O televisor é um sistema electrónico de recepção de imagens e sons, de forma instantânea, que funciona a partir da análise e da conversão da luz e do som em ondas electromagnéticas, que são depois desconvertidos de ondas electromagnéticas para imagem e som num aparelho receptor (o televisor).
Não existe consenso sobre quem foi realmente o inventor do televisor, pois muitos investigadores em diversos cantos do mundo, procuravam em simultâneo tal descoberta. Contudo, a patente está no nome de Vladimir Zworykrin, embora muitos defendam que tenha sido Philo Farnworth, que em 1927 recebeu uma patente para o tubo de varredura electrónico [45].
O primeiro dispositivo realmente satisfatório para a captura de imagens foi o iconoscópio, inventado no ano de 1923 por Zworykrin, cidadão americano nascido na Rússia. O tubo dissector de imagem, seria inventado pelo norte-americano Farnworth pouco tempo depois [44]. Era o início do aparecimento de um produto que viria a mudar a sociedade a uma escala mundial. Desde então o televisor tem vindo a vulgarizar-se, desde que foi inventado, deixando de ser um artigo de luxo para ser um meio de comunicação que se popularizou rapidamente. A tecnologia evoluiu e o preço diminuiu, tornando-se acessível à grande maioria das pessoas.
Por volta do ano de 1926, foram feitas as primeiras transmissões experimentais na Inglaterra, no Japão e nos Estados Unidos da América. O ano de 1927 marca o início das transmissões de imagens e sons. A década de 1930 serviu para a lapidação do televisor, que começou a procurar uma forma. Na década seguinte, eventos como a segunda Guerra Mundial ajudaram, de certa maneira, a acelerar o desenvolvimento dos televisores que tentaram acompanhar os avanços na tecnologia de transmissão ocorridos devido às necessidades bélicas.
popularização era a fraca qualidade que estes tinham, ainda para mais com as telas dos televisores dificilmente a ultrapassar as cinco polegadas de diagonal. A partir da década de 1940, a resolução das imagens melhorou consideravelmente, passando das sessenta linhas para as 405; os europeus e os norte-americanos estavam então na vanguarda da tecnologia.
Nos anos de 1950, após a primeira transmissão a cores no ano de 1940, dá-se o ponto de afirmação dos televisores, nesta década milhares de pessoas já tinham acesso à TV nos Estados Unidos da América, na Europa e na Ásia; o televisor fazia então parte integrante das casas de inúmeras famílias. Apesar dos rumores de transmissões coloridas desde os anos de 1940, somente em 1950/60 è que a TV a cores se popularizou. Nos anos 80 do século XX, novos aparelhos de som e imagem surgem, aliás todos os anos novas versões e concepções iam surgindo (a televisão assumia a sua típica forma); nesta década surgem com som estereofónico. No fim dos anos 90 do mesmo século aparecem os monitores de tela plana: os Plasmas e os LCDs chegam ao mercado.
Os ecrãs electrónicos espalharam-se por todo o mundo juntamente com o desenvolvimento da transmissão televisiva durante o século XX. Os televisores são hoje um objecto essencial para a sociedade actual e servem como interface de comunicação entre os homens (interface homem–máquina). No futuro, espera-se ainda que os televisores exibam novas formas de transmitir e comunicar através de novas tecnologias para a obtenção, ou criação de informação audiovisual (nova interface homem-máquina) que vai despontar no futuro; considere-se a título de exemplo a televisão 3D (Uchikoga, 2006).
No passado, a tecnologia CRT definia os padrões para as tecnologias de imagem digital, mas hoje em dia, as tecnologias de captura, armazenamento, transporte e impressão de imagens têm melhorado atingindo níveis impressionantes de qualidade de imagem, pelo que surgiu a necessidade de se produzir ecrãs com melhores desempenhos e atingindo padrões mais exigentes (Vaan, 2007). É do advento desta necessidade que surgem os PDPs (plasma dispaly panels), e os LCDs (liquid crystal displays) e começa a sua luta por um lugar no mercado.
A tecnologia tipicamente utilizada nos televisores é a CRT (cathode ray tube), a LCD, a PDP, e actualmente já estão os OLED (organic light emission diodes) no horizonte. Entre elas, a tecnologia CRT foi a única durante quase metade do século, mas a sua pesada estrutura, o seu volume e a limitada área de ecrã (apenas 40 polegadas na diagonal) ditaram o aparecimento de novas tecnologias para suprimir as demandas da sociedade. Desenvolvem-se os LCD, depois de muito esforço e tempo dedicado no progresso dos chamados FPD (flat panel dispaly), estes
surgiram no mercado nos por volta do ano de 1980, seguidos dos PDP (plasma display panel) por volta nos anos 1990 para aplicação em televisores depois de 30 anos de pesquisa e desenvolvimento (Uchikoga, 2006).
