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3. INITIAL PUBLIC OFFERINGS (IPOS)

3.3 IPO P UZZLES

3.3.1 Empirical Results on Underpricing

Neste capítulo abordamos a Catalogação de Assunto a partir de aspectos históricos e conceituais, que resgatou a construção dos catálogos e cabeçalhos de assunto. Os catálogos se desenvolveram com o propósito de permitir aos usuários a socialização do conhecimento. A partir dessa necessidade inicia-se a representação de assunto nos catálogos através do estabelecimento dos cabeçalhos de assunto. No entanto, durante muito tempo não houve regras que sistematizassem a atribuição dos cabeçalhos, essa atividade era feita pelo bom senso do catalogador.

Outro importante ponto apresentado foi a questão da problemática do assunto ao se definir o que trata um documento. Essa questão abarca uma série de fatores que podem gerar ruídos na Catalogação de Assunto, que deve levar em conta também aspectos éticos e sócio-culturais na hora de atribuir um assunto. Referente a isso a IFLA tem buscado estabelecer princípios que respaldem esse processo, pois a Catalogação de Assunto se caracteriza num processo de vital importância para área de representação, pois permitem o intercâmbio de informações.

O tema sobre Catalogação de Assunto é bastante amplo (embora exista uma carência de literatura) e aborda diferentes questões. A partir desse capítulo verificamos que:

x A Catalogação de Assunto se desenvolveu significativamente pela escola norte- americana;

x Cutter fundamentou parte da sistematização do processo de catalogação nos Estados Unidos. A classificação expansiva desenvolvida por ele serviu de base para construção da LCSH.

x As listas Sears e a LCSH utilizam orientações e métodos propostos por Cutter, usados na grande maioria dos catálogos das bibliotecas estadunidense;

x A Catalogação de Assunto teve sua origem na construção dos catálogos. Há indícios da sua aplicação no século XIV, pois naquela época já se sentia a necessidade de se representar por assunto;

x A presença do uso do bom senso na atribuição dos cabeçalhos de assunto evidencia a necessidade de sistematizar regras;

x Os cabeçalhos de assunto se originaram a partir do uso crescente da utilização das palavras encontradas nos títulos para representar o assunto, mas a técnica mostrou-se insuficiente, o que desencadeou a busca por regras que normatizassem a atribuição de cabeçalhos de assunto;

x Cutter foi o primeiro teórico a sistematizar a prática de construção de assunto;

x Na visão de Cutter os catálogos atuam como instrumentos de busca de informação e devem ser construídos a partir da conveniência do usuário;

x Discutiu-se a necessidade e pertinência da criação de um código internacional de Catalogação de Assunto que forneça um conjunto de princípios, fundamentação teórica e conceitual para orientar o catalogador na atribuição dos assuntos;

x A Catalogação de Assuntos pode ser considerada como um ramo dentro do âmbito maior que é a indexação alfabética de assuntos. A catalogação é vista como uma forma de indexação. A Catalogação de Assunto e a indexação são conceitualmente a mesma atividade, mas na prática elas possuem diferenças. A moderna Catalogação de Assunto não se consiste apenas em lista.

x A catalogação nos Estados Unidos é padronizada na prática pela LC o que limita alternativas de modificações. Já os índices são customizáveis e adaptáveis, pois são originários da instituição.

x Há uma tendência em distinguir os processos de catalogação e indexação a partir de seus produtos. Muitos estudos da representação refletem uma preocupação mais focada no produto final, tais como os índices e cabeçalhos de assunto;

x A LC exerce forte influência através da distribuição das suas listas de cabeçalhos de assunto. O desenvolvimento dos cabeçalhos de assunto pela LC no século XIX inovou a estrutura pela qual os catálogos eram organizados;

Como visto no decorrer do capítulo, Cutter se caracteriza como um marco teórico e histórico da Catalogação de Assunto, por contribuir diretamente para consolidação da área através da sua abordagem teórica e prática. Dessa maneira julga-se pertinente abordar a Catalogação de Assunto numa concepção histórica a partir da contribuição de Cutter para área da representação da informação.

É importante também destacarmos a importância do conceito assunto, levando em conta a presença constante na área e na própria expressão “Catalogação de Assunto”. Assim, no próximo capítulo, apresentamos o referenciaç e discussão sobre este tópico.

3 O CONCEITO DE ‘ASSUNTO’ (SUBJECT19)

Neste capítulo, temos por objetivo apresentar um panorama do conceito “assunto”, no qual abordamos um plano geral de seu desenvolvimento histórico e suas implicações teóricas, pois é um dos vocábulos fundamentais no léxico da área. Mas a exemplo de outros termos, também ainda possui divergência quanto aos seus empregos e definições.

Essa discussão tem sido desenvolvida por diversos autores no decorrer da sistematização da Biblioteconomia e de seus conceitos, e ampliou seu espectro para além da Biblioteconomia permeando toda a área de tratamento temático da informação e o universo mais abrangente da Organização e Representação do Conhecimento.

