3 RESULTATER OG DISKUSJON
3.5 Elver overvåket i kommunal og statlig regi
SEXO Frequência Porcentagem
1º Ano 2º Ano
MASCULINO 3 5 36,4
FEMININO 8 6 63,6
IDADE (anos)
IDADE Frequência Porcentagem
1º Ano 2º Ano 14 1 0 4,5 15 7 2 41,0 16 3 8 50,0 17 0 1 4,5 TURMA
TURMA Frequência Porcentagem
1º Ano 11 50,0
2º Ano 11 50,0
Esses alunos fazem parte de turmas que são consideradas pela direção da escola e pelos professores como muito agitadas, mas também como comprometidas. De uma forma geral, essas turmas cumprem com as atividades propostas em sala pelos professores e, especificamente nesse grupo, o rendimento da maioria dos alunos, na disciplina regular de matemática no primeiro semestre de 2011, foi acima de 60%, como pode ser observado no QUADRO 2.
QUADRO 2 −−−− Aproveitamento na disciplina regular de matemática (1º/2011)
Aproveitamento Nº de alunos
Acima de 70% 9
60 a 69% 7
50 a 59% 6
Apresentamos, a seguir, algumas informações, coletadas através do questionário e do teste TAE-A, referentes à relação pessoal e a estabelecida pela família que esses alunos tinham com o dinheiro, bem como um pouco sobre suas interações com algumas questões econômicas, seus planos e sonhos.
2.4.1 Relação com o dinheiro
Dentre os vinte e dois alunos participantes, dezenove declararam já terem recebido mesada dos pais, oito estavam desenvolvendo alguma atividade remunerada e quatro mantinham contato com redes bancárias através de conta corrente ou Caderneta de Poupança. Isso nos mostra que, apesar de estarmos trabalhando com alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio, a maior parte deles tinha contato com quantias fixas mensais e, portanto, de uma forma ou outra, estavam gerindo o seu próprio dinheiro, embora apenas quatro (18%) mantivessem relação com as redes bancárias.
Dezenove alunos (86%) admitiram preocupar-se em poupar algum valor. Porém, para quinze desses alunos, o objetivo da poupança era acumular quantias para, em curto prazo, consumir com objetos de uso pessoal ou em momentos de lazer. Apenas quatro alunos afirmaram poupar tendo em vista alguma preocupação com o futuro ou a sua independência financeira. Desses, apenas dois utilizavam a Caderneta de Poupança para guardar dinheiro. Esses dados sugerem que, apesar de terem consciência da necessidade de economizar, a maioria desses alunos o fazia sem planejamento ou objetivos específicos.
Ao serem questionados sobre as formas conhecidas para se ganhar dinheiro, metade dos alunos não citou o termo “investimento” e se limitou a mencionar o trabalho, a loteria e, até mesmo, as atividades ilícitas. Pelas respostas do questionário e em concordância com observado no teste TAE-A, constatamos que a maioria desses alunos conhecia como investimento apenas a aplicação na Caderneta de Poupança. Apenas um aluno mostrou conhecer o investimento com a compra de imóvel e seis citaram o investimento na Bolsa de Valores.
Ao serem perguntados sobre os planos que teriam caso ganhassem duzentos reais e quarenta mil reais, constatamos que o tratamento dado a essas quantias foi diferente: para a quantia maior, dezesseis alunos afirmaram que iriam investir pelo menos uma parte da quantia; para a quantia menor, o termo investimento não apareceu e a maior parte iria gastá-lo. Observamos que o termo investimento, para a maioria desses alunos, pode estar associado a valores altos de dinheiro e que pequenas quantias não são valorizadas para esse fim.
Com relação às compras a prazo, identificamos que dezessete alunos preferiam o pagamento à vista à aquisição de uma dívida a prazo. Quatro preferiam a compra a prazo para obterem sobra no mês e gastarem com outras coisas. Observamos que apenas um
aluno tentou fazer uma análise de como melhor gastar o dinheiro para responder a essa pergunta, já que afirmou que iria comprar a prazo para investir o restante. Mas podemos generalizar que esses alunos não analisaram matematicamente a viabilidade da compra a prazo ou à vista.
Portanto, de uma forma geral, podemos afirmar que esses alunos, embora tivessem contato com quantias fixas mensais, não se organizavam financeiramente em relação a algum investimento e não se preocupavam com reservas financeiras para o futuro.
