Finite element model of Lysefjord Bridge
4.2 ABAQUS model
4.2.2 Elements
Como os dois paradoxos estudados mostram, desde a sua criação, em 1922, o PCB é influenciado pela Internacional Comunista e até por outros partidos comunistas da Europa e da América Latina. Se no momento em que o comunismo no mundo estava em alta, tal fato contribuiu para o fortalecimento do comunismo no Brasil, não poderia ser diferente que, quando o marxismo-leninismo começasse a ser questionado, como será mostrado na penúltima parte desse capítulo, e quando a União Soviética tomasse atitudes que não agradassem ao senso comum, ocorressem influências negativas no PCB.
Stalin foi um dos grandes responsáveis por ações que deporam contra o comunismo no mundo, mas também existem situações como a intervenção na Hungria e na Tchecoslováquia que foram criadas por outros dirigentes do PCUS e pela própria URSS que não fizeram muito bem ao PCB, como veremos neste capítulo. E para entender um pouco mais o movimento comunista internacional, começaremos pela Guerra Fria, alguns posicionamentos de Stalin que, pode-se dizer, deram início ao enfraquecimento do comunismo no mundo e, consequentemente, no Brasil, bem como outros acontecimentos que mesmo depois de um processo de desestalinização do comunismo ainda o feriram mortalmente.
Guerra Fria
Antes da Segunda Guerra Mundial, os EUA eram um símbolo do capitalismo e a URSS do comunismo. Conforme a teoria marxista-leninista, essas duas vertentes se apresentavam opositoras e excludentes. Entretanto, durante a Segunda Guerra Mundial, ambos se uniram – juntamente com a Inglaterra – formando o grupo dos países aliados, para combater as potências do Eixo – Alemanha, Itália e Japão – para combater o fascismo, principalmente o de Hitler e Mussolini. Logo após a Guerra, a Europa encontra-se em ruínas e os EUA, também graças a Guerra, encontravam-se numa posição de liderança comercial e tecnológica8.
Os EUA começaram a injetar dinheiro na Europa a fim de socorrê-la. Até o ano de 1947, os países europeus até conseguiram uma recuperação rápida em suas infraestruturas (indústrias, transporte, habitação, reforma agrária etc.), mas a provisão de alimentos ainda estava precária. Com o terrível inverno de 1947, a situação piorou. Em todo esse período pós-guerra, os EUA
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Tanto a escassez de carvão como a de gêneros alimentícios foram compensadas por importações dos EUA, o que contribuiu para a posição comercial privilegiada que os EUA assumiram no pós-guerra.
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injetaram grandes quantias de dinheiro na Europa, a fim de ajudar seus países a saírem da crise do pós-guerra – 4,4 bilhões de dólares no Reino Unido e 1,9 bilhões na França. Nesse mesmo ano, foram mais de 513 milhões para a Itália, 251 milhões para Polônia, 272 milhões para a Dinamarca e 161 milhões para a Grécia (JUDT, 2008). O problema é que nem todo esse dinheiro foi aplicado em planejamentos e investimentos para o futuro dos países. Alguns deles utilizaram o dinheiro para remediar situações urgentes e, em outros casos, até parece ter sido mal aplicado por seus dirigentes.
Diante dessa situação, o Secretário de Estado americano, George Catlett Marshall, sugeriu o Plano de Recuperação Europeia (PRP) por meio do qual os EUA emprestariam dinheiro para os países europeus destruídos pela Segunda Guerra Mundial, mas dessa vez com a supervisão de observadores internacionais americanos que orientariam e garantiriam a boa aplicação do dinheiro. Como afirma Judt (2008), os empréstimos dos EUA deixam de ser um fundo emergencial de desastre para fazerem parte de um programa estratégico de recuperação e crescimento.
Em junho de 1947, a oferta de auxílio por meio do Plano Marshall foi feita a todos os países da Europa. Até esse ponto, parecia estar tudo bem, não fosse a desconfiança de Stalin de prováveis objetivos escusos que os americanos poderiam ter com essa ajuda para a recuperação da Europa. Poderiam pretender um controle e dominação econômica sobre aqueles países – o chamado imperialismo americano. Viacheslav Molotov se retira de uma reunião no dia 2 de julho, promovida pelos ministros das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, França e da própria União Soviética, para dar uma resposta à proposta dos EUA. Talvez tenha sido aí o início do que Raymond Aron (1955) chamou de Guerra Fria. Início em termos, pois, na verdade, a Segunda Guerra Mundial amorteceu ou amenizou as diferenças e o antagonismo entre os EUA e a URSS. Outro episódio que também caracteriza o início dessa Guerra Fria é um incidente com a Tchecoslováquia. No início das negociações para a implementação do Plano Marshall, o ministro das Relações Exteriores da Tchecoslováquia, Jan Masaryk, que não era comunista, aceitou o convite. Logo após, Stalin deu ordem a Klement Gottwald, primeiro-ministro da Tchecoslováquia e também líder do Partido Comunista para não participar do encontro no dia 4 de julho – promovido pela França e pela Grã-Bretanha para discutir a adesão dos países europeus ao Plano Marshall. Isso aconteceu depois de se cogitar a participação de Gottwald no encontro para criticá-lo e depois abandoná-lo, levando o maior número possível de representantes dos países europeus.
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Essa foi uma guerra em que não havia combates diretos nem explícitos e muito menos confrontos armados. Uma guerra pela hegemonia econômica no mundo. Nessa guerra, os EUA desencadearam diversas estratégias para enfraquecer o socialismo que tentava se expandir cada vez mais mundo a fora, seguindo as últimas palavras do Manifesto Comunista: “trabalhadores de todos os países, uni-vos” (MARX; ENGELS, 2004), e querendo aumentar o seu poderio econômico. A propaganda anticomunista se espalha por todo o mundo por meio da imprensa, de filmes, livros etc. O imperialismo norte-americano tenta impor-se pelo mundo, principalmente em países menos desenvolvidos da Europa e futuramente de países da América Latina, como foi o caso do Brasil.
Judt (2008:141) chega a afirmar que “a causa imediata da divisão da Alemanha (inimiga dos EUA e da URSS durante a Segunda Guerra Mundial) e da Europa reside, antes, nos equívocos cometidos pelo próprio Stalin naqueles anos”. O mesmo autor relata que “a Guerra Fria na Europa foi resultado inevitável da personalidade do ditador soviético e do sistema por ele comandado” (idem, p. 142). De qualquer forma, não se pretende aqui descobrir quem foi o culpado ou simplesmente o iniciador da Guerra Fria. Se foram os EUA com o seu Plano Marshall e possíveis intenções de dominação da Europa, ou se foi Stalin com sua intransigência com esse plano e com os EUA, mais especificamente, e todas as suas manobras para enfraquecê-lo ou torná-lo inócuo. A questão que não pode ser ignorada é que a Guerra Fria contribuiu muito para o enfraquecimento do comunismo no mundo e que os EUA se aproveitaram muito dos acontecimentos do XX Congresso do PCUS para intensificar a propaganda contra o comunismo, o PCUS e a própria União Soviética.