• No results found

Elevene ønsker mer fokus på faglige interesser

7.2 Læringsoppgaver

7.2.3 Elevene ønsker mer fokus på faglige interesser

Podemos perguntar, por exemplo: existem diferentes padrões MA para

diferentes odores? Nesta linha, Freeman e Baird155 condicionaram ratos para discriminarem

dois odores e, com o tempo, cada odor passou a apresentar um padrão de modulação em

amplitude próprio. Ou seja, os pesquisadores encontraram uma correlação entre “certo

estímulo” e “certa atividade cerebral”. No entanto, o processo de “aprender a discriminar” os

dois estímulos se fundamentava na diferença de efeitos entre o reforço e a punição (efeitos

como o “significado interno” e o comportamento).156 Em suma, um dos dois odores era um

estímulo condicionado CS+ e o outro CS-.

Aparentemente, portanto, os padrões MA não se correlacionam ao odor, mas a

uma certa forma de condicionar o animal ao odor. Assim, o fenômeno descoberto por

Freeman poderia constituir-se tanto num efeito da percepção quanto numa conseqüência do

condicionamento. Ou ambos.

155 Note que são apenas dois odores, pois o método de discriminação utilizado por Freeman pressupõe a diferença de respostas entre estímulos condicionados positivamente e negativamente. FREEMAN, WJ, BAIRD, B. 1987. Relation of olfactory EEG to behavior: spatial analysis. Behavioural Neurosciences 101(3):393-408..

156 Dois conceitos cuja relação se assemelha ao princípio pragmático segundo o qual os significados dos conceitos são definidos a partir dos seus efeitos.

Como estas hipóteses poderiam ser testadas? Uma das maneiras seria “variar”

métodos de condicionamento mantendo os estímulos iguais. Poderíamos também fazer o

oposto. A partir daí, poderíamos começar a tecer algumas generalizações. Vejamos

novamente o resultado deste experimento: foi encontrada uma correlação entre atividade

neural e odor condicionado em certo grupo de mamíferos condicionados. Que generalizações

poderiam ser feitas através do raciocínio indutivo?

a) Estas correlações sempre ocorrerão nestes indivíduos, enquanto

estiverem sendo condicionados;

b) estas correlações sempre ocorrerão nestes indivíduos;

c) estas correlações ocorrem em ratos;

d) estas correlações ocorrem em mamíferos.

O que permitiria, logicamente, uma dedução:

e) estas correlações ocorrem em humanos.

Este seria um raciocínio possível se, ao menos, a segunda proposição tivesse

sido confirmada. No entanto, como vemos na ilustração 4, se as regras do condicionamento se

alterassem, os padrões MA também se alteravam. O que nos afastaria da “resposta cerebral”

ao “problema mental” da invariância perceptiva.

Na figura ao lado, Freeman

descreve as transformações no padrão MA

detectado na faixa gama do EEG.

O padrão neural (C) foi

correlacionado ao cheiro de serragem. Para

isto, como vimos, os experimentadores

condicionaram os animais, treinando-os a

reconhecerem este odor. Depois eles repetiram

Ilustração 4: Os padrões MA inicialmente correlacionados ao odor de serragem (C) mudam (F),

se os coelhos forem condicionados a outros odores (D) e (E). FREEMAN, 2000. pg. 78

o treinamento, nos mesmos animais, com outros odores, obtendo os padrões correlacionados

ao acetato de amila (D) e ao álcool butil (E). Freeman se surpreendeu, no entanto, quando

observou que a serragem já não gerava mais os mesmos padrões de antes (F).

Esta surpresa descrita no livro marca, segundo pudemos entender, uma

mudança no pensamento do autor. Afinal, depois de tanto esforço para desvendar o mistério

da invariância perceptiva, pouco se havia caminhado neste sentido. Isto porque os padrões

MA não seriam conseqüência direta de um estímulo, mas de um processo de

condicionamento a este estímulo.

Melhor dizendo, os padrões MA estão relacionados tanto a um determinado

estímulo olfativo quanto a uma certa forma de condicionamento. Como se pode interpretar

estes resultados?

Freeman optou pelo seguinte caminho:

“Estes achados mostram que as estruturas dos padrões MA dependem da história enterrada no tecido nervoso pelas modificações sinápticas durante o aprendizado e não no estímulo individual... Esta incorporação do significado nos padrões MA ... (é uma das bases) da dinâmica da intencionalidade”157 Ou seja, o autor parece ter abandonado sua busca pela neurodinâmica da

invariância perceptiva – onde “representações invariantes” teriam seu papel garantido –

adotando agora a tese de que o cérebro trabalha apenas com significados. Além disto,

Freeman propôs uma possível base cerebral para a formação do significado, descrita na

linguagem da neurodinâmica. E o cérebro, como sabemos, é um sistema dinâmico - o que

parece fortalecer sua tese.

O que isto significa? Os padrões MA estariam relacionados à percepção ou ao

condicionamento? Ao que parece, Freeman considera que ambos podem ser incluídos na idéia

de significado. Isto explicaria porque estes padrões podem ser correlacionados tanto ao

estímulo olfativo quanto ao método de condicionamento.

157 Esta dinâmica da intencionalidade refere-se à própria teoria do autor. Trecho retirado de FREEMAN, 2000, pg. 78. Grifo nosso.

Terá sido esta opção um “avanço conceitual”? Será este mais um elemento

descoberto no crescente paradigma dinamicista? Poderá esta abordagem nos dar pistas sobre

os mecanismos da consciência? Vamos com um pouco mais de calma...

*

Em síntese, o padrão espacial de modulação em amplitude é, para Freeman,

uma importante medida da atividade em massa de neurônios, principalmente por sua

correlação temporária com estímulos condicionados. Recentemente, o autor identificou outras

propriedades destes padrões, denominando o conjunto de “pacote de onda”.158 Este fenômeno

tem, para Freeman, importância análoga a do potencial de ação, sendo a modulação em

amplitudes, ainda, sua propriedade informacionalmente mais significativa (ver respectivo

capítulo). Antes de compreendê-lo, porém, precisamos conhecer melhor os mecanismos

cerebrais que possibilitariam a existência dos padrões MA.

Vejamos, por fim, mais duas interessantes propriedades que o autor identifica

nos padrões de modulação em amplitude:

“cada coelho tinha um padrão MA como uma assinatura que, embora nunca seja a mesma, nós podemos facilmente discriminar dos padrões de outros coelhos”159

“mesmo em condições experimentais controladas e estímulos invariantes, a constância dos padrões para cada classe de odores durava apenas poucos dias ... Essa mudança parece depender em parte do firme crescimento de axônios e dendritos no tecido nervoso”160

Notemos que esta última propriedade do tecido neural, sua inerente

plasticidade, pode se constituir num grande obstáculo para aqueles que buscam correlações

precisas, robustas e duradouras entre o cerebral e o mental. Neste sentido, talvez estejamos

caminhando para o que Kim chamou de “redução local” dos termos mentais aos termos

físicos.161 O que poderia, por sua vez, nos suscitar uma questão: muitas “reduções locais” não

158 Ver capítulo “modulação de fase e “pacotes de onda”. 159 FREEMAN, 2000. pg 74.

160 Idem, pg 76.

podem se tornar uma “ampliação” na explicação de certo fenômeno?