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1.2 Dynamics of the magnetised atmosphere

1.2.3 Ellerman bombs

econômicos do usuário e a intenção projetual.

2a) As condições econômicas e sociais da população:

A forma como a elite e a população pobre vivenciaram a modernização da cidade tinha como testemunha as manchetes de jornais da época, em especial “A União” e “A Imprensa”. Esses jornais estampavam as novidades automobilísticas, que se refletiam tanto nas novas necessidades urbanas, como nas novas residências e sugeriam o que um homem ou uma mulher moderna deveria usar, vestir, ler e que espaços públicos deveria frequentar:

Além disso, as colunas “Queixas e Reclamações” e “O Dia da Polícia”, ricas em vestígios e evidências dos populares, proporcionaram “recompor” alguns aspectos do perímetro urbano e moderno. Por se tratar de um jornal oficial e de propriedade do governo do Estado, A União carrega nas suas páginas, colunas, notícias e crônicas a compreensão das elites acerca do modelo de cidade desejada, na qual os pobres não seriam incluídos, mesmo que sua presença fosse um fato inevitável.(CHAGAS, 2004:24).

Nesse contexto, nas primeiras décadas do século XX, a elite que morava na Cidade Alta, congestionada pelas atividades comerciais, desloca-se para os eixos de expansão, Tambiá, Trincheiras e Parque Solón de Lucena. Nestas áreas, urbanizadas e dotadas de infra-estrutura, concentrou-se a elite econômica local formada pelos intelectuais, políticos, comerciantes e fazendeiros.

Por outro lado, a população mais pobre associada a focos transmissores de doenças e maus costumes que destoava dos conceitos de modernidade da época foi, aos poucos, obrigada a se deslocar para regiões mais afastadas do centro, como o então nascente Bairro de Jaguaribe.

“[...] nas intenções da elite econômica do estado, esse centro deveria espelhar o progresso através da modernização urbana, onde os pobres, seus hábitos e suas habitações, eram figurantes indesejáveis” (TRAJANO FILHO, 1999:04).

Inicialmente, o Art Déco estava ligado ao desejo de “parecer moderno” da parcela mais conservadora e mais abastada da sociedade de época. No entanto, por se tratar de uma alternativa mais fácil, menos radical e mais assimilável que arquitetura moderna, o estilo se popularizou nos extratos de média e baixa renda. 2b) Características da Volumetria e elementos decorativos nas superfícies externas: Figuras 51 e 52: Manchete do Jornal “A União” que mostra os símbolos da “modernidade” da época. Fonte: Jornal A União 11 de janeiro e 21 de janeiro de 1940.

volume, com composição simétrica, planos superpostos e pouca ou nenhuma reentrância ou saliência, que garante mais rigidez e compacidade ao volume; esta rigidez, entretanto, é alterada (e compensada) com o emprego de recursos de escalonamento (frisos e reentrâncias), que funcionam como ornamento. Há a predominância de cheios sobre vazio, que é recorrente no objeto de pesquisa, e as aberturas aparecem de formas idênticas, seguindo um padrão constante em toda a edificação, o que confere um ritmo a fachada.

Há edificações de composição volumétrica assimétrica com discreto jogo de volume, nas áreas de expansão, como Trincheiras e entorno da Lagoa, com esquadrias que aparecem de forma diferenciada utilizando materiais diversos, como vidro e madeira, e de diversos tipos e tamanhos. É comum encontrar-se também, para ornamentar pequenas aberturas, “grelhas de ferro”, descritas no item a seguir.

As lajes e telhados aparecem na totalidade dos casos escondidas por platibandas; solução essa pré-existente na arquitetura que oculta os telhados tradicionais. No Art Déco a platibanda aparece arrematando o topo das edificações com uso de escalonamentos (frisos e ornamentos geometrizados) evitando a participação dos telhados tradicionais na composição volumétrica final (que se quer moderna).

Entre os elementos de composição de fachada, o mais comumente encontrado é o efeito escalonado que marca a horizontalidade e ou a verticalidade da edificação. O escalonamento é um recurso que, na quase totalidade dos casos, não guarda relação direta com a estrutura, é apenas um recurso decorativo. Esse efeito na forma de ornamentos geometrizados, gera reentrâncias, saliências e frisos que aparecem tanto no topo das edificações e nas platibandas.

Existe ainda, em algumas edificações, a presença de balcões e marquises, tanto nas fachadas planas como nos volumes curvos. Em alguns exemplares os elementos decorativos são muito presentes e em outros o despojamento ornamental é quase que total.

2c) Introdução de inovações na organização espacial e novas expressões possibilitadas pelos novos materiais:

De um modo geral, em termos de organização espacial, essa produção repete as soluções utilizadas anteriormente, sem muitas inovações. Em parte dos exemplares, pode-se dizer, que o programa é resolvido em um único bloco. Em

algumas edificações, porém, pode ser encontrado, como elemento de inovação, um "pequeno terraço" que, além de ser o acesso à residência, funciona como um ambiente de transição entre o público e o privado.

Através dos raros documentos arquitetônicos acessíveis (em geral plantas baixas) e das visitas às residências, foi possível observar que a setorização é o elemento de organização interna de muitos exemplares: o terraço dá acesso, pela entrada principal, à sala de estar e/ou jantar; esta sala dá acesso tanto aos quartos que têm sua privacidade preservada, quanto à área de serviço isolada nos fundos da casa. Nos edifícios soltos dos lotes, aparece, como inovação, o alargamento de um dos recuos laterais a fim de possibilitar a passagem do automóvel e a instalação de garagens e/ou edículas no lote; quando de dois pavimentos a planta do térreo é repetida no pavimento superior.

Com relação a inovação no uso de materiais na produção Art Déco da cidade de João Pessoa aparecem estruturas de concreto armado, ainda de forma tímida, nas marquises, nas mísulas e nos balcões; os componentes de ferro ornamentam as esquadrias, com uma espécie de “grelha de ferro”, que pode aparecer como adorno tanto no exterior quanto no interior das residências. Também há uso do citado material no guarda-corpo das varandas e dos terraços de várias edificações.

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No período estudado pela dissertação são inúmeras as intervenções que buscavam construir um cenário urbano que condissesse com a modernidade tão almejada no século XX. Muitas das ruas foram realinhadas, prolongadas, alargadas ou abertas, viabilizadas pela desapropriação ou remoção de edificações que, pelo pensamento vigente na época, feriam a estética ou configuravam empecilhos a expansão e modernização urbana.

Nesse contexto, a arquitetura é renovada acompanhando os avanços tecnológicos, as condições econômicas, a mudança no gosto e a alteração nas necessidades de uso. Essa reformulação na aparência da arquitetura acontece também a partir da conjuntura de reformas urbanas decorrentes dos novos conceitos e novas necessidades urbanas, que resultam em um novo traçado urbano mais regular e uma trama que busca a ortogonalidade, paralelamente a uma arquitetura “racional" de “ornamentos geometrizados”. Assim, é a partir deste traçado urbano que se expandia que será analisada a arquitetura Art Déco da cidade de João Pessoa.