7. INTERVENCIÓ EDUCATIVA
7.4. ELS SISTEMES AUGMENTATIUS I ALTERNATIUS DE COMUNICACIÓ
Entre outras pesquisas realizadas por Saito, destaca-se mais uma coordenada por Izumi, que entre 1956 e 1957 faz a sua segunda visita ao Brasil. Desse novo contato resulta o livro Imin (Imigração), publicado em japonês, e que trata da assimilação de imigrantes japoneses no Brasil. Seria este o primeiro trabalho sobre o tema da assimilação realizado por um cientista social japonês. O livro aborda as pesquisas de Izumi em nosso território, dentre as quais estão aquelas realizadas em conjunto com Saito, em 1952. É também marcante nesta obra a influência da antropologia americana, especialmente a praticada na Universidade de Chicago, sobretudo com os trabalhos de Robert Park. No livro, Izumi privilegiou a mesma abordagem do sociólogo norte-americano em relação aos grupos humanos, os quais seriam definidos a partir da cultura, e não mais da raça (KIGNSBERG, pp. 82-83). Esta visão estava em concordância com os estudos da UNESCO, que criticavam o uso da raça como base para políticas públicas, como aconteceu na Alemanha nazista, e que compreendia o conceito como mito social, além de incentivar pesquisas sobre a chamada “democracia racial” (MAIO, 1999; MAIO & SANTOS, 2010; KINGSBERG, 2014).
A pesquisa realizada com uma equipe chefiada por Seiichi Izumi teria acontecido, segundo Saito, entre novembro de 1955 e janeiro de 1956113. Ela tinha como objetivo
“localizar os japoneses e seus descendentes no espaço tanto social como geográfico da
112 Limongi (1989) comenta que, desde sua fundação, a ELSP sempre enfrentou problemas para obter recursos
financeiros, com dificuldades de conseguir doações e financiamentos para os seus projetos. Ao longo dos anos, a instituição perde muito de seus professores pela dificuldade de pagar os salários. Para Simões (2009, pp. 41-42), os problemas financeiros da ELSP eram crônicos: a instituição sempre estava passando por problemas, especialmente a partir da década de 1950 com a saída de Pierson e Willems e a consequente diminuição do número de projetos financiados pelo governo e pelas organizações nacionais e internacionais. As crises constantes da instituição também são comentadas por Eduardo (2009), Cavalcanti (2009), Eufrásio (2009), entre outros.
sociedade dominante” e, para isso, seriam realizados surveys114. Entre as localidades
investigadas, incluía-se Contenda (PR), local que faz parte da zona polonesa do estado e seria comparada a outros estudos realizados em comunidades japonesas em São Paulo e Paraná. Segundo Saito (1963), o objetivo inicial da pesquisa era combinar os procedimentos de estudo de comunidade com o de assimilação e aculturação. No entanto, o objetivo não teria sido cumprido pelo tempo curto da pesquisa e pela dificuldade que teria havido na inserção dos pesquisadores no campo.
Nas correspondências com Pierson, Saito também comenta outras pesquisas que realiza ainda na década de 1950 a partir do contato estabelecido com Izumi, no geral relacionadas direta ou indiretamente à agenda de pesquisa da UNESCO. Por exemplo, pouco depois que entrou no mestrado, em 1954, Saito planejou, além da sua pesquisa de dissertação, outras pesquisas, tendo sempre o interesse em conhecer como viviam os imigrantes japoneses no Brasil e como eles se relacionavam com a população local, e atento a possíveis situações de conflitos e tensões.
