As obras do espírito André Luiz são importante repertório sobre a questão da saúde humana no Espiritismo. Trazem muitas informações sobre essa questão, explicitando mecanismos e instigando reflexões sobre as causas dos processos de adoecimento. Centros espíritas, grupos de estudos e instituições espíritas que reúnem profissionais de saúde, procuram estudar toda a coleção da “série André Luiz”, principalmente os livros classificados como, “A vida no mundo espiritual”.
Há muitas especulações sobre a identidade de André Luiz em sua última encarnação. No livro mediúnico “Nosso Lar”, psicografado por Chico Xavier, aparecem relatos de que André teria sido um famoso médico brasileiro do Rio de Janeiro. Dada essa indicação, há quem diga que foi Oswaldo Cruz; outros dizem ter sido Carlos Chagas ou então Miguel Couto. Lewgoy (2000) afirma que, em seu levantamento, encontrou as hipóteses de que André teria sido primeiramente Estácio de Sá, ligado ao governo civil e que depois reencarnou como Oswaldo Cruz, médico sanitarista. Já Luciano dos Anjos (2005), jornalista e ex-presidente de um centro espírita do Rio de Janeiro, defende a hipótese de ter sido o médico Faustino Esposel. Para chegar a essa conclusão, Luciano dos Anjos (2005) diz ter realizado minucioso estudo, durante a década de 1970, em que cruzou dados de 286 médicos falecidos entre 1926 e 1936, com características obituárias de doenças gastro-intestinais31, e que atendiam às
pistas deixadas no livro “Nosso Lar”, chegando ao nome de Faustino. Na época, diz ter procurado Chico Xavier, médium que sempre atendeu o espírito de André Luiz, para confirmação do achado, e segundo o autor, Chico teria solicitado “que mantivesse a descoberta em segredo ponderando motivos de cautela em relação à família do espírito”.
Nas obras da “série André Luiz”, o autor espiritual protagoniza um aprendiz na colônia espiritual “Nosso Lar”. Após passar algum tempo na zona do “Umbral”
31 As referências espíritas são de que André Luiz teria morrido de problemas gastro-intestinais
(região semianimalizada na crosta terrena), ele pede fervorosamente ajuda religiosa, sendo então levado a um posto de socorro na colônia. Essa colônia – “Nosso Lar” – é descrita como localizada na região do plano espiritual nas proximidades do Rio de Janeiro. Nessa colônia, ele foi orientado por uma série de tutores responsáveis por sua reeducação. Os tutores lhe fazem compreender os motivos suicidas de sua morte. A partir daí, ele será conduzido a acompanhar as atividades desempenhadas na colônia espiritual. O aprendiz passa a observar e a descrever a vida na colônia, explicando cada atividade, a função de cada ministério que compõe essa colônia. Essas descrições irão compor a “série de livros” que são psicografadas por Chico Xavier. Alguns apresentam parceria com Waldo Vieira, que psicografou os capítulos impares tendo, Chico, se responsabilizado pelos pares. São atribuídas a André Luiz vinte e cinco obras com o médium Chico Xavier. Treze delas fazem parte da “série” considerada descritora da vida no plano espiritual, que detalha, amplia e complementa as revelações espíritas começadas por Allan Kardec. Como Lewgoy (2000) levantou em sua pesquisa, as obras são muito estudadas pelos espíritas letrados. Muitos adeptos dizem que a forma e os termos dessa literatura são muito eruditos e de difícil leitura.
Das 25 obras atribuídas a André Luiz (anexo 5), os treze livros categorizados na coleção “A vida no mundo espiritual” são Nosso Lar (1944), Os Mensageiros (1944), Missionários Da Luz (1945), Obreiros Da Vida Eterna (1946), No Mundo Maior (1947), Libertação (1949), Entre a Terra e o Céu (1954), Nos Domínios da Mediunidade (1955), Ação e Reação (1957), Evolução em Dois Mundos (1958), Mecanismos da Mediunidade (1960), Sexo e Destino (1963), E a Vida Continua (1968).
