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Empirical studies investigating the determinants of satisfaction

Serão abordados neste capítulo os objetivos a que se propõe este estudo, os materiais utilizados e as etapas de realização da pesquisa.

3.1 Objetivos

Como objetivo principal deste estudo, procurou-se identificar as principais características macro-organizacionais do sistema de organização do trabalho da rede produtiva just in time que impactam na gestão integrada dos riscos de acidentes e de LER/DORT pelos operadores de prensas em uma empresa terceira, e a partir desse ponto estratificar em objetivos específicos as seguintes questões:

i) Quais são os fatores que intervêm sobre as possibilidades de gestão do risco em situação real de trabalho?

ii) Quais são as estratégias utilizadas pelos operadores para gerir a variabilidade e os riscos que se apresentam no trabalho?

iii) Quais critérios podem derivar a gestão integrada de riscos de acidentes e adoecimentos por LER/DORT a partir da análise da atividade de trabalho?

Para a busca das respostas que este estudo se propôs a alcançar, aplicou-se a metodologia da análise ergonômica do trabalho, proposta por Guerín et al. (1997) e Wisner (1987), e a transformação dos conceitos através da perspectiva ergológica de abordagem do trabalho.

3. 2 Materiais utilizados e métodos de observação

Foram utilizados durante as observações da atividade de trabalho registros com papel e lápis, contagens de tempo dos ciclos reais com cronômetro, gravações em máquina digital para análise e validação dos observáveis pelos próprios operadores em confrontação. Antes das observações gerais foram coletados os dados relativos à produção nas diversas áreas da empresa, como: logística, setor de cronoanálise do trabalho, manutenção, produção, serviço médico, segurança do trabalho, ferramentaria e qualidade, para orientar as observações. Esses dados foram coletados em entrevistas dirigidas e na avaliação dos documentos referentes às anotações específicas de cada área para que se pudesse compreender o processo de produção e a forma de organização do trabalho. Em seguida, os dados foram organizados para que se

pudesse embasar a escolha do foco da análise em determinada linha e em determinado posto de trabalho.

3. 3 Análise ergonômica do trabalho

Esta análise foi realizada nos anos de 2006 e 2007, durante o processo de ampliação da empresa estudada e parte da implantação dos sistemas de segurança nas prensas. A seguir estão apresentadas as etapas da realização deste estudo.

3.3.1 Primeira etapa: a análise da demanda, a escolha da empresa, sua análise técnica e organizacional e a determinação do setor para análise

A demanda deste estudo surgiu em razão das dificuldades observadas por esta pesquisadora e vividas pelas empresas, pelos órgãos fiscalizadores e pelo sindicato durante a implantação dos sistemas de segurança nas prensas, não só da empresa em questão, mas também das demais indústrias de autopeças em Minas Gerais, conforme relatos de profissionais da área de segurança e saúde do trabalho dessas indústrias, por vivenciarem as mesmas dificuldades. As que mais se colocavam em pauta nas diversas discussões nos meios onde o tema era sempre tratado eram, além das legais e financeiras, as máquinas antigas, as exigências de produtividade, as diversas possibilidades técnicas existentes, que garantiam níveis e condições diferentes de proteção, e a questão da possibilidade de potencialização da sobrecarga biomecânica na relação do operador com os diversos dispositivos de segurança em um contexto de trabalho com características de intensidade.

A escolha da empresa para realização deste estudo se deu pela sua inserção na cadeia produtiva just in time de uma montadora em Minas Gerais e pela acessibilidade desta pesquisadora no momento histórico de implantação dos sistemas de segurança nas prensas. Toda a estrutura técnica da empresa – divisão em setores, fluxo produtivo, crescimento para atendimento ao mercado em expansão, inserção da empresa dentro da rede produtiva – e a forma como se dão as relações entre fornecedores e clientes nessa mesma rede foram objeto de análise. A partir desse ponto foi selecionado o setor de estampagem, por ser o foco desta pesquisa o estudo da atividade de trabalho dos operadores de prensas nesse contexto e a nova interface com a instalação dos sistemas de segurança. Entre os dois setores de estampagem optou-se por realizar o estudo na matriz devido à escolha da linha que ali se situava.

3.3.2 Segunda etapa: critérios para escolha da linha a ser analisada, a população trabalhadora e o trabalho prescrito

Determinado o setor de estampagem da matriz, havia a necessidade de situar a linha que seria foco de estudo. Selecionou-se a linha para as observações sistemáticas após a coleta de algumas informações que direcionaram essa escolha para quatro variáveis importantes: a variabilidade, a flexibilidade, o volume de produção dessa linha e a instalação de dispositivos de segurança. Na linha escolhida existem prensas de médio porte e uma prensa de grande porte, o que possibilita a estampagem de peças de tamanhos variados, pois permite a utilização de ferramentas médias e pequenas, aumentando a variabilidade de peças. Além disso, nessa linha foi observado que o processo seqüencial se dava de forma bem flexível: ora do início ao fim da linha como seqüência, ora do final para o início, ora utilizando mais de uma seqüência de estampagem de peças (processos diferentes dentro da mesma linha). Essa também foi a primeira linha a receber os dispositivos de segurança em várias tentativas de protótipos até o estabelecimento do sistema final. Em seguida fez-se a análise da população trabalhadora com as características principais ligadas à formação, à idade, à composição na linha e aos treinamentos, e buscaram-se informações das chefias e da área responsável pelo desenvolvimento dos ciclos de trabalho sobre o trabalho prescrito, ou seja, como havia sido determinada a atividade nessa linha de prensas.