2.4.2 Família x Educação Financeira
O hábito de se fazer um orçamento mensal de gastos mostra uma preocupação em organizar o uso do dinheiro. Os pais que têm esse hábito, além de terem um melhor planejamento para o uso do seu dinheiro, tendem a ensinar, de forma direta ou indireta, essa prática para os filhos. O incentivo ao planejamento financeiro pessoal, que constitui um dos objetivos das atividades desenvolvidas, tem como ponto de partida o orçamento mensal dos gastos. Por isso, os costumes familiares em relação a esse planejamento, bem como o hábito de se conversar sobre ele e sobre a vida financeira são importantes para conhecermos algumas das influências familiares que esses alunos trazem consigo.
Em relação a isso, constatamos que metade das famílias tem o costume de fazer esse orçamento e que sete alunos não têm o hábito de conversar com os pais sobre dinheiro ou participar dos momentos familiares de decisão de compra. Isso confirma a nossa hipótese de que algumas famílias não se preocupam com essas questões e, possivelmente, esperam que a educação financeira seja trabalhada na escola ou que o aluno aprenda de forma natural.
Todos que afirmaram conhecer quanto gastam mensalmente − cerca de 50% dos alunos − pertencem a famílias que têm o costume de fazer o orçamento dos gastos ou a famílias que conversam com frequência sobre o dinheiro ou sobre o seu futuro financeiro. Porém, apesar disso, nenhum utilizava anotações ou algum software para registrar ou se organizar financeiramente.
2.4.3 Os alunos e algumas questões econômicas
Diariamente, através dos jornais, das notícias na internet e outros meios, convivemos com informações que tratam de questões econômicas, mas, muitas vezes, essas informações são negligenciadas e sequer entendidas por muitas pessoas. Por isso, escolhemos três assuntos que estavam sendo tratados pela mídia no período da pesquisa de campo ou que tinham sido tratados há pouco tempo para serem abordados no questionário: inflação, crise econômica de 2009 e proibição das sacolas plásticas. Com essas questões do questionário e outras do teste TAE-A, relacionadas à temática, procuramos identificar o quanto os alunos estavam interagindo com/ e entendendo esses assuntos.
Em relação à inflação, constatamos que, dentre os 22 alunos participantes, quatro afirmaram não terem sido afetados com a variação da inflação e 18 responderam afirmativamente. Porém, dentre esses, dois não souberam explicar o porquê e os outros justificaram dizendo que o aumento da inflação faz com que os preços subam e, consequentemente, eles são obrigados a comprar menos. Percebemos, através das respostas, que, apesar de terem uma noção sobre o significado do termo inflação, esses alunos não conheciam de forma correta o seu significado e como esse índice é calculado. Eles mostraram pensar que o valor da inflação é que altera o valor dos preços e não o contrário. Apenas uma aluna argumentou, corretamente, que a inflação causa a desvalorização do seu salário. Essas conclusões foram confirmadas ao analisarmos as respostas do teste TAE-A e constatarmos que a maior parte dos alunos errou as questões relacionadas à inflação e ao seu cálculo.
Estudando as respostas sobre a crise de 2009, constatamos que quatorze alunos (64%) disseram que não sofreram impacto da crise. Dentre os outros alunos, que manifestaram ter sofrido tal impacto, um mencionou o aumento dos preços de produtos importados; outro se referiu ao aumento nos preços das viagens, dos produtos essenciais e à baixa na Bolsa de Valores; três citaram a queda no salário de seus pais e dois alunos não souberam explicar. Assim, em relação a esse fato, a maioria desses alunos não se sentiu atingida pelos efeitos dessa crise e, posteriormente, através de observação, constatamos que a maioria também não acompanhou os efeitos causados por ela no mundo.