CAPÍTULO 3
As Associações Médico-Espírita
"Época triste a nossa, mais fácil quebrar um átomo do que o preconceito!" (Albert Einstein)
3.1 – As Associações Médicas
3.1.1 – Aspectos gerais
A religião pode ser vista como uma prática cultural, ou em sistema (como diz Geertz), que engloba todo um conjunto de símbolos e significados a partir dos quais são contruídas relações de sentido para a vida. Todas as religiões respondem de diferentes formas a condições dadas pela existência humana. Nas palavras de Castoriadis (1987: 387), a “religião dá nome ao inominável, representação ao irrepresentável, lugar ao não localizável. Ela satifaz simultanemante a experiência do abismo e a recusa a aceitá-lo”. Pela religião, ocorre uma agregação entre pessoas caracterizando parte de sua cultura grupal, o que torna interessante o estudo desse comportamento para a compreensão, tanto da organização de suas atividades sociais, de sua forma institucional, das ideias que a compõem, como das atividades individuais diante dessa realidade e significação do sagrado e da natureza das relações existentes entre elas.
A religião ajusta as ações do homem, uma vez que ordena elementos de concepção moral, estilo de vida valorativo e estrutura a visão de mundo. Nesse sentido, podemos recorrer novamente a Geertz, que discute a religião como
“um sistema de símbolos que atua para estabelecer poderosas, penetrantes e duradouras disposições e motivações nos homens através da formulação de conceitos de uma ordem de existência geral e vestindo essas concepções com tal aura de fatualidade que as disposições e motivações parecem singularmente realistas”. (GEERTZ, 1989: 104-105, grifo nosso).
A visão de mundo descreve como verdade as preferências, os sentimentos morais e estéticos estruturantes do estilo de vida, e também da atribuição metafísica das forças impostas à realidade. Essa perspectiva vale para o mundo social e, evidentemente para os indivíduos que fazem parte dele. A vida cotidiana ganha sentido, significado e até mesmo rituais em função da religiosidade estabelecida numa concepção de identidade pessoal a partir dos conhecimentos filosoficos ou dogmas construídos pela atividade social contida no pensamento religioso. A estrutura cultural brasileira, em seu âmbito geral, é rica na valoração religiosa e com um habitus extremamente flexível na questão de pertencer a esta ou àquela instituição. Esse comportamento torna os números estatísticos possuidores de certo grau de relatividade, dentro de um ambiente brasileiro bem plural.
O pluralismo religioso no Brasil pode ser entendido como múltiplas respostas dos indivíduos para a organização significativa de sua realidade e para sua visão de mundo. O laxismo brasileiro é fator marcante nesse cômputo de adeptos, tornando-se difícil quantificar os reais números de adeptos por instituição religiosa. Com relação ao Espiritismo, nas últimas décadas, ao lado das religiões evangélicas, este obtendo franco crescimento (MEDINA, 1998). De acordo com os dados do IBGE (2010), o Espiritismo é a terceira opção religiosa no Brasil (Tabela 1). Segundo Betarello (2010), o número dos que se declaram espíritas pode estar subdimensionado devido a vários fatores, dentre eles destaca-se o fato de indivíduos não considerarem o Espiritismo uma religião e se declararem “sem religião”, já que mesmo as federações espíritas não colaboram na definição enquanto instituição religiosa. Outro fato frequente no país são as pessoas espíritas ou adeptos das religiões afro-brasileiras que não romperam seus laços com o catolicismo, caracterizando a dupla ou até mesmo tripla pertença. Como é uma escolha aderir ou não a uma ordem religiosa, o sincretismo no Brasil pode ser outro caminho nesse campo de possibilidades, dentro de uma sociedade culturalmente dada à tolerância religiosa (G. VELHO, 2003).
Tabela 1 – Distribuição percentual, dos adeptos nas principais religiões, segundo censos demográficos no Brasil.
Em porcentagem da população Religião 1980 1991 2000 2010 Catolicismo 89,0 83,3 73,6 64,6 Evangélicos 6,6 9,0 15,4 22,2 Sem religião 1,6 4,7 7,4 8,0 Espiritismo 0,7 1,1 1,3 2,0 Religiões afro-brasileiras 0,6 0,4 0,3 0,3 Outras religiões 1,3 1,4 1,8 2,7
Fonte: Extraído do IBGE. Censo Demográfico 2000 e 2010.
O Conselho Federal de Medicina (CFM, 2007), por meio de seu Centro de Pesquisa e Documentação, investigando a saúde de médicos do Brasil, além dos objetivos básicos do estudo, trouxe algumas informações socio- demográficas como a distribuição dos médicos segundo sua crença religiosa. Os dados mostraram uma frequência de 62,9% de católicos e 11,5% sendo espíritas (Tabela 2). A distribuição percentual mostrou uma escala próxima ao censo geral, apresentando em primeiro lugar os católicos, seguidos dos que se declaram sem religião e, em terceiro lugar, os espíritas. É interessante notar o alto percentual de espíritas entre os médicos brasileiros: no censo 2010, em quarto lugar com 2,0% da população geral.
