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Fornybarsatsingen og kraft- og klimakvotemarkedet (en modellbetraktning) 100

5 VURDERING AV ELSERTIFIKATORDNINGEN

5.5 Mulige virkninger av fornybarsatsingen i kraft- og klimakvotemarkedet

5.5.2 Fornybarsatsingen og kraft- og klimakvotemarkedet (en modellbetraktning) 100

Solé (1998), na obra “Estratégias de Leitura”, comenta sobre o desafio que a escola enfrenta no que se refere à formação de leitores competentes, que saibam agir com autonomia nas sociedades letradas. O que é mais grave ainda, na concepção da autora, ao se levar em conta o número de analfabetos funcionais, pessoas que, mesmo tendo frequentado a escola e aprendido a ler e a escrever, não conseguem utilizar a leitura e a escrita com autonomia. Sendo a leitura e a escrita conteúdos prioritários nos anos iniciais, a leitura deve ter espaço privilegiado no planejamento docente, através de atividades diárias.

No âmbito escolar, as duas formas de leitura mais desenvolvidas são a leitura silenciosa e a leitura em voz alta. A primeira não permite trocas, a não ser do leitor com o texto, é como se fosse um monólogo ou, no máximo, um diálogo entre o leitor e o texto. Trata-se de uma forma de leitura que costuma deixar o ambiente calmo, silencioso. A leitura silenciosa é uma importante estratégia de leitura sugerida pelo professor, desenvolvida principalmente em atividades como hora da leitura, estudo, compreensão e interpretação de texto. A segunda opção, a leitura em voz alta, geralmente é feita por um ou mais alunos de um determinado tipo de texto. Como estratégia, o professor faz a leitura ou solicita que o aluno faça a leitura em voz alta do texto ou pede que um aluno leia um fragmento enquanto os demais acompanham o texto e aguardam a sua vez para dar continuidade.

Giardinelli (2010, p, 113) reforça a importância dessa estratégia de leitura – a leitura em voz alta – feita pelo professor, para fomentar a leitura: “A leitura em voz alta é para mim o caminho mais poderoso do fomento à leitura. É a via ideal, quase perfeita para o estabelecimento de uma relação amigável com a leitura e com os livros, e, consequentemente,

para o acesso ao conhecimento”. Para o autor, essa forma de leitura, é “o melhor caminho para criar leitores” (GIARDINELLI, 2010, p. 115). Embora a leitura silenciosa e a leitura em

voz alta sejam estratégias importantes para o desenvolvimento de atos de leitura, há outras possibilidades de atividades que podem tornar os momentos de leitura atrativos para as crianças. Com esse propósito, selecionam-se, a seguir, algumas das diferentes estratégias de leitura desenvolvidas nas turmas investigadas durante o desenvolvimento da pesquisa.

a) Adivinhe a palavra

No primeiro ano, a leitura de palavras acontecia diariamente. Muitas vezes, a professora registrava palavras no quadro e outras vezes as entregava registradas em folha,

solicitando que as crianças fizessem a leitura. Quando a leitura era individual, sempre havia palavras para todos lerem. Dessa forma, nenhuma criança ficava sem participar da atividade. Além da leitura de palavras colocadas no quadro ou registradas em folha, outra atividade de leitura de palavras ocorrida na turma estava relacionada com a ideia de ler para adivinhar a palavra, uma atividade associada ao gênero textual charadinha (consiste em apresentar apenas uma parte da palavra, podendo faltar nela letras ou sílabas e, se necessário for, dar pistas para descobrir qual é a palavra).

Essa atividade me trouxe a lembrança do tempo em que eu trabalhei como alfabetizadora de jovens e adultos, quando desenvolvi com alunos, alfabetizandos da EJA, uma atividade similar a essa. Na atividade, os alunos tinham que adivinhar as palavras que estavam faltando em frases registradas no quadro ou em folha. Essas palavras eram selecionadas de textos lidos, geralmente informativos, extraídos de jornais, revistas ou outros materiais de leitura. As palavras eram apresentadas num contexto (frase). Às vezes, faltavam letras (geralmente mais do que uma em cada palavra), em outras, sílabas. A diversão estava nas pistas dadas para se descobrir a palavra. O desafio estava na escrita da palavra e na leitura da frase completa.

