A coordenação não auxilia para que isso aconteça e não existe planejamento para tal. Existem também iniciativas isoladas, em ambos os turnos, algumas permanecem com o professor que a criou, outras são expandidas para os demais.
“É um projeto da escola, de um grupo mesmo. Não de um professor. É um projeto que a coordenação, direção está procurando dar o maior apoio para que se concretize. Apesar de que parece ser quase um eixo do primeiro turno, porque é onde a gente consegue um aprofundamento desse tema, mas tanto o segundo turno quanto o terceiro também trabalham. Nós temos o eixo meio ambiente e étnico-racial, então a tarde deixou o professor poder escolher o eixo com que ele se identifica mais. A gente percebe que tem uns professores que se identificam com um, tem aqueles que participam dos dois. A tarde por ser 3° ciclo, então é trabalhado assim um pouco mais isolado, não de uma forma integrada igual de manhã. Eu acho até pela postura mesmo do terceiro ciclo, mas isso está se quebrando. A gente pretende que se torne uma coisa assim mais do grupo. Isso é mais difícil mesmo. Mas a gente está querendo conseguir um trabalho de uma forma mais integrada” (Diretora).
“Se for uma demanda da escola, às vezes faz sim. Agora se for uma percepção do professor dentro da escola, ele traz o projeto sozinho e conversa com o grupo e daí do grupo vem a aceitação. Por exemplo, esse projeto da África quem trouxe essa idéia inicialmente foi a professora de português, achei muito interessante a forma como ela quis trabalhar e aí eu aderi naturalmente, não teve problema não” (Professor 3° ciclo).
Os alunos observam que a maioria das atividades de EA não são desenvolvidas no coletivo. Cada professor faz o seu trabalho, cada turma tem a sua programação. Mas entendem que as outras turmas também trabalham com atividades iguais as deles, mas cada uma faz a sua. Algumas visitas são feitas em conjunto com outras turmas, então outras professoras também participam. Mas não conseguem observar um trabalho coletivo.
“A minha professora tem o horário só dela, mas só que as outras professoras também ajudam a falar do meio ambiente. A professora de matemática estava passando probleminhas de meio ambiente. A de português também fala muito. Mas cada um fala na sua aula” (Aluno 2º ciclo).
Os responsáveis afirmam que a escola realiza muitas atividades sobre meio ambiente que envolve muitos professores, várias turmas e a coordenadora de EA, afirmando que existe um trabalho coletivo.
Para os professores, coordenadores e diretora a maior parte das atividades de EA aborda o cotidiano do aluno, seus conhecimentos, seu bairro e sua realidade, e essas discussões se ampliam para as questões globais ou mais amplas.
“Por exemplo, com esse projeto da África, a gente pode tratar do desmatamento da África, mas a gente pensa assim até que ponto é importante tratar disso para um menino daqui do bairro? Será que não é mais importante aprender o que está próximo deles? Então a gente concilia as duas coisas. Nesse projeto a gente trabalha a África e faz um paralelo com a realidade deles, tentando desmistificar esse preconceito racial. Porque você sabe que 90% da nossa escola é formada por negros e auto-estima aqui na escola é bem baixa” (professor 3° ciclo).
“Um estagiário da UFMG que trabalhava aqui disse pra gente: ‘é bacana esse projeto, mas vocês não poderiam trabalhar ele numa perspectiva mais global não?’. E foi aí que nós começamos a trabalhar com essa perspectiva mais global, do ambiente como um todo. Daí junto com o Manuelzão que tem essa idéia de bacia hidrográfica que é muito legal. Porque a questão da gestão da bacia você não percebe só a questão da água em si, mas vai perceber a questão da relação da água com a questão do esgoto, da saúde pública, da fauna da região, da vegetação, então acho que isso ampliou bastante a nossa visão” (coordenador manhã).
Os alunos e responsáveis dizem que as atividades abordam temas como questões do bairro, da Lagoa da Pampulha e questões internas da própria escola, afirmando desta maneira que a escola trabalha com a realidade local.
Para os professores, coordenadores e diretora as atividades que envolvem a comunidade não são muito freqüentes. As pessoas do entorno são sempre convidadas para os eventos, reuniões, festas, seminários, passeatas, a escola está sempre aberta para quem quer participar, mas são poucas as pessoas que se interessam. O que tem ocorrido com mais freqüência são os alunos levarem seu conhecimento para a casa, assim como pessoas da comunidade que participam das atividades de EA também o fazem. Então de certa forma a escola tem disseminado conhecimento sobre as questões ambientais para o bairro onde se localiza. Entre as atividades de EA de que os responsáveis e pessoas da comunidade mais participam, mesmo em número reduzido, estão as reuniões do Conselho Ambiental da escola e de alguma mobilização que a escola faz em benefício do bairro.
