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4 Discussions on critical quality factors

4.2 Scope and content

4.2.4 Employability and transferrable skills

O CV-17 já inicia os processos argumentativos do seu texto com a apresentação de sua tese: “Os relacionamentos de hoje estão mais precoces e com menos duração” (Linhas 01 e 02). Note que ao empregar o advérbio hoje, o CV-17 produz o seguinte efeito de sentido: a de que antes os relacionamentos começavam mais tarde e eram mais duradouros. Para esclarecer sua tese e “reforçar a adesão a uma regra conhecida e aceita” (PERELMAN e OLBRECHTS- TYTECA, 2002,407), o CV-17 apresenta uma série de fatos particulares:

1. “talvez a mulher esteja mais independente e não suporte mais algumas atitudes dos

homens” (Linhas 02 a 04) 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

Namorar com amor Os relacionamentos de hoje estão mais precoces e com menos duração, talvez a mulher esteja mais independente e não suporte mais algumas atitudes dos homens, o fato é que nin- guém leva a sério a questão familiar o real sig- nificado de uma família, os jovens cada vez mais cedo iniciam sua vida sexual e o que é pior sem responsabilidade alguma, é bem comum se conhe- cer uma amiga ou amigo com apenas 15 anos de idade que já seja mãe ou pai.

Os jovens almejam a todo custo diversão, seja ela nas drogas ou no sexo, não querem mais um compromisso com os estudos nem muito me- nos com um parceiro para o namoro sério, a intensão da maioria é só ficar de forma banal. Se o namoro fosse realmente levado a sério por ambas as partes, tanto masculina quanto feminina com: respeito, fidelidade e cumpli- cidade a vida a dois não teria tanta dificulda- de para ser constituída, os filhos seriam gera- dos com mais amor e os casamentos duradou- ros seriam apenas conseqüência.

2. “ninguém leva a sério à questão familiar, o real significado de uma família. Os

jovens cada vez mais cedo iniciam sua vida sexual” (Linhas 04 e 06)

3. “os jovens cada vez mais cedo iniciam sua vida sexual e o que é pior sem

responsabilidade alguma, é bem comum se conhecer uma amiga ou amigo com apenas 15 anos de idade que já seja mãe ou pai” (Linhas 06 a 10);

4. “Os jovens almejam a todo custo diversão, seja ela nas drogas ou no sexo, não querem mais um compromisso com os estudos nem muito menos com um parceiro para o namoro sério” (Linhas 11 a 15)

Analisando o texto do CV-17, percebemos que, ao apresentar esses fatos, ele utiliza uma técnica argumentativa: o argumento da comparação. De acordo com Reboul (2004, p. 184), esse tipo de argumento é importante por “permitir justificar um dos termos a partir do outro ou dos

outro de uma mesma categoria”. Desse modo, o CV-17 confronta, ainda que implicitamente, os

Jovem de hoje: Jovem de antes [informação implícita no texto, mas deduzida pelo leitor]:

x “Não leva a sério à questão familiar” (Linha 05);

x “Desconhecem o real significado de uma família” (05 e 06).

x “Cada vez mais cedo iniciam sua vida sexual” (Linhas 06 e 07);

x “sem responsabilidade alguma”

(Linha 07 e 08);

x “Não querem mais um compromisso com os estudos nem muito menos com um parceiro para um namoro sério” (Linhas 12 a 14);

x “Só querem ficar de forma banal”

(Linha 15).

x Levavam a sério à questão familiar;

x Conheciam o real significado de uma família;

x Iniciavam a vida sexual de acordo com o padrão social vigente;

x Eram mais responsáveis;

x Eram mais comprometidos com os estudos e com o parceiro para um namoro sério;

x Viam o namoro como a via natural para o casamento e a construção da família.

Como podemos perceber, o CV-17 deixa transparecer, ainda que de forma não marcada no texto, a voz do outro, que aparece em contraposição ao comportamento assumido pela juventude deste século. Essa voz é que vai permitir a visualização de valores da sociedade tradicional (família, estabilidade, responsabilidade, compromisso, casamento, filhos) que praticamente estão se tornando bastantes elásticos na atualidade, mas que são muito importantes para o relacionamento social.

