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Empirical Research on spin-offs

O desenvolvimento da energia eólica está se tornando cada vez mais relevante e um esforço global para combater as mudanças climáticas (GROTH; VOGT, 2014; JUÁREZ- HERNÁNDEZ; LEÓN, 2014) e todos os efeitos relacionados à emissão de gases do efeito estufa, que são emitidos por combustíveis fósseis. A crise energética e o aquecimento global proporcionaram uma crescente demanda por soluções que visem à redução do consumo de energias não renováveis e tem levado a humanidade a repensar esse consumo e traçar estratégias de substituição por energias renováveis.

Nesse sentido, veem-se as fontes renováveis de energia como mitigadoras e como alternativas para reduzir os problemas ambientais decorrentes do excesso de consumo

(MARTINS; GUARNIERI; PEREIRA, 2008). Mundialmente, o uso desse tipo de energia corresponde à 12,7%, enquanto no Brasil são utilizados 45,8%, porém a maior parte provém das usinas hidrelétricas, aproximadamente 80% (BERMANN, 2008). Embora se enquadre dentro da energia renovável, essa fonte gera impactos socioambientais, englobando remoções de cidades inteiras e aldeias indígenas, alagamentos de áreas, perda da biodiversidade, etc. (EVANS; STREZOV; EVANS, 2009).

Dentre as fontes renováveis de energia, a eólica vem se destacando, considerada

uma fonte “limpa” por não emitir gases de efeito estufa. É apontada como capaz de atender

aos requisitos necessários referentes aos custos econômicos e à sustentabilidade ambiental (MARTINS; GUARNIERI; PEREIRA, 2008; JABER, 2013).

A energia eólica é obtida da energia cinética (do movimento) gerada pela migração das massas de ar provocada pelas diferenças de temperatura existentes na superfície do planeta (ANEEL, 2008). A produção de energia eólica se dá pelo aerogerador - as pás da turbina são projetadas para capturar a energia cinética contida no vento, ao se mover a partir da captura da energia do vento, elas dão origem à energia rotacional sendo transformada em elétrica pelo gerador (LAYTON, 2011).

O aproveitamento dos ventos já é utilizado pela humanidade há mais de 3.000 anos, através da moagem de grãos e o bombeamento de água, que foram as primeiras aplicações de energia eólica (MARTINS; GUARNIERI; PEREIRA, 2008). No entanto, somente em 1888, Charles F. Bruch criou o primeiro cata-vento destinado à geração de energia elétrica e o primeiro país a instalar uma turbina eólica comercial vinculada à rede pública foi a Dinamarca em 1976 (BARCELLA, 2012). Atualmente essa geração de energia elétrica é apontada como fonte de energia renovável que atende aos requisitos necessários quanto aos custos de produção, segurança de fornecimento e sustentabilidade ambiental (VRIES; VUUREN; HOOGWIJK, 2007; MARTINS; GUARNIERI; PEREIRA, 2008).

De acordo com os preceitos do desenvolvimento sustentável, essa atividade é entendida como a solução mais eficiente e eficaz para os problemas ambientais. Para Dincer (2000), a energia deve ser um dos principais fatores considerado nas discussões sobre DS, sendo as fontes de energias renováveis intrinsecamente ligadas ao DS.

Brown (2011) reforça o forte argumento utilizado na promoção das energias renováveis e o desenvolvimento sustentável. O autor apresenta que na conferência sobre mudança climática da ONU, em 2010, foi descrito uma estratégia de baixa produção de carbono e a mesma seria indispensável para o desenvolvimento sustentável.

É com base nas discussões mundiais e nos documentos internacionais que a geração de energia renovável se expandiu a nível mundial e a cada ano aumenta-se a capacidade instalada. Os Estados Unidos lideraram o mundo em adições de capacidade de energia eólica instalada durante os anos de 2005 a 2008, perdendo a posição para a China a partir de 2009 até 2011, tornando-se líder em 2012 e caindo para a 6º posição em 2013, apresentando a competitividade da atividade e o aumento no número de países que têm alcançado relativamente altos níveis de geração de energia eólica e a utilização da mesma nas suas redes de eletricidade (WISER; BOLLINGER, 2014).

