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En forståelse hentet fra de voksnes verden

No tocante, às relações de sociabilidade que vislumbrei na pedra do peixe, e que foram debatidas no meu trabalho procurei me inspirar no conceito trazido por Simmel (1973) e reforçado por outros estudos sequenciais, como por exemplo, na maneira que Marilyn Strathern, no seu clássico trabalho O Gênero da Dádiva (2006), que à luz da teoria de sociabilidade desse autor clássico, nos mostra que o uso desse termo, como Strathern nos chama atenção, tem a ver com a constituição social e moral de “relatedness”, ou seja, o estado de estar relacionado. Seguindo Strathern, e sua análise acerca das sociedades melanésias, além de procurar demonstrar o lado moral e o lado social da sociabilidade construída em torno da pedra por seus diferentes atores sociais, também busquei reforçar tal como essa autora faz, que a produção da sociabilidade decorre da ação humana nas suas mais diferentes e variadas formas.

Além disso, através da teoria de Simmel, procurei mostrar que nas relações de sociabilidade na pedra pode-se observar, do mesmo modo como esse autor evidenciou em sua pesquisa, que há uma diferenciação entre sociação e sociabilidade, o que pode ser observado na pedra, onde ocorrem relações mais fluidas, passageiras, como a simples compra e venda do

pescado, ou seja, do tipo sociação, assim como ocorrem relações mais profundas, intrínsecas e duradouras entre agentes diversos, conceituadas por Simmel, como sociabilidade (2005; 2006).

Mauss (2003)trouxe sua rica contribuição às ciências sociais com a teoria do fato social total e teoria da dádiva, usadas nesta pesquisa. Polanyi (2012) ao apresentar a diversidades de sistemas econômicos aponta para a possibilidade de compreender dinâmicas específicas a partir de suas lógicas próprias de funcionamento, sem ter como referência necessária o mercado autorregulado. Como ocorre com a economia local empreendida na Pedra, a qual é regida pela própria sociedade, como uma economia que embora faça parte da economia de mercado é ao mesmo tempo popular, no sentido de que impera a informalidade dentro de um microcosmo específico com regras próprias e culturais.

Em meu trabalho procurei analisar que as relações sociais em torno da pedra são sempre relações culturais e, portanto, acima de tudo simbólicas, pois me deixei guiar pelos ensinamentos antropológicos que veem a cultura como simbólica, sobretudo, pelo postulado de Clifford Geertz, que conceitua a cultura como uma teia de significados tecida pelo próprio homem, essa teia orienta a existência humana, isto implica dizer que trata-se de um sistema de símbolos usados pelos indivíduo em interação recíproca. Para isso, acompanho a mesma definição de símbolo dada por esse autor, que o entende como qualquer ato, objeto, acontecimento ou relação carregada de significado.

Nesse sentido compreender o homem e a cultura é interpretar essa teia de significados, e o papel do cientista social seria o de buscar interpretar essa teia de múltiplos significados tecidas pelos homens no seu convívio em sociedade. Ainda em Geertz, ao definir a cultura como um campo simbólico e o trabalho do antropólogo em interpretá-la, esse autor chama atenção para o fato de que a interpretação antropológica sempre é uma tarefa de segunda ou terceira mão, uma vez que o pesquisador jamais será o “outro” e seu ponto de vista ou argumento sobre a cultura alheia também estará contaminada por sua própria cultura bem como pelas teorias científicas que trouxe para interpretar seu campo de pesquisa.

Desta forma, ao seguir os princípios teóricos de Geertz escolhi a pedra e as relações sociais que envolvem sujeitos diversos em torno dela como um texto possível de compreendermos as ações humanas que ocorrem no Ver-O-Peso em função do pescado e sua circulação pela malha urbana de Belém, em decorrência do papel central que ela ocupa nesse processo, uma vez que nela ocorre a recepção e a distribuição desse produto que é o pescado. Contudo, sem perder de vista, que minha interpretação é apenas mais uma interpretação

possível sobre esse fenômeno social, ou seja, em termos de Geertz, uma interpretação de segunda, terceira mão.