Desse modo, o CV-17 justifica sua posição em defesa da tese e sugere à sociedade (os jovens em especial) o namoro como a melhor forma de relacionamento por estar fundamentado essencialmente num valor essencial para a vida a dois: o amor. Vejamos abaixo:

“Se o namoro fosse realmente levado a sério por ambas as partes, tanto masculina quanto feminina com: respeito, fidelidade e cumplicidade a vida a dois não teria tanta dificuldade para ser constituída, os filhos seriam gerados com mais amor e os casamentos duradouros seriam apenas conseqüência” – (Linhas 16 a 22).

Daí, verificamos que o CV-17 conhece as regras do gênero solicitado: ele apresenta o tema, discute-o, refuta o pensamento contrário ao dele, posiciona-se em defesa do namoro, utiliza-se de uma linguagem impessoal, generaliza o sujeito (os verbos estão empregados na terceira pessoa do plural: “iniciam”- Linha 07; “almejam”- Linha 14; “seriam”- Linha 20)).

Observamos também que o título dado pelo CV-17 ao artigo de opinião, “Namorar com

amor”, parece ser bastante coerente, pois estabelece um vínculo com informações textuais,

orientando o leitor para a aceitar a tese defendida pelo CV-17 no texto do vestibular.

O ethos do CV- 17, revelado no texto, é de uma pessoa sensata, prudente, consciente de seu papel social e defensor de uma forma de relacionamento estável e fundamentada no amor. Para o CV-17 o casamento, então, seria nada mais nada menos que a coroação da vivência dessa forma de relacionamento.

3.1.18 Texto do Candidato ao Vestibular 18 (TCV- 18)

CV-18 inicia os processos argumentativos do seu texto buscando estabelecer um diálogo com o auditório, através de uma indagação bastante pertinente sobre os padrões de relacionamentos da atualidade: o ideal é “ficar”, namorar ou ambas as opções?(Linha 03).

De imediato, o CV-18 assume a tese de que o ato de ficar é uma criação da modernidade, não se constituindo na forma de relacionamento ideal (penso que o “ficar”

não é o ideal para um relacionamento [...], sendo ,mais um dos conceitos desses tempos modernos- Linha 04/ 20). Para justificar o seu ponto de vista, ele recorre a um argumento quase-

lógico: o argumento da definição, a fim de caracterizar duas formas de relacionamento atuais: o “ficar” e o “namorar”. Para o CV- 18:

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 Tempos modernos?

Fala-se muito, nos dias atuais, em novos, e na verdade não tão novos, padrões de comportamento. Tais padrões aplicam-se também aos relacionamentos a dois, o ideal é “ficar”, namorar ou ambas as opções?

Na verdade penso que o “ficar” não é o ideal para um relacionamento, mas antes que me perguntem porque, vamos aos argumentos:

O tipo de relacionamento que se entende como “ficar” consiste em trocar carícias, afetos, beijos e etc. com a pessoa sem ter um compromisso com esta pessoa. Sendo que a duração do “ficar” pode ser de algumas horas apenas e esta tal pessoa pode variar bastante, mesmo em uma única noite. É praticamente um “carpie diew” dos dias atuais. Já o relacionamento conhecido tradicionalmente como “namoro” caracteriza-se não só pela troca de afeto supracitada, mas também pela troca de confiança, cumplicidade, amizade, e uma série de outros fatores que oferecem uma maior segurança e estabilidade ao

relacionamento.

É notória a necessidade humana de ser amado e tal necessidade excede os limites do “ficar”.

Diante de tais argumentos, penso no “ficar’ como uma relação incompleta que não satisfaz devidamente as necessidades humanas, sendo pois mais um dos conceitos destes tempos modernos que na verdade mostram-se retrógrados, limitando o ser humano a uma eterna busca de satisfação.

1. O ato de ficar é um tipo de relacionamento que envolve um certo erotismo,