Tabela 2 – Médicos participantes segundo a religião que adotam e o grau de religiosidade.
Variável Categoria Frequência Percentual (%)
Qual a sua religião?
Católica Nenhuma Espírita Protestante Outras 4752 1031 869 556 352 62,9 13,6 11,5 7,3 4,7
Fonte: Adaptado de “A saúde dos médicos no Brasil” – coordenado por Genário Alves Barbosa et al., cap. 6.4, Religiosidade, p.114. Brasília: CFM, 2007. 220p.
Nesse estudo do CFM (2007), também foram encontrados menos médicos católicos e mais espíritas nas faixas etárias mais jovens (61,1% e 13,2%, respectivamente) do que entre os mais velhos (64,1% e 10,4%,
respectivamente). Em relação ao gênero, a adoção do catolicismo é semelhante entre homens e mulheres, e, em relação aos espíritas, as mulheres se declararam adeptas em maior proporção que os homens. Na população geral espírita (2,02%), também as mulheres estão em maior número com 58,9%, enquanto 41,1% são homens.
Acreditamos, entretanto, que o importante não é saber quantos indivíduos na sociedade brasileira se identificam como espíritas, católicos, ou de outra religião, mas é perceber o significado dessas crenças e sua relevância nas “construções sociais da realidade” (VELHO, 2003; BERGER e LUCKMANN, 1978). A visão de mundo do adepto religioso, cada um com seu nível de especificidade implica o estabelecimento de uma delimitação de fronteiras entre grupos ou mesmo o estabelecimento de uma peculiar identidade social desse grupo. O número de médicos adeptos de determinada religião, entretanto, é importante para este trabalho.
É interessante observar que os adeptos das duas religiões mais citadas na pesquisa do CFM (2007) também são os que se organizam enquanto Associações Médicas da classe. Temos no Brasil as Associações de Médicos Católicos e as Associações de Médicos Espíritas. Essas redes sociais se organizam e divulgam seus produtos com seus usos (livros de autoajuda, por exemplo), bem como estabelecem e difundem o conjunto de crenças, valores, estilos de vida e visões de mundo, explicitando uma “construção social da realidade”. A arte da medicina terá a espiritualidade que seu médico professa. A construção das Associações pode gerar, e tem gerado, um movimento social disseminador da abordagem espiritualidade e saúde, bem como tem possibilitado a incorporação de práticas terapêuticas ditas “alternativas” ou “paralelas”.
As medicinas “alternativas” estudadas por Madel T. Luz (2005), ou as “medicinas paralelas” como tratadas por Laplantine e Rabeyron (1989), utilizadas por profissionais da saúde, bem como a estruturação das “Associações”, talvez sejam estratégias, ou mesmo reflexo, de uma busca por parte de alguns profissionais de saúde, na tentativa de sanar lacunas existentes na “medicina convencional”, ou mesmo do paradigma médico vigente na sua formação universitária. Nesse aspecto, muitos pesquisadores
vêm se debruçando sobre o assunto por eles denominado de “crise da medicina”.
Nesse sentido, não só os médicos, mas também outras categorias da saúde têm se organizado para estruturar suas associações, como no caso da Associação de Psicólogos Espíritas. Esse movimento de formar associações, federações, grupos de estudos e pesquisa entre os adeptos do Espiritismo ocorre desde sua codificação, à época de Allan Kardec, com a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. No Brasil, esse movimento dos profissionais da saúde espíritas pode ter alguma significação a partir da transformação ocorrida historicamente no enraizamento do Espiritismo no país: em um primeiro momento a ênfase na busca da parte “Ciência” (como preconizou Kardec), e depois a mudança da ênfase para o aspecto religioso no Espiritismo disseminado pela FEB. Hoje, no movimento das Associações médicas, o “pêndulo” torna a voltar para o polo ciência com uma releitura do corpo, da doença e da saúde. As primeiras raízes da doutrina no Brasil, antes da FEB, foram ligadas aos estudos dos fenômenos mediúnicos e inclusive para a cura de doenças, tanto que sofreram fortes perseguições por parte dos médicos e autoridades sanitárias. Depois, o movimento espírita foi se colocando como “Religião”, sofrendo os desconfortos de luta por território com a Igreja Católica, fato que sempre enfrentou, desde a época de Kardec na França (ARRIBAS, 2008). Agora, com as Associações dos profissionais de saúde, a tentativa é para reconquistar o caráter científico por intermédio dos adeptos que estão legitimados em categorias profissionais, em especial os profissionais da saúde.