A introdução do tubo de raios catódicos preto-e-branco e a cores (CRT) nas TVs ocorreu em 1928 e em 1951. No entanto, os televisores CRT são grandes, volumosos e pesados. Essas desvantagens em combinação com o advento da transmissão digital em 1988, levaram a um movimento desde o analógico até às TVs digitais, cuja tecnologia exige monitores, telas ou ecrãs de alta definição. Isto tem provocado uma grande procura de TVs de tela plana (FPD), como o painel de plasma (PDP) e os vários mostradores de cristais líquidos (LCD), que possuem inúmeras vantagens sobre a tecnologia CRT, a qual estão a começar a substituir (Tseng, Cheng e Peng, 2009).
Os televisores de tubo raios catódicos (CRT) foram durante anos a melhor tecnologia para aplicar em monitores, tendo o melhor desempenho de imagem e o custo mais acessível. Contudo, nos anos recentes, os PDPs e os LCDs começaram a tomar o lugar do típico televisor CRT. Esta conquista a principio muito se devia ao factor forma, que era mais favorável comparado com as tradicionais “caixas” em que consistiam os televisores CRT. Mas actualmente, e principalmente no que concerne os LCD, estes encontram-se tão acessíveis economicamente que conseguiram assumir uma posição vantajosa no mercado dos televisores (Vaan, 2007). A gama de televisores LCD tornou-se a tecnologia principal para televisores em 2007, de acordo com um relatório de uma empresa de pesquisa de mercado no campo dos televisores, os embarques mundiais de LCDs em 2007 foram de quase 200 milhões de unidades transaccionados comercialmente em todo o mundo, correspondendo a 46,7% do mercado mundial de TVs (Tseng, Cheng e Peng, 2009).
Actualmente os LED (Light Emitting Diodes) como tecnologia de iluminação para os LCDs apresentam-se favoráveis como fonte de backlight e oferecem mais economia e eficiência de luminosidade, para não referir também a redução de volume que proporcionam (Vaan, 2007). Os plasmas apresentam imagens brilhantes e uma experiencia única para assistir a filmes em casa, actividade de lazer a que o marketing responde com o chamado sistema de home theater, e os OLED desenvolvem-se para vir a dominar o mercado.
Espera-se que o crescimento da economia mundial continue a ser positivo, e actualmente, os consumidores aceitam uma gama alargada de preços com limite superior, algo
qualidade de imagem, só conseguida pelos televisores mais avançados tecnologicamente; a OLED ambiciona ser essa tecnologia. Embora a indústria do televisor OLED esteja a enfrentar um percalço no seu desenvolvimento, a procura do mercado para este tipo de televisores com alta definição continua a aumentar e a indústria procura ampliar a sua capacidade de produção e acelerar o desenvolvimento desta tecnologia.
Os grandes fabricantes unem-se para fazerem investimentos conjuntos em tecnologias de última geração e em linhas de produção, de forma a conseguirem atender às demandas do mercado, num esforço para conseguirem fazer da tecnologia, OLED, uma alternativa viável, desde já. Mas a verdade é que esta é actualmente desadequada para ser produzida em massa, e para suprir as actuais necessidades do mercado de televisores de grande definição e reduzido volume. As tecnologias OLED amadurecem lentamente e são actualmente incapazes de alimentar o mercado, bem como do seu valor descer para níveis económicos que sejam aceitáveis para os consumidores (Tseng, Cheng e Peng, 2009).
No ano de 2008, e de acordo com o IBOPE (uma das maiores empresas de pesquisa de mercado da América latina, sobre o comportamento do mercado) cerca de 93% das residências no Brasil possuíam um aparelho televisivo, enquanto apenas 23% das habitações tinham ligação à internet. Este facto é demonstrativo da supremacia do televisor como meio de informação, levando a crer que o televisor para além de ter revolucionado o mundo é hoje o meio de comunicação com maior penetração à escala mundial, mesmo depois da popularização da internet [43].
Debord, considerava a televisão um reforço para o sistema cada vez mais propício às condições de isolamento, referindo que a contemplação da televisão ocupa em média três a seis horas por dia na sociedade da América (Debord, 1991). Um objecto de tão inegável importância e relevância na sociedade ao longo dos anos, o televisor, é sem dúvida alvo de muitos estudos e avanços tecnológicos, que se reflectiram e continuam a reflectir na forma do produto enquanto objecto. A subsecção seguinte apresenta algumas imagens indicadoras das alterações de forma da TV que ocorreram ao longo dos anos.