4.2 Leserhenvendelser
4.2.2 Elevperspektiver
O modelo proposto na tese une o pressuposto de assimetria informacional existente na relação principal-agente (EISENHARDT, 1989; JENSEN; MECKLING, 1976; ROSS, 1973), discutido na Teoria de Agência, à literatura de sistemas de controle de gestão (ex.: OTLEY, 2003; SIMONS, 1995; TESSIER; OTLEY, 2012), em particular pela contabilidade de gestão, por sua capacidade de gerar informações privadas sobre as quais pode ser analisado o desempenho das empresas e de seus executivos (ex.: BAIMAN, 1982, 1990; DREW; KAYE, 2007; LUFT; SHIELDS, 2003; NASCIMENTO; BIANCHI; TERRA, 2007). Para isso, utiliza também da literatura sobre as ferramentas de governança corporativa, em particular o conselho de administração (ex.: BEBCHUK; WEISBACH, 2010; BECHT; BOLTON; ROELL, 2002; GILLAN, 2006; SILVEIRA, 2010), representantes diretos do principal, visto que tais ferramentas compõem a forma de operacionalizar ações para tratar problemas de agência. Discute a divulgação das informações da contabilidade de gestão, originadas nas ferramentas técnicas dos sistemas de controle de gestão (SCG), para a redução da assimetria de informações na relação entre executivos e conselheiros, com potencial papel de ferramenta de governança corporativa.
Em uma relação principal-agente, a assimetria informacional pode incorrer em problemas de agência, segregados em seleção adversa e risco moral (AKERLOF, 1970; ARROW, 1963; EISENHARDT, 1989; HOLMSTRÖM, 1979). Formas de mitigar ou evitá-los demandam custos, tanto de monitoramento do principal (acionistas) sobre os agentes (executivos), bem como desses gerarem garantias em favor daqueles (JENSEN; MECKLING, 1976).
Dessa problemática, discutida pela Teoria de Agência, surge a literatura sobre governança corporativa, preocupada em garantir que investidores obtenham o retorno dos investimentos realizados (EISENHARDT, 1989; SHLEIFER; VISHNY, 1997). Uma forma é a
criação de um conselho de administração, considerado uma ferramenta de governança corporativa (ARMSTRONG; GUAY; WEBER, 2010), representando o principal no monitoramento e aconselhamento aos executivos, especialmente sobre questões estratégicas (ADAMS; HERMALIN; WEISBACH, 2010), e deve contribuir no direcionamento dos agentes pelo melhor interesse do principal. Outra é a divulgação pública de informações contábeis, por estudos indicativos desta atitude retornar benefícios para a empresa e, consequentemente, para o principal (ex.: BIDDLE; HILARY; VERDI, 2009; BUSHMAN; SMITH, 2001; CHEN; DING; XU, 2014; DASKE et. al, 2008; DEFOND et. al, 2011; GORDON; LOEB; ZHU, 2012; HAMBERG; MAVRUK; SJÖGREN, 2013; HOPE; THOMAS, 2008; LEUZ; VERRECHIA, 2000), por reduzir a assimetria informacional entre públicos externos (ex.: investidores e financiadores) e a empresa, expondo o desempenho da gestão.
Na relação conselheiros-executivos também está presente a assimetria informacional (ADAMS; HERMALIN; WEISBACH, 2010). Executivos possuem mais informações do que conselheiros sobre as atividades que desempenham nas organizações, além de controlarem o nível de divulgação conforme seu interesse, o que pode levá-los a comportamentos que apresentem características de risco moral (EISENHARDT, 1989). Para desempenhar suas atividades, os conselhos, enquanto órgãos colegiados, têm a possibilidade de solicitar dados adicionais sobre a empresa e os executivos, incluindo informações privadas, geradas pelas ferramentas técnicas dos SCG, controles que compõem o escopo da contabilidade de gestão (Quadro 2).
Além disso, se a utilização dos SCG pelos executivos contribui para alinhar interesses, direcionar comportamentos, promover o alcance das estratégias e contribuir para o desempenho organizacional (SIMONS, 1995), tais sistemas atuam no mesmo sentido das demais ferramentas de governança corporativa. Como exemplo, os controles técnicos dos SCG, mais especificamente pelas ferramentas da contabilidade de gestão foram pesquisadas e benefícios para o desempenho das empresas foram identificados (ex.: JUNQUEIRA, 2010).
Equanto potencial informativo, são capazes de gerar dados sobre diversos aspectos, tais como planejamento, orçamento, custos, desempenhos financeiros e não-financeiros, etc., que podem ser utilizados também por conselheiros, visto que eles precisam desempenhar os papéis de monitorar e aconselhar executivos, em especial sobre temas estratégicos, como avaliação e escolhas de projetos (ADAMS; HERMALIN; WEISBACH, 2010). Dessa forma, seja por interesse do executivo em promover garantias ao CA sobre suas ações ou por interesse dos conselheiros em reduzir a assimetria informacional em relação ao executivo, as informações
geradas pela contabilidade de gestão podem ser utilizadas, representando custos de agência pela utilização das ferramentas apresentadas.
