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Nas primeiras visitas à Escola Emília Ramos, no segundo semestre de 2008, com finalidade de observar o espaço físico em que as crianças de 6 anos conviviam num ambiente educativo, fomos informada de que os primeiros anos do Ensino Fundamental assistiam aula não no prédio principal da escola, mas em uma casa alugada pela Prefeitura, em frente à escola. Esta casa funcionava como um anexo que, provisoriamente, atenderia os 1° Anos até que um novo prédio fosse construído. Fomos, então, a este ambiente.

Chegando lá, observamos já na entrada do Anexo, que aquele espaço não lembrava, de fato, uma escola, embora os seus profissionais demonstrassem um esforço em tornar aquele ambiente mais acolhedor e educativo possível.

No Anexo, havia 3 salas de aula de 1° ano com, aproximadamente, 35 alunos, em cada sala que, na verdade, eram os quartos da casa alugada. De certo, os quartos não tinham espaço suficiente para agrupar 35 crianças e todo mobiliário que compõe uma sala de aula. As salas eram pequenas demais e sem janelas. A sala de estar da casa era onde as crianças brincavam no recreio, momento este que contava com apenas duas caixas com fantoches e brinquedos, pois o espaço não tinha área aberta ou parque.

Havia um quarto com estantes e livros que, aparentemente, era a biblioteca, mas ela era escura, empoeirada, ficava de frente para a cozinha e servia também de local para os professores lancharem.

Esta situação se prolongou até Março de 2009, quando a Prefeitura entregou à comunidade escolar um novo prédio, formado por 3 pavimentos com capacidade para acolher 900 crianças, além de jovens e adultos nos três turnos. A nova estrutura passe a contar com 14 salas de aula, sala de apoio pedagógico para alunos especiais, área de recreio coberta, cozinha, banheiros, bloco administrativo com diretoria, secretaria, coordenação, sala de professores, estacionamento no subsolo com 30 vagas e um elevador. Atualmente, a escola é equipada com completo e moderno mobiliário, acessível e adaptado a pessoas com deficiências. Embora o novo prédio seja amplo, bem equipado, bonito e acolhedor, a diretora da escola nos revela que ―O prédio foi construído para o ensino formal, mas não para crianças pequenas, mesmo estando elas no Ensino Fundamental‖.

Realmente, o que se observa é que o prédio novo ainda não traz ou preenche as necessidades básicas de crianças menores, o que pode ser percebido em detalhes simples, como a inexistência de um parque, de uma brinquedoteca, de mesas e cadeiras menores, visto que, as que são utilizadas são grandes e desconfortáveis. Além disso, outros mobiliários da Escola, como os bancos do pátio, são altos demais para as crianças de 6 anos.

Na opinião da diretora ―A Escola Emília Ramos é um referencial no ensino, mas ainda não é um referencial na sua estrutura física‖.

Fica para nós a reflexão: se a Escola Emília Ramos é considerada referência em qualidade de ensino, embora a qualidade não seja contemplada na sua estrutura física – ainda que seja boa - as necessidades das crianças de 6 anos, como estará a situação das outras escolas que certamente têm a qualidade de ensino inferior e que não conta com a mesma estrutura física da Escola Emília Ramos? Como está sendo acolhido o trabalho de alfabetização dessas crianças no 1°. Ano do Ensino Fundamental diante dessas condições? Certamente não deve estar sendo um processo muito respeitoso.

CENTRO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL PROFª MARISE PAIVA DE MORAIS

Em junho de 2004, quando da realização de uma festa junina, parte do teto do Centro de Educação Infantil desabou, deixando alunos e funcionários feridos e, dentre estes, uma criança veio a falecer, posteriormente (PREFEITURA DO NATAL, 2006).

Apesar desses momentos traumáticos, a Escola Marise Paiva tem lutado para superar as marcas da tragédia que abalou profundamente aquela comunidade escolar. Salientamos também que, fazendo jus à garra de sua patrona que, em vida, nunca mediu esforços nos movimentos contra as desigualdades sociais, a Escola Marise Paiva tem enfrentado, de forma aguerrida, quando necessário, até as autoridades constituídas, na defesa dos direitos de seus alunos e demais integrantes da comunidade escolar (PREFEITURA DO NATAL, 2006).

Nesse sentido, a Escola tem contado com a mobilização da direção, dos seus funcionários, dos seus professores, das famílias, bem como de colegas de outras escolas, principalmente da co-irmã Emilia Ramos, no acolhimento e apoio a todos os integrantes da Escola.

Mesmo depois de algum tempo do acidente, tudo foi muito difícil – entrar na Escola, parar ali dentro para trabalhar ou estudar – causava pavor às crianças, às famílias e, até, aos funcionários e professores da Escola que temiam um novo desabamento.

Gradativamente, passados alguns anos da grande tragédia que marcou profundamente aquela Escola, parece que a sua vida acadêmica voltou à normalidade, o que não tem sido fácil, embora existam muitos guerreiros e guerreiras incansáveis na luta pela defesa do Marise Paiva, como mais um espaço de democratização do direito a uma educação infantil de qualidade respeitável.

Desse modo, as suas instalações físicas foram recuperadas; são agradáveis, bem cuidadas e adequadas às necessidades de crianças da Educação Infantil.

São oito salas grandes – cada uma com seu banheiro – e bem arejadas, com cadeiras e mesas bem distribuídas, sendo uma das salas destinada a multimeios (biblioteca, brinquedos e videoteca).

Existe ainda uma ante-sala – para o acolhimento das crianças na chegada à escola –, um pátio amplo, uma cozinha, uma secretaria, dois banheiros para adultos e a sala dos professores, na qual são realizados os estudos semanais.

Podemos perceber que todos os ambientes da Escola são bastante limpos, além de serem decorados e organizados com muito carinho, lembrando que

Ao pensar em espaço físico para crianças é fundamental levar em consideração que este ambiente é composto por gosto, toque, sons e palavras, regras de uso do espaço, luzes e cores, odores, mobílias, equipamento e ritmos de vida (CRAIDY; KAERCHER, 2001, p.73).

Diante do exposto, tudo leva a crer que, na organização do espaço físico do CEIMAP, houve os mesmos cuidados destacados por Craidy e Kaercher (2001). Ressaltamos ainda, que o cotidiano na Educação Infantil deve apresentar momentos que variem conforme as necessidades de aprendizagem, próprias de cada faixa etária das crianças. Porém todos esses momentos, independentes do local onde se realizem, devem estimular a criatividade, a experimentação e a imaginação da criança, a fim de que ela possa se desenvolver no âmbito das múltiplas linguagens expressivas e da interação com os outros.

É, pois, esta a realidade que pudemos constatar que na Escola Marise Paiva: uma Escola organizada para possibilitar o desenvolvimento das crianças, num ambiente bonito, respeitoso, cheio de vida e acolhedor, a partir do que é considerado como parâmetro de qualidade para essa faixa etária de acordo com os documentos do MEC.