Seguindo a classificação de Leite [Leite, 1999], a seguir serão apresentadas, de maneira resumida, as principais características das seguintes teorias do aprendizado: o Behaviorismo, o Gestaltismo, o Cognitivismo, Humanismo, o Construtivismo e o Sócio- Construtivismo.
4.3.1 - Behaviorismo
O Behaviorismo é uma concepção teórica que parte do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelo meio ambiente e não pelo indivíduo. Portanto, de fora para dentro. A idéia é que o ser humano não nasce inteligente, mas é passivamente submetido aos estímulos do meio, que provocam reações. As reações satisfatórias são incorporadas e as insatisfatórias tendem a ser eliminadas [Lopes, 1996].
Os teóricos dessa escola estavam interessados apenas na relação entre os “estímulos” e as “respostas a esses estímulos” e ignoravam os aspectos ou processos que mediavam a emissão do estímulo e a resposta mensurável ou o comportamento observável [BEH, 2000].
4.3.2 - Humanismo
O Humanismo defende o princípio de que o ser humano, ao nascer, é essencialmente bom. A inteligência, a personalidade, os motivos, as emoções, enfim as disposições mentais do homem são concebidas como pré-formadas no nascimento. Essa bondade natural deve ser preservada. À medida que o ser humano amadurece, ele vai reorganizando sua inteligência pelas percepções que tem da realidade. Essas percepções dependem de capacidades que são inerentes ao indivíduo e não dos estímulos externos. Sob a ótica humanista, o ambiente educacional deve ser planejado e conduzido de modo a permitir que a bondade interior se desenvolva plenamente; deve permitir a plena exteriorização das emoções do estudante que, em geral, são inibidas pela família e pela sociedade [Parra, 1980; Lopes, 1996].
Os humanistas defendem a idéia de que o homem é a fonte de todos os atos e é livre para fazer escolhas em cada situação, ou seja, o homem é governado por dentro e não por fora, ele é ativo, iniciador e não simplesmente reativo à estimulação externa, nele existe uma vontade livre, liberdade de escolha e autodeterminação, suas ações não são determinadas mecanicamente por influência do nosso ambiente [Parra, 1980].
4.3.3 - Construtivismo
A teoria construtivista de aprendizagem é baseada nas idéias de Piaget sobre o conhecimento e a aprendizagem, descrevendo o que é o saber e como se adquire esse saber. Para os construtivistas, o ser humano ao nascer nem é tudo, como querem os humanistas, nem é nada, como afirmam os behavioristas. Ao invés disso, o ser humano responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento, de forma cada vez mais elaborada. Todo ser vivo, ao nascer, traz consigo uma bagagem genética que lhe permite iniciar um relacionamento com o mundo de forma característica à sua espécie. Esses elementos propriamente biológicos apresentam-se como estruturas físicas, reflexos e tendências.
O Construtivismo favorece processos ao invés de produtos, descoberta guiada ao invés de aprendizado com aulas expositivas, situações de aprendizado adaptadas e autênticas ao invés de situações artificiais e abstratas, avaliação de documentos e trabalhos produzidos ao invés de exames com múltiplas escolhas, e assim por diante. Assim, pode-se dizer que as estratégias instrucionais na linha construtivista procuram colocar o estudante em situação ativa, encarando-o como um “arquiteto” de sua própria aprendizagem e situando o professor como um desafiador e não como um mero fornecedor de verdades prontas.
4.3.4 - Sócio-Aprendizagem ou Sócio-Construtivismo
O maior representante dessa teoria educacional é Lev Vygotsky, desenvolvedor de uma teoria sócio-histórica para o desenvolvimento cognitivo, enfatizando a maneira na qual o desenvolvimento é alcançado através da interação social, das práticas culturais e da internalização de ferramentas cognitivas [Wertsch, 1999].
A aprendizagem dos estudantes vai sendo construída mediante a relação do indivíduo com seu ambiente sócio-cultural e com o suporte de outros indivíduos mais experientes. De acordo com Vygotsky as potencialidades do indivíduo devem ser levadas em conta durante o processo de ensino-aprendizagem. Isso porque a partir do contato com uma pessoa mais experiente e com o quadro histórico-cultural, as potencialidades do estudante são transformadas em situações nas quais seus esquemas processuais cognitivos ou comportamentais são ativados. Pode acontecer, também, de que este convívio produza no indivíduo novas potencialidades, num processo dialético contínuo.
4.3.5 - Construcionismo
O Construcionismo pode ser encaixado entre o Sócio-Construtivismo e o Construtivismo. Enquanto o Construtivismo vê o conhecimento ser internamente construído, social e culturalmente intermediado, o Construcionismo preconiza que a aprendizagem deve se dar através do engajamento do estudante (ou dos estudantes) na construção de um produto significativo e de preferência contextualizado, isto é, o produto construído deve estar relacionado com a realidade e necessidade do estudante, segundo Valente19 apud [Leite, 1999].
Leite [Leite, 1999] resume o Construcionismo afirmando que ele realça o papel da construção no mundo e no desenvolvimento pessoal, construção essa que é externa ao indivíduo, observável pelo professor e que serve de suporte para as construções mentais internas ao indivíduo e portanto não observáveis publicamente. Nesse modelo, a aprendizagem se dá através do envolvimento das pessoas, professor e estudantes, em tarefas construtivas cujos objetivos são: estimular a criatividade e motivar a aprendizagem à medida que a tarefa vai sendo cumprida pelo grupo.
4.3.6 - Gestaltismo
A palavra alemã gestalt pode ser traduzida como forma, padrão ou configuração. A teoria da Gestalt foi formulada no final do século XIX na Alemanha e na Áustria, com uma perspectiva independente do Behaviorismo que dominava a psicologia americana. Ela era um protesto contra a concepção de se analisar as experiências humanas de forma atomística, ou seja, pela divisão do todo em partes. A Gestalt propunha que uma análise das partes nunca poderia proporcionar a compreensão do todo, uma vez que o todo é definido pela interação e interdependência das partes.
Os psicólogos da Gestalt enfatizavam a importância dos processos organizacionais na percepção, aprendizado e resolução de problemas e acreditavam que os indivíduos eram predispostos a organizar informações de maneiras particulares.
4.3.7 - Psicologia Cognitivista, Psicologia Cognitiva ou Cognitivismo
No Cognitivismo, percebe-se uma mudança de enfoque com relação a forma como o Behaviorismo trata o aprendizado, pois, ao contrário dos behavioristas, que enfatizam o papel
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Valente, J. A. (Organizador). Computadores e Conhecimento – Repensando a Educação. Universidade Estadual de Campinas, Gráfica Central, 1993.
das condições ambientais (estímulos) e comportamento observável (respostas) no aprendizado, o Cognitivismo se preocupa mais em como os indivíduos processam os estímulos recebidos, sendo que o estudo desse processo inclui como os indivíduos percebem, interpretam e armazenam mentalmente a informação que recebem do meio ambiente.
Maior ênfase será dada ao Cognitivismo no item 4.5, pois nele foi encontrada uma possível solução para o problema exposto no capítulo 2.