Entrevista 5 – São-tomense vítima de violência doméstica, ex-residente de um Centro
de Acolhimento para mulheres e crianças vítimas de violência doméstica, regular R – Boa tarde.
E5 – Boa tarde Raquel.
R – (Risos) Gostava de saber onde nasceu? E5 – Nasci em São Tomé e Príncipe.
R – Quais os motivos que a levaram a imigrar e há quanto tempo se encontra em Portugal?
E5 - Imigrei por motivos de baixa médica e uma junta médica, desculpa lá… eu já estou ai há 14 anos.
R – Mas…junta médica, veio cá…
E5 – Junta medica a fim de fazer um tratamento aqui em Portugal, eu aqui entrei, eu aqui encontrei o pai dos meus filhos, eu aqui fiquei (risos).
R – Como é que foi o processo de adaptação, sentiu dificuldades em adaptar-se a Portugal?
E5 – Eu até que não senti muita dificuldade em adaptar, felizmente cheguei num momento do Outono, mas ao princípio era muito frio, era muito frio, esta parte é que custou tanto, mas depois nada me custou. Foi Fácil encontrar documentação, foi fácil fazer as minhas coisas, foi fácil encontrar trabalho aí não tive muita dificuldade de adaptação.
R – Como é que o conseguiu, fê-lo sozinha ou através de amigos, trabalho… E5 – O quê?
R – O trabalho, a casa…
E5 – A casa, eu vim e vivia com um familiar meu, pronto. A nível do trabalho foi com amigos.
R – O que a levou pedir apoio à APAV, à unidade de apoio ao imigrante? Como soube da existência da APAV?
E5 – A existência da APAV é que não sabia, mas depois com muitas conversas com amigos, com as colegas da escola (a senhora frequentava uma escola profissional), então fui orientada…
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E5 - Foi colegas da sala, foi…orientaram-me que há um apoio às vítimas, que acolhem mulheres vítimas, apoio, de apoio (violência) doméstica, então eu contactei e era Odivelas. Fui atendida em Odivelas, eu lá fui, fui contactada por uma Dr.ª que já não me lembro o nome, tem lá a minha ficha (anexa), infelizmente não lá fiquei porque naquele momento não era muito necessário e posteriormente eu achei necessário contactei o 118, 118 orientou-me é que deu-me o número da APAV de Arroios
R – Qual foi o seu pedido, que tipos de apoio teve da Unidade de Apoio à Vítima Imigrante, quando falou com o…
E5 – Eu quando lá fui falei com o Dr. R., que me encontrava numa situação difícil com o pai do mais novo. Coloquei a situações todas e ele disse-me que eu tinha só uma alternativa, deixar tudo o que estava a fazer para entrar numa Casa Abrigo, tinha dois dias para pensar. Quando eu vi que o caso era ruim por minha parte eu pensei, não pensei, tomei a decisão logo. E assim ele disse que logo, pronto, ao meio dia terá que estar ali e felizmente encontrei lá as doutoras, as duas (equipa técnica da casa abrigo Alcipe), depois elas me puseram no carro e levaram para a Casa Abrigo.
R – Que tipo de apoio recebeu, psicológico, jurídico, emocional, social.
E5 – Eu acho que apoio psicológico eu recebi pouco. (pareceu-me que a ex-utente se refere à Casa Abrigo) Pouco, pouco porque até agora o que eu muito preciso é de apoio psicológico, preciso mesmo, só eu é que sei o que vivo dia a dia, mas é uma carência que elas têm lá dentro. Recolhem informações, escrevem muito, falam muito, mas não há soluções e as pessoas saem sem muitas soluções para a vida.
R – E a nível de apoio social, procurar trabalho, casa, subsídios e esse tipo de apoios. E5 – Esse apoio também foi o mínimo porque fiquei com o meu filho mais velho fora, sem onde estar, pedi muitos apoios sociais a nível lá dentro, como a nível social dentro do país, não consegui, não vi ninguém que me pudesse ajudar naquele sentido. Pedir uma casa, ahh, uhh.. Uma casa…da câmara. Não consegui, porque também não tive ajuda, fiz não tive ajuda nenhuma. Pedi…
R – Fê-lo tudo sozinha?
E5 – Tudo sozinha, tudo. É o que tenho mais comigo dentro, até hoje tenho comigo, porque olhe é assim…
R – Não se sentiu…
E5 – Não me senti bem por isso até hoje… R – Não se sentiu…sentiu apoiada o suficiente?