Há poucos meses havia sido sancionada uma lei que proibia a utilização das sacolas plásticas no comércio de Belo Horizonte, e os alunos estavam passando por um processo de adaptação, acostumando-se à necessidade de levar suas próprias sacolas ou
pagar por elas. Em relação à questão que aborda essa proibição, verificamos que dezessete alunos se posicionaram a favor da proibição e se justificaram pelas vantagens que essa ação traria ao meio ambiente. Os cinco alunos que se mostraram contra a medida se pautaram na ineficácia dessa proibição e no incômodo em se carregar as compras sem as sacolas. Observamos que oito alunos afirmaram não terem sido afetados por essa proibição e que, aproximadamente, metade acreditava que essa medida não afetou a economia de Belo Horizonte. Os alunos que julgaram terem sido afetados apontaram a necessidade de terem que levar ou comprar sacolas de pano, plástico ou caixas. Identificamos, portanto, que a maioria dos alunos ficou focada nos incômodos pessoais e não estabeleceu uma relação entre essa proibição e as mudanças ocorridas na economia de Belo Horizonte.
2.4.4 Os alunos, seus planos e sonhos
Através do questionário, observamos que, de uma forma geral, esses alunos estavam passando por uma fase em que os estudos se mostraram como prioridade e, excetuando um deles, os planos apontados para um prazo de até dois anos, compreendiam serem aprovados nos estudos e passarem no vestibular. Há também um grupo de seis alunos que afirmou planejar a compra de um carro, um aluno cuja resposta foi planejar um intercâmbio e dois alunos que responderam querer juntar dinheiro.
Já para um prazo médio de 15 anos, observamos que para a maioria, cerca de vinte alunos, os planos estavam relacionados à carreira profissional e ao que pode ser adquirido com o dinheiro vindo dessa carreira. Foram citados como objetivos a compra de imóveis, a realização de viagens e o alcance de uma estabilidade financeira. Cerca de 50% dos alunos se referiram a planos relacionados à constituição de uma família como casar e ter filhos.
Analisando as respostas para um prazo de 30 anos, observamos que dezoito alunos manifestaram o desejo de ter estabilidade financeira e uma boa aposentadoria, sete planejavam ter uma família e dois afirmaram desejar viajar muito.
De uma forma geral, esse grupo de alunos fez referência à importância da Educação Financeira em suas vidas. Em relação aos planos e desejos em um curto prazo, destacam-se a conclusão da Educação Básica e a aprovação numa faculdade. Em médio prazo, o foco passa a ser a carreira profissional. Por fim, a longo prazo, objetivava-se a
estabilidade financeira e uma boa aposentadoria. Durante todo esse processo, permeia o desejo da constituição de uma família e a aquisição de alguns bens tais como casa e carro.
2.5 Sobre as atividades
2.5.1 Assuntos abordados nos encontros
Apesar das atividades terem sido elaboradas de acordo com o desenvolvimento do trabalho de campo definimos, previamente, os assuntos que seriam abordados. Como já se disse, utilizamos como ponto de partida a minha experiência e tomamos como referência um levantamento bibliográfico sobre Educação Financeira e Econômica constituído de artigos, de reportagens, de livros e de trabalhos acadêmicos obtidos junto ao banco de teses e dissertações da CAPES.
Além das produções acadêmicas, também tivemos como referência alguns textos mais populares como livros, tidos como best sellers, que tratam a Educação Financeira numa perspectiva mais popular, mas principalmente em um formato mais simples e de fácil compreensão. Muitas vezes, esses textos são mais atraentes para as pessoas no que diz respeito à introdução de temas tidos como difíceis. A utilização desses materiais partiu da ideia de que estes textos de consumo rápido são largamente disseminados. Paula e Wood Jr (2003) fazem uma análise sobre o fenômeno dos livros populares de gestão e revelam que os livros sobre finanças pessoais vêm conquistando uma fatia cada vez maior do público. Assim, a utilização crítica desses recursos em sala de aula pode promover a leitura e apropriação crítica e reflexiva desses produtos pelos alunos.
De uma forma geral, os assuntos tratados no trabalho de campo podem ser distribuídos em dois grupos que denominamos como “Organização Financeira Pessoal” e “Investimentos”. Esses dois grupos se complementam já que entendemos, assim como Santos (2009), Kern (2009), Cerbasi (2004), Macedo Jr (2007) e outros, que as pessoas que aprendem a gerir as suas próprias finanças e passam a gastar menos do que ganham devem investir a diferença a fim de alcançarem melhor qualidade de vida e a realização dos seus sonhos.
Esses assuntos estão organizados no QUADRO 3 e dispostos em ordem cronológica, de acordo com a sequência em que foram abordados.
QUADRO 3 −−−− Assuntos abordados no trabalho de campo