Polanyi (2010) em “as origens de nossa época”, traz a visão de que as relações comerciais são agregadas de outras relações que vão além da simples compra e venda. Nas relações comerciais do pescado isso fica evidenciado, tanto na Pedra como nos pontos de comercialização do pescado na malha urbana de Belém.

Santos (2008) com sua obra “Metamorfoses do espaço habitado” trouxe uma contribuição que deu muita base para a discussão do lugar, do espaço urbano, dos fixos e os fluxos, assuntos necessários para relacionar ao fluxo do pescado em Belém e seus locais fixos ao longo da malha urbana, onde os consumidores finais encontram tal produto. Em “Economia espacial”, Santos (2011) faz um uma crítica ao sistema que favorece ao grande capital internacional, apresentando alternativas fundadas nas particularidades mais próximas das populações exploradas pelo sistema que lhes demonstra desinteresse. Dentro dessa linha, Santos (2011) trata dos circuitos no sistema urbano, a viabilidade do comércio moderno, inovações, vendas e redes de difusão, onde afirma que “cada indivíduo participa de uma ou mais redes [...]”.

Nos estudos da antropologia econômica encontrei Sahlins (1978), que pesquisou as sociedades tribais para trazer mais compreensão das sociedades complexas e o consequente entendimento que “uma sociedade afluente é aquela em que todas as vontades materiais das pessoas são facilmente satisfeitas” (SAHLINS, 1978, p. 7). Como outros referenciais bibliográficos e etnográficos desta pesquisa, foram utilizados dados advindos de estudos anteriores realizados sobre o pescador, suas atividades e suas relações socioeconômicas na Amazônia, até chegar ao Ver-o-Peso, o qual tem sua história coincidente com a própria história de Belém, com destaque para sua referência espacial e simbólica, suas práticas econômicas e culturais, seus fluxos de bens de consumo que entram e saem, diariamente, daquela feira que funciona como um porto de entrada e, ao mesmo tempo, um ponto de distribuição diária de produtos.

Dentro dessa linha, a estratégia de pesquisa utilizada consultou autores que anteriormente escreveram, realizaram estudos e pesquisas socioantropológicos empreendidos quanto aos assuntos diretamente abordados nesta tese, como também de modo correlato.

Desse modo, encontrei Alex Fiúza de Mello (1985), que realizou e publicou pesquisa abordando “A Pesca sob o Capital” onde traz a análise quanto a tecnologia a serviço da dominação. A obra de Mello (1985), em sua pesquisa, faz um amplo estudo sobre as relações de poder estabelecidos entre capital e trabalho no próprio mundo da produção, onde a

tecnologia e o processo de trabalho se transformam em armas de dominação. Seu objeto de trabalho é “A instalação do reino do primado da máquina e suas consequências junto à categoria dos pescadores amazônidas” (p. 3). Obra que trouxe muito esclarecimento quanto ao modo de vida dos trabalhadores da pesca no mundo da máquina e do capital financiador da produção em massa e gerador de novos modos de relacionamentos entre atores sociais envolvidos nessa atividade.

Os estudos de Lourdes Furtado (1987 e 1993) trouxeram muitas contribuições a esta tese,nos quais a autora trabalhou com pescadores do litoral do Pará e do rio Amazonas quanto aos conhecimentos e modo de vida desses grupos sociais, abordando os aspectos fisiográficos, ocupação, configurações espaciais e poder adaptativo desses atores sociais em relação às modernizações nos meios de transportes e comunicação, bem como sua organização social e econômica, até os conflitos mais emergentes, quais são semelhantes em todo o universo amazônico em se tratando da atividade de pesca artesanal.

Leitão (1997) realizou um estudo sobre o pescador regional e as políticas de desenvolvimento da pesca no Brasil, que se constitui uma referência quanto aos aspetos sociais e organizacionais desses trabalhadores da pesca. Organizou a obra “Ver-o-Peso: Estudos antropológicos no mercado de Belém” onde reuniu uma coletânea de pesquisas socioantropológicas [...] “sobre este lugar emblemático na cidade de Belém” (LEITÃO, 2010).