3.1.2 – As Associações Médico-Espírita
Os médicos adeptos do Espiritismo começam a se organizar para formar as Associações Médico-Espíritas no fim da década de 1960. Nos relatos históricos da formação da Associação Médico-Espírita de São Paulo (AME-SP), encontramos alguns médicos e pesquisadores na capital paulista se reunindo com o objetivo de “promover estudos que possibilitassem a inclusão do paradigma espiritual nos modelos de tratamento de saúde” (CAMPOS, 2011).
As primeiras reuniões ocorreram semanalmente na residência do médium Spartaco Ghilardi. O grupo de médicos espíritas recebia mensagens dos Espíritos indicando a necessidade de aplicar os conhecimentos Espíritas na “Ciência Médica” e orientando para que se estabelecessem as “bases do hospital do futuro e da assistência médica vindoura” (CAMPOS, 2011: 24). Em fevereiro de 1967, esse grupo se reuniu na biblioteca do Hospital São Lucas (SP – Capital) e propôs a fundação de uma sociedade composta por médicos espíritas.
No ano de 1968, ocorreu o primeiro evento médico-espírita em Araras (SP), quando os médicos presentes discutiram a fundação da entidade (que depois se consolidou como AME-SP), e as formas com que o Espiritismo poderia enriquecer os trabalhos na medicina. Em março de 1968, foi aprovado o estatuto da AME-SP, que, em um primeiro momento, limitou a participação somente aos médicos e, também à semelhança da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, estabeleceu o conhecimento básico da doutrina como condição para ingresso na sociedade. A prática do estudo para ingresso na Sociedade Parisiense pode ser verificada no livro “O que é o Espiritismo”, em que Kardec realiza um diálogo com um interessado (o visitante):
Visitante: Tendes uma sociedade que se ocupa desses estudos; ser- me-ia possível fazer parte dela?
A.K. Seguramente não, para o momento. Se para ser recebido não é necessário ser doutor em Espiritismo, é preciso, ao menos, ter sobre esse assunto ideias mais sólidas que as vossas. Como ela não quer ser perturbada em seus estudos, não pode admitir aqueles que lhe viriam fazer perder seu tempo com questões elementares, nem aqueles que, não simpatizando com seus princípios e suas convicções, nela lançariam a desordem com discussões intempestivas ou um espírito de contradição. É uma sociedade científica, como tantas outras, que se ocupa em aprofundar os diferentes princípios da ciência espírita, e que busca se esclarecer. É o centro para onde convergem as informações de todas as partes do mundo, e onde se elaboram e se coordenam as questões relacionadas com o progresso da ciência; mas não é uma escola, nem um curso de ensinamentos elementares. Mais tarde, quando vossas convicções estiverem formadas pelo estudo, ela verá se poderá vos admitir. [...] (KARDEC, LoQéE: 54).
Na década de 1980, a AME-SP abriu a participação a outras categorias de profissionais da saúde, modelo que foi acompanhado por outras regionais posteriormente criadas no país. Em relação à assistência terapêutica, a AME-
SP determinará o seguimento das terapias preconizadas pela formação universitária podendo acrescentar as terapias espíritas com exceção das práticas cirúrgicas espirituais. Essa determinação foi revelada principalmente quando ocorreu, em 1983, que o CRM de São Paulo solicitou à AME-SP um posicionamento sobre as atividades de cura mediúnica do Dr. Edson Queiroz, incluindo cirurgias espirituais com o auxílio do Dr. Fritz. O então presidente da AME-SP Dr. Antônio Ferreira se incumbiu da declaração contrária às cirurgias realizadas pelo colega e ressaltou que não havia nenhum Dr. Fritz nas intervenções, mas sim o “médico terrestre” executando a atividade. Vale ressaltar que todas as AMEs no Brasil apresentam em seus fundamentos a orientação para o não emprego das práticas de cirurgias espirituais em suas condutas terapêuticas.
