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5. HEALTH BEHAVIOUR AND SERVICE UTILIZATION

5.4 E XPERIENCES FROM DIFFERENT HEALTH CARE SERVICES IN N ORWAY

5.4.1 The emergency clinic

O objeto de estudo desse caso é a Comunidade Quilombola do Cedro, sendo que a pesquisa foi focalizada no processo de formação sócio-espacial da comunidade e nas estratégias de sobrevivência e permanência da mesma frente às mudanças ocorridas nos últimos anos no sudoeste goiano e o levantamento do conhecimento etnobotânico, focado nas plantas medicinais. Neste contexto o referencial teórico adotado constitui na busca de conceitos e levantamentos sobre comunidades quilombolas e sua relação etnobotânica.

Na metodologia desta pesquisa buscou-se o estudo de caso, considerando os aspectos preconizados por Rodrigo( 2008) e Gil (2002) que permitem uma análise em profundidade dos processos e das relações entre os mesmos.

O estudo de caso como metodologia de investigação possibilitou a

definição de quatro, fases que são apontadas por Gil (2002): a) delimitação da unidade de estudo; b) coleta de dados; c) seleção, análise e interpretação dos dados; e d) elaboração do relatório.

A primeira fase consistiu na delimitação da unidade de estudo, a segunda etapa, que consistiu na coleta de dados foi realizada utilizando-se vários procedimentos qualitativos e quantitativos: aplicação de questionários com perguntas fechadas e abertas, observação não participante, entrevistas formais e não formais e análise documental; a terceira etapa consistiu da: seleção, análise e interpretação dos dados, sendo que a seleção dos dados teve um direcionamento em função dos objetivos delimitados na pesquisa.

3.2.1 Coleta e Análise dos Dados

O processo de coleta de dados através da observação, questionário, entrevista e análise documental, ocorreu no período, compreendido entre os meses de agosto de 2007 e agosto de 2009, totalizando dois anos de pesquisa a campo.

Para coleta de dados foram utilizadas amostras não probabilísticas. Para Silva e Menezes (2001), amostra é a parte da população pesquisada, selecionada de acordo com uma regra ou plano. Desta forma, “as amostras são as parcelas convenientemente selecionadas do universo (população), é um subconjunto do universo” (MARCONI; LAKATOS, 2008, p. 165). Dentro da amostra não probabilística foram utilizadas amostras acidentais e amostras intencionais. As acidentais ocorreram no levantamento sócio econômico da comunidade e as intencionais se deram nas entrevistas com alguns informantes específicos, como o presidente da associação, agente de saúde e mulheres que trabalham no Centro de Plantas Medicinais do Cedro.

Apesar de coletado, os nomes dos moradores entrevistados não foram citados nessa pesquisa, preservando suas identidades, a fim de dar maior liberdade aos entrevistados para opinarem e transmitirem as informações requisitadas em cada questão.

Em alguns momentos da pesquisa foram utilizados questionários, que para Marconi e Lakatos (2008, p. 202), são constituídos por uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador. Esta técnica foi utilizada nessa pesquisa a fim de responder algumas questões que contribuíram para o levantamento sócio- espacial da comunidade.

Durante o período de coletas de dados foram feitas entrevistas formais e informais de natureza individual e/ou coletiva. As entrevistas informais eram realizadas principalmente com o objetivo de conhecer as pessoas da comunidade, familiarizar-se com alguns termos, fazendo parte também do processo de observação.

Todas as informações obtidas através das entrevistas foram anotadas no caderno de campo e/ou gravadas. As entrevistas formais foram realizadas a fim de buscar informações contidas na fala dos atores sociais, enquanto sujeitos-objeto que vivenciam a realidade estudada, levantando assim, dados relativos à moradia, modo de vida, formação sócio-espacial, saúde, educação, valores, cultura, atitudes e opiniões dos sujeitos entrevistados.

Nas entrevistas formais utilizamos entrevistas padronizadas e estruturadas utilizando um roteiro, que consistia em perguntas que visavam responder os objetivos da pesquisa. Essas perguntas faziam parte de um

roteiro proposto a partir dos objetivos da pesquisa, composto pelo Formulário de Diagnóstico Sócio-econômico (apêndice A), onde eram abordados os seguintes temas: dados gerais do entrevistado, características da unidade familiar, características econômicas, levantamento da propriedade e produção. A aplicação de uma entrevista requer tempo bem maior do que o de resposta de um questionário, elevando desta forma o seu custo, se o número de entrevistado for grande. Porém a quantidade de informações obtidas com a entrevista é maior do que as adquiridas com os questionários (BARBOSA, 2008).

O levantamento etnobotânico foi realizado juntamente com as entrevistas formais, porém utilizando o Formulário de Levantamento Etnobotânico (apêndice B) que tinha questões referentes ao nome vernacular, uso, parte da planta utilizada, preparações terapêuticas, etc. Esse formulário foi realizado seguindo o modelo de Silva (2002).

