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3.2 N ORWAY AND G ERMANY : C OUNTRY PROFILES

3.2.4 Emissions trading and Germany

Toda pesquisa e desenvolvimento do projeto Compreendendo Fenômenos Nucleares, suas Aplicações e Implicações foi realizada na E.E. Conde do Pinhal, escola onde esta pesquisadora é professora efetiva desde 2005. A escola pertence à Diretoria de Ensino de São Carlos e está situada entre o centro e a periferia da cidade. Costuma receber alunos dos bairros adjacentes, especialmente do Jóquei Clube, Jardim Paulistano e Jardim Centenário, bairros de classe média e média baixa. No período da manhã funciona atualmente o ensino fundamental e o médio regular; no período da noite funciona o médio regular e a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no ensino médio. Participaram inicialmente da pesquisa 28 alunos do EJA com idades variando entre 18 anos a 57 anos, na grande maioria trabalhadores durante o dia.

7.2- Metodologia

A proposta inicial era trabalhar somente com alunos do 3º ano do EJA, uma vez que, como visto no capítulo 2 desta dissertação, o conteúdo de radioatividade mal aparece no ensino regular de química. No entanto, no final do projeto, com o material didático já pronto, resolvi também aplicá-lo ao 3º regular da manhã por terem os próprios alunos, na faixa de 16 a 19 anos, demonstrado interesse no tema e no jogo. Assim, com a autorização da direção da escola para o desenvolvimento do projeto de pesquisa, passamos a informar os alunos do EJA sobre a mesma, e fizemos a entrega do Termo de Consentimento, no qual foram esclarecidos os objetivos do estudo e as normas éticas a partir das quais a pesquisa seria regida. Iniciaremos então, o nosso relato pelo EJA e depois retornaremos ao ensino regular.

Para AUSUBEL, segundo MOREIRA (1989), o fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já

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sabe. Para ele, aprender significa organizar e integrar o novo material na estrutura cognitiva. Levando em conta a importância que Ausubel e outros autores dão aos conhecimentos prévios dos estudantes como ponto de partida para a aprendizagem, iniciamos nossa pesquisa por um levantamento através de observações em sala de aula e de um questionário, do que nossos alunos conhecem sobre símbolos, materiais e tecnologias relacionadas à radioatividade e também de suas opiniões sobre o uso da energia nuclear.

A análise das concepções possibilitou o levantamento de questões para serem discutidas, e determinou que o jogo a ser elaborado, além de auxiliar na fundamentação de conceitos básicos e assimilação da simbologia, deve esclarecer a diferença entre radioatividade e outros tipos de radiação, como a de raios X, por exemplo, e dar destaque às diversas aplicações pacíficas possíveis para os materiais radioativos.

Assim, com a finalidade geral de levantar questões, conhecer e documentar as percepções prévias dos alunos relacionadas ao assunto da pesquisa, aplicou-se, por escrito, o questionário abaixo, constituído de sete questões abertas e uma de múltipla escolha.

7.2.1- Modelo de questionário de concepções prévias

1. Qual é a sua idade? 2.

Conhece este símbolo? O que ele significa? Onde você o viu?

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1. 2.

4 .Você sabe o que é ou para que serve uma usina atômica ?

5. Mencione um ou mais materiais que são radioativos.

6. Você sabe em que os materiais citados na questão 5 são utilizados?

7. Qual sua opinião sobre o uso de energia nuclear (marque um ou mais):

( ) é bom ( ) tem grande utilidade ( ) é ruim ( ) é perigoso ( ) não deveria ser feito ( ) deveria ser mais utilizada ( ) não tenho opinião

8. Você conhece outras aplicações para a energia nuclear? Quais?

Vimos no capítulo 4, sobre a importância do uso correto da linguagem científica, para que haja atribuição de significados e construção de conhecimentos por parte do aluno. Logo, a pesquisa sobre as concepções prévias dos alunos torna-se necessária, para que tenhamos a certeza de estarmos falando a mesma linguagem, e, assim, quando por exemplo, falarmos em radioatividade, termos certeza de que nossos alunos entendem do que estamos falando. Afinal, sabemos que a televisão passa muita informação “científica”errônea na forma de desenhos animados e filmes, e nossos alunos não tem uma base para separar o que é verdade do que é ficção em ciências, muitas vezes formam idéias que não correspondem à realidade.

A primeira questão do questionário sobre pré-concepções tinha por objetivo verificar possíveis diferenças no grau de conhecimento em função da idade, e conseqüentemente, da experiência de vida do aluno. Os outros indicadores segundo os quais o questionário foi organizado e seus objetivos foram:

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• Conhecimento: verificar o conhecimento de símbolos presentes no cotidiano relacionados à radiação e quanto aos materiais que são fonte de radiação, suas aplicações e também quanto ao uso da energia nuclear.

• Uso de meios de comunicação e de tecnologias de informação: verificar o hábito de leitura de livros, jornais, etc. e uso de televisores, computadores (acesso à internet).

• Opinião/Atitudes: verificar a opinião dos alunos sobre o uso da energia nuclear e a percepção deles sobre riscos e benefícios desse uso.

A partir das questões levantadas iniciou-se um diálogo professora/ alunos e alunos/alunos a respeito do tema, com apresentação do espectro eletromagnético e leitura de textos sobre a descoberta da radioatividade, seus usos civis iniciais e as consequências, o uso militar e as conseqüências, levando o debate para as políticas desarmamentistas atuais. Foi muito interessante e proveitoso, o fato dos alunos estarem estudando a segunda Guerra Mundial na disciplina de História, e já terem discutido nas aulas sobre o lançamento das bombas atômicas no Japão. Concomitantemente ao debate e leitura de textos, foi trabalhado o conteúdo relativo ao tema: as partículas atômicas, os tipos de radiação e suas características, as leis de emissão das radiações e conservação de carga/massa, diferença entre fissão e fusão nuclear. Para finalizar a discussão, apresentou- se um vídeo de 30 minutos, disponível a professores pelo Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP- São Carlos, “ O átomo

visto de perto”, que discute também algumas aplicações dos radioisótopos e o

destino do lixo nuclear. Nesta atividade, os alunos foram convidados a citar algumas vantagens e desvantagens do uso da energia nuclear.

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Com todo esse procedimento, que durou oito aulas no total, buscou-se corrigir algumas concepções inadequadas do ponto de vista científico, como por exemplo, o de que pilhas e baterias são materiais radioativos ou de que energia atômica está principalmente relacionada com fabricação de bombas; o que serviu também um pouco para corrigir distorções de visão da ciência por parte dos alunos e aprimorar o conhecimento de conceitos químicos. Ressalta-se que ainda persistiu a necessidade de apresentação de um material didático que, trabalhando junto com conceitos e simbologia fundamentais sobre o átomo e suas transformações, desse uma visão mais ampla e detalhada sobre aplicações pacíficas de radioisótopos, criando condições para uma aprendizagem mais significativa.