3.3.3 Terceira etapa: foco para observações sistemáticas, análise da atividade real e o curso da ação

Nas observações sistemáticas dos postos de trabalho e da atividade dos operadores registraram-se as datas, os horários e o tempo de observação e as peças que estavam sendo estampadas. Estas tiveram o peso aferido no início e no final do processo. Procurou-se repetir a observação da atividade de trabalho com a mesma peça em dias diferentes e com outras peças que eram colocadas em processo. Durante as observações foram coletadas as verbalizações ora espontâneas, ora dirigidas por perguntas específicas após a observação de algum movimento, gesto ou olhar do operador, como forma de validação do observado. As filmagens realizadas foram analisadas sistematicamente, principalmente para que se pudessem verificar os deslocamentos, as posturas adotadas, as direções dos olhares e as nuances existentes nos diferentes modos operatórios dos trabalhadores, de modo a detectar possíveis estratégias individuais e coletivas utilizadas para o cumprimento das exigências de

produtividade e qualidade. Foi necessário retornar à coleta de dados e às observações sistemáticas sempre que ocorria alguma modificação no contexto da produção.

A primeira fase de observação se deu na linha de prensas antes da implantação dos sistemas de segurança. Já na segunda fase, os sistemas já estavam instalados e funcionando. As observações foram feitas sempre no primeiro turno, pois era o momento em que todas as chefias estavam presentes na empresa, tanto administrativas quanto de produção, tomando decisões de modificações da produção se necessárias. Foram feitas observações em momentos de estampagem de peças diferentes e procurou-se aprofundar mais nas observações de estampagem da peça considerada como a pior, devido ao seu peso, conforme verbalizado por um operador, para a realização das observações contínuas. As informações relativas às observações específicas serão detalhadas no capítulo 4.

Dentro da linha havia também necessidade de se estabelecer um foco de análise para facilitar o direcionamento da observação desta pesquisadora. Os operadores da primeira máquina da linha em seqüência habitual (do início para o fim) são os responsáveis por algumas atividades, além dos operadores que se encontram no meio. Então, novamente, o critério da variabilidade guiou a observação sistemática, pois são eles os responsáveis pelo controle do fardo de chapas, pelo ritmo da linha e pelo controle do número de peças produzidas, além das atividades que todos os outros operadores realizam.

Delimitado o foco, passou-se à fase das observações sistemáticas da atividade real mediante a coleta de dados para a busca das respostas que se colocam nesta pesquisa. Foram feitas várias observações conforme relatado na seção 3.2. Procurou-se acompanhar o curso da ação dos trabalhadores individualmente e na interação com os demais operadores da linha através de gestos, olhares, sinais, deslocamentos, posturas e verbalizações simultâneas (realizadas durante o decorrer do trabalho) e consecutivas (realizadas depois) (GUERÍN et al., 1997. p. 168).

3.3.4 Quarta etapa: análise dos resultados

Nessa etapa foram comparados os observáveis da atividade de trabalho que poderiam ser considerados como elementos de resposta às questões colocadas nesta pesquisa, à luz dos conhecimentos da Ergonomia e da Ergologia.

Mediante o observado e validado durante a análise ergonômica da atividade, foram revelados os elementos principais que condicionam e modificam os modos operatórios e analisados os valores que engendram a atividade, propiciam as interações coletivas e colaboram para a gestão dos riscos em atividade, ou seja, o agir competente do coletivo dos trabalhadores. A partir desse ponto procurou-se estabelecer alguns critérios fundamentais que devem ser utilizados pela gestão especializada em segurança para se pensar a prevenção integrada dos riscos no trabalho baseada na análise da atividade real de trabalho.

3.4 Dificuldades encontradas na análise da atividade

Muitas dificuldades foram encontradas para a realização da análise da atividade de trabalho. Primeiramente, para esta pesquisadora, houve a necessidade de adaptação e de quebra do paradigma sobre os conceitos de análise ergonômica. A formação de médica do trabalho e também resultante de especialização em uma ergonomia originada da cultura anglo- americana, baseada na análise do posto com uma visão mais biomecânica, remetia sempre a observação para a determinação de uma relação direta entre os distúrbios osteomusculares e as atividades repetitivas, no sentido de conceber projetos e melhorias para atender a essa demanda específica, o que nem sempre resolve os problemas relacionados às contingências que envolvem o trabalho.

Não se propõe aqui descaracterizar o valor que esses estudos podem apresentar em determinadas situações, mas sim avançar para um olhar mais amplo e mais profundo sobre o trabalho. Entender a complexidade que envolve o trabalho e assim conseguir propor, com a real participação dos trabalhadores, as melhorias que irão permitir a gestão dos riscos na atividade real. Alguns problemas específicos às observações em si ocorreram: a parada da linha para alguma manutenção no momento da observação; a mudança na programação da produção, que dificultou o acompanhamento da estampagem da peça considerada a mais pesada da linha; a impossibilidade de observação da linha nos primeiros momentos de instalação dos dispositivos de segurança; a impossibilidade de verificação de outros horários de trabalho com outros conjuntos de trabalhadores para validar se as condições se repetiam nas mesmas configurações.