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E5 – O suficiente para as coisas que eu passei para ser considerada uma senhora considerada de apoio á vítima (considero que se esteja a referir a Estatuto de Vítima), porque acho que uma mulher apoio à vítima, ela quando é acolhida, ou é acolhida em geral ou é acolhida sozinha, de uma forma que acolhe a mãe e dois filhos e abandona o outro é difícil uma mãe abandonar o outro filho. Foi uma parte muito ruim da minha vida até hoje, ainda me sinto muito afectada com isto.
R – Que solução arranjou para o seu filho, foi também através de amigos e familiares e de esforço seu. Não teve qualquer tipo de apoio da segurança social, da instituição?
E5 – Não tive apoio nenhum, foi tudo o meu esforço e tive que obrigatoriamente pegar no recibo verde, que eu não queria trabalhar com recibos verdes, mas tinha que fazer porque eu tinha que sair daquela casa a favor daquele outro mais velho (refere-se ao filho) e assim que eu arranjei a minha casa estamos juntos.
R – Em relação ao apoio social, psicológico que sentiu que não tivesse grande impacto na sua vida, embora a associação tivesse a prestar esse tipo de apoio, ainda falado na Unidade de Apoio à Vítima, com o Dr. R., acha que a resposta foi rápida e eficaz dentro daquilo que eles podiam fazer porque o apoio dentro de um gabinete é diferente de uma Casa Abrigo. O que é que achou da resposta e do apoio.
E5 – A resposta Dr. R. foi uma resposta com muita emergência, até que ele me disse que a senhora tem dois dias para decidir, também não pensei mais que dois dias e cumpri a minha decisão.
R – Durante quando tempo foi acompanhada pela APAV, pela UAVIDRE, a Unidade de Apoio à Vítima Imigrante?
E5 – Pelo menos lá fiquei uns 15 meses. R – Na casa…
R – Como construiu o seu plano de segurança pessoal, como quebrou o ciclo de violência? Fê-lo sozinha, fê-lo acompanhada pela equipa técnica? Como é que fugiu ao perigo? Ou foi só apenas a Casa Abrigo foi uma resposta eficaz para fugir ao perigo?
E5 – Exactamente, a Casa Abrigo foi uma resposta eficaz, mas eu na primeira hora eu só tive a pensar em deixar tudo. O que era deixar tudo, era…
R – Por segurança…
E5 - por segurança tive que deixar a minha formação, que estava a fazer. É o que mais me chocou até então foi deixar aquele curso a meio, mas pronto tinha que ter segurança social (segurança pessoal), tinha que deixa-lo e o que me custou também fazer foi deixar o meu filho
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sem uma segurança, deixa-lo de mão em mão, como ele ficou de mão em mão, de casa em casa, que nem a APAV conseguiu dar resposta disso.
R – Que idade tinha o seu filho? E5 – Tinha dezasseis anos e meses.
R – Como é que avalia, em geral, como é que avalia o apoio prestado pela instituição por exemplo, quando foi para a instituição disseram que tinha direito a apoio social, jurídico e psicológico. Já referiu que o psicológico é fraco e ainda hoje devia ser acompanhada e não se sente acompanhada. A nível social referiu-me que a senhora…
E5 – Tive falta de apoios…
R – Também sentiu uma lacuna na falta de apoio social e teve, teve que fazer…todos os apoios teve que ir à procura sozinha.
E5 – É assim… R – E a nível jurídico?
E5 – Sim, a nível jurídico eu acho que falta, falta algo dentro da Casa Abrigo porque uma vez, eu falo por mim, não sei mas, não sei se porque eu sou africana ou se é a diferencia de coisas (a senhora apontou para a cor da sua pele). É assim, uma vez que a APAV responsabiliza receber as mães deixarem tudo lá fora, era a APAV juntamente com uma instituição qualquer apoiar-nos a sair, apoiar-nos juridicamente. Eu pelo menos se eu, eu fui ao tribunal ultimamente, pedi às doutoras para me levar, mas ora, achei mal, elas me levaram, tive lá sozinha em cima, elas tiveram aqui em baixo. O que se passou lá em cima ninguém sabe, só me fizeram companhia durante a viagem e acho que este acompanhamento é mau porque…
R – O que é que pretendia?
