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Esta hipótese secundária diz respeito ao escopo da área de AS. Ela está dividida em elementos e subelementos. Segue então a proposição da definição:

Primeira hipótese secundária: as pesquisas acadêmicas em administração em saúde lidam com...

a) organizações de saúde:

 organizações propriamente ditas;  sistemas;

b) ambiente público ou privado; c) aspectos teóricos ou empíricos; d) estudo de:

 processos e estruturas organizacionais;  política e financiamento;

 instalações;

e) desempenho medido em termos:  de qualidade técnica;  de qualidade funcional;  econômico-financeiros;  de equidade e acesso.

Em relação ao primeiro elemento da hipótese, interessa saber se estão incluídos em AS, na visão dos respondentes, estudos de sistemas de saúde ou tão somente aqueles relacionados às organizações. Por exemplo, alguns livros-texto da área são mais focados em organizações, mais especificamente em prestadores ou hospitais (BORBA, 2006; BORBA; LISBOA, 2006; CASTELAR; MORDELET; GRABOIS, 1995;

GONÇALVES, 2006; MALAGÓN-LONDOÑO; MORERA; LAVERDE, 2008; SCHULZ; JOHNSON, 1976). Em outros livros, percebe-se que tratam de organizações de saúde propriamente ditas e de sistemas (GONÇALVES, 1982; SHORTELL; KALUZNY, 2000; SPILLER et al., 2010; TAYLOR; TAYLOR, 1994; VECINA; MALIK, 2011; WOLPER, 2004).

Além disso, em alguns casos quando se faz referência à área se usa a expressão “de sistemas”, ou seja, existe uma necessidade de explicitar a sua inclusão (ver Quadro 1.1, as denominações identificadas para AS; no Quadro 1.3, os títulos dos livros-texto; e, nos Apêndices, a pesquisa de campo preliminar). Igualmente, a expressão “de serviços” leva à interpretação que se trata somente do estudo de prestadores de serviços. Em função disso, portanto o primeiro componente da hipótese faz referência ao tipo de organizações que as pesquisas estão relacionadas e ao fato de estarem ou não incluídos os estudos sobre sistemas de saúde.

Quanto ao segundo elemento, ele aborda o fato de serem estudos ambientados em contexto público ou privado. Pois o que é perceptível da pesquisa exploratória realizada nos periódicos RAE e RAE-eletrônica (ver acima, na seção Problema de Pesquisa) e das entrevistas de campo preliminares (ver Apêndices A e B) é que estudos de AS podem estar ambientados tanto num quanto no outro contexto. A preferência pela referência ao ambiente (relacionamentos interorganizacionais) é uma opção para ressaltar a situação em que são realizadas pesquisas sobre empresas privadas (hospitais, organizações sociais, entre outras) que exercem suas atividades a partir de contratos ou parceria com o Estado ou organizações públicas. Esse elemento se articula com o anterior (assim como todos os demais entre si), pois os estudos podem dizer respeito a organizações de saúde (organizações ou sistemas) inseridos em ambientes público ou da iniciativa privada.

Também se percebeu, em função das pesquisas iniciais, um crescente interesse na gestão de sistemas privados de saúde, provavelmente em função da regulamentação do setor de saúde suplementar no Brasil e do aumento da importância e dos custos relativos às doenças crônicas, obrigando operadoras de planos de saúde a se concentrarem em seus respectivos negócios. Anteriormente observava-se, em relação às características dos artigos sobre o tema, a

predominância de trabalhos exclusivamente sobre o sistema público de saúde no Brasil.

Em relação à necessidade de explicitação do caráter empírico ou teórico dos estudos no AS, isto se deve a conclusões obtidas a partir de pesquisa exploratória nos periódicos RAE e RAE-eletrônica. Se por um lado, alguns autores citados afirmam que a AS é uma área mais voltada para a prática; por outro lado, há modelos teóricos formulados que são aplicáveis a AS, como principalmente, aqueles ligados à Saúde Coletiva ou, também por exemplo, aqueles formulados recentemente em escolas de negócios norte-americanas e capitaneados por Porter (PORTER, M. E; TEISBERG, 2004, 2006), Herzlinger (1997, 2007) e Christensen (CHRISTENSEN; GROSSMAN; HWANG, 2008). Além disso, a sugestão oferecida no conteúdo das chamadas de artigos da Academy of Management, citadas acima, também fortalece aspectos teóricos.

Quanto a processos e estruturas organizacionais, trata-se dos tópicos de interesse usuais em Administração, e que foram sintetizadas nestes dois termos, mas que incluem todos os tipos de processos organizacionais, quer sejam gerenciais ou estratégicos, além das diferentes formas de coordenação, de colaboração, de parcerias, estruturas organizacionais e interorganizacionais, entre outros. Aí se incluíram pesquisas sobre o impacto ou intervenções (ou meramente estudos descritivos) em processos ou estruturas organizacionais, obviamente articulados com os demais elementos da definição. Poderiam ser sintetizados em um conceito de “Administração”, mas foram mantidos separados por motivos descritivos e pelo fato de este último relacionar-se também a outros conceitos.

Ainda sobre este componente, um aspecto que se reveste de maior interesse é a inclusão – ou não – de temas ligados a políticas (e a financiamento) dentro da definição da área, pois as pesquisas exploratórias nos periódicos RAE e RAE- Eletrônica, em livros-textos e as entrevistas iniciais mostram uma diferença nesta percepção. Este é um elemento que provavelmente se relacionaria muito com estudos de sistemas de saúde principalmente em contextos públicos e de estudos que descrevem ou avaliam desempenho em termos de equidade e acesso.

O tema instalações surgiu em uma das entrevistas (Entrevista no. 1, no Apêndice B), e pode incorporar questões ligadas a edificações, layout e distribuição física de serviços, principalmente quando estes aspectos impactam no desempenho da organização. Deseja-se averiguar se, na percepção de estudiosos de organizações de saúde, estes temas também estão incluídos na concepção compartilhada sobre pesquisa em AS.

Em relação ao tipo de resultados, objetivos ou avaliação de desempenho, seus elementos foram formulados a partir da pesquisa exploratória nos periódicos RAE e RAE-eletrônica, dos citados livros-texto, das entrevistas exploratórias e de modelos teóricos como os citados acima.

Qualidade técnica diz respeito a resultados de saúde (clínicos, assistenciais, erros, eventos adversos, qualidade de vida, entre outros), em oposição a outros aspectos que remetem mais a amenidades. Este conceito de qualidade, com suas dimensões técnicas e funcionais, parte do modelo genérico para qualidade percebida desenvolvido por Grönroos (1990), o qual se assemelha aos conhecidos “domínios interpessoal e de amenidades” trabalhados por Donabedian (1980, 1985), e que vai ao encontro também, grosso modo, ao que Urdan (2001) denomina “desempenho não-clínico”, em se tratando de organizações de saúde ou de médicos.

Além de abordar aspectos ligados a qualidade, os estudos de AS também observariam, direta ou indiretamente, aspectos econômico-financeiros. Por fim, interessa saber se aspectos ligados à equidade e a acesso também estão incluídos no escopo da definição de AS, na perspectiva do grupo de respondentes potenciais deste trabalho. Este elemento também se relacionaria muito com a inclusão, na definição, de estudos de sistemas de saúde em contextos públicos e sobre política e financiamento.