A coordenação e a direção expõem também que há desinteresse da comunidade em participar de atividades na área ambiental, assim como em outras áreas, pelas próprias
condições estruturais do bairro, onde moram residentes com baixíssimo nível socioeconômico, ainda existem casas sem saneamento básico, sendo um local de extrema violência. Ou seja, inferem que essas pessoas estão ocupadas com preocupações cotidianas maiores do que participar da escola e não vêem essa instituição como uma potencial aliada nas reivindicações do bairro. Uma das coordenadoras ressalta que uma das grandes participações da comunidade foi pela mobilização para acabar com a vala em frente a escola, que a mesma denomina de “buracão”. Foi articulada a construção de uma área de lazer, já que o “buracão” trazia problemas para o bairro todo, sendo um espaço em que se jogava lixo, proporcionando doenças e era utilizado como ponto de drogas e violência.
“Olha a comunidade aqui participa é através das associações de bairro, quando é uma coisa assim muito de interesse deles, do bairro, pra promover melhorias do bairro, então eles se organizam muito. Agora para participar, a gente chama os pais aqui para resolver alguma questão pedagógica do filho, ou da própria escola, eles aderem menos. Eles não participam muito não. Mas eu achei que no Dia Internacional da Água, a gente saiu pra fazer uma passeata com os meninos, e caminhamos até a nascente. Aí os pais realmente participaram mais, eu vi que eles saíram mais pra fora de suas casas. Um pai de um aluno comentou que está preocupado, falou que eles estão querendo acabar com a nascente ali, porque vai aterrar um pedaço e vai acabar com nascente, então ele estava preocupado já com esse aspecto de soterrar a nascente e ela acabar” (professor 2° ciclo).
“A comunidade está sempre convidada para as atividades, mas não dá muito valor pra essas coisas. Quando você vai falar sobre essas questões ambientais, sobre a nascente, eles não têm muito interesse não. Acho que é questão de educação mesmo. No dia que a gente reuniu com os pais aqui pra falar do nosso projeto, eles queriam o kit de material que a prefeitura estava mandando, não se interessaram em olhar os nossos projetos, as nossas atividades. A gente tem fotos dos meninos deles, a gente faz clipe com os meninos entendeu. E eles não tiveram muito curiosidade. Então a nossa comunidade às vezes não agradece” (Coordenador tarde).
Muitos alunos e os responsáveis dizem que a comunidade não participa ativamente das atividades na escola, mas que levam junto com os alunos muitas informações sobre o que aprendem para casa e para os vizinhos, como a questão da dengue, a importância da nascente, as questões do lixo, da reciclagem, etc.
“Quando a gente vê o vizinho assim... ele fala vou cortar aquela árvore. A gente fala que não é pra cortar, porque um dia aquela árvore vai fazer falta para os netos dele... E também, eu assim dentro de casa só fico fazendo coisas para economizar o meio ambiente. Eu economizo as águas da minha mãe, quando minha mãe deixa uma água lá aberta eu falo com ela... a torneira está com vazamento, enquanto o encanador não vai lá, eu deixo um balde lá e essa água eu estou guardando para lavar o quintal. E na minha casa eu guardo todo o tipo de
coisa nas cestas de coleta seletiva pra quando passar a coleta seletiva da associação eu vou deixar o plástico, o papel, o vidro e o metal” (Aluno 2º ciclo).
Os responsáveis dizem ainda que quando comunidade participa é porque se trata de algum assunto de interesse, como na época da construção do parque no lugar do “buracão”. E nesse aspecto concordam que a escola tem uma boa relação com a comunidade, se unindo frente à busca por melhorias no bairro.
“No conselho ambiental que eu achei mais interessante esses negócios, que ela mostra sobre a bacia da água, do Rio das Velhas. Explica para nós, como a água é tratada, aí a gente dá até mais valor, aquela que está saindo da torneira, tanto sacrifício por tanto caminho que ela vai passando até chegar na torneira limpinha. E a gente vai passando pra frente. Eu oriento as outras mães que não participam que não vem nas reuniões, porque sempre nós estamos aqui. Dia a dia eu entro aqui, eu estou participando. Então eu acho que as mães tem que seguir a escola pra poder ver o que os filhos estão fazendo, mas muitos não fazem isso” (Mãe).