As práticas das “medicinas paralelas” atreladas à religião sempre representaram um desafio para a “medicina convencional”, e durante bom tempo foram objeto de intervenção policial, como já explanamos. O Espiritismo, desde os primórdios de sua estruturação no Brasil, foi espaço que provocou tensão por aplicar terapias de cura em seus ambientes religiosos, tendo os médiuns como receitistas orientados por agentes desencarnados. Ainda hoje prevalece um ar de preocupação para a medicina, quando os ambientes religiosos praticam curas espirituais, cirurgias espíritas e outras terapias não convencionais para atender os sofrimentos dos indivíduos. As AMEs construíram com cuidado a tentativa de aproximar as duas vertentes terapêuticas e, provavelmente, também evitar a pecha de charlatanismo, como já apontamos. Para isso, buscaram algum consenso entre seus membros, tal como: não concordar “com a cobrança de consulta por parte do médium”; “não trabalhar com cirurgias espirituais nem com ‘uso de instrumentos cortantes nas chamadas cirurgias espirituais’, alegando que os espíritos não necessitam de ‘instrumentos próprios do exercício médico terrestre’” (CAMPOS, 2011: 23); “executar as práticas terapêuticas espíritas como complementares à terapêutica aceita no meio científico”.
A partir da estruturação da AME-SP, ocorreu estímulo para formação de outras associações regionais e estaduais. O movimento médico-espírita ganhou corpo e na década de 1990, começou com eventos – congressos – de caráter
nacional que desencadearam a origem da AME-Brasil. A Associação Médico- Espírita do Brasil (AME-Brasil) foi criada em meados de 1995, quando se realizou o 3º Congresso Nacional de Médicos Espíritas em São Paulo (MEDNESP). Surgiu pelo esforço de algumas AMEs regionais, principalmente de Minas Gerais e São Paulo, objetivando agregar AMEs estaduais, regionais, municipais e auxiliar na atuação e difusão do “movimento médico-espírita” nos Estados. Além disso, a AME-Brasil, à semelhança da Federação Espírita Brasileira (FEB), se apresenta com a finalidade de orientar todas as AMEs para que se dediquem ao
“estudo da Doutrina Espírita e de sua fenomenologia, tendo em vista suas relações, integração e aplicação nos campos da filosofia, da religião e da Ciência, em particular da Medicina, procurando fundamentá-la através da criação e realização de estudos e experiências orientadas nessa direção.”
Em relação à sua expansão, a AME-Brasil, até final de 2011, já apresentava em seus cadastros 48 Associações (anexo 6) legalmente em atividades. Desde a implantação da AMESP em 1968, seguida da AMEMG em 1986 e da AME- ES em 1992, percebe-se uma expansão gradativa dessas entidades, totalizando até o ano 2000 o número de 16 instituições. O maior impacto de crescimento ocorreu a partir de 2005, quando mais de 50% das entidades existentes hoje foram criadas. As AMEs, que se afirmam apresentando caráter científico e tendo como exemplo da AME-SP, buscam atender seus objetivos estruturando-se como
“organização científica, cultural, religiosa, beneficente e sem fins lucrativos, com o objetivo de aprofundar o estudo da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, e de sua fenomenologia, tendo em vista as suas relações, integração e aplicação nos campos da Filosofia, da Religião e das Ciências, principalmente a Medicina”. (CAMPOS, 2011, p.28).
As Associações estimulam a realização de pesquisas, a produção de livros, a realização de campanhas e de congressos com a finalidade de expandir e consolidar as dimensões sobre o que denominam “paradigma médico-espírita”. As atividades das Associações Médico-espíritas se somam com as do médium Divaldo Franco32 para a produção de livros, de palestras, de organização de
32 Divaldo Franco é médium de Salvador que, com a morte de Chico Xavier, tem sido a grande
congressos e de difusão do Espiritismo no Brasil e no exterior, realizando a “brasilianização do movimento espírita internacional” (LEWGOY, 2008: 84). Em 1999, houve a fundação da Associação Médico-Espírita Internacional (AME-I) instituída por um colegiado administrativo entre Panamá, Portugal e Brasil e ficando como presidente a médica Marlene Nobre. A entidade já protagonizou congressos internacionais e assumiu o compromisso de orientar e incentivar a formação de AMEs em outros países (CAMPOS, 2011).
A AME-Brasil, junto à FEB e ao Conselho Espírita Internacional (CEI), organiza o Congresso Mundial Espírita a cada três anos; a AME-Internacional organiza o