Em relatório de atividades enviado para Pierson, em dezembro de 1954, Saito comenta uma pesquisa que gostaria de fazer no Núcleo Colonial de Una, na Bahia, e para a qual contaria com o apoio do Instituto Nacional de Imigração e Colonização (INIC)115. O instituto
fora criado em janeiro de 1954 com o intuito de controlar rigorosamente a entrada de imigrantes no país, herdando, além desta, outras funções do Conselho de Imigração e Colonização (CIC), criado em 1938 (SOUZA, 2010). O órgão também orientava os serviços de colonização, fixação e distribuição dos estrangeiros no território nacional e era responsável pela publicação da Revista de Imigração e Colonização (RIC). Por seu turno, a revista, que circulou até 1952,tinha por objetivo “divulgar fatos relativos aos problemas demográficos brasileiros” para melhor orientar a opinião da população, e ainda tornar acessíveis relatórios, pareceres e resoluções do CIC (QUEIROZ, 2013). O INIC determinava onde o imigrante se estabeleceria, e a divisão e distribuição das propriedades agrícolas no interior do país. Ao
114 Dividida em dois momentos, a pesquisa foi realizada em Suzano (SP), Paranavaí (PR), Colônia de Acará
(PA), Assai (PR), Bilac (SP), Presidente Prudente (SP) e Contenda (PR). Esta última cidade tinha predominância de descendentes poloneses, os quais Saito ficou encarregado de estudar, o que deu origem ao livro Contenda — assimilação de poloneses no Paraná, publicado em 1963, abordado no terceiro capítulo desta dissertação. Saito ainda afirma, apesar de não aprofundar a questão, que durante a pesquisa lhe “foram úteis os conceitos ecológicos e os conceitos de contato e isolamento”. Fonte: Carta de Hiroshi Saito a Donald Pierson. 15 de fevereiro de 1956. FDP/AEL/Unicamp.
115 O INIC foi extinto em 1962, com a criação Superintendência de Política Agrária (Supra). Fonte:
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/instituto-nacional-de-imigracao-e-colonizacao- inic. Acesso em 24 de julho de 2016.
compor parte das pesquisas do instituto, Saito auxiliava um órgão do Estado a agir na sociedade e dar o suporte necessários aos imigrantes que tinham se estabelecido no país.
Em relação aos imigrantes japoneses, o INIC, segundo Saito, desejava realizar pesquisas sobre aqueles que teriam sido “recentemente encaminhados em diferentes regiões do país, principalmente nos núcleos coloniais federais, onde se verificaram sérios conflitos entre os imigrantes e funcionários de administração”. Os resultados da pesquisa seriam apresentados na Conferência sobre a Integração Cultural de Imigrantes, patrocinada pela Unesco, que ocorreria em dezembro de 1955116. Contudo, Saito ponderou que não teria tempo
hábil para fazer todas as pesquisas que o INIC desejava. Além disso, o sociólogo manifestou interesse de fixar-se sobretudo ao estudo da “fase de ajustamento inicial de imigrantes”, isto é, às adaptações feitas pelos imigrantes logo após a sua chegada ao Brasil. Segundo Saito, teria ficado acordado com o órgão que ele faria as pesquisas em Una e Dourados (Mato Grosso), além de treinar um funcionário do INIC para também trabalhar na pesquisa de campo em outros lugares do país117.
No ano seguinte, Saito também participa de outra pesquisa, com geógrafos e economistas japoneses. O Instituto de Cultura Oriental, da Universidade de Tóquio118, o
mesmo que organizou e financiou as pesquisas de Izumi no Brasil, planejava fazer expedições em diferentes localidades da Amazônia com pesquisadores japoneses que participariam do “Congresso Internacional do Rio”119. Este congresso aconteceu entre 9 e 18 de agosto de
1956, e contou com a participação, principalmente, de geógrafos, que se reuniram para discutir diferentes temas, da Climatologia e Hidrografia até Geografia Histórica e Política, Geografia Populacional e Geografia Agrária. O evento ainda contou com viagens pelo Brasil,
116 A Conferência ocorre em abril de 1956, em Havana, Cuba. No entanto, Saito não participa do evento, sendo o
único representante brasileiro Manoel Diéguez Jr. Parte da conferência foi dedicada à apresentação e à análise crítica das práticas e das instituições existentes nos países de imigração, para facilitar a integração dos imigrantes. Nos debates, concluiu-se que a integração cultural completa seria um processo longo, que na maioria das vezes exige mais do que uma geração. Por conta disso, diversos governos e organizações privadas teriam estabelecido serviços técnicos para facilitar o processo, fazendo uso inclusive de métodos modernos de informação, ensino de línguas estrangeiras e educação de adultos. (UNESCO, 1957).