E5 – Pretendia, é assim a Casa Abrigo em sim devia ter mais…como explicar, uma força sobre nós, força de ter algumas declarações, tirar algumas dúvidas perante o tribunal, alguma coisa por escrito, acompanhadas de uma maneira diferente, não é acompanhar da forma de dar uma boleia, eu acho que dar uma boleia, nós não precisamos de uma boleia…
R - O relatório da sua situação que pudesse ter peso…
E5 – Ter peso perante um tribunal, elas uma vez que fogem, porque eu já vi que a Casa Abrigo foge do Tribunal. De uma vez que a Casa Abrigo foge do Tribunal, uma vez que a Casa Abrigo foge do tribunal, nós no Tribunal não temos peso, porque o que é que aconteceu, no Tribunal a senhora disse-me: diz a sua morada, perante o réu”, ah, ah deixa eu quando fiz a pausa a juíza disse: ah deixa, está naquela Casa, pronto só isto. Eu vejo que
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aquela Casa não tem valor para o Tribunal, pelo com o que eu vi, com o que eu fui ali confrontada, eu vi que estar em Casa Abrigo…
R – Será que o problema está na Casa Abrigo ou está na legislação e nas leis que não protegem quem lá está, mas sim os agressores?
E5 – Com certeza é, pelos vistos não é discriminar a Casa Abrigo, mas eu gostaria que a Casa Abrigo tivesse um peso, quando eu digo um peso sobre isto, um relatório nosso, acompanhou-nos, sabe a nossa vida, sabe porque é que lá chegamos. Um relatório nosso mesmo que não caia nas nossas mãos, mas directamente aquele Juiz ou aquela Juíza, a comentar situação daquela outra mãe que passou, que passou por elas, por aquele agressor, porque o que eu vi é que o agressor é mais defendido que a própria mãe que lá estava.
R – Isso passa pelas Leis? Terem que escapar de casa…
E5 – O que eu vi é que o agressor é mais defendido que a mãe que lá está porque nós não temos argumento maior entende, se houvesse uma força da APAV, eu não estou a dizer para as doutoras, uma Dr.ª ou outra dar a cara, uma força delas, um escrito, uma carta por escrito e envia esta carta anoni…, envia esta carta a Tribunal, anexa no processo daquela…
R – Mas falou com elas sobre o assunto?
E5 – Não estou a falar por mim só, estou a falar de uma forma geral, de uma forma geral, porque tanto eu como as outras saímos do mesmo do mesmo modo. Eu acho que devia a ver esse peso, mas também varia das circunstâncias delas, que também aqui desconheço.
R – A nível de apoio psicológico, pediu apoio psicológico?
E5 – Ora, a nível de apoio psicológico naquela Casa não faz sentido.
R – Mas por exemplo, pediu à UAVIDRE, Unidade de Apoio ao Imigrante?
E5 – Não, eu não pedi, porque olha é assim, eu depois de arranjar um trabalho fiquei com a vida mais complexa, dar atenção a mim própria e dar atenção aos filhos é aquilo que eu tenho, a vida ficou mais…não é mais triste, ficou mais pesada para mim, além disso, pelo facto de mudança de residência, mudar de residência também trouxe transtornos porque são muitas coisas em cima umas das outras, por isso eu não estou a conseguir dar atenção a elas todas de uma só vez, que não é fácil.
R – Diga-me uma coisa, recorria outra vez a este tipo de serviço, de instituição? Acha que teve um impacto positivo na sua vida, na sua situação, foi fundamental para sair da situação de vitimação em que se encontrava?
E5 - Ao sair da Casa Abrigo ou ao sair da minha casa? R – Ao sair da sua casa, eles tiveram um papel importante?
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E5 – Eles tiveram um papel importante de acolherem, tá bem, de acolher qualquer uma que lá está, mas deveria haver uma continuação. Não é continuação de nos darem comer, não é só dar comer, uma continuação de nos ajudar nos apoios sociais porque é uma nova vida que nós vamos, pronto nós ou aquelas que têm que começar, é uma nova vida, é uma nova situação, é, é como dizer…
R – Então acha que encaminhar para a segurança social não é o suficiente, eles deviam ter mais peso estas instituições para vocês terem um carácter urgente…
E5 - De dar cumprimento às nossas, à vida nova que nós temos à frente porque se é uma nova vida, é uma nova vida em frente. Eu digo que choro por isso, de ter mudado de residência, afectou muito o filho mais novo, afectou muito o filho mais velho, quer dizer, portanto….eu fiz bem salvar a minha vida e salva-los também, pronto essa parte foi útil, só que deveria haver algum peso maior na parte, perante as pessoas que recorrem a estes lugares, um peso maior a nível social, a nível…
R – A grande lacuna, a grande lacuna foi uma mãe separada de um dos filhos, sendo o filho menor?
