Dentre os maiores desafios para se concretizar um parque tecnológico é a obtenção de recursos financeiros para sua implantação e operacionalização. Um parque tecnológico depende de aportes significativos de recursos para a sua infra-estrutura de tecnologia e para a manutenção dos serviços associados.
Os parques tecnológicos podem ser considerados empreendimentos de base imobiliária pelo fato de se alicerçarem em uma infra-estrutura notadamente de empreendimentos imobiliários e de infra-estrutura em geral. Assim, o financiamento dos parques se aproxima do modelo de financiamento de grandes projetos de base imobiliária e projetos de infra-estrutura urbana. Além disso, um parque normalmente possui um ciclo de maturação longo se comparado a outros empreendimentos empresariais, o que o aproxima novamente dos empreendimentos de infra-estrutura. Gower e Harris (1994 e 1996) observaram que em muitos casos dos parques tecnológicos ingleses, a iniciativa privada era estimulada a investir nos empreendimentos quando este estava associado a uma demanda do mercado imobiliário. Desta forma os investidores do setor poderiam alcançar o retorno sobre o investimento requerido nos prazos determinados. Nos casos em que não havia demanda por empreendimentos imobiliários, os parques tinham como principal
financiador o poder público. Esta estratégia foi adotada pelo governo para atrair investidores e para regenerar áreas degradadas, economicamente deprimidas, e que ao final dos investimentos liderados pelo governo acabavam por atrair investidores privados em um segundo momento.
Os parceiros potenciais investidores nos parques tecnológicos do Reino Unido foram: as instituições de ensino superior e universidades que disponibilizaram áreas, terrenos e capital social; as autoridades locais, com o investimento em infra- estrutura; as agências de desenvolvimento que investiram capital financeiro para despesas operacionais e subsídios; os incorporadores imobiliários que investiram recursos financeiros e fizeram a gestão das propriedades; os bancos que investiram capital financeiro por meio de operações especializadas e venture capital; e os parceiros industriais e empresariais que investiram capital financeiro e seu expertise em fazer negócios (Gower e Harris, 1994).
Figura 12 - O Investimento nos Parques Tecnológicos do Reino Unido de 1985 a 1993; e, Origem dos Investimentos no ano de 1993 (Gower e Harris, 1994).
Gower e Harris (1996) fizeram uma avaliação crítica das oportunidades de investimentos nos parques tecnológicos ingleses e identificaram os seguintes componentes críticos para o sucesso do investimento nestes empreendimentos: o planejamento e os fatores de localização do parque, onde o planejamento dos
espaços e a qualidade do ambiente construído é fator determinante para o sucesso do parque; as políticas de locação e de uso dos espaços, onde a flexibilidade no uso dos espaços é fator importante para a ocupação do parque, tanto para escritórios como para os espaços voltados para a manufatura; fatores relacionados a demanda de diferentes espaços complementares voltados a serviços complementares no parques tais como restaurantes, áreas de recreação, espaços para encontros e reuniões etc.; e os fatores relacionados ao retorno sobre os investimentos efetuados no âmbito do parque.
Figlioli (2007) desenvolveu um estudo sobre as perspectivas de financiamento de parques tecnológicos. Foram analisados um total de seis parques tecnológicos, 3 parques no Brasil e 3 na Europa Ocidental. Fizeram parte do estudo: Tecnopuc (Brasil, RS), Pólo de Informática de São Leopoldo (Brasil, RS), Sapiens Parque (Brasil, SC), Biocant Park (Portugal), Taguspark (Portuigal) e o Parque Tecnológico de Cartuja 93 (Espanha). Nas análises efetuadas, ficou clara a dificuldade da pesquisa em obter dados financeiros mais específicos a respeito do financiamento destes parques, sendo que na maioria dos casos, nem mesmo valores aproximados foram possíveis de serem obtidos das entidades gestoras do parque pela pesquisadora.
Nos parques brasileiros, as entidades públicas ou vinculadas ao poder público, financiaram principalmente estudos da fase de planejamento, e parte da implantação de infra-estruturas básica, inclusive de urbanização de áreas. Dois parques tecnológicos no Brasil são destaque: o Tecnopuc e o parque da Unisinos (Pólo de Informática de São Leopoldo). Os dois empreendimentos foram implantados com recursos essencialmente privados das universidades que originaram os parques. Em Portugal, encontram-se uma maior proporção de recursos públicos, pela disponibilidade de fundos europeus voltados ao desenvolvimento, possibilitando a obtenção de recursos para a estruturação de operações imobiliárias e de infra- estrutura para os parques portugueses. A experiência espanhola utiliza prioritariamente fundos públicos em seu financiamento, onde os parques são planejados, implantados e mantidos por recursos desta natureza (Figlioli, 2007).
2.4.1. As Experiências Brasileiras no Financiamento de Parques Tecnológicos
Segundo Lahorgue (2004), as primeiras ações de fomento para os parques tecnológicos no Brasil ocorreram em 1984, quando o CNPq lançou o Programa de Apoio aos Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas. Naquele período receberam apoio do governo os parques tecnológicos de São Carlos - SP, Campina Grande - PB, Manaus - AM, Santa Maria - RS e Petrópolis - RJ.
Em 29 de dezembro de 2000, o governo brasileiro cria um programa de estímulo à interação universidade-empresa com uma perspectiva do apoiar ações voltadas à inovação tecnológica. O programa financeiro de apoio ficou conhecido como Fundo Verde-Amarelo.
O primeiro Edital do Fundo Verde-Amarelo, sob a coordenação da FINEP, empresa pública vinculada ao MCT, foi lançado em 2002, e destinava R$ 12 milhões para apoiar a elaboração de Planos de Investimento de Parques Tecnológicos (Chamada I) ou Implantação de Parques Tecnológicos (Chamada II). Foram contemplados 12 projetos. Um novo edital foi lançado no ano de 2004 de R$ 4 milhões objetivando apoiar Planos de Investimento de Parques Tecnológicos. Foram aprovados 11 novos projetos neste edital.
Os Editais de 2002 e 2004, acrescidos das cinco encomendas (duas em 2004 e três em 2005), fazem com que a FINEP tenha em sua carteira um total de 26 projetos de parques tecnológicos (Vedovello, Maculan e Judice, 2006).
Os parques tecnológicos apoiados pelas chamadas da FINEP de 2002, 2004 e 2005 estão apresentados no Anexo A ao final desta tese. Em termos de recursos financeiros, a FINEP aportou através dos editais e das encomendas um total de R$ 16.262.443,04 para os parques tecnológicos (Anexo B).
No ano de 2010, dentro de um programa denominado de PNI - Programa Nacional de Incubadoras e Parques Tecnológicos do MCT, a FINEP abriu novo edital de apoio financeiro aos parques tecnológicos com um valor total de recursos não reembolsáveis da ordem de R$ 40 milhões. Vinte e seis empreendimentos apresentaram propostas. Sete parques foram pré-qualificados na primeira etapa do
processo seletivo. O valor de cada projeto foi limitado em R$ 8 milhões e destinam recursos para empreendimentos que já se encontram em estágio avançado de implantação.