Corrêa (2009) foi um pioneiro neste assunto, abordado nesta tese, com seu trabalho intitulado: Pescadores, balanceiros, vendedores de café. O autor trouxe a comercialização do pescado no Ver-o-Peso como fruto de pesquisa realizada para seu Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, ao término do seu curso de Ciências Sociais na Universidade Federal do Pará, sobre a Pedra. O trabalho de Corrêa (2009) resultou em um artigo publicado no livro organizado por Leitão (2010), no qual, Corrêa e Leitão versam “sobre os trabalhadores que atuam no desembarque de pescado no Mercado do Ver-o-Peso”. Mais precisamente sobre “o processo de comercialização na Pedra”.

O trabalho de Corrêa, com a contribuição de Leitão, é referência anterior ao empreendido nesta tese, que tem em comum a Pedra do Peixe, embora haja uma significativa ampliação (na tese) em relação ao seu trabalho de conclusão de curso, porque propõe a Pedra como centro das redes sociais que formam uma grande Rede para fazer circular o pescado em Belém, fazendo um apanhado dessa Rede também antes do pescado chegar à Pedra e sua circulação depois da Pedra, na malha urbana de Belém. No entanto, o artigo de Corrêa e Leitão (2010) foi essencial para a gênese deste trabalho de campo, pois permitiu antever

situações e instigar a busca para investigar outras questões sociais imbricadas nesse locus, para serem detalhadas nesta pesquisa.

Violeta Loureiro (1985), em sua obra “Parceiros do Mar: natureza e conflito social na pesca da Amazônia” e mais recentemente “A Amazônia do século XXI: novas formas de desenvolvimento“ (2009), faz abordagens quanto a temática do extrativismo, principalmente da pesca na Região sob um olhar socioantropológico.

Isabel Sousa (2000) realizou pesquisa, iniciada em 1995 e avançada a partir do ano 2000, com ênfase para o sistema de crédito informal (aviamento) estabelecido entre os atores sociais que estão envoltos com o pescado na localidade de Apeú Salvador, em Viseu, no Nordeste paraense. Essa autora trouxe subsídio para comparar o tipo de aviamento por ela estudado, com o tipo de aviamento atual praticado na Pedra.

Em pesquisa antropológica e sobre a riqueza patrimonial do complexo Ver-o- Peso, Dorotéa Lima (2008), destacou a riqueza estampada nas características arquitetônicas, urbanísticas e paisagísticas do conjunto tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN, em 1977.

Quanto aos estudos da Malha, temos Milton Santos (2008), que trouxe sua ajuda com “A natureza do espaço”, “Metamorfoses do espaço habitado” e “Economia espacial”. Sua teoria dos fluxos e fixos trouxe muito embasamento para as análises e conclusões da teoria das redes sociais aplicada nesta tese, tendo a cidade de Belém como palco de ação.

Penteado (1968) com sua obra denominada Geografia urbana em Belém, que dá subsídio para interpretar o crescimento urbano da Cidade. Contribuindo no aspecto histórico- geográfico sobre a Pedra, o porto e o Ver-o-Peso, no contexto de centralidade e econômico, utiliza-se duas obras de Antônio Rocha Penteado, as quais são “Belém do Pará: estudo de geografia urbana”, de 1968, e “Sistema Portuário de Belém”, de1973, onde na primeira – em dois volumes – o autor marca a geografia brasileira com a especificidade dos estudos de geografia urbana, tomando Belém como objeto; exaltando a sua localização privilegiada no contexto físico da Região. Na segunda obra o autor detalha esse privilégio físico através do sistema portuário da cidade.

Agier (2011) que trata de lugares, situações, movimentos em sua obra denominada antropologia da cidade. Paolo Perulli que trata das visões da cidade e as formas do mundo espacial. Ainda no aspecto de coletar dados históricos sobre o Ver-o- Peso, a Pedra do Peixe, história que trata da cidade de Belém desde sua fundação busca-se Cruz (1973), Barata (1973), Meira Filho (1973), Moreira (1966) e Coimbra (2002).