Na escola pesquisada, na turma do primeiro ano, foi possível perceber que uma atividade de leitura de palavras foi transformada em um momento de diversão, integração e brincadeira, sem, com isso, deixar-se de trabalhar a formação leitora e contemplar o processo de alfabetização. Dessa forma, o ato de ler tornou-se atrativo para as crianças que buscavam descobrir quais eram aquelas palavras. As palavras selecionadas para estas atividades quase sempre estavam relacionadas com o projeto desenvolvido na turma, “A arca de Noé”.

b) Da leitura ao desenho

A turma do primeiro ano gostava de desenhar. Isso também se devia ao fato de a professora da turma desenhar bem e ensiná-los a fazer desenhos. Com frequência, ela os ensinava a desenhar animais e objetos. Esse gosto era aproveitado também para as estratégias voltadas para a aprendizagem da leitura, ou seja, a professora registrava palavras no quadro e solicitava que as crianças lessem em silêncio e que no caderno reproduzissem o desenho referente àquela palavra. Em outras ocasiões a professora fazia o desenho no quadro e solicitava o registro escrito da palavra no caderno.

c) Sacola de Leitura

A turma do primeiro ano tinha uma sacola de leitura. Conforme a professora: “A ideia

é que cada criança leve para casa a sacola com um livro para fazer a leitura da história junto com a família e que depois possa recontar para os colegas” (P1) (observação registrada

no diário de aula, no dia 21/05/2015). Indubitavelmente, estratégias como a sacola de leitura são interessantes porque não apenas incentivam o hábito da leitura, como também possibilitam a participação e o envolvimento da família nas atividades escolares da criança. Muito se fala sobre a importância da parceria entre família e escola no processo de escolarização e de educação de uma criança, porém, nem sempre ocorrem ações que propiciem aberturas para que as famílias possam participar e acompanhar os processos de ensino e de aprendizagem das crianças. Por isso, ações como essas em que as famílias são convidadas a participar da vida escolar de seus filhos são de grande importância. O PPP da escola apresenta a relevância dessa parceria, citando “a importância da participação atuante

da comunidade escolar para que a parceria escola/família aconteça de fato”.

A proposta da sacola de leitura era realizar, junto com a família, a leitura de uma obra da literatura infantil. Na sequência, desenvolver o reconto da obra para os colegas, em sala de aula. A partir desse reconto feito pelo colega, havia a possibilidade de as crianças conhecerem muitas obras da literatura. Atividades como essas são válidas não somente para estimular o gosto pela leitura e pela literatura infantil, mas também para se trabalhar com as crianças o comportamento para ouvir histórias, algo que também deve ser trabalhado pelo professor. Nessa direção, para turmas em processo de alfabetização, Rana e Augusto (2011) sugerem a criação de uma roda literária, que consiste em o professor organizar uma roda para que as crianças possam apresentar a obra que leram junto com a família. Na sequência, as crianças que ouviram irão dizer o que acharam da obra, se gostaram ou não e o porquê indicam o livro para outros colegas realizarem a leitura. Essa atividade, conforme as autoras, desenvolve nas crianças a capacidade de apreciar as obras e proporciona ao professor identificar preferências literárias.

Além da sacola de leitura, a turma de primeiro ano tinha aproximação com as histórias de literatura infantil por meio dos momentos de contação de histórias semanais, feitos pela professora e por meio da possibilidade de levar livros do canto da leitura para ler em casa. Nos dias de observação, pude presenciar um diálogo da professora e um aluno acerca do cuidado com o livro que era levado para casa. Neste dia, a professora começou a aula fazendo

a oração e, na sequência, conversou sobre os livros do canto da leitura que as crianças levaram para casa.

P1: Leram os livros? Cs: Sim.

P1: Trouxeram para a escola? Cs: Sim.

C1: Eu esqueci em casa.

P1: Tem que cuidar. Isso não pode acontecer. C1: Mas eu tenho muitos livros em casa.

P1: Sim, pode ser, mas este que ‘tu levou’ é da escola, ‘tu tem’ o compromisso de trazê-lo de volta para que outros colegas possam ler o mesmo livro. Não esquece de trazer amanhã, tá?

C1: Tá, prô.