E5 – E que nenhuma instituição conseguiu dar a este caso, mesmo a APAV. R – Mas justificaram o porquê de não dar…
E5 – Porque o Dr. R. disse assim: ah, partir dos dezassete anos já não podem entrar na Casa Abrigo.
R – E não recebia nenhum apoio da Segurança social Financeiro que ajudasse. E5 – Nunca recebeu um apoio sequer… fui à Santa Casa
R – Nem alojamento, nem alimentação, nem…
E5 – Nem alimentação, nem a nível social, nem a nível…nadinha, o meu filho ficou de mão em mão, de porta em porta até conseguir dar solução a ele.
R – O que pode ter um impacto negativo a nível psicológico?
E5 – Exactamente, e teve mesmo, teve um impacto negativo a nível psicológico. R – Ele está a ser acompanhado?
E5 – Não está a ser acompanhado, não está ser acompanhado porque a nível da Casa Abrigo também não consegui apoio para ele, a nível social também não consegui, a nível da escola, as coisas eram tantas que nem com a escola conseguiu ter esse apoio para ele. Portanto, é um menino que o seu lado afectivo está a sofrer.
R – Obrigada.
Entrevista 7 – Brasileira vítima de violência doméstica; ex-residente de um Centro de
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R – Quais os motivos que a levaram a imigrar e há quanto tempo se encontra em Portugal?
E7 – Eh, os motivos que me levaram a imigrar foi, era casada com o pai da minha filha a nossa relação não deu certo. Eu fiquei, ele deixou (imperceptível por causa do vento) deixou alguns portáteis lá em minha casa onde a gente vivia e os clientes iam lá e reclamavam e não sei o quê e começou a tornar a minha vida um pouco difícil e ai consegui uma bolsa de estudos para a Madeira, pela empresa, pela empresa, pela empresa que eu trabalhava que era a PRODAM, consegui contactos, consegui uma bolsa e fui para a Madeira estudar. Imigrei e fui para a Madeira estudar. Consegui…
R – Estudou…estuda o quê? E7 – Engenharia informática.
R – E há quanto tempo se encontra em Portugal? E7 – Desde de 2007.
R – Como é que foi o processo de adaptação, sentiu dificuldades?
E7 – Hum…no início sim, a alimentação e a rotina, os horários são factores de diferença do meu país para cá e senti um pouco assim por causa os horários e a comida, mas com o tempo, os amigos e a convivência consegui adaptar-me bem.
R – O que a levou a pedir apoia à APAV?
E7- Eh, conheci um rapaz na Madeira, tipo um namorado não é e fui viver com ele claro, depois de quase seis meses namorando fui viver com ele e começou-me a agredir fisicamente e como eu era imigrante, como ainda não tinha toda a minha documentação ainda não trabalhava só era estudante praticamente ficou com, com poder sobre os meus bens não é, ele era, eu vivia no meu apartamento, mas era ele que me apoiava eu ainda não tinha Segurança Social, ainda não tinha a documentação toda.
R – Estava irregular, não porque… tinha o visto de estudante.
E7 – Não, eu tinha o visto de estudante, mas eu não podia, não tinha pago as coisas era, era estudante não é, então para ser estudante tem que, aqui tem que, é uma coisa má tem que ter tipo uma pessoa que tome conta de si, tipo um…
R – Um representante.
E7 – Um representante, é muito mau isso, isso tinha, tinha que ser modificado não é, nós tínhamos que conseguir sermos independentes, independentemente de sermos estudantes ou trabalhadores sermos independentes não é. Eu tinha dinheiro, mas não era independente, tinha que ter, tinha que ter ele como apoio percebes, por causa da documentação, nas finanças
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tava vinculada no nome dele, pode dizer-se assim entendeu. Depois com o tempo consegui tirar o nome dele, depois que vi de Lisboa para cá, desvinculei dele, arranjei, fiz entrevista na Nova Base, nas empresas de informática aqui em Lisboa, viajava da Madeira prá cá, fazia as entrevistas, até que consegui para a Nova Base.