A capacidade instalada mundial da energia eólica aumentou 1.155% entre 1997 e 2007, passando de 7,5 mil para 93,8 mil MW (ANEEL, 2008). De acordo com REN21 (2015) em 2014 essa capacidade chega a 370 GW, apresentando um avanço de 771% nos últimos 10 anos (Figura 2), foi o ano com a maior capacidade instalada a nível mundial chegando a 51 GW (GWEC, 2015).

Figura 2 – Capacidade da energia eólica instalada mundial

Fonte: REN21, 2015.

O maior mercado pelo sétimo ano consecutivo é a Ásia (impulsionada principalmente pela China), representando metade da capacidade adicionada, seguido pela União Europeia com 23% e América do Norte com 13% em 2014 (REN21, 2015; GWEC, 2015). A China, hoje, é o líder mundial na produção de energia eólica e foi responsável por cerca de 45% da capacidade instalada mundialmente em 2014, seguido de longe pela Alemanha, os Estados Unidos, Brasil e Índia. Entre os 10 países que mais instalaram energia eólica em 2014 têm-se, ainda, o Canadá, Suécia, França, Itália e Turquia (Figura 3) (GWEC, 2015).

Figura 3 – Capacidade eólica instalada/ranking dos10 países em destaque

Fonte: REN21, 2015.

A Figura 3 mostra que o Brasil está entre os 10 países com a maior capacidade eólica instalada em 2014. A produção de energia eólica no Brasil cresce de forma exponencial, nas últimas décadas, acompanhando uma tendência mundial, impulsionada por alguns países da Europa Ocidental (Alemanha, Dinamarca, Espanha), Estados Unidos (JANNUZZI, 2003) e China (WISER; BOLINGER, 2014).

Estudos desenvolvidos desde a década de 1970 apontam o avanço dessa atividade, o potencial energético e sua viabilidade econômica (AMARANTE et al., 2001; ANEEL, 2002). O litoral do Nordeste apresenta-se com alguns dos melhores potenciais eólicos do Brasil, destacando-se também outras regiões como o sul do litoral do Rio Grande do Sul (ANEEL, 2002).

O discurso governamental reforça que a geração de energia eólica no Brasil apresenta-se como uma alternativa positiva nas políticas de redução das emissões de gases poluentes, cujos impactos ambientais são baixos e cuja contribuição econômica supera as demais formas de geração de energia (EVANS; STREZOV; EVANS, 2009). A atividade tem sido prioridade no Governo Federal desde 2002 com criação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas – PROINFA, que incentiva a implantação de energias renováveis no país e impulsiona a instalação de usinas eólicas por todo o país (ADECE, 2010; PEREIRA, et al., 2012).

Os dados demonstram que em 2014 houve uma produção no Brasil de 12.210 GWh de eletricidade a partir da fonte eólica, representando um aumento de 85,6% em relação

ao ano de 2013, quando se atingiu 6.578 GWh, além da expansão de 122% da potência instalada no País. A Tabela 1 apresenta a evolução da produção de energia eólica durante os últimos 10 anos, em que se percebe um crescimento constante da produção.

Tabela 1 – Produção total de energia eólica no Brasil Produção de Energia eólica no Brasil (2005-2014) GWh

2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 61 93 237 663 1.183 1.238 2.177 2.705 5.050 6.576 12.210

O Brasil possui 264 usinas de energia eólica e a capacidade instalada de geração elétrica a partir da fonte eólica no Brasil foi, em 2014, de 4.888 MW, o que proporcionou um acréscimo de 85,6% na geração de eletricidade a partir dessa fonte em comparação com 2013, com uma capacidade instalada de 2.202 MW, destacando-se o Nordeste com uma capacidade de 3.904 MW, tendo o Rio Grande do Norte com 1.625 MW, o estado que produziu a maior capacidade do país, seguido do Ceará com 1.219 MW (EPE, 2015). A Tabela 2 apresenta a evolução da capacidade de energia eólica instalada no Brasil nos últimos 10 anos.

Tabela 2 – Capacidade de energia eólica instalada no Brasil (2004 – 2014) Capacidade instalada de energia eólica no Brasil (2004-2014) MW

2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 29 29 237 247 398 602 928 1.426 1.894 2.202 4.888

A Região Nordeste é líder em capacidade instalada desde 2009 e o Estado do Ceará foi líder durante os anos de 2010 a 2013, perdendo a posição em 2014 para o Rio Grande do Norte.