(Observação registrada no diário de aula, no dia 22/05/15)

O diálogo apresenta a ideia de que todos os alunos tinham acesso a todos os livros que se encontravam no canto da leitura, podendo levá-los para casa, porém, tendo a responsabilidade de devolvê-los para que outros colegas pudessem ter acesso aos mesmos livros. Essa também era uma estratégia que contava com a parceria das famílias, visto que os livros saíam do ambiente escolar e ingressavam no ambiente familiar. A parceria entre família e escola, no trabalho que envolvia a leitura, também foi algo identificado na turma de segundo ano. Conforme a professora da turma: “Eu trabalho sempre nas reuniões de pais, eu sempre

intensifico muito os quinze minutos diários de leitura em casa, porque eu acho que, com leitura, o aprendizado da criança é bem melhor. O vocabulário dela é melhor se ela ler bastante, então eu cobro isso dos pais também, não é só aqui na sala de aula, né? Eu incentivo também em casa, né? E mostro ‘pros’ pais a importância da leitura” (P2). De fato,

os momentos de reuniões na escola são oportunidades produtivas para os professores desenvolverem um vínculo com as famílias no sentido de uma parceria no processo de escolarização e educação da criança, como também, podem ser uma ocasião de (in)formação para pais e responsáveis acerca de conteúdos que envolvem o processo de alfabetização, entre eles, a leitura e a escrita.

d) Leitura e as outras áreas do conhecimento

Sabe-se que leitura, escrita e interpretação, embora sejam conteúdos encontrados nos objetivos de língua portuguesa, são trabalhados em diferentes áreas do conhecimento. Em uma atividade de matemática, por exemplo, observei, nas três turmas investigadas, a leitura e

a interpretação de diferentes situações sugeridas pelas professoras. O mesmo ocorreu em outras ocasiões, como em atividades na aula de educação física, quando o planejamento da aula oportunizou a relação entre uma atividade de leitura e uma atividade motora. Nas três turmas, não havia professores especializados em educação física para ministrar as aulas desse componente curricular (as escolas da Rede Estadual, nos anos iniciais do ensino fundamental, trabalham com a unidocência31). Durante a aula de educação física, na quadra coberta, a professora do segundo ano orientou a seguinte atividade: fez um círculo grande com giz no meio da quadra; solicitou que os alunos sentassem em círculo num dos lados da quadra; na sequência, entregou para cada aluno um pedaço de papel contendo o nome de um animal ou de uma ação; solicitou para uma criança imitar o animal ou a ação cuja palavra estava escrita no pedaço de papel; os que acharam que sabiam o que era, correram até a marca feita com giz no meio da quadra para dizer a palavra; na sequência, outra criança fez a leitura da palavra escrita no papel e sua imitação, até que todos participaram da atividade através da imitação do que estava escrito em seu papel. (Observação registrada no diário de aula do dia 08/04/2015).

Esta atividade pode ser desenvolvida com diferentes palavras, nomes de objetos, de músicas, de programas de TV, de filmes. A ideia é articular a leitura de palavras ou frases com a atividade física. Relacionar as diferentes áreas do conhecimento era algo perceptível nas práticas pedagógicas das professoras. A professora do primeiro ano, por exemplo, aproveitou a aula de educação física para desenvolver uma atividade relacionada com a sequência numérica. Para tanto, solicitou um dos calçados de cada criança e colocou-os em um monte, em um dos cantos da quadra, misturando-os bem. Na sequência, dividiu as crianças em duas equipes, formando duas fileiras no outro lado da quadra. Ao sinal da professora, um integrante de cada equipe correu até onde estavam os calçados, mexeu no monte, localizou o seu e calçou, depois retornou correndo e encostou na mão do colega que estava na frente da fileira. Este, por sua vez, correu até o monte para encontrar o seu par de calçado. A corrida continuou até que uma das equipes estava toda calçada. A professora, então, fez a contagem dos pares de sapato, trabalhando a sequência numérica (Observação registrada no diário de aula do dia 22/05/2015).