As espécies citadas pelos moradores foram registradas por meio de fotografias digitais, algumas coletadas, sendo que estas coletas e registros foram utilizados para identificação das espécies com ajuda de especialistas e consulta à literatura principalmente Ioris (1999), que trata sobre as plantas do Cerrado existente no local estudado e auxiliado por Lorenzi e Matos (2002) e Souza e Lorenzi (2005). Parte das plantas citadas pelas pessoas foi encontrada em seus próprios quintais, que têm uma diversidade considerável. O caderno de campo também foi muito importante para anotar outras informações sobre as plantas.

Os formulários foram previamente elaborados e testados de forma oral e individualmente às pessoas, preferencialmente o responsável pelo grupo familiar, o que em muitos casos não foi possível em razão da ausência do mesmo. A fala dos entrevistados foi registrada através do sistema de anotação simultânea e em algumas vezes por gravação.

A abordagem foi feita diretamente nos domicílios, sempre contando com a compreensão, disponibilidade e boa vontade dos entrevistados. Mesmo que isso implicasse em uma demanda de tempo, foi gratificante e as conversas fluíam à medida que ia aumentando o grau de confiança, o que representa uma maior confiabilidade nos dados coletados.

Seguindo as modalidades de observação, caracterizadas por Ander-Egg (1978), apud Marconi e Lakatos (2008), essa pesquisa pode ser classificada da seguinte forma: segundo os meios utilizados, como uma pesquisa assistemática; segundo a participação do observador, como uma pesquisa não participante; segundo o número de observações, como uma pesquisa individual; segundo o lugar onde se localiza, como uma observação efetuada na vida real.

A observação sistemática pode ser considerada como estruturada, planejada, administrada, realizada em condições controladas para responder a propósitos estabelecidos, as regras não precisam ser padronizadas nem tampouco rígidas demais, mas devem ser planejadas e sistematizadas com cuidado. Neste tipo de observação, o observador sabe o que procura e o que carece de importância em determinadas situações (MARCONI; LAKATOS, 2008).

Na observação não participante “o pesquisador toma contato com a comunidade, grupo ou realidade estudada, mas sem integrar-se com ela: permanece de fora”. (MARCONI; LAKATOS, 2008, p. 195). Apesar de o pesquisador presenciar o fato, ele não participa dele, não se deixa envolver pelas situações, exerce o papel de um expectador. Porém essa técnica deve ser empregada de forma consciente, dirigida e ordenada, com um caráter sistemático.

Segundo o número de participantes foi utilizada a observação individual, ou seja, a técnica utilizada por apenas um pesquisador, onde para Marconi e Lakatos (2008, p. 196), “a objetividade dele se projeta sobre o observado, fazendo algumas interferências ou distorções, pela limitada possibilidade de controles”, mas que, portanto “pode intensificar a objetividade de suas informações, indicando ao anotar os dados, quais são os eventos reais e quais são as interpretações”.

Quanto ao lugar onde se localiza o objeto de pesquisa, as observações foram realizadas no ambiente real, ou seja, na própria comunidade do Cedro e os dados foram registrados na medida em que aconteciam. Desta forma Marconi e Lakatos (2008, p. 197), destacam que “a melhor ocasião para o registro é o local onde o evento ocorre. Isto reduz as tendências seletivas e a deturpação na revocação”.

Este período de observação ocorreu em alguns momentos entre agosto de 2007 e agosto de 2009, com a presença em reuniões, festas, trabalho de campo, palestras, etc. Neste intervalo, o pesquisador procurou ficar o máximo de tempo em contato com a comunidade, sendo que as entrevistas e questionários foram aplicados entre julho de 2008 a julho de 2009.

Outra fonte importante de dados foi a própria comunidade do cedro, de onde foram extraídas várias informações, corroborando com Barbosa (2008), que afirma que os registros na organização devem ser uma das primeiras fontes de informações a serem consideradas. Esses registros geralmente estão sob a forma de documentos, livros, fichas, relatórios ou arquivos em computador. Nos arquivos da própria comunidade analisamos importantes bibliografias que citavam a comunidade, filmes de produtores que trabalharam na comunidade do cedro, jornais, revistas, sites, encartes e vários outros materiais dentro da própria associação, que foram importantes para o processo de coleta de dados desse trabalho.

Outros dados secundários foram obtidos através da literatura e de alguns Institutos e órgãos de pesquisa, dentre eles: Instituto Nacional de Geografia e Estatística - IBGE, Secretaria Estadual de Planejamento – SEPLAN, Fundação Cultural Palmares, Instituto Nacional de Reforma Agrária, Prefeitura Municipal de Mineiros, Agencia de Desenvolvimento Regional de Goiás – AGDR, Agência Goiás e outras fontes que se tornaram confiáveis; etc. A fim de ilustrar o cotidiano vivenciado por essa comunidade e aumentar o grau de conhecimento em relação à comunidade, foram utilizadas máquinas fotográficas; outros materiais ou instrumentos empregados para o desenvolvimento desse trabalho foram: Mapa da Comunidade do Cedro; microcomputador para tabulação e análise dos dados; software Microsoft Excel; software Corel Draw; software ArcGis 9.2; veículo e mapa urbano da região do Sudoeste de Goiás.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO