A psicologia cognitiva, é uma área de estudo composta por dois tipos de conhecimento como, a Heurística02e a Dialética03. Na história da psicologia a principal e inicial dialética, é considerada a que se encontra entre o Estruturalismo e o Funcionalismo (Sternberg 2016).
É no estruturalismo que, segundo Sternberg, se procura perceber a estrutura da mente e as perceções pela análise desta, nos seus componentes, tais como a feição, a atenção, a memória e a sensação. Um dos criadores do desenvolvimento deste termo, foi o psicólogo alemão Wilhelm Wundt, que ficou então conhecido como o fundador do estruturalismo na psicologia. Ao longo da sua pesquisa, nesta área de estudo, este psicólogo utilizou uma imensa variedade de métodos, dos quais podemos destacar a introspeção. Introspeção, é a observação consciente dos processos de pensamento do Ser humano. O seu objetivo é reunir os componentes elementares de um objeto ou de um processo, dando-nos a possibilidade de analisar as nossas próprias perceções (Sternberg 2016).
Contudo, como alternativa ao estruturalismo, foi criado o funcionalismo, onde se pretendia a concentração dos psicólogos, mais ao nível dos processos do pensamento, ao contrário do anterior, que se concentrava apenas no conteúdo. Foi através do funcionalismo que se procurou compreender o porquê de as pessoas fazerem algo e o quê. Todavia, eram estes que sustentavam a ideia da existência de uma chave para o entendimento da mente e do comportamento humano. Todas estas questões mantinham-se em desacordo com a abordagem dos estruturalistas, que procuravam saber quais os conteúdos elementares da mente humana. Para os funcionalistas a utilização de algum dos métodos referidos anteriormente, respondia melhor a determinadas questões dos investigadores, parecendo natural para estes, a sua ligação ao Pragmatismo.
“Os pragmáticos acreditam que o conhecimento é validado pela utilidade” (Sternberg 2016, p. 8)
Deste modo, os pragmáticos consideravam que o importante não era só saber o que as pessoas faziam, mas também o que se pode fazer com o conhecimento do próprio indivíduo, acerca do que as pessoas fazem. Para estes estudiosos, a importância da psicologia para a aprendizagem e a memória, era muito elevada, pois acreditavam que esta podia trazer uma grande ajuda, para a melhoria do desempenho escolar das crianças. Embora os funcionalistas se interessassem por estes saberes, sobre a aprendizagem, estes nunca “chegaram a especificar como a aprendizagem acontece” (Sternberg 2016, p.9).
Consequentemente, esta etapa foi realizada por um outro grupo, chamado de Associonistas. Tal como o funcionalismo e o associonacionismo, que examinam os elementos da mente. Todavia este pretendeu associar estes elementos com 02 Segundo Sternberg (2016),
Heurística no contexto da psicologia cognitiva, é um atalho mental utilizado para processar informações.
03 Segundo Sternberg (2016),
Dialética no contexto da psicologia cognitiva, é um processo de desenvolvimento, no qual as ideias evoluem com o tempo pela troca de ideias.
o objetivo de obter resultados em forma de aprendizagem. Estas associações podiam resultar, de outras associações, podendo elas ser relativas a situações, às quais tendiam a acontecer ao mesmo tempo (contiguidade), ou a acontecimentos, tendo estas características ou propriedades semelhantes (similaridade). Todavia, as associações podem também provir de ocorrências que transmitam polaridades, tais como o quente/frio, o claro/escuro, o dia/noite, ... (contraste).
A partir do final de 1800, foram estudadas formas de como as pessoas aprendiam e se recordavam do material estudado. Onde, segundo Sternberg (2016), se concluiu que a repetição frequente, é uma ferramenta que possibilitava, a fixação das associações mentais de maneira mais consistente na memória, possibilitando assim, o auxílio à aprendizagem através da repetição. Tudo isto foi possível saber, devido ao estudo do investigador Herman Ebbinghaus (2014 apud Sternberg 2016). Posteriormente, surgiu um princípio denominado de 'lei de efeito'04, criado por Edward Ler Thorndike em 1898 (Schultz 2016), que consistia na utilização de um estímulo, que com o tempo, produziria uma determinada resposta se um organismo fosse recompensado por essa mesma resposta. Aqui, Thorndike, acreditava que a satisfação servia como estímulo para as ações futuras.
Todas estas ideias precederam o desenvolvimento do Behaviorismo. O Behaviorismo focava-se “na relação entre o comportamento observado e os eventos ou estímulos ambientais” (Sternberg 2016, p.11). Este estudo estava muito presente no dia-a-dia do Ser humano, em que a capacidade de aprendizagem por meio da observação, era vista tanto em crianças como em adultos.
“Esta teoria enfatiza como observamos e modelamos o próprio comportamento com base no comportamento dos outros. Aprendemos pelo exemplo.” (Sternberg 2016, p.13)
A revolução cognitiva deu-se nos meados do ano de 1950, com o aparecimento do cognitivismo através da rejeição à ideia behaviorista, em que os psicólogos pretendiam estudar a aprendizagem pelo meio da observação, levando-os a um reconhecimento de existência do pensamento. No entanto, para estes psicólogos, este pensamento era identificado como um comportamento.
Em oposição, os cognitivistas defendiam que a forma como as pessoas pensavam tinha efeito sobre o comportamento delas próprias, e assim, a forma de pensar nunca poderia ser um comportamento em si (s/a 2019). O Cognitivismo tornou-se então, uma crença da parte explicativa do pensamento humano. Foi aqui, que este se transformou numa síntese das formas anteriores de análise, como o behaviorismo, que adotou a análise quantitativa precisa para estudar como as pessoas aprendiam e pensavam, e o gestaltismo que enfatizava os processos mentais.
04 Princípio que consistia na
utilização de um estímulo, que com o tempo, produziria determinada resposta se um organismo fosse recompensado por essa mesma resposta.