O plano de gestão do Geoparque da Floresta Petrificada de Lesvos compreende um conjunto de atividades – que visam a promoção das caraterísticas culturais e naturais da região, fomentar o geoturismo e a educação ambiental e, acima de tudo, encorajar o desenvolvimento económico da área – e que podem ser discriminadas em nove categorias: investigação, conservação, monitorização (das atividades de investigação, e da necessidade e aplicação de estratégias de conservação), interpretação/ comunicação, educação, turismo (geoturismo), cultura, economia/ desenvolvimento económico, networking.
Investigação
Os trabalhos de investigação desenvolvidos pelo geoparque dirigem-se sobretudo a dois alvos de estudo: à floresta petrificada e à atividade geológica da região (sismicidade e vulcanismo). O que se encontra previsto pelo Plano de Gestão do geoparque, compreende: identificar, mapear e registar as estruturas vulcânicas e os fósseis nos seus respetivos locais de origem; escavar e expôr cuidadosa e minuciosamente vestígios de paleoflora; estudar (identificar) os processos geológicos que originaram a floresta petrificada; interpretar os mecanismos e as condições da petrificação; descobrir/ localizar troncos petrificados que estavam enterrados (recorrendo a métodos geofísicos avançados); recolher, estudar e identificar, de forma sistemática, os fósseis; limpar, conservar e recuperar (esteticamente) os fósseis em laboratório.
Conservação
No campo da geoconservação13, a proteção das áreas com abundância de fósseis, é um dos objetivo
prioritários. Cuidados especiais foram tomados para proteger os fósseis da Floresta Petrificada de Lesvos. As áreas ao ar livre, que estão abertas para os visitantes, estão rodeadas por cercas e estão organizados de modo a assegurar a máxima proteção dos fósseis. Os muros de pedra e as cercas de madeira utilizados, na proteção dos fósseis e suas áreas, enquadram-se bem com o meio natural que os rodeia. Em algumas áreas foram construidas tendas (nos parques de Sigri e Plaka) e um abrigo especial – no parque de Sigri – por forma a proteger, de determinadas condições meteorológicas, os fósseis particularmente mais sensíveis. Quando necessário os fósseis são sujeitos a medidas de proteção química.
Em colaboração com a Administração Florestal de Lesvos, o museu supervisiona as escavações e os trabalhos técnicos levados a cabo na região, de modo a proteger e recolher fósseis que possam ser descobertos. Quando um fóssil é localizado, uma “escavação de resgate” é levada a cabo de forma a remover o fóssil – quando possível – do geossítio e transportá-lo para o museu, para limpeza, conservação e estudo. Fósseis de frutos e folhas são sempre transportados para o museu, para conservação e proteção, dado que são muito sensíveis e podem, muito rápidamente, ser danificadas pela erosão se permanecerem ao ar livre. Quando são feitas descobertas, particularmente importantes, são tomadas todas as medidas 13 Conservação e gestão do património geológico e processos naturais a ele associados (Brilha, 2005).
apropriadas para a sua conservação in situ.
Monitorização
Equipas de conservação controlam anualmente todos os geossítios com fósseis. Teoricamente, são feitos, todos os anos, vários relatórios de avaliação e controlo, sobre as estratégias de conservação. Por exemplo, nos relatórios dos últimos três anos, ter-se-á confirmado a conservação, de cerca de 300 items, bem como, reportado a conservação, de 20 novos sítios com fósseis. O museu tem um programa de limpeza de fósseis e geossítios, sendo esta limpeza e manutenção feita anualmente.
Interpretação e comunicação
A interpretação é feita através de:
• Paineis informativos e interpretativos; • Folhetos, livretos e livros;
• Exposições periódicas, conferências, seminários e colóquios; • Eventos culturais e programas direcionados a voluntários; • Programas educativos.
O geoparque comunica com vários grupos de interesse – tais como média, outros geoparques, organizações Gregas e internacionais (UNESCO), universidades e escolas (gregas e internacionais), entidades e organizações responsáveis pela educação (em Lesvos e noutras partes da Grécia), etc.
O museu proporciona visitas guiadas e exposições periódicas. Para grupos especiais – v.g participantes em eventos/ encontros/ conferências científicas; grupos universitários e escolares, visitantes especiais de Lesvos, etc. – são realizadas visitas guiadas aos parques.
As ferramentas de comunicação incluem: • Internet: e-mails e o website;
• Cartas, posters (apresentados nas exposições);
• Convites especiais (para diferentes eventos culturais, científicos, etc..); • Revistas, jornais, televisão e rádio;
• Conferências, encontros científicos, e Cursos de Formação para Professores; • Impressão de exposições periódicas;
• Folhetos informativos para os visitantes;
• Folhetos informativos e edições especiais para divulgar por outros lugares de Lesvos, Grécia e onde ocorram eventos relacionados;
Educação
Há diversos programas educativos para os diferentes níveis de escolaridade (pré-primária, primária, ensino básico: 2º e 3º ciclo e ensino secundário). As atividades educativas realizadas pelo museu, tem como objetivo dar visibilidade e proteger os fósseis.
