• No results found

Em texto publicado em 1997, intitulado “Studying Social Online Networks”, Garton, Haythornthwaite e Wellman explicam que quando uma rede de computadores conecta uma rede de pessoas e organizações, isso é uma rede social. Como se sabe o conceito de rede já habitava ciências como matemática, biologia, antropologia, sociologia, entre outras, porém, com o advento da www, o conceito obteve fama e notoriedade, aos fins dos anos 90.

O mesmo ocorreu com o termo “mobilidade”, que simplesmente denota atos de movimento, de passagem. O que popularizou esse conceito foi o surgimento e evolução dos celulares, que permitem comunicação móvel, e agora, conectada à web e cheia de aplicativos.

Esses conceitos e termos são antigos, mas por conta dos avanços tecnológicos e transformações no modo como as pessoas os utilizam, eles passaram por ressignificações, e são vistos através das lentes de um mundo digital, um mundo totalmente conectado.

O homem é um ser social e possui a necessidade de se relacionar com outras pessoas. Tais relacionamentos acontecem de maneiras variadas, e atualmente, com tantas plataformas de mídia, essas formas foram ampliadas. Oliveira (1998, p. 37) afirma que “a própria natureza humana exige que os homens se agrupem. A vida em sociedade é uma condição necessária à

sobrevivência da espécie humana”. Não fazer parte de uma rede social, nos dias de hoje, é basicamente impossível.

Com o advento da internet e da comunicação mediada por computador, as pessoas começaram a produzir conteúdo além de apenas consumir. As informações passaram a ser debatidas e questionadas, e a partir dessas discussões mais conhecimento foi gerado.

Lemos firma que, a interatividade digital é como um

(...) diálogo entre homens e máquinas (baseadas no princípio da microeletrônica), através de uma “zona de contato” chamada de “interfaces gráficas”, em tempo real. A tecnologia digital possibilita ao usuário interagir, não mais apenas com o objeto (a máquina ou ferramenta), mas com a informação, isto é, com o “conteúdo”. (LEMOS, 1997).

Relacionando-se e organizando-se em grupos, constituem-se as redes sociais, essas redes sempre existiram, porém, com a Internet e as mídias digitais, elas foram transportadas para o ambiente on-line.

Por vezes observamos certa confusão com os termos redes sociais e mídias sociais, e para diferenciá-los de modo simples, pode-se dizer que “Mídia social é o meio que determinada rede social utiliza para se comunicar.” (CRIBELI, 2011)

Existem vários tipos de mídias sociais, cada uma com finalidade, operacionalidade e público-alvo diferentes. Elas podem ter foco em relacionamentos de amizade; em questões profissionais; buscar a promoção de relacionamentos amorosos; agregar e disponibilizar vídeos; compartilhar fotos cotidianas. Cada uma dessas mídias oferece a seus usuários ferramentas que facilitam a comunicação entre eles e também o trânsito dos mais variados conteúdos, compartilhados ou produzidos por eles mesmos.

De acordo com o Relatório Anual da União Internacional de Telecomunicações (2010) 26% por cento da população têm acesso à internet. Esse crescimento significativo também é acompanhado pelas redes sociais, pois estima-se que quatro a cada cinco internautas participam de alguma rede social por meio da internet.

Focando o olhar na realidade brasileira, nota-se que a tendência é a mesma e que o número de internautas cresce de modo acelerado. Segundo estudo do IBOPE Media publicado em 2013 (com dados do Net Insigth relativos

a dezembro de 2012), o Brasil ocupa o terceiro lugar em quantidade de usuários ativos na internet (52,5 milhões). O primeiro e segundo lugares foram ocupados por Estados Unidos (198 milhões) e Japão (60 milhões), respectivamente.

Sobre o tempo de acesso, o Brasil ocupou primeira posição no ranking, e em dezembro de 2012 os usuários brasileiros gastaram em média 43 horas e 57 minutos navegando na internet, sendo as redes sociais uma das principais razões.

O Brasil é considerado o país mais sociável do mundo. Segundo o Ibope Net Ratings (2010 apud FERRARI, 2010), a média de amigos virtuais no mundo é de 195 pessoas por usuário; aqui é 365, além de registrar 86% dos internautas com perfis em redes sociais na internet.

Em relação às redes sociais, as empresas M. Sense e Hi-Mídia, realizaram em março de 2012 uma pesquisa sobre o perfil dos brasileiros nas redes. Entre os entrevistados 10, 95% afirmaram utilizar sites de redes sociais, sendo o Facebook o mais acessado (HI-MIDIA, 2012). Entre os usuários do Facebook, 57% acessam o site mais de uma vez por dia. As redes, de acordo com a pesquisa, são utilizadas por uma série de razões, entre elas a “atualização de notícias e acontecimentos”. Este foi o motivo de acesso indicado por 43% dos usuários do Facebook e 58% dos usuários do Twitter. Outro fator interessante apontado é a “possibilidade de poder opinar sobre diversos assuntos”, motivo de acesso ao Twitter indicado por 37% dos usuários, e no Facebook, por 29%. Índices que confirmam o potencial das redes sociais para a divulgação de informações jornalísticas e como esfera de manifestação pública.

Os fatores que levam as pessoas a estarem presentes nas mídias sociais são vários, mas podem ser citados como mais comuns o entretenimento, acesso a uma enorme gama de informação e facilidade em se comunicar.

Com o aumento de usuários na internet e o crescimento das plataformas de mídias sociais, as redes sociais on-line estão se tornando cada vez mais definidas e com os mais diversificados perfis, compartilhando informações, expondo opiniões e marcando momentos. As pessoas passaram a pautar suas vidas e relações (pessoais ou de consumo) através da tecnologia, e as mídias

sociais digitais e dispositivos móveis em geral apenas expandiram esse comportamento, e não há como voltar atrás.

Observando esse perfil do usuário conectado, produtor e promotor de conteúdos, as organizações têm maior possibilidade de atingir seu público-alvo. Cada vez mais deve-se voltar a atenção para as mídias sociais, pois são nelas que os públicos se encontram atualmente. É recomendável que a rádio UNESP FM esteja inserida nesse meio, e estar atualizada em seu modo de pensar, planejar e agir nessas mídias, pois nelas a lógica é diferente. É uma lógica de interação, troca de experiências, percepções e conteúdos com o usuário.