No entanto, maior número de informações pode não ser benéfico, com potencial ocorrência de erros de decisão diante de novas informações (CONLISK, 1996), especialmente em situações complexas, estando vinculado à capacidade de processá-las, assim como prejudiar a capacidade de previsão de agentes econômicos (SHEA, 2015). Apesar disso, pelo que foi discutido anteriormente, assume-se como pressuposto de que a redução da assimetria informacional pode levar à melhoria do desempenho organizacional por dois caminhos: (a) redução do risco moral do agente diante do maior monitoramento do conselheiro sobre suas ações, evitando riscos relacionados à avaliações negativas ligadas a essa exposição; (b) os conselheiros podem contribuir em decisões de impacto financeiro relevante, auxiliando o processo de decisão dos gestores.
Assim, essa pesquisa defende a tese de que o sistema de controle de gestão, em
particular pelas informações geradas pela contabilidade de gestão, tem papel de ferramenta de governança corporativa, ao reduzir a assimetria informacional entre executivos e conselheiros. Com isso, discute-se nesta pesquisa, conexões entre as literaturas de
contabilidade de gestão, governança corporativa e Teoria de Agência. A assimetria de informações, pressuposto das relações de agência, aplicado à relação conselheiro-executivo, tratada em GC, recebe aqui uma análise acerca do potencial contributivo das informações da contabilidade de gestão para sua redução, atuando contra o risco moral do executivo e na melhoria da capacidade de aconselhamento estratégico dos conselheiros, efeitos esperados em favor do desempenho corporativo. A estrutura dessa relação é ilustrada na Figura 7.
Figura 7 – Relações entre contabilidade de gestão, CA e desempenho organizacional
A Figura 7 ilustra as relações discutidas anteriormente, em que ambas as contribuições para as atividades dos conselheiros (monitoramento e aconselhamento) pela maior divulgação de informações da contabilidade de gestão ao CA, apresentam uma relação esperada positiva com o desempenho corporativo. A linha pontilhada representa a forma como essa relação foi investigada, de acordo com a hipótese 1, discutida no próximo tópico.
Sobre o fenômeno da divulgação de informações ao conselho, promotor da transparência nas relações conselheiro-executivo, há de se considerar, primeiramente, que o agente é o detentor da informação, segundamente, que os conselheiros têm poder para solicitar as informações que julgarem pertinentes e, por fim, que acionistas influentes podem elevar os níveis de monitoramento tanto sobre os executivos quanto sobre os conselheiros. Assim, o poder sobre o fluxo de informações representado por características das influências desses três grupos de atores organizacionais podem ser determinantes do nível de divulgação das informações para o CA.
Assim, o segundo conjunto de análises procura identificar influências das partes envolvidas sobre o nível de divulgação dessas informações aos conselheiros, ou seja, a relação endógena existente, visto que as ferramentas utilizadas pelas empresas são constituídas em resposta às preocupações com questões de governança (ADAMS; HERMALIN; WEISBACH, 2010). Alguns exemplos são identificados na literatura, tal como a atuação de acionistas na empresa ou a presença de investidores influentes interferindo no nível de monitoramento sobre o executivo (MARQUEZAN; DIEHL; ALBERTON, 2012; SHLEIFER; VISHNY, 1996) e no nível de desempenho da empresa (HENRY, 2010; KRIVOGORSKI, 2006).
Em relação aos executivos, sob uma perspectiva de divulgação voluntária de informações para públicos externos à empresa, Verrechia (2001) discute a incerteza quanto à divulgação de informações, ligada ao que intitulou de “tipos” de gestores e “tipos” de empresas, relacionado ao benefício ou custo esperado de uma informação favorável ou desfavorável atual em relação a novas informações futuras. Adams, Hermalin e Weisbach (2010) apresentam elementos relacionados à maior procura pelos conselhos por informações privadas sobre o desempenho dos executivos, em especial quando aqueles apresentam maior nível de independência.
Figura 8 – Relações entre as partes envolvidas e a divulgação de informações ao CA
Fonte: Elaborado pelo autor.
Após a análise dos elementos em separado, sendo (i) influência da divulgação de informações da contabilidade de gestão ao CA sobre o desempenho organizacional, (ii) as relações entre as partes envolvidas e o nível de divulgação de tais informações, ilustra-se na Figura 9 o modelo completo analisado nesta tese. A direção do efeito das partes interessadas como determinantes da divulgação de informações ao CA, são melhor discutidas no âmbito das hipóteses.
Figura 9 – Modelo conceitual da tese – completo
Fonte: Elaborado pelo autor.
Predições teóricas e empíricas para todas as relações apontadas no modelo são discutidas no próximo tópico, em que as hipóteses são declaradas. Essas são segregadas em dois grupos, alinhados aos objetivos específicos e a cada parte do modelo.