Carlos (1997) que trata de estudo da “cidade e do cidadão” traz sua contribuição à pesquisa, considerando a cidade, como é percebida, bem como o espaço urbano, muito importante para esta tese e Becker (2013) com sua obra denominada “A Urbe Amazônida”, que vem tratar do estudo sobre os lugares centrais das cidades, os quais são diferentes de outros devido a contrastes, entre hierarquias locais e redes não locais, tomando com particularidades as cidades da Amazônia.

Rodrigues (2006; 2008) pesquisou e publicou resultados que focalizam práticas culturais no dia a dia de um bairro de Belém do Pará, o Jurunas, onde moradores se orgulham do pertencimento ao bairro e vivem entre as dificuldades de um bairro popular e a alegria de suas muitas festas ao longo de todo ano, onde a autora discute dentre outros assuntos a sociabilidade e o capital social dos habitantes que se autodenominam Juruneses, em uma a grande contribuição à antropologia urbana e a este trabalho. Pois na Pedra do Peixe e ao longo de todo a cadeia produtiva do pescado os sujeitos se relacionam comercialmente, mas também com o sentido mais denso de sociabilidade e utilizam o capital social para alcançar resultados a seu favor ou a favor de sua Rede.

A etnografia foi realizada com suporte de obras que relatam experiências de campo, tanto quanto as situações comuns que os etnógrafos passam nas suas pesquisas, quanto às experiências inusitadas que podem acontecer, alertando aos pesquisadores sobre as surpresas de cada campo específico, as quais só é possível enfrentar no momento em que se depara com elas, desde a entrada no campo, a aceitação do pesquisador pelos nativos e as situações cotidianas no seu decorrer.

Para dar suporte bibliográfico aos trabalhos de campo e à antropologia etnográfica, utilizou-se Malinowski (1978), Clifford Geertz (1998), Cardoso de Oliveira (2000), Gilberto Velho (1978), DaMatta (1978), José Guilherme Magnani (2000; 2008) e Firmino da Costa (1986), por suas importantes contribuições à pesquisa etnográfica.

Firmino da Costa (1986) trata da pesquisa de campo e o do método de sua execução, apontando que “um método é uma estratégia integrada de pesquisa que incide sobre a seleção e articulação das técnicas de recolha e de análise da informação” (p. 129); o autor trata da organização crítica das práticas investigadas.

Metodologicamente esta tese perpassou inicialmente pelo levantamento bibliográfico proporcionado por autores que abordaram os temas relativos à pesca e ao pescador na Amazônia, Ver-o-Peso, Pedra do Peixe, redes sociais, formação do espaço intraurbano, pesquisa de campo em antropologia. Em seguida foi realizado o trabalho de campo para construção de dados etnográficos.

Esta tese exigiu o levantamento de dados secundários junto às instituições de pesquisa e gestão pública, citadas anteriormente e outros órgãos competentes, os quais contribuíram para a compreensão dos aspectos abordados.

No campo, a pesquisa se realiza através da observação direta e da observação participante, pois só in loco se produz a etnografia para as análises e reflexões antropológicas, incluindo aí o levantamento iconográfico que traduz a realidade de determinado momento, permitindo com que fique registrado as imagens do que foi encontrado no campo; a elaboração de tabelas e gráficos como resultados das análises. As entrevistas realizadas com alguns trabalhadores envolvidos no processo também foram ampliadas e analisadas. Observação e registro dos dados concretos sobre uma vasta gama de fatos é, portanto, um dos pontos principais no método de trabalho de campo (MALINOWSKI, 1984, p. 27).

A pesquisa de campo levou em consideração as características de cada setor do campo pesquisado nos aspectos social, cultural, de economia e físico-geográfico, inserido nesse processo e assim o presente estudo visou à descoberta, através da investigação, enfatizando a interpretação em um contexto que prioriza o cotidiano dos atores aí inseridos; buscando retratar a realidade local usando uma variedade de fontes de informação; representando, ainda, os diferentes e conflitantes pontos de vista dos aspectos sociais, econômicos, culturais e de centralidade.

