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2. Teori

2.3. EMK P1-1

O processo de industrialização brasileiro é relacionado às classes sociais em diversos momentos das coleções didáticas. É ainda a coleção Geografia geral e do Brasil (v. 3, p. 12) que faz a seguinte advertência na abertura de seu terceiro volume:

Desde o período colonial até os dias de hoje, o desenvolvimento econômico brasileiro, e consequentemente a industrialização, foi comandado por grupos e setores da economia que às vezes têm interesses antagônicos e lutam para atingir melhor desempenho, pressionando os governos para que a política econômica atenda seus interesses.

A coleção Ser Protagonista aponta a segunda metade do século XIX como início desse processo. A origem dos trabalhadores industriais desse período é a migração internacional:

Milhares de migrantes que afluíram da Europa formavam a classe operária nascente. Em São Paulo, a expansão da cafeicultura esteve muito ligada aos imigrantes, que, tendo uma experiência de trabalho muito variada e hábitos de consumo diversificados, propiciaram importante base para a industrialização. (Ser Protagonista, v. 2, p. 120)

Também expressam comentários semelhantes a esse as coleções Projeto Eco (v. 2, p. 161), Geografia: sociedade e cotidiano (v. 2, p. 174) e Geografia para o ensino médio (v. 2, p. 88). Além da imigração, a coleção Geografia: o mundo em transição (v. 3, p. 27) ressalta também outros aspectos da sociedade brasileira do final do século XIX que de certa forma atrapalhavam o desenvolvimento industrial:

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Era mais conveniente para o mercado que o Brasil, como outros países colonizados ou dependentes, fosse mantido na condição de fornecedor de matérias-primas e consumidor de produtos manufaturados no exterior – sobretudo na Inglaterra, a grande potência da época. Além disso, o uso da mão de obra escava restringia o mercado consumidor interno, e a hegemonia política dos proprietários rurais determinava uma política industrial muito tímida, limitada por surtos promovidos por algumas medidas isoladas.

A coleção Ser Protagonista (v. 2, p. 121) leva adiante a perspectiva política quando discute a Revolução de 1930 como momento em que uma classe social nova consolida sua participação no Estado, o que é apontado como um passo importante para a industrialização:

A tomada de poder por Getúlio Vargas, com a Revolução de 1930, consolidou a participação, nas estruturas do governo, de uma burguesia industrial nascente. Ela passou, assim, a influir diretamente nas tomadas de decisão, levando à adoção, por parte do governo, de uma política industrializante. Começava a se consolidar o papel da burguesia industrial.

Outra coleção que destaca a relação entre classes, política e origens da industrialização no Brasil é a Geografia global. Em seu terceiro volume, ela explora o tema a partir da interdição feita à atividade industrial no Brasil durante o período colonial:

A década de 1930 marca uma passagem decisiva na história da indústria brasileira. De um lado, a depressão internacional ocasionada pela crise da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, proporcionou condições inéditas para o Brasil substituir importações de bens não duráveis – mesmo de certos semimanufaturados – por produções nacionais. De outro, a Revolução de 1930 operou uma mudança decisiva na política interna, afastando do poder do Estado as oligarquias tradicionais, representantes dos interesses agrocomerciais que emperravam a industrialização.

Nesse período, a mão de obra imigrante foi substituída pela nacional. O êxodo rural do oeste paulista (provocado pela decadência da cafeicultura) e a chegada ao Rio de Janeiro e a São Paulo dos primeiros contingentes

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de migrantes do Nordeste (que se deslocaram em razão das dificuldades econômicas regionais), formaram as bases de um mercado de trabalho industrial realmente brasileiro. (Geografia global, v. 3, p. 114)

Algumas referências a classes sociais são encontradas novamente nas discussões sobre o período posterior a 1950. O “desenvolvimentismo” marcou a entrada em massa de empresas multinacionais no país. Na coleção Geografia Espaço e Vivência (v. 2, p. 59), afirma-se que “essas empresas viam no Brasil ótimas oportunidades para expandir seus negócios, já que o país oferecia mão de obra barata, abundância de matérias-primas e um crescente mercado consumidor para seus produtos”. Já a coleção Território e sociedade (v. 2, p. 280) explora os aspectos contraditórios do desenvolvimento do período conhecido como “milagre brasileiro” segundo os resultados percebidos por diferentes classes:

Por um lado, a economia expandiu-se internamente e os salários da classe média elevaram-se, embora numa proporção inferior às taxas de crescimento. Por outro lado, o operariado industrial e as classes mais pobres conviveram, durante esse período, com uma política de arrocho salarial que visava conter os gastos com mão de obra para elevar as taxas de lucros e atrair investimentos de empresas multinacionais. Ao mesmo tempo que o mercado interno se fortaleceu, as exportações cresceram em valor e variedade de produtos.

Ainda sobre esse período histórico, a obra Ser Protagonista (v. 1, p. 29) pontua a relação entre o ideário desenvolvimentista e os interesses da classe dominante brasileira:

A criação de instituições como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, ambos destinados a socorrer países, principalmente os periféricos, foi decisiva para o Brasil. O fato de as políticas protecionistas do Estado brasileiro terem permanecido no pós-guerra permitiu ao país continuar a industrialização por substituição de importações. No entanto, para as elites isso já não era suficiente, e disseminou-se a ideia de que era necessário pular etapas e alcançar o nível de desenvolvimento industrial dos países centrais.

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Por fim, ao tratar das características atuais do setor industrial brasileiro, pouco se faz referência a classes sociais. O que se encontra nas coleções, nesse sentido, está praticamente limitado à ideia do “homem-mão-de-obra”, sendo a fartura ou a qualificação deste um dos elementos destacados nos textos. É o que se vê nas coleções Geografia para o ensino médio (v. 2, p. 143, 145), Geografia: o mundo em transição (v. 2, p. 58) e Geografia geral e do Brasil (v. 3, p. 139), de onde vem o exemplo abaixo, que discute a industrialização do Nordeste brasileiro:

A disponibilidade de mão de obra abundante e barata, a construção de hidrelétricas e a existência de matérias-primas (petróleo, cobre, calcário, sal) foram outros fatores importantes na fixação das indústrias, que se caracterizam pela utilização intensiva de mão de obra, como as indústrias de calçado e vestuário.