Em outra ocasião, a professora do segundo ano articulou a aula de artes com uma atividade planejada de leitura. Começou contando para as crianças a história “O pássaro que

31 A unidocência representa a ideia de docente único, ou seja, o professor-referência ou o professor da turma trabalha na ideia de formação geral, com todas as áreas do conhecimento, inclusive Artes e Educação Física, áreas que, em outras redes de ensino, como a rede particular ou a rede municipal de Porto Alegre, geralmente, são trabalhadas por professores graduados na área.

não queria ser preso”32

(FERREIRA, 2016). Para a contação, faz gestos e mudou a voz, imitando os personagens da história: o Janjão e o Cisne. Na sequência, formou grupos e entregou folhas e canetas coloridas para as crianças, que através de dobraduras, confeccionaram os personagens da história. As crianças realizaram as dobraduras conforme instruções da professora, porém, caracterizaram os personagens conforme quiseram. Até a pesquisadora entrou na brincadeira, confeccionando seus personagens. Após todos concluírem, foi desenvolvida uma nova leitura da história, dessa vez, feita pelos alunos, e cada vez que os personagens apareceram na história, as crianças ergueram as dobraduras (Observação registrada no diário de aula do dia 17/04/2015).

Figura 25 e Figura 26 - Personagens construídos pelos alunos e pela pesquisadora.

Fonte: registro da pesquisadora (2015).

Essas atividades desenvolvidas pelas professoras me trouxeram à mente a obra “Ler e

escrever: compromisso de todas as áreas” (NEVES, 1998), obra que traz a concepção de que

32 Na história, o personagem principal, Janjão, era um menino que gostava muito de caçar pássaros. Um dia, ele fez uma armadilha e pegou um lindo cisne que nadava em um grande lago. Depois disso, colocou o cisne em um lago pequeno no qual ele não conseguia nadar, sentindo-se preso e solitário. Com o passar dos dias, o cisne adoeceu, não podia nadar e parou de comer. Janjão também ficou triste porque não queria soltar o cisne, mas não sabia o que fazer. Em um local próximo, os amigos do cisne decidiram procurá-lo e encontraram o amigo preso, muito doente. Então resolveram conversar com Janjão e perguntaram se ele gostaria de ficar preso, longe da família e de seus amigos. O menino pensou, ficou comovido e soltou o cisne. Os amigos levaram o cisne e cuidaram dele e, depois de algum tempo, Janjão encontrou o cisne nadando, feliz, com seus amigos, em um lago bem grande. Janjão ficou feliz com o que viu e nunca mais prendeu nenhum pássaro.

todas as áreas do conhecimento têm o compromisso de trabalhar a leitura e escrita. Nesse sentido, a missão, a tarefa de ensinar a ler e a escrever um texto de história é do professor de história, a incumbência de ensinar a ler e a escrever um texto de matemática é do professor de matemática, não do professor de português. Nessa concepção, ler e escrever são tarefas da escola, logo, uma demanda de todas as áreas do conhecimento. Contudo, nas escolas públicas estaduais, nos anos iniciais do ensino fundamental, em que geralmente ocorre a unidocência, o professor não atribui a outros professores essa demanda, porém, precisa ter a concepção de que todas as áreas do conhecimento são favoráveis para o trabalho que envolve a leitura e a escrita. Nas turmas investigadas, atividades como essas citadas anteriormente são exemplos de atividades que relacionam a leitura e a escrita com outras áreas do conhecimento.

e) Ordene a história

Ler para interpretar, ler para conhecer, ler para se informar, ler para organizar a história: enfim, a leitura tem diferentes funções e pode ser desenvolvida de diferentes maneiras. Como uma dessas possibilidades, a professora do segundo ano desenvolvia com seus alunos a leitura para trabalhar a sequência de histórias.

P2: Vou entregar uma folhinha para cada um. Nela, tem uma história formada por cinco frases. Só que tem um probleminha com essa história.

C1: O quê?

P2: O que será? Vamos ler em silêncio para ver se vocês descobrem. Ninguém recorta ainda. É para ler na folha, como está.

(Leitura individual) C2: Tá estranho, prô. P2: O quê?

C1:Nada.

P2: Será que nada? Vamos ler juntos? (Leitura coletiva, em voz alta).

P2: E agora? Tem coisa errada? Será que é assim que eu começo a história?

Cs: Não.

P2: Então vocês deverão recortar as partes, depois ler e montar na mesa, como vocês acham que é o correto. Depois, iremos ler todos juntos para só depois colar no caderno. Ok?

Cs: Ok, sim.

P2: Mas atenção, leiam cada uma das frases no mínimo duas vezes. (Observação registrada no diário de aula, no dia 29/04/2015)

Figura 27 - História para organizar a sequência

Fonte: atividade entregue pela professora em aula (2015).

Nesta atividade, foram solicitadas duas modalidades de leitura, a leitura silenciosa e a leitura em voz alta, mas, além de solicitar a leitura das palavras para o desenvolvimento, esse tipo de atividade trabalha também a estrutura de um texto, embora seja ele formado, neste caso, por apenas cinco frases, sendo elas curtas. Porém, trata-se de uma turma de alfabetização, cujo foco das atividades não era a produção de um texto, e sim, promover a leitura, trabalhar a sequência e a coerência de uma história. Outra possibilidade, que também pode ser desenvolvida com as crianças e por alunos alfabetizandos da EJA, é ler os pedaços e ordenar partes de uma poesia, o que faz com que os alunos criem novas poesias para serem lidas. Na sequência, o professor apresenta a versão do autor, a original.

Lembro-me de que, enquanto professora alfabetizadora de jovens e adultos, desenvolvi com meus alunos das totalidades iniciais da EJA essa atividade de ordenar as partes de um

poema. No ano de 2012, quando trabalhei o Projeto “Educação para a Cidadania”, com alunos

alfabetizandos da EJA de uma escola da rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, desenvolvi uma sequência de atividades relacionadas ao tema, entre elas, estava a utilização do poema “Identidade”33, de Pedro Bandeira.

Identidade

Às vezes nem eu mesmo sei quem sou.

Às vezes sou

“o meu queridinho”.

Às vezes sou moleque malcriado.

Para mim tem vezes que eu sou rei,

herói voador, caubói lutador, jogador campeão. Às vezes sou pulga,

sou mosca também, que voa e se esconde de medo e vergonha. Às vezes eu sou Hércules, Sansão vencedor, peito de aço, goleador. Mas que importa o que pensam de mim?

Eu sou eu, sou assim, sou menino.

Na ocasião, foram desenvolvidas algumas atividades de leitura e escrita, tendo como recurso o poema: os alunos ordenaram as partes do poema e também substituíram algumas palavras, criando assim, novos poemas. “As reflexões e atividades derivadas do poema

‘Identidade’ foram o ‘fio condutor’ para a entrada de outros portadores textuais presentes no

cotidiano do aluno, que contemplavam o objetivo do trabalho proposto, envolvendo

identidade e cidadania” (EBERT, 2013, p. 251).

Atividades como essas podem ser desenvolvidas através da utilização de outros gêneros textuais, como as cantigas de rodas, as músicas conhecidas, enfim, os textos memorizados, podendo ser aplicadas para turmas de crianças e turmas de EJA. Para tanto, basta mudar o estilo do texto. Sobre práticas alfabetizadoras com jovens e adultos em processo de alfabetização, lembro-me, novamente, de que, muitas vezes, desenvolvi a atividade “ordene a música”, na qual entregava, geralmente dentro de um envelope, ou preso por um clipe, a letra de uma música conhecida por eles, já cortada em pedaços embaralhados. Na sequência, a música tocava e a turma cantava. Após, em grupos, enquanto a música ia tocando, eles organizavam a sequência correta da letra sobre as mesas, o que necessitava o ato da leitura. Com a letra formada, novamente cantavam a música, lendo a letra. As músicas eram do universo do jovem e do adulto e era uma atividade bastante apreciada pelos alunos.

f) Leitura compartilhada

Nas três turmas, ocorreram diferentes estratégias de leitura compartilhada. Para ilustrar tomar-se-á como base a leitura do poema “Amigos do Peito” (Cláudio Thebas) desenvolvido com a turma de segundo ano. O poema estava registrado no livro didático adotado na turma.

Amigos do Peito

Todo dia eu volto da escola o bairro onde moro é assim, com a Ana Lúcia da esquina. tem gente de tudo que é jeito.

da esquina não é sobrenome, pessoas que são muito chatas, é o endereço da menina. . e um monte de amigos do peito:

o irmão dela é mais velho o Bruno do prédio da frente,