Em 1998, iniciou funções no museu a primeira rede de cultura educacional, a qual contou com a colaboração de duas escolas da parte ocidental de Lesvos. Visitas educativas para grupos de estudantes universitários (Gregos e resto da Europa) são também realizadas pelo museu.
Algum do material educativo criado pelo museu inclui: kits do museu, auxiliares educativos, apresentações educativas, etc. Com este material tenta-se responder às necessidades e práticas educativas modernas, por forma a ajudar na compreensão dos assuntos dos vários programas educativos. O museu tem ainda organizado muitos encontros/ seminários/ conferências que se destinam ao público local e estrangeiro.
São também organizados seminários em educação ambiental para professores e conferências sobre programas educativos em áreas protegidas, monumentos e museus, para um grande número de professores de toda a Grécia.
Geoturismo14
O Geoparque da Floresta Petrificada de Lesvos apresenta um grande potencial para o desenvolvimento de atividades geoturísticas, incluindo a organização de visitas a locais de interesse, com a apresentação, simultânea, de geossítios de grande valor científico, educacional e estético, e caminhadas combinadas com visitas guiadas e apresentações de vídeo. Atividades de observação natural – da flora e fauna (nomeadamente, de répteis e aves) – estão também disponíveis nas áreas dos parques. Aqui, nenhuma intervenção humana é permitida, o que permite que os ecossistemas naturais possam recuperar a forma original que tinham antes da atividade humana afectar a região.
O património natural do geoparque está combinado com um importante número de monumentos culturais, que remontam à antiguidade, das épocas bizantinas e otomanas, bem como, com as aldeias pitorescas modernas e povoações que oferecem um destino ideal para a descoberta e recreação.
O centro das atividades geoturísticas é o Museu de História Natural da Floresta Petrificada de Lesvos, em Sigri, que possui uma equipa bem treinada, capaz de servir os visitantes mais exigentes. As informações e reservas também estão disponíveis no centro de informação do museu, em Mytilene.
14 «Turismo que sustenta e incrementa a identidade de um território, considerando a sua geologia, ambiente, cultura, valores estéticos, património e o bem-estar dos seus residentes» Declaração de Arouca (2011)
Cultura
Muitas são as atividades que têm no museu o seu único pilar/ palco ou ponto de partida. Neste pressuposto, todas as formas de atividades culturais criativas, que podem ser acolhidas/ patrocinadas, estão inseridas nesta permissa. O museu fomenta e oferece, de uma forma substantiva, “a cultura” à sociedade (em especial à local) realizando (no Verão) vários eventos culturais, tais como: concertos/ teatros/ exposições de pinturas, de esculturas e de fotografia, palestras, encontros científicos, etc.
Desde 1999, realiza-se um Festival de Agroturismo que é patrocinado pelo museu, com o objectivo de preservar, quer a tradição, quer a criatividade contemporâneas, dos produtos da área do geoparque.
Economia (desenvolvimento económico)
De forma direta, o geoparque apoia o desenvolvimento económico, uma vez que cria postos de trabalho. O staff do museu é constituido por cerca de 25 postos de trabalho permanentes, sendo muitas destas tarefas desempenhadas por habitantes locais. Por outro lado, o museu tem um local destinado à exposição e promoção de diversos produtos locais e artesanato, designadamente de produtos das diferentes cooperativas de mulheres da área do geoparque. Outro contributo dado pelo geoparque, para o desenvolvimento económico local, embora seja um pouco mais indireto, mas com grande importância, é o fato do museu funcionar como uma espécie de chamariz e atração de turistas para esta região, o que, consequentemente, resulta no aumento de clientes que usam os diferentes serviços comerciais nesta área. Prevê-se que o fluxo de turistas possa, ainda, originar o aparecimento e criação de outros serviços (novas infra-estruturas), que anteriormente não existiam. A realidade do geoparque contribui assim, para a possibilidade de mais dinheiro/economia circular – e se verificar um maior desenvolvimento local.
Networking
O geoparque coopera com várias organizações. De entre as colaborações internacionais destacam-se as estabelecidas com: a EGN; a UNESCO e a GGN; quatro geoparques da GGN – Zhangjiajie Global Geopark, Mount Lushan Global Geopark, Sanin Kaigan Global Geopark (Japão) e Nindge Global Geopark (China) – com quem assinou um compromisso oficial de colaboração; e o Eurosite. Refere-se ainda que o geoparque realiza intercâmbio de exposições (temporárias) com outros geoparques.