Nessa época já estava numa Casa Abrigo na, na Madeira, já estava vivendo numa Casa Abrigo na Madeira com a minha filha de seis, na época tinha três anos veio comigo e vivia na Casa Abrigo da Madeira e foi transferida da Casa Abrigo da Madeira para…
R – Por motivos de segurança?
E7 – Sim e porque eu também arranjei em emprego e vim trabalhar para cá. Coisa que não correu muito bem, porque quando cheguei aqui em Lisboa a vaga já tinha sido ocupada e eu tive que procurar de novo emprego, fiquei um mês e meio procurando emprego até que fui.
R – Como é que correu?
E7 – Correu bem, quer dizer de início perdi a vaga fiquei um bocado triste e tive que ficar um mês e meio procurando emprego novamente e fui andar atrás das empresas, levei meu currículo debaixo do braço, batendo de porta em porta, envia e-mails e um mês e meio consegui emprego e regularizei a minha documentação também.
R – A senhora recorreu ao UAVIDRE, à Unidade de Apoio ao Imigrante?
E7 – Sim, recorri. Uma das empresas que eu tinha feito contrato, me prometeu emprego irregular e quando fui ao SEF levar o contrato e a minha documentação eles me reteram e fizeram um tipo de relatório de fiscalização para ver se aquilo que eu tava dizendo era verdade ou não. Queriam, queriam saber da minha vida…
R – Como é que foi o processo?
E7 – Fui, voltei à APAV (deduzo que se estivesse a referir à UAVIDRE), fiz esse, esse relatório com a responsável, depois fui de novo, falei com a Dr.ª da Casa Abrigo onde eu estava, me levou para o Raul Cortês que era o responsável na, na APAV (enganou-se, o técnico jurista chama-se Rui Cortez, Raul Cortês era um actor), ele me deu os passos que eu tinha que, que fazer para regular a minha situação não é, com esse contrato errado, já não usei esse contrato, já deixei o contrato de lado.
R – Como é que se sentiu durante a entrevista que fez no SEF? E7 – Ah, muito mal.
R – Pode-me contar?
E7 – Eh, fiquei nervosa, comecei a chorar, veio a delegada, depois veio um, tipo um segurança, porque aquele contrato que me deram é tipo um contrato a pedir um, um visto incorrecto, não tava muito certo aquilo. Fui para uma sala, ela fez, ela fez um documento, eu
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fiz uma declaração, expliquei os motivos que estava aqui e tudo e fiquei muito nervosa, chorei muito.
R – Como é que eles reagiram?
E7 – Me, me libe…depois de fazer a declaração me liberaram. R – Mas antes, não acreditaram na sua palavra?
E7 – Não, não acreditaram, acharam… R – Foram mal-educados?
E7 – Não, não me trataram mal, mas eu fiquei muito nervosa porque depois veio o segurança me levou para a sala para fazer a declaração e eu fiquei muito nervosa, achei que…que não estava bem, (riso muito subtil) que…
R – E o que é que o Dr. Rui Cortez fez por si? E7 – Me, me encaminhou para o CNAI. R – Para o CNAI…
E7 – Para o CNAI. Que é um órgão que, que cuida dessa documentação e eu fui para o CNAI, conversei com os técnicos e eles me indicaram o que tinha que fazer. Que era encontrar um, um novo docu… contrato de trabalho correcto, a documentação necessária e acho que dentro um mês e meio eu já tinha conseguido esta declaração, que era uma declaração que a empresa tem que dar, foi tirada do contrato trabalho que a empresa dá, visto que você trabalha para ela.
R – Acha que o trabalho na Unidade de Apoio à Vítima Imigrante, a informação que lhe deram foi relevante, foi fundamental para conseguir regularizar a sua situação?
E7 – Sim, foi. Foi importante porque ele, ele me indicou a documentação necessária e como é que eu tinha que proceder pra, pra consegui o visto, e regularizar minha situação em termo de trabalho que era a declaração mais o contrato de trabalho.
R – Que impacto teve o apoio prestado pela UAVIDRE na sua vida?
E7 – O impacto foi positivo, eu já consegui, consegui estruturar minha vida (está a responder pelo o apoio generalizado pela APAV/UAVIDRE e Casa Abrigo), sai do ciclo de violência não é, já sei mais ou menos o que é que eu quero, como é que eu devo reagir, como é que me devo portar, não é. Para não cometer os mesmos erros que cometi no passado, já