Nesse sentido a pesquisa de campo foi desenvolvida através do levantamento de dados primários para análises estatísticas, observação direta e participante de natureza etnográfica, visando a interpretação da realidade social, quando foram realizados os seguintes passos:

- Primeiramente o reconhecimento do campo e levantamento de dados primários, bibliográficos e teóricos, para permitir um acesso seguro ao campo de pesquisa;

- O segundo foi realizado um levantamento de dados quantitativo quanto aos tipos e quantidade de embarcações existentes nas atividades, locais de onde vem ou para onde se deslocam, equipamentos usados na pesca, na comercialização, espacialização da Pedra e quantidade de trabalhadores envolvidos diariamente;

- O terceiro passo foi o emprego de questionários e entrevistas, que foram aplicados pelo pesquisador proponente e outros pesquisadores e estudantes voluntários interessados na temática.

Dentro desse passo houve o levantamento quanti-qualitativo, tendo no primeiro momento como instrumento de pesquisa um questionário, contendo perguntas semielaboradas referentes às relações sociais e trabalho dos sujeitos de categorias específicas, selecionados

em função das suas atividades dentro da Rede e da amostragem do universo que representam, que atuam no Mercado de Ferro, objetivando uma análise consistente, para em seguida ser aprofundada com entrevistas e perguntas abertas para se somar às observações e anotações de perto e presente no cotidiano local. Houve exceção à Pedra, porque a abordagem desse tipo não é recomendada para pesquisar os trabalhadores que lá atuam, mas sim a abordagem direta, a observação participante e a entrevista informal.

- O quarto passo foi a realização de visitas ao campo em ordem cronológica, de modo sazonal e por prioridades, onde houve a observação direta e participante de algumas atividades diárias dos sujeitos que atuam nos locais pesquisados, com as informações detalhadas no livro diário de campo, tais informações foram aprofundadas através das análises e comparação com as questões observadas em campo a partir de coletas de dados materializadas através das entrevistas; a partir dos dados de campo houve a elaboração de tabelas para análise.

Um importante componente para uma pesquisa do nível de um curso stricto sensu é a participação em eventos científicos como congressos, seminários e outros para apresentar e publicar resultados parciais da pesquisa, porque além da apresentação e possíveis contribuições recebidas pelos outros participantes, o pesquisador pode encontra novidades, rever conceitos e procedimentos, podendo até rever a estrutura planejada anteriormente para levar a cabo sua pesquisa, além de que há mais ânimo para sua elaboração. Há a pretensão de elaborar um material de audiovisual com duração máxima de 5 minutos sobre fatos e situações mais destacadas da pesquisa, como produto final. Assim, na tese houve as análises críticas, conclusão e sugestão quanto ao assunto pesquisado; seguido da elaboração de revisão final de pesquisa que permitiu a estruturação final da Tese; finalmente foi elaborada a introdução, o resumo e preparação para a Defesa da Tese.

No trabalho de campo foi possível observar que as relações que põem o pescado em circulação se multiplicam formando rede social em volta dessa comercialização o que pode ser interpretado através da elaboração de modelos teóricos de análise de rede social. Foi notado que os sujeitos de laços fracos com os atores sociais de maior centralidade, embora distantes da relação direta desses, são responsáveis pela multiplicação das redes menores ou parciais, pois eles agem perifericamente em várias redes, sempre sem criar laços fortes, mas o suficiente para interconectar as várias redes parciais para formar uma grande Rede de distribuição do pescado na cidade de Belém.

A Rede abordada na Pedra tem todas as características teóricas para estudos sistematizados, a partir das contribuições dos autores que embasam os estudos de redes

parciais, como Barnes (2010), que para os casos estudados nesta tese, apontam as centralidades representadas respectivamente pela Pedra como local marcante na cidade e por atores sociais que representam as categorias que ali se relacionam para fazer circular o pescado em Belém, como os balanceiros Gouvêa e Tetéo que atuam na Pedra, os quais representam outros atores sociais em posições centrais semelhantes às suas, nas respectivas redes sociais parciais, interconectando-se com outros sujeitos em suas devidas posições, na Rede, como o peixeiro Pedro Sá do Mercado de Ferro ou os peixeiros Mancha e a Pingo que atuam respectivamente nas feiras da Tavares Bastos e do bairro do Guamá, dentre outras