Assume-se que tal discussão é também especificamente relevante ao presente trabalho ao considerarmos, como exemplo, que na expressão “Catalogação de Assunto” o elemento principal, e ainda assim mais ambíguo é de fato o “assunto”, ou seja, é o “assunto” que será transformado em elemento representativo do conteúdo da obra após ser “catalogado”.

Também é pertinente salientar o papel da definição dos conceitos para um campo científico, e considerando a proximidade do termo “assunto” com o uso comum, é conveniente destacar que:

a) a formulação dos conceitos possibilita a ruptura epistemológica com o senso comum, ou seja, é um dos caminhos possíveis para a construção de uma ciência; b) os conceitos são os materiais empregados na elaboração de modelos científicos que, por sua vez, permitem a observação, descrição e interpretação dos objetos teóricos e empíricos de um campo do conhecimento, assim como os fenômenos presentes, passados e futuros a eles relacionados.

Galvão (1998, p.46).

Para Galvão (1998) essa construção é possibilitada a partir da postura de seus pesquisadores e profissionais, ao exigir dos mesmos: “[...] observação, reflexão e crítica das metodologias e padrões científicos vigentes”.

Relacionado a essa preocupação, o trabalho de Dahlberg (1978) também traz considerações acerca da necessidade de enquadramento adequado dos conceitos em suas esferas de utilização:

19 O termo subject, em português, é em geral traduzido por assunto. No entanto, no sentido de tentar preservar o pensamento dos autores, quando julgamos conveniente, o termo Subject foi mantido no original.

Às vezes podemos formular a respeito dos conceitos gerais apenas alguns enunciados. Dizemos, então, que sobre os objetos representados possuímos apenas noções vagas. Tratando-se da comunicação do dia a dia tal imprecisão pode não acarretar grandes conseqüências. Tais conceitos podem ser já suficientemente conhecidos ou podem também ser analisados com maior precisão. Quando, porém, se trata de linguagens especializadas as conseqüências podem ser desagradáveis. Neste caso deve-se fazer todo esforço para que os conceitos sejam definidos com toda precisão. (DAHLBERG, 1978, p.101)

Posicionamos tais considerações observando a sua pertinência para a justificativa desta seção do trabalho que lida exclusivamente com uma discussão teórica preocupada com a sedimentação conceitual de um termo já amplamente empregado.

Como observou Albrechtsen em 1993, o conceito de “assunto” permaneceu alguns anos em um “sono mágico” entre a comunidade de pesquisa em Biblioteconomia e Ciência da Informação.

Para a autora esse “sono mágico”, no entanto, é interrompido vez por outra, e o assunto retoma a sua “longa e rica história”, na qual o termo também tem sido abordado nos discursos menos pragmáticos da filosofia e da literatura (JOUDREY, 2005)

Já no discurso mais pragmático da Ciência da Informação e Biblioteconomia, busca-se para o assunto, um caráter mais objetivo, mas que no entanto, tem se mostrado ainda relativamente frágil. Como afirmam Dias e Naves (2007, p.):

A extração de conceitos tem como produto um assunto, que representa o conteúdo informacional de um texto. Parece uma coisa óbvia explicar o que é assunto. No entanto, para muitos, esse termo é considerado ambíguo. É um conceito impreciso e difícil de definir e ensinar. A essência do tema e sobre o que o autor escreveu são outras formas de designar assunto.

Para Joudrey (2005) não é difícil ir do termo assunto aos termos relacionados, mas mais filosóficos: significado (meaning), compreensão (understanding), interpretação (interpretation) e idéia (idea).

Tal discussão, embora já possua um considerável lastro na literatura internacional, tem tido ainda pouco espaço na literatura nacional, no qual podemos mencionar os trabalhos de Dias e Naves (2007), Fujita (2003), Guimarães e Moraes (2006).

Furlaneto Neto (2008) aborda essa discussão como um tópico subjacente à sua pesquisa de doutorado, na qual investiga o papel do campo assunto das mensagens eletrônicas (e-mails)

distribuídas via internet, buscando analisar sua estrutura e identificar mensagens com potencial de violação da segurança dos usuários.

Furlaneto Neto (2008) sintetiza adequadamente a questão:

[...] a abordagem específica do assunto na Ciência da Informação integra, formalmente, o escopo, ou melhor dizendo, a própria essência da organização da informação, notadamente naquilo que se convencionou denominar organização temática da informação (em contraposição à organização dos elementos extrínsecos ou descritivos da informação).

Embora os trabalhos mencionados sejam explícitos quanto à discussão do conceito de assunto em si, essa questão está também subjacente a outros trabalhos que se preocupam com o procedimento intelectual/técnico de análise, síntese e determinação dos assuntos de uma obra, ou seja, trabalhos relacionados com a representação e acesso temáticos em geral.

Dessa forma, pode-se dizer que é um conceito transversal à grande parte da Ciência da Informação.