117 Carta de Hiroshi Saito a Donald Pierson. 22 de dezembro de 1954. FDP/AEL/Unicamp.
118 O Instituto de Cultura Oriental, da Universidade Tóquio (atualmente chamado de Institute for Advanced
Studies on Asia), foi criado em 1941, com o objetivo de gerar estudos que auxiliassem na compreensão da cultural oriental, a qual estaria presente no ocidente entre o Egito e a Turquia, e no oriente na península coreana. O Japão estaria incluído nestes estudos a partir dos estudos japoneses globais (e, consequentemente, os estudos japoneses no Brasil). Além disso, os campos de discussão variavam entre política, economia, religião, história, arqueologia, literatura, arte, entre outros. Fonte: http://www.ioc.u-tokyo.ac.jp/eng/intro/intro.html. Acesso em: 11 de outubro de 2016.
antes, durante e depois do Congresso, que tinham por objetivo “dar aos participantes um conhecimento direto da natureza e das obras humanas do Brasil” (CORREIO DA MANHÃ, 06/08/1955). A viagem realizada por Saito com geógrafos e economistas estava inserida no mesmo contexto, em que os pesquisadores estrangeiros conheceriam o Brasil a fim de avaliar o seu território e a forma como o imigrante se apropriava dele. Podemos inferir, pela presença de Saito na viagem, que provavelmente o interesse da expedição se voltava aos imigrantes japoneses e à forma como eles cultivavam seus alimentos e adaptavam técnicas agrícolas japonesas para o solo brasileiro.
Saito também foi convidado para participar das pesquisas, sendo o único sociólogo do grupo120. Ele não entra em maiores detalhes sobre a pesquisa, mas estas informações já
mostram que Saito estava se destacando entre os pesquisadores japoneses, sendo cada vez mais frequente o convite para participar de diferentes projetos, seja para atuar como tradutor, seja como um intermediário entre os pesquisadores e a população ou como sociólogo, ajudando na interpretação do funcionamento de uma determinada comunidade. A pesquisa teve lugar entre agosto e outubro de 1956 e visitou cidades dos estados de Roraima, Pará e Amapá, onde foram observadas famílias de imigrantes japoneses e algumas nordestinas121.
Neste momento, Amazônia era o centro de debates que se ocupavam do povoamento e das explorações de matérias-primas, dada a importância que a região poderia ter para o desenvolvimento do país (MAGALHÃES & MAIO, 2007). Apesar de Saito não entrar em detalhes em relação à pesquisa e seus objetivos, podemos supor que a preocupação central dos geógrafos e economistas era o meio ambiente no qual os imigrantes japoneses estavam inseridos e se eles estavam sendo bem-sucedidos economicamente.
Com os exemplos das pesquisas realizadas por Saito, podemos perceber duas coisas: a crescente importância que os estudos japoneses vinham adquirindo ao longo da década de 1950 no Brasil e a relevância que Saito adquire na pesquisa deste tema. As duas questões estão conectadas, visto que o aumento dos estudos realizados por pesquisadores japoneses no país era facilitado pelo fato de Saito tomar a dianteira na recepção dos estudiosos e no auxílio técnico e teórico de seus trabalhos. Para tanto, foram fundamentais o domínio dos idiomas japonês e português —lembrando aqui o comentário de Saito dirigido a Cyro Berlinck sobre a dificuldade de se encontrar pesquisadores bilíngues —, as técnicas de pesquisas empíricas, os
120 Carta de Hiroshi Saito a Donald Pierson. 28 de junho de 1956. FDP/AEL/Unicamp. 121 Carta de Hiroshi Saito a Donald Pierson. 20 de outubro de 1956. FDP/AEL/Unicamp.
conceitos e as teorias com que o sociólogo teve contato a partir do seu ingresso na ELSP. Este destaque dos estudos japoneses surge, consequentemente, também dentro da instituição, pois Saito estava inserido nela e boa parte de seus contatos e pesquisas se dava por meio da indicação ou do aval da ELSP. Por conta da presença de cientistas sociais vindos do Japão, como Izumi, um evento sobre estes estudos, abordado na seção abaixo, é realizado na ELSP em fevereiro de 1956, a fim de discutir e comparar